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Gestante de 28 anos, G2P1, com 30 semanas de gestação, portadora de anemia falciforme (HbSS), procura emergência com dor óssea intensa em membros inferiores e região lombar há 24 horas, sem sinais de infecção. Ao exame: afebril, PA 115/70 mmHg, FC 110 bpm, SatO₂ 97% em ar ambiente. Ausculta pulmonar sem alterações. Hemoglobina 8,2 g/dL (habitual da paciente ~ 8,5 g/dL), leucócitos 13.000/mm³. Sem sinais de síndrome torácica aguda ou outras complicações.
A conduta mais adequada é
iniciar hidroxiureia para controle da crise.
oxigenoterapia de rotina, independentemente da saturação.
analgesia adequada, hidratação venosa e observação clínica.
transfusão sanguínea imediata.
prescrever anti-inflamatórios não esteroidais em altas doses.
Gestante de 29 anos, G1P0, com 34 semanas de gestação, previamente hígida, procura emergência por cefaleia intensa de início súbito, associada a náuseas, turvação visual e episódio de confusão mental transitória nas últimas horas. Refere também um episódio breve de escotomas cintilantes. Nega trauma, febre ou uso de drogas ilícitas.
Ao exame: PA: 150 × 109 mmHg, confirmada após repouso; FC: 96 bpm; FR: 18 irpm; Glasgow 14 (desorientação temporoespacial leve); sem déficits motores focais. Exames laboratoriais iniciais: glicemia capilar: 60 mg/dL, eletrólitos: normais, relação proteinúria/creatininúria de 0,8. Ressonância magnética de encéfalo evidencia áreas de hipersinal em T2/FLAIR, bilaterais e simétricas, predominando nas regiões parieto-occipitais, com padrão compatível com edema vasogênico.
O diagnóstico mais provável é
enxaqueca com aura complicada.
hipoglicemia sintomática.
acidente vascular cerebral isquêmico.
síndrome leucoencefalopática posterior reversível.
hemorragia intracraniana.
Mulher de 31 anos, G2P0A1, com antecedente de salpingectomia direita por gravidez ectópica prévia, procura atendimento em emergência obstétrica por atraso menstrual e dor pélvica leve à esquerda, sem sangramento transvaginal. Encontra-se hemodinamicamente estável, sem sinais de irritação peritoneal. Dosagem de β-hCG inicial: 820 mUI/mL.
Após 48h, β-hCG: 610 mUI/mL. Ultrassonografia transvaginal evidencia massa anexial esquerda de 1,6 cm, sem embrião visível, sem líquido livre em cavidade peritoneal. A paciente manifesta desejo reprodutivo futuro.
A conduta mais adequada é
tratamento conservador expectante.
metotrexato 50 mg/m² em dose única.
metotrexato 1 mg/kg em dose única.
salpingostomia esquerda.
salpingectomia esquerda.
Em relação ao acompanhamento do crescimento fetal durante o pré-natal, uma gestante de baixo risco apresenta discrepância significativa entre a altura uterina e a idade gestacional estimada pelo último ciclo menstrual.
O procedimento recomendado pela equipe de saúde segundo as normas brasileiras para o caso deve ser
repetir a medida da altura uterina em todas as consultas subsequentes, sem intervenção adicional.
iniciar suplementação nutricional intensiva sem investigação adicional.
encaminhar imediatamente para serviço terciário de medicina fetal.
solicitar ultrassonografia obstétrica para avaliação do crescimento fetal e volume de líquido amniótico.
manter acompanhamento habitual, pois variações são comuns e não requerem investigação.
Parturiente, 30 anos de idade, durante o terceiro período do parto, apresentou dificuldade na extração da placenta. Após a dequitação, apresentou dor súbita, hemorragia intensa, hipotensão e uma massa arredondada exteriorizada pela vagina. A equipe iniciou a estabilização hemodinâmica e tentou a manobra de Taxe, porém sem sucesso. Nesse caso, o próximo procedimento indicado é a
manobra de Credé.
manobra de Zavanelli.
operação de Huntington.
operação de Mauriceau.
manobra de Jacquemier.
Secundigesta, 32 semanas e 5 dias, procura a maternidade com queixa de perda de líquido há dois dias. Exame físico: PA = 110x70 mmHg; FC = 105 bpm; T = 38,3 ºC. Exame obstétrico: altura uterina = 29 cm; BCF = 175 bpm; especular com saída de líquido amniótico apresentando odor fétido; ao toque vaginal, colo amolecido, 2 cm de dilatação e apresentação cefálica fletida. Considerando o diagnostico desse caso, a conduta adequada é
confirmar a amniorrexe com ultrassonografia obstétrica.
indicar interrupção imediata da gestação por cesariana.
iniciar antibioticoterapia e preparar para a indução do parto.
realizar sulfato de magnésio para neuroproteção e, após 4 horas, induzir o parto.
iniciar antibioticoterapia e aguardar a corticoterapia para maturação pulmonar fetal.
Tendo em vista o elevado número de óbitos materno e infantis no ano de 2024 e as diversas fragilidades identificadas em relação à assistência a gestantes de alto risco no estado de Santa Catarina, o governo do estado emitiu uma nota de recomendação para direcionamento correto do fluxo, da efetividade e da agilidade no encaminhamento de gestantes aos serviços de referência. De acordo com as recomendações dessa nota, assinale a alternativa correta.
Toda gestante deverá realizar o pré-natal, iniciando o mais precocemente possível ou até a 12ª semana de gestação. Na primeira consulta, será realizada a estratificação de risco gestacional e esta será mantida durante o decorrer da gestação.
As gestantes classificadas em baixo risco serão atendidas pela equipe de Atenção Primária à Saúde (APS) e pela Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI) durante toda a assistência ao pré-natal, excluída apenas a avaliação da equipe de saúde bucal.
As gestantes classificadas em médio risco serão atendidas pela equipe de APS, pela EMSI e por equipe multiprofissional (incluindo saúde bucal), quando disponível no município, sendo realizado o mapeamento de recursos na família e na comunidade, encaminhamento aos grupos disponíveis para gestante e, se necessário, matriciamento com Obstetrícia (Telessaúde-SC/UFSC) ou referenciamento ao Ambulatório de Atenção Especializada (AAE).
As gestantes classificadas em alto risco serão atendidas pela equipe de APS, EMSI e AAE estadual, regional ou municipal para acompanhamento por equipe multiprofissional. Enquanto a gestante aguarda seu atendimento no AAE, é recomendado que procure o pronto atendimento em situações críticas que possam representar risco iminente a ela e/ou ao feto.
Uma vez classificada a gestante como de alto risco para complicações e após avaliada na referência, ela poderá retornar a ser de risco habitual na referida gestação e contrarreferenciada para seguimento na atenção primária, a depender da reavaliação de estratificação.
A toxoplasmose congênita é prevalente no Brasil e estima-se que nasçam entre 5 e 23 crianças infectadas a cada 10 mil nascidos vivos. A infecção materna é assintomática na maioria das vezes e muitas crianças infectadas, cerca de 90%, não apresentam sintomas ao nascimento. Contudo, se essas crianças são investigadas, entre 60% e 80% apresentam alterações oftalmológicas e/ou neurológicas, com prejuízos variáveis na qualidade de vida. A investigação no pré-natal possibilita adotar medidas profiláticas e terapêuticas para reduzir a taxa de transmissão vertical e acometimento fetal. Em relação à toxoplasmose, assinale a alternativa correta.
Em países desenvolvidos, acredita-se que a principal fonte de infecção materna seja a ingestão do parasita na forma de esporozoíto, contido em carnes com cistos ou em seus produtos crus ou malcozidos.
O Ministério da Saúde do Brasil recomenda triagem pré-natal semestral em pacientes susceptíveis, como estratégia para controlar a toxoplasmose congênita.
Nas pacientes IgG reagente e IgM reagente, a presença de alta avidez de IgG até 16 semanas de gestação confirma o quadro agudo durante a gestação, sendo recomendado o uso da espiramicina.
A frequência de infecção fetal aumenta com o avanço da idade gestacional no momento da infecção materna e o risco de desenvolver doença congênita diminui com a idade gestacional.
Na presença de doença aguda após 32 semanas de gestação, deve-se iniciar, imediatamente, o tratamento com os três seguintes fármacos: sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico e é recomendado procedimento invasivo para pesquisa de infecção fetal devido à elevada taxa de transmissão vertical nesse período.
Gestante em pré-natal com VDRL reagente e teste treponêmico positivo, sem tratamento prévio documentado. Conduta correta na APS?
Solicitar IgM treponêmica e aguardar para confirmar antes de tratar.
Tratar com azitromicina dose única por ser mais fácil na APS.
Adiar tratamento até o pós-parto para evitar reação de Jarisch-Herxheimer.
Tratar com penicilina benzatina conforme estadiamento (ou como duração ignorada se não for possível estadiar), tratar parceiro(s) e seguir fluxos do MS.
Em relação ao descolamento prematuro de placenta, analise as assertivas abaixo:
I. Comumente se manifesta com sangramento vaginal, embora possa ocorrer sem exteriorização do sangramento.
II. Na presença de repercussão materno-fetal, requer tratamento imediato, com parto pela via mais rápida.
III. É uma causa comum de coagulação intravascular disseminada (CIVD).
Quais estão corretas?
Apenas II.
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
Em relação à cesariana a pedido pela paciente, segundo as orientações do Conselho Federal de Medicina, analise as assertivas abaixo:
I. É ético o obstetra atender ao pedido da paciente.
II. Em gestantes de risco habitual, a cesariana a pedido só deverá ser realizada a partir de 39 semanas de gestação.
III. Em caso de discordância entre médico e paciente, o profissional pode exercer sua autonomia e encaminhar a paciente a outro médico.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
Mulher de 28 anos, primigesta, com 40 semanas de gravidez, sem doenças, foi admitida na maternidade em trabalho de parto espontâneo. Ao exame físico, apresentou bom estado geral, estando corada, normotensa e normocárdica. Abdome gravídico, altura uterina de 37 cm, dinâmica presente, batimento cardíaco fetal presente de 146 bpm. O acompanhamento do trabalho de parto está demonstrado no partograma a seguir:

A distocia presente no partograma e a conduta adequada são, respectivamente:
Fase ativa prolongada – administrar ocitocina.
Parada secundária da dilatação – estimular a deambulação.
Período expulsivo prolongado – estimular a deambulação.
Parada secundária da descida – realizar cesariana.
Distocia funcional – administrar ocitocina.
As adaptações fisiológicas que ocorrem na gestação para atender às demandas fetoplacentárias são as mais diversas. Assinale a alternativa que apresenta uma condição fisiológica normal da gravidez.
Redução da ventilação minuto.
Taquicardia leve por aumento do débito cardíaco.
Diminuição do volume plasmático.
Queda da filtração glomerular.
Aumento da resistência vascular sistêmica.
Gestante de 42 anos de idade, G6P5, que não realizou o pré-natal, procura a emergência relatando que não percebe movimento fetal há 1 dia. A idade gestacional pela DUM é de 32 semanas (não sabe referir exatamente a data). Tipagem sanguínea = B negativo. Nega comorbidades e uso de medicamentos. Exame obstétrico: altura uterina = 30 cm; BCF = 110 bpm; útero normotônico, sem contrações uterinas; toque vaginal = colo impérvio. Cardiotocografia = padrão sinusoidal. Quais são o provável diagnóstico e a melhor conduta nessa situação?
Anemia fetal; solicitar dopplervelocimetria de ducto venoso.
Prolapso de cordão; cesariana de emergência.
Rotura de vasa prévia; parto pela via mais rápida.
Rotura uterina; ultrassonografia obstétrica de urgência.
Doença hemolítica fetal; cesariana.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), parto pré-termo é aquele ocorrido antes de 37 semanas de gestação (259 dias). O parto pré-termo é um problema de saúde pública e representa a principal causa de morbidade e de mortalidade neonatal precoce e tardia. O recém-nascido pré-termo (< 37 semanas) pode ser categorizado em quatro subgrupos (Rezende, 2024). Acerca do tema, assinale a alternativa que corresponde ao recém-nascido prétermo precoce, em semanas de gestação:
31 a 33+6 semanas.
28 a 30+6 semanas.
34 a 36+6 semanas.
< 28 semanas.
Nenhuma das alternativas anteriores.
A histerectomia pós-parto é procedimento cirúrgico de emergência realizado, em geral, para salvar a vida da paciente e assegurar o controle de hemorragia copiosa. As principais indicações de histerectomia pós-parto são as emergências hemorrágicas, notadamente a placentação anormal (acretismo placentário, placenta prévia, descolamento prematuro da placenta), a atonia uterina e a ruptura uterina. Nesse contexto, analise as sentenças a seguir:
I- A histerectomia pós-parto, associada à morbimortalidade importante, é realizada mais frequentemente e tem pior prognóstico nos países de menor renda.
II- Nas jovens, não é aconselhável a exérese total, e a subtotal deverá ser feita, se possível.
III- Os principais fatores de risco para histerectomia pós-parto são cesariana na gestação atual, cesariana prévia, multiparidade, idade materna avançada e placentação anormal.
IV- Nos casos em que a histerectomia é indicada após parto vaginal, ela geralmente se constitui em emergência.
Analisadas as sentenças, estão CORRETAS apenas:
I e III.
II, III e IV.
I, II e III.
I, III e IV.
Todas estão corretas.
Diagnóstico de diabetes gestacional pelo TOTG 75 g (OMS/IADPSG). Qual combinação confirma DMG?
Somente HbA1c >=6,5% confirma.
Qualquer 1 valor alterado: jejum >=92 mg/dL, 1h >=180 mg/dL, 2h >=153 mg/dL.
Necessário 2 valores alterados.
Somente jejum >=126 mg/dL conta.
De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em gestantes é recomendada em qual idade gestacional?
Entre 20 e 24 semanas.
Entre 24 e 28 semanas.
Entre 32 e 36 semanas.
A partir da 28ª semana de gestação.
Apenas após 36 semanas de gestação.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) mal controlado, especialmente o pré-gestacional, leva à hiperglicemia materna crônica e hiperinsulinismo fetal. O hiperinsulinismo fetal é o principal mediador das complicações perinatais. Analise as afirmativas sobre os efeitos do hiperinsulinismo no feto.
I.O hiperinsulinismo fetal (a insulina atua como um fator de crescimento) promove a macrossomia, caracterizada pelo aumento da gordura visceral e troncular, e a organomegalia (hepatomegalia).
II.A hiperglicemia e o hiperinsulinismo podem causar cardiomiopatia hipertrófica no feto, especificamente a hipertrofia do septo interventricular, que geralmente é transitória e regride no período neonatal.
III.O hiperinsulinismo fetal crônico leva a uma atrofia das células beta do pâncreas fetal, resultando em hiperglicemia neonatal persistente e necessidade de insulina exógena ao nascer.
Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS:
I e II.
II e III.
I e III.
I, II e III.
A gestação induz um estado de hipercoagulabilidade fisiológica, uma adaptação para prevenir a hemorragia pós-parto, mas que aumenta o risco de Tromboembolismo Venoso (TEV). Esta alteração é resultado de uma mudança complexa no equilíbrio dos fatores de coagulação. Quais são as principais alterações pró-trombóticas observadas na gravidez?
Aumento exclusivo do Fator V (Leiden) e do Fator II (Protrombina), sem alteração dos anticoagulantes naturais.
Uma trombocitopenia (plaquetopenia) gestacional severa, que leva à ativação compensatória da cascata de coagulação.
Aumento significativo dos fatores de coagulação (especialmente Fator VII, Fator VIII, Fator X e Fibrinogênio) e do Fator de von Willebrand, associado a uma redução adquirida da atividade da Proteína S (anticoagulante natural).
Uma diminuição generalizada de todos os fatores de coagulação (hemodiluição) e um aumento significativo da atividade da Proteína C e da Antitrombina III.