Questões de Concurso sobre Neurologia

 
 
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Paciente de 72 anos, com história de hipertensão arterial e diabetes, apresenta início súbito de hemiparesia direita, desvio conjugado do olhar para a esquerda e afasia. Qual é o diagnóstico sindrômico mais provável?


A

Síndrome medular cervical.


B

Síndrome hemisférica cerebral esquerda.


C

Síndrome do tronco encefálico.


D

Síndrome de neurônio motor inferior.

Sobre as afasias, assinale a alternativa correta.


A

Segundo a Classificação Clássica das Afasias Pós-AVC, a Afasia de Broca (não fluente) relaciona-se a produção verbal reduzida, agramatismo, compreensão relativamente preservada.


B

Segundo a Classificação Clássica das Afasias Pós-AVC, a Afasia de Wernicke (não fluente) relaciona-se a produção verbal reduzida, agramatismo, compreensão relativamente preservada.


C

Segundo a Classificação Clássica das Afasias Pós-AVC, as afasias são tradicionalmente classificadas em subtipos principais baseados em fluência, compreensão, repetição, processamento fonológico e processamento semântico.


D

As afasias mais prevalentes pós-AVC são a Global e a Anômica.


E

Deficit de compreensão relaciona-se a lesões temporais anteriores.

Paciente, sexo masculino, 26 anos, com antecedente de trauma raquimedular cervical a 6 meses, encontra-se na sala de espera com quadro de hiperemia facial, sudorese profusa e queixa de cefaleia. Na avaliação física, são observadas pressão arterial de 170 x 100 mmHg e frequência cardíaca de 54 bpm.


A principal hipótese diagnóstica e a melhor conduta imediata para o caso são, correta e respectivamente:


A

hiperatividade simpática paroxística – beta bloqueador EV.


B

disreflexia autonómica – esvaziamento vesical.


C

crise serotoninérgica – introduzir nitrato EV.


D

disreflexia autonómica – clister.


E

crise hipertensiva – nifedipina sublingual.

Sobre a abordagem da síncope em serviços de emergência, marque a afirmação CORRETA.


A

Condições como síncope vasovagal raramente necessitam de início de tratamento específico nos serviços de emergência.


B

O eletrocardiograma na avaliação inicial é dispensável na maioria das situações.


C

A presença ou relato de movimentos tônico-clônicos exclui a possibilidade de síncope como causa de um evento de perda de consciência.


D

A tomografia computadorizada de crânio tem alto rendimento diagnóstico, e, se disponível, deve fazer parte da avaliação inicial de todos os pacientes com episódio de síncope.

Ano: 2026
Prova: FGV - ENARE - Residência Pré Requisito - Área: Geriatria - 2026

Mulher de 46 anos, com hipertensão arterial sistêmica e diabetes Mellitus em uso de insulina, é internada por descompensação hiperglicêmica grave, em contexto de suspeita de infecção urinária. Na admissão, apresenta alteração do nível de consciência. Os exames laboratoriais mostram glicemia de 622 mg/dL, pH de 7,42, bicarbonato de 20,2 mEq/L, sódio de 139 mEq/L, potássio de 4,5 mEq/L, ureia de 62 mg/dL, creatinina de 0,92 mg/dL e lactato de 1,72 mmol/L. Não estão disponíveis dosagem de beta hidroxibutirato, documentação de cetonemia significativa ou medida da osmolaridade sérica.

Após hidratação, antibiótico empírico e insulinoterapia, apresenta melhora importante da hiperglicemia, porém mantém alteração flutuante do nível de consciência.

No terceiro dia de internação, um familiar relata episódio de movimentos anormais interpretado como “crise convulsiva”, não presenciado pela equipe assistencial. Na avaliação médica imediatamente posterior, a paciente encontra-se hemodinamicamente estável, eupneica em ar ambiente e responsiva aos chamados verbais, porém apresenta movimentos mioclônicos predominantemente faciais, sem período pós-ictal típico.

A tomografia computadorizada de crânio realizada na admissão não demonstra alterações intracranianas agudas. Após o novo evento, uma segunda tomografia computadorizada de crânio, sem contraste, também não evidencia hemorragia, efeito de massa, hidrocefalia ou outra alteração estrutural aguda capaz de explicar o quadro. Não há hipoglicemia documentada durante o evento.

Considerando a persistência da alteração do estado mental associada aos fenômenos motores paroxísticos, o exame complementar mais apropriado para investigar se há atividade ictal cerebral contribuindo para o quadro neurológico é


A

realizar eletroencefalograma, com monitorização eletroencefalográfica prolongada ou contínua quando disponível e clinicamente indicada.


B

realizar ressonância magnética de encéfalo com difusão, prioritariamente com o objetivo de excluir atividade epiléptica subclínica.


C

realizar punção lombar imediata, pois a alteração do nível de consciência associada a uma possível infecção extracraniana estabelece indicação de análise do líquido cefalorraquidiano.


D

realizar dosagem seriada de eletrólitos e glicemia, com o objetivo de determinar se os movimentos mioclônicos são decorrentes exclusivamente de distúrbios metabólicos.


E

realizar nova tomografia computadorizada de crânio sem contraste em intervalos seriados, independentemente de mudança do exame neurológico.

Em relação às condições descritas nas alternativas, identifique a que apresenta maior risco epidemiológico em relação a um acidente vascular cerebral isquêmico:


A

Hiperlipidemia (Colesterol > 200 mg/dl).


B

Diabetes Melittus.


C

Tabagismo.


D

Hipertensão arterial.

Em relação à paralisia facial, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) A causa mais frequente é a paralisia de Bell, uma paralisia central aguda, unilateral e idiopática.

( ) Uma paralisia que dura mais de duas semanas é sinal de bom prognóstico e é provavelmente periférica.

( ) Não há perda auditiva na paralisia de Bell.


A

C - C - E.


B

C - E - E.


C

E - E - C.


D

E - C - C.

Mulher de 26 anos, sem comorbidades, procura atendimento por cefaleia intensa de início agudo, febre e rigidez de nuca. Apresenta bom estado geral e exame neurológico sem déficits focais. A tomografia computadorizada de crânio é normal. Refere ter sido internada um ano antes por cefaleia intensa e febre, mas os exames de tomografia e ressonância não demonstraram a causa, com resolução espontânea e sem sequelas. A investigação laboratorial atual não evidencia alterações sugestivas de doença autoimune ou inflamatória sistêmica. O exame do líquido cefalorraquidiano mostra pressão de abertura discretamente elevada, pleocitose linfomononuclear, proteínas moderadamente aumentadas, glicose normal e bacterioscopia e culturas negativas.

O diagnóstico mais provável é


A

síndrome de Behçet.


B

síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada.


C

síndrome de Heerfordt.


D

meningite de Mollaret.


E

síndrome de Susac.

Homem de 60 anos, sem antecedente de hipertensão arterial, é admitido após traumatismo cranioencefálico grave. A tomografia computadorizada inicial demonstra volumoso hematoma subdural agudo, associado a acentuado desvio das estruturas da linha média, apagamento das cisternas da base e sinais de herniação transtentorial descendente.

Horas depois, diante do rebaixamento do nível de consciência, é realizada nova tomografia, que evidencia progressão do efeito de massa e do apagamento das cisternas perimesencefálicas, além do surgimento de focos hemorrágicos lineares na região paramediana ventral do mesencéfalo e da porção superior da ponte, ausentes no exame anterior.

Esses achados hemorrágicos denominam, mais provavelmente,


A

síndrome de Weber.


B

síndrome de Foville.


C

hemorragias de Duret.


D

síndrome da artéria de Percheron.


E

fenômeno de Kernohan-Woltman.

