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Joaquim, 52 anos, recém-diagnosticado com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) e obesidade grau I, apresenta exames laboratoriais com hemoglobina glicada de 7,8%. Ele relata ao nutricionista que está tentando eliminar totalmente os carboidratos da dieta e substituí-los por gorduras saturadas (como manteiga e banha) por acreditar que isso controlará sua glicemia mais rápido. De acordo com as recomendações da Diretriz Brasileira de Diabetes (2025) para o manejo nutricional e metas de controle, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada para este paciente.
O paciente deve manter a exclusão total de carboidratos, pois a Diretriz 2025 estabelece que dietas Very Low-Carb são a única forma de atingir a meta de hemoglobina glicada < 6,5% em pacientes com obesidade.
A meta de hemoglobina glicada para adultos com DM2 deve ser, em geral, inferior a 7,0%; a orientação nutricional deve focar na qualidade dos carboidratos, priorizando o consumo de fibras e alimentos de baixo índice glicêmico, e na substituição de gorduras saturadas por insaturadas, visando o controle metabólico e cardiovascular.
A prescrição dietética deve priorizar as fibras insolúveis para a otimização do trânsito intestinal, visto que a formação de géis pelas fibras solúveis não apresenta impacto clínico significativo na redução da resposta glicêmica pós-prandial ou na modulação da insulinemia.
Em decorrência do diagnóstico de DM2 e obesidade, deve-se implementar uma restrição proteica precoce (0,6 a 0,8 g/kg/dia), visando a redução da hiperfiltração glomerular e a preservação da função endócrina pancreática, independentemente da Taxa de Filtração Glomerular (TFG) atual.
O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença metabólica caracterizada por hiperglicemia decorrente de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. No manejo nutricional do indivíduo com DM, diversos fatores influenciam o controle glicêmico. A esse respeito, assinale a alternativa correta.
O índice glicêmico mede a quantidade total de carboidrato ingerido em uma refeição, enquanto a carga glicêmica considera apenas a velocidade de absorção da glicose no sangue.
A perda ponderal moderada em indivíduos com resistência à insulina pode melhorar a sensibilidade à insulina e contribuir para o controle glicêmico em longo prazo.
A adoção de dieta rica em alimentos ultraprocessados com baixo teor de fibras favorece a redução da variabilidade glicêmica.
A carga glicêmica de um alimento depende exclusivamente da quantidade de fibras presentes em sua composição.
O fracionamento alimentar não interfere na resposta glicêmica pós-prandial em indivíduos com Diabetes Mellitus.
Durante o acompanhamento nutricional de um paciente com diagnóstico de resistência à insulina, o nutricionista considera os aspectos fisiológicos envolvidos na captação de glicose pelos tecidos periféricos. Em condições normais, a insulina promove a entrada de glicose nas células musculares e adiposas por meio de mecanismos celulares específicos.
Assinale a alternativa que descreve corretamente esse processo fisiológico:
A insulina estimula a degradação do transportador GLUT-4, reduzindo a captação de glicose pelos tecidos periféricos.
A insulina promove a translocação do transportador GLUT-4 para a membrana celular, aumentando a captação de glicose.
A insulina atua exclusivamente no figado, não influenciando a captação de glicose em tecidos periféricos.
A insulina bloqueia a entrada de glicose nas células adiposas para evitar acúmulo de gordura.
A insulina estimula a liberação de glicose pelo músculo esquelético para a corrente sanguínea.
Os chamados "4 Ps" do diabetes mellitus correspondem a sinais e sintomas frequentemente observados em indivíduos com hiperglicemia persistente e podem auxiliar no reconhecimento precoce da doença. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a um dos "4 Ps" do diabetes mellitus:
Poliúria.
Polineuropatia.
Polifagia.
Perda de peso.
Polidipsia.
Sobre a terapia nutricional no manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 é verdadeiro afirmar:
A ingestão de fibras por meio de alimentos naturalmente ricos é preferível em comparação aos suplementos de fibras, pela presença de outros micronutrientes.
O carboidrato é o único macronutriente que impacta na glicemia pós-prandial, não tendo a gordura e a proteína da dieta influencia no valor glicêmico pós refeição.
Para pessoas com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2, associado a sobrepeso ou obesidade, é recomendado uma dieta hiperproteica, independentemente dos fatores associados.
Deve-se priorizar a utilização de gorduras monoinsaturadas e saturadas em detrimento às poliinsaturadas, por estarem associados à menor incidência de doenças cardiovasculares.
Analise o caso hipotético a seguir: Uma Nutricionista acompanha um adulto com diabetes tipo 1 (DM1) em esquema basal-bolus e relata dificuldade em “acertar” a dose de insulina rápida por refeição porque tenta manter um percentual fixo de carboidratos diariamente. Considerando as recomendações sobre terapia nutricional no DM1, é uma recomendação CORRETA:
Individualizar a quantidade de carboidratos, pois não há uma porcentagem ideal de calorias provenientes de carboidratos para pessoas com DM1.
Manter uma porcentagem ideal fixa de calorias provenientes de carboidratos para todas as pessoas com DM1, visando padronização do tratamento.
Restringir carboidratos de forma intensa como regra para DM1, pois isso garante segurança metabólica a longo prazo.
Priorizar carboidratos refinados para facilitar a previsibilidade glicêmica no pós-prandial imediato.
A terapia nutricional no diabetes mellitus tipo 2 por ser uma patologia associada à obesidade apresenta particularidades que vai além da própria terapia nutricional. Diante disso, é correto afirmar:
Até o momento, as quantidades de proteínas são recomendadas compondo dieta hipoprotéica, com uma redução de alimentos como: carnes, leite, queijo, iogurte e feijão.
A quantidade de gordura no diabético depende se o indivíduo tiver LDL-colesterol no sangue acima da taxa normal, então a gordura saturada precisa constar na dieta em quantidade exagerada em detrimento da redução da gordura insaturada da série ômega 3.
Deve-se excluir os cereais por sua digestão e absorção mais rápido que os açúcares, pois agrava a hiperglicemia.
O diabético deve aumentar o consumo de frutas como manga, uva, banana e melancia, e verduras como batata-inglesa, batata-doce e beterraba, afinal de contas estudos mostram sua riqueza em frutose que equilibra a glicemia.
Sugere-se uma restrição energética moderada e plano alimentar nutricionalmente adequado com uma redução de gordura total, sobretudo a saturada, acompanhado de atividade física.
Um paciente com diabetes mellitus tipo 1, em esquema basalbolus, buscou atendimento por ter apresentado episódios recorrentes de hipoglicemia noturna, mesmo com adequada contagem de carboidratos no jantar. Informou que utiliza insulina NPH como basal, aplicada às 22 h.
Nesse caso, considerando-se o perfil farmacocinético das insulinas disponíveis no SUS, a estratégia mais adequada é
reduzir a dose da insulina regular do jantar.
antecipar a aplicação da NPH para o período vespertino.
suspender a insulina basal e manter apenas bolus prandial.
substituir a insulina basal por análogo de ação prolongada.
Na dietoterapia para diabetes mellitus tipo 2, a distribuição de carboidratos deve:
Ser totalmente restrita para controle glicêmico adequado.
Concentrar-se no desjejum para melhor aproveitamento metabólico.
Incluir predominantemente açúcares simples de rápida absorção.
Ser substituída integralmente por proteínas de alto valor biológico.
Priorizar carