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Recém-nascido a termo apresenta aumento progressivo do perímetro cefálico, diástase de suturas e fontanela anterior ampla, associados a atraso de sucção e sinais de hipotonia. A ultrassonografia transfontanelar mostra ventriculomegalia importante, sem sinais evidentes de obstrução.
Considerando a fisiopatologia, o diagnóstico diferencial e a conduta frente à hidrocefalia congênita, qual deve ser a abordagem diagnóstica mais adequada nesse momento?
Prescrever acetazolamida para reduzir a pressão intracraniana e reavaliar em 15 dias com nova imagem.
Solicitar sorologia para toxoplasmose, citomegalovírus e rubéola, pois infecções congênitas são a principal causa de hidrocefalia.
Investigar causas genéticas e sindrômicas com base no padrão clínico e de imagem, dado que se trata de uma forma comunicante, idiopática e progressiva.
Iniciar imediatamente protocolo para ventriculostomia endoscópica do 3o ventrículo, pois é a melhor abordagem terapêutica em todos os casos de hidrocefalia.
Realizar tomografia de crânio de urgência e, na ausência de alterações agudas, liberar o paciente com seguimento ambulatorial.
Recém-nascido prematuro de 27 semanas, com 3 dias de vida, encontra-se em ventilação mecânica invasiva no modo assistido-controlado, com os seguintes parâmetros: FiO2: 28%, frequência respiratória (FR): 35 irpm, pressão expiratória final positiva (PEEP): 5 cmH2O, pressão inspiratória (Pinsp): 16 cmH2O, tempo inspiratório (Tinsp): 0,38 s, volume corrente gerado: 5 mL/kg. gasometria arterial: pH: 7,28, PaCO2: 51 mmHg, PaO2: 87 mmHg, HCO3 – : 23 mEq/L, BE: –2, SatO2: 98%.
Com base nos dados clínicos e ventilatórios, qual seria o ajuste necessário nesse momento?
Reduzir a fração inspirada de oxigênio (FiO2 ).
Aumentar a pressão expiratória final positiva (PEEP).
Aumentar a pressão inspiratória (Pinsp).
Aumentar a frequência respiratória (FR).
Durante a avaliação rotineira na UTI neonatal, um pediatra depara-se com diferentes recém-nascidos internados, cada um apresentando condições clínicas específicas que impactam na escolha da via de nutrição.
Considerando as indicações formais para o início da nutrição parenteral, qual das situações a seguir representa uma indicação adequada para o início da nutrição parenteral precoce?
RN de 34 semanas em ventilação não invasiva.
RN de 38 semanas com fenda palatina.
RN de 32 semanas com síndrome do desconforto respiratório.
RN de 29 semanas com sépsis neonatal.
Uma recém-nascida com suspeita de síndrome de aspiração meconial está internada na UTI neonatal. Durante o primeiro dia de vida, apresenta piora da saturação de oxigênio.
As hipóteses diagnósticas mais prováveis para justificar essa piora são:
atelectasia, pneumotórax, hipertensão pulmonar.
hipoventilação, aumento do espaço morto, hipertensão pulmonar.
atelectasia, pneumotórax, aumento do espaço morto.
hipoventilação, hipertensão pulmonar, aumento do espaço morto.
A enterocolite necrotizante no neonato é uma afecção inflamatória típica do período neonatal, na qual a prematuridade figura como um dos fatores de risco mais significativos.
Em relação ao intestino de prematuros:
1. Exige uma elevada oferta de oxigênio devido à intensa demanda oxidativa do intestino prematuro.
2. Apresenta diminuição ou falta de ajuste na microcirculação em reação à hipotensão ou hipóxia devido à imaturidade intestinal.
3. Possui níveis reduzidos de ácido gástrico e pepsina, além de atividade lactase ainda em desenvolvimento parcial.
4. Produz pouco muco pelas células secretoras intestinais e exibe motilidade reduzida e menos coordenada devido à imaturidade intestinal.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3.
São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4.
São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.
São corretas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.
Gestante, HIV positivo diagnosticado na gestação, iniciou terapia antirretroviral com boa adesão e diminuição da carga viral documentada em exames laboratoriais coletados. Foi encaminhada à maternidade para realização de parto quando completou 39 semanas de gestação. RN do sexo masculino, nasceu com boa vitalidade e peso de nascimento de 3.420 g. Em relação à indicação de terapia antirretroviral para o RN exposto ao HIV, é correto afirmar:
Está indicada a quimioprofilaxia com zidovudina solução oral 6 mg/kg/dose de 12/12h, que deve ser iniciada nas primeiras 24 horas de vida e mantida durante as primeiras 4 semanas de vida, independente da carga viral da mãe.
Está indicada a quimioprofilaxia com nevirapina, preferencialmente com início ainda em sala de parto, realizada em 3 doses de 10 mg/dose, com intervalo de 48h entre elas.
Se a carga viral for desconhecida ou acima de 1.000 cópias/mL no 3º trimestre de gestação, está indicada a quimioprofilaxia com zidovudina 4 mg/kg/dose de 12/12h e nevirapina 12 mg/dose. O tratamento com a zidovudina deve ter início ainda em sala de parto e ser mantido até completar 4 semanas de vida e a nevirapina deve ser realizada em 3 doses com a primeira dose sendo realizada dentro das primeiras 48 horas de vida.
Se a carga viral for indetectável ou menor que 1.000 cópias/mL, pode-se realizar a quimioprofilaxia apenas com zidovudina 8 mg/kg/dose, desde que iniciada logo ao nascimento ou no máximo até completar 4 horas de vida e mantida por 12 semanas após a alta hospitalar.
Independente da carga viral materna, está indicado realizar a quimioprofilaxia do recém-nascido exposto ao HIV com zidovudina 6 mg/kg/dose de 12/12h e nevirapina 10 mg/dose. Ambas as medicações devem ser iniciadas nas primeiras 12 horas de vida. A zidovudina deve ser mantida por 6 semanas e a nevirapina deve ser realizada em 4 doses com intervalo de 48 horas entre elas.
São indicações de via aérea avançada na reanimação neonatal, EXCETO:
Hérnia diafragmática congênita.
VPP prolongada.
Bradicardia que não responde a VPP.
Malformação cardíaca.
Ausência de drive respiratório.
Recém-nascido de 30 semanas, 1.200 g, parto cesáreo por trabalho de parto prematuro. Líquido amniótico claro. Ao nascimento: hipotônico, FC de 80 bpm, respiração irregular. Foi colocado em saco plástico de polietileno sob berço aquecido, iniciado VPP com PEEP de 5 cmH2O, PIP de 25 cmH2O em FiO2 de 0,30. Após 30 segundos de VPP eficaz, a FC subiu para 120 bpm, mas o RN permanece com retrações, gemência e necessidade de FiO2 de 0,40 para SpO2 de 88% (alvo para 5 min: 80 a 85%). Qual a conduta mais adequada neste momento?
Manter apenas VPP por máscara, aumentando PIP progressivamente até 40 cmH2O para obter melhora do esforço respiratório.
Realizar intubação orotraqueal, iniciar ventilação mecânica invasiva e administrar surfactante profilático imediato, independentemente da necessidade de oxigênio.
Interromper a reanimação e observar, pois a frequência cardíaca já normalizou e a saturação está dentro da faixa alvo.
Iniciar CPAP nasal contínuo, mantendo suporte não invasivo; avaliar necessidade de surfactante seletivo se a FiO2 se mantiver > 0,30-0,40.
Administrar adrenalina endovenosa, pois a persistência de desconforto respiratório indica falência da reanimação inicial.
A Doença Hemorrágica do Recém-Nascido (DHRN) pode se manifestar em três formas clínicas distintas: precoce, clássica e tardia. Em relação a essas apresentações, assinale a alternativa correta.
A forma precoce ocorre entre 2-7 dias de vida e está frequentemente associada à ausência de profilaxia com vitamina K; manifesta-se principalmente com sangramentos cutâneo-mucosos.
A forma clássica, mais comum em prematuros e filhos de mães em uso de anticonvulsivantes, surge nas primeiras 24 horas de vida com hemorragia intracraniana.
A forma tardia é mais comum em lactentes exclusivamente amamentados, surge após a 2ª semana de vida e pode se apresentar com hemorragia intracraniana grave.
As três formas compartilham o mesmo período de apresentação, diferindo apenas na gravidade dos sangramentos.
A presença de vitamina K profilática ao nascimento é eficaz apenas contra a forma clássica, não prevenindo a forma tardia.