Mulher de 50 anos, previamente hígida, iniciou, há 6 meses, rouquidão. Foi avaliada por otorrinolaringologista, que não identificou alterações estruturais da laringe. Três meses depois, devido a disartria, foi encaminhada ao neurologista. Ao exame, apresentava fasciculações na língua e redução da mobilidade do véu palatino. Meses depois, os familiares passaram a observar episódios frequentes e imotivados de riso e choro, que atribuíram ao nervosismo. Em nova consulta, apresentava hiperreflexia, sinal de Babinski bilateral, reflexo mandibular exaltado e resposta ao reflexo palmo-mentoniano.

As síndromes neurológicas presentes nesse caso são a


A

síndrome cerebelar associada à síndrome bulbar.


B

síndrome bulbar associada à síndrome pseudobulbar.


C

síndrome extrapiramidal associada à síndrome bulbar.


D

síndrome medular anterior associada à síndrome bulbar.


E

síndrome miastênica associada à síndrome pseudobulbar.

Num posto de saúde da família dá entrada mulher de 50 anos, após ter apresentado em casa um quadro compatível com uma crise epilética generalizada tônico-clônica, com recuperação da consciência após alguns minutos. O exame neurológico é normal e a paciente fica em observação. Evoluiu no setor de internação com perda súbita de consciência seguindo-se abalos tônico-clônicos nos 4 membros que não cessam espontaneamente. É então administrado Diazepam 10 mg venoso por 2 vezes, sem resposta.

A próxima conduta nesse caso é


A

tiopental 3 a 5 mg/kg/h.


B

diazepam venoso até 50 mg.


C

midazolam 1 mg EV em bolus e após 0,05 a 0,20 mg/kg/hora.


D

propofol 1,5 a 3 mg/kg, em bolo e 1 a 5 mg/kg/h, na manutenção.


E

fenitoína 20 mg/kg, numa velocidade de infusão máxima de 50 mg/min, diluído em SF0,9%.

Mulher de 44 anos apresenta rigidez, bradicinesia, alterações comportamentais e declínio cognitivo progressivos há cerca de dois anos, sem histórico de uso de neurolépticos ou outras substâncias. Relata quadro semelhante na mãe e em uma irmã.

Os exames laboratoriais demonstram níveis séricos de cálcio, fósforo e paratormônio dentro dos valores de referência. A tomografia computadorizada do crânio sem contraste evidencia calcificações grosseiras, simétricas e bilaterais nos globos pálidos, putâmens, núcleos caudados, tálamos e núcleos denteados do cerebelo, com menor acometimento da substância branca subcortical.

O diagnóstico mais consistente com esses achados clínicos e tomográficos é


A

calcificação cerebral familiar primária.


B

toxoplasmose congênita.


C

neurocisticercose calcificada.


D

calcificação fisiológica dos núcleos da base relacionada à idade.


E

neurodegeneração associada a pantotenato quinase (PKAN/NBIA).

Paciente vítima de traumatismo cranioencefálico é admitido no Hospital as 22:00h, já intubado e com acesso venoso periférico. É acoplado ao ventilador mecânico e levado a UTI. O exame neurológico inicial evidenciou sinais vitais normais, Escala de Coma de Glasgow de 3, reflexos profundos presentes, pupilas midriáticas sem resposta a luz e ausência de reflexo córneo-palpebral.

Para a abertura do protocolo de morte encefálica, nesse caso, é necessário


A

teste da apneia negativo.


B

ausência de atividade espinhal.


C

observação hospitalar por 6 horas.


D

persistência de reatividade supraespinhal.


E

presença de edema cerebral na tomografia de crânio.

Assinale a alternativa correta sobre morte encefálica (ME).


A

Hipernatremia grave sempre inviabiliza a determinação de morte encefálica.


B

Pressão arterial sistólica maior ou igual a 80 mmHg é um pré-requisito.


C

Doppler transcraniano pode constatar presença de inatividade elétrica.


D

Temperatura corporal (esofagiana, vesical ou retal) maior que 37 ºC.


E

A presença de reflexos tendinosos profundos não invalida a determinação de ME.

Das alternativas a seguir, assinale aquela que tem uma característica que pode sugerir esclerose lateral amiotrófica atípica.


A

Amiotrofia distal e assimétrica do primeiro interósseo dorsal da mão.


B

Afeto pseudobulbar.


C

Hiperreflexia com reflexos vivos ou exaltados.


D

Fasciculação de língua.


E

Disfunção vestibulocerebelar.

Qual das síndromes vasculares específicas do tronco encefálico citadas a seguir pode ocorrer paralisia do nervo hipoglosso?


A

Síndrome de Wallemberg.


B

Síndrome de Dejerine.


C

Síndrome de Benedikt.


D

Síndrome de Millard-Gubler.


E

Síndrome da porção intermediária da ponte basal.

Uma jovem de 22 anos, previamente saudável, é avaliada no pronto atendimento após episódio de desmaio durante apresentação acadêmica. Ela relata que estava em pé há vários minutos, sentiu calor súbito, tontura, visão escurecida e náuseas antes de perder a consciência. Colegas afirmam que ela caiu lentamente, sem rigidez corporal ou movimentos anormais, e recuperou-se em cerca de 30 segundos, acordando pálida, mas orientada. No hospital, encontra-se afebril, hidratada e sem queixas. PA: 108 x 70 mmHg em repouso, com leve queda para 96 x 68 mmHg ao se levantar; FC: passa de 78 para 102 bpm na ortostase. Ausculta cardíaca e pulmonar normais. Ausência de déficit neurológico.Glicemia capilar normal. Relata que dormiu mal na noite anterior, não tomou café da manhã e estava bastante ansiosa com a apresentação. Não usa medicamentos e não há história familiar de morte súbita.


Com base no relato apresentado, é correto afirmar que a conduta apropriada, nesse momento, é


A

solicitar tomografia de crânio antes da alta.


B

indicar monitorização em unidade de internação por 24 horas.


C

orientar hidratação, alimentação regular e medidas de prevenção de síncope vasovagal.


D

iniciar betabloqueador para evitar recorrência.


E

solicitar ressonância cardíaca para descartar cardiopatia estrutural oculta.

Assinale a alternativa que apresenta efeitos adversos e alterações relacionados ao uso da vigabatrina.


A

Ataxia, hiperplasia gengival e neuropatia periférica.


B

Ganho de peso, queda de cabelo e hepatotoxicidade.


C

Sonolência, defeito de campo visual e hipersinal em núcleos da base.


D

Perda de peso, lentificação cognitiva e nefrolitíase.


E

Rash cutâneo, prolongamento do intervalo QT e irritabilidade.

Nas lesões hipóxico-isquêmicas do sistema nervoso central, os mecanismos centrais de morte neuronal são


A

a depleção dopaminérgica e a falha de canais dependentes de voltagem.


B

a falha das sinapses colinérgicas e a produção excessiva de ATP.


C

o acúmulo de GABA e os defeitos de betaoxidação.


D

o acúmulo tóxico de serotonina e a inibição de proteases.


E

a liberação excessiva de glutamato e o influxo de cálcio.

Menino de 12 anos, residente em área rural do estado de Alagoas, previamente saudável, apresenta, há duas semanas, dor lombar intensa, formigamento em região perineal e fraqueza progressiva nas pernas. Nos últimos dias, passou a ter retenção urinária e constipação. Ao exame neurológico, observa-se paraparesia flácida, com reflexos profundos diminuídos, além de hipoestesia em sela e redução do tônus esfincteriano. A ressonância magnética evidencia lesão expansiva intramedular na região do cone medular, com hipersinal em T2 e realce irregular após contraste.


Diante do quadro clínico e dos achados de imagem, o diagnóstico provável é


A

mielopatia esquistossomótica.


B

síndrome de Guillain-Barré.


C

ependimoma.


D

doença do espectro da neuromielite óptica


E

mielite viral.

 
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