Recém-nascido de 27 semanas, 980 g, ventilado nas 3 primeiras semanas de vida. Atualmente, com 36 semanas de idade pós-concepção, encontra-se em CPAP nasal, FiO2 de 0,30. Segundo a definição do NICHD (National Institute of Child Health and Human Development) 2016, qual a classificação correta da displasia lbroncopulmonar neste caso?
Não apresenta critérios para displasia broncopulmonar, pois já está em suporte não invasivo.
Displasia broncopulmonar leve: necessidade de apenas oxigênio suplementar em óculos nasal de baixo fluxo (<2 L/min).
Displasia broncopulmonar moderada: necessidade de oxigênio suplementar < 30%, independentemente do suporte ventilatório.
Displasia broncopulmonar moderada: necessidade de oxigênio suplementar ≥ 30% e/ou suporte não invasivo (CPAP, NIPPV, cânula de alto fluxo).
Displasia broncopulmonar grave: necessidade de ventilação invasiva (intubação endotraqueal), independentemente da fração inspirada de oxigênio.
Texto para as questões 38 e 39
RN, sexo masculino, IG de 38 semanas, gestação sem intercorrências ou patologias, parto cesárea por desejo materno, peso de nascimento 3.250 g, Apgar 9/10, SGB negativo, BR 4h antes do nascimento. Cerca de 1 hora após o nascimento, o RN encontra-se com Tiragem Subdiafragmática (TSD) e Tiragem Intercostal (TIC), Batimento de Asa Nasal (BAN) e gemente, temperatura axilar de 36,5 ºC, SpO2 de 90% em ar ambiente.
Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada.
Encaminhar à UTI neonatal em IA, manter monitorização com oxímetro de pulso, solicitar RX de tórax, passar SOG e manter em jejum, iniciar oxigenioterapia.
Encaminhar à UTI neonatal em IA, manter monitorização com oxímetro de pulso, solicitar RX de tórax e exames de sangue, passar SOG e manter em jejum, iniciar oxigenioterapia e antibioticoterapia empírica de amplo espectro.
Encaminhar à UTI neonatal, manter em incubadora aquecida em jejum com SOG aberta, iniciar suporte ventilatório com CPAP, realizar RX de tórax e reavaliar após 1 hora de estabilização clínica e necessidade de coleta de exames complementares.
Encaminhar ao berçário, manter em berço aquecido por 1 hora com monitorização e reavaliar após esse período para liberação de alojamento conjunto.
Realizar glicemia capilar, liberar para alojamento conjunto com a mãe, liberar seio materno e reavaliar 1 hora após glicemia de controle.
Recém-nascido de 32 semanas, parto vaginal, mãe com corioamnionite clínica (febre intrapario 38,5 ºC, leucocitose materna e líquido amniótico fétido). O RN nasce em bom estado, Apgar 8/9, eupneico, corado. Após 6 horas de vida, apresenta taquipneia (FR de 72 irpm), retrações subcostais discretas e hipoxemia leve (SpO2 de 89% em ar ambiente). Hemograma: leucócitos 13.200/mm3, bastonetes 8%, plaquetas 240.000/mm3. Hemocultura coletada. Considerando as recomendações atuais para sepse neonatal precoce, assinale a alternativa correta.
A ausência de alterações significativas no hemograma descarta sepse precoce, sendo seguro apenas observar clinicamente o recém-nascido.
A principal medida preventiva é a vacinação materna contra Streptococcus agalactiae durante a gestação, já implementada em protocolos internacionais.
O início empírico imediato de antibioticoterapia com ampicilina + gentamicina é indicado neste cenário, devido ao risco aumentado por corioamnionite materna e sinais clínicos de instabilidade respiratória no RN.
A coleta de líquor deve ser realizada rotineiramente em todos os RN com suspeita de sepse precoce, independentemente da estabilidade clínica.
O uso profilático de vancomicina é recomendado em RN pré-termos expostos a corioamnionite, devido à alta prevalência de estafilococos coagulase-negativos como causa de sepse precoce.
Em recém-nascidos prematuros com canal arterial patente (PCA), a indometacina pode ser utilizada para fechamento farmacológico. Entretanto, seu uso apresenta contraindicações. Assinalar a alternativa que NÃO constitui contraindicação para o uso de indometacina nesse contexto.
Sangramento ativo.
Plaquetopenia.
Prematuridade extrema.
Enterocolite necrotizante.
A síndrome de aspiração de mecônio (SAM) é uma condição respiratória que acomete recém-nascidos expostos ao líquido amniótico meconial, caracterizando-se por insuficiência respiratória de origem não explicada por outras causas e por achados radiológicos típicos. A gravidade da SAM pode variar, sendo classificada principalmente, de acordo com Clearly e Wiswell (1998), como:
I. Leve: FiO2 <0,60 por mais de 48h.
II. Moderada: FiO2 >0,60 por mais de 48h sem vazamento de ar.
III. Grave: Ventilação mecânica por mais de 48h e/ou hipertensão pulmonar.
Está CORRETO o que se afirma:
Em todos os itens.
Apenas nos itens I e II.
Apenas nos itens II e III.
Apenas no item III.
A Icterícia Neonatal é comum, mas níveis elevados de bilirrubina indireta podem causar neurotoxicidade (Kernicterus). Assinale a zona dérmica de Kramer que corresponde à icterícia visível até a região dos joelhos e o nível aproximado de bilirrubina associado.
Zona 1; bilirrubina estimada em 6 mg/dL (apenas face).
Zona 3; bilirrubina estimada entre 8 a 12 mg/dL (ou até 12 mg/dL). (Nota: Zona 3 é até joelhos, nível ~12).
Zona 2; bilirrubina estimada em 9 mg/dL (até umbigo).
Zona 5; bilirrubina estimada > 15 mg/dL (palmas e plantas).
Zona 4; bilirrubina estimada em 15 mg/dL (pernas e braços).
Menino, 45 dias de vida, apresenta descamação em sobrancelhas e região retroauricular, também crostas em couro cabeludo com cheiro acentuado. A mãe tentou retirar as crostas no banho, mas a região ficou hiperemiada. Nesse caso, a conduta indicada é
realizar movimentos circulares em couro cabeludo com algodão embebido em óleo vegetal antes do banho, 3 vezes por semana. Usar tacrolimo pomada 0,1% nas demais áreas por 7 dias.
aplicar hidocortisona 1% creme nas sobrancelhas e demais áreas, 1 vez ao dia, por até 7 dias, e cetoconazol 2% xampu 2 vezes por semana.
utilizar cetoconazol 2% creme em todas as áreas acometidas, após o banho, em dias alternados.
administrar tacrolimo pomada 0,3% nas áreas acometidas, 1 vez ao dia, por 7 dias.
aplicar ácido salicílico 10% xampu, em todas áreas acometidas, 3 vezes por semana, por 3 semanas.
Um recém-nascido de 13 dias de vida é levado à Unidade Básica de Saúde por apresentar icterícia. A mãe refere que o bebê “está amarelado” desde o 5º dia de vida. Nasceu de parto vaginal, com clampeamento tardio do cordão, Apgar 9/10 e tipagem sanguínea A+ (mesmo tipo dos pais). O peso ao nascer foi de 3.250 g e, na consulta, encontra-se com 2.870 g. A mãe refere aleitamento materno exclusivo, porém relata que o bebê parece “não se satisfazer”. Ao exame físico, observa-se icterícia até o abdome, sem outras alterações clínicas. Com base no caso, qual é a causa mais provável da icterícia?
Icterícia fisiológica do recém-nascido.
Colestase neonatal.
Incompatibilidade ABO.
Icterícia por hemólise devido à deficiência de G6PD.
Icterícia do aleitamento materno (icterícia associada ao leite materno).
A cianose periférica de mãos e pés, comum em recém-nascidos, também pode ser chamada de:
Acrocianose.
Icterícia periférica.
Acidose periférica.
Cianose patológica do neonato.
Qual o fator prognóstico pré-natal mais importante para a sobrevida de pacientes com hérnia diafragmática congênita?
Tamanho da hérnia
Relação entre a área pulmonar e a área da cabeça (LHR)
Presença de anomalias associadas
Lado da hérnia (esquerdo ou direito)
Sobre a triagem neonatal ampliada, assinale a alternativa correta.
Detecta apenas doenças cromossômicas.
Deve ser realizada idealmente até 90 dias de vida.
A fenilcetonúria não está incluída nos testes básicos do SUS.
Exige jejum prévio de 12 horas.
Visa identificar doenças genéticas tratáveis precocemente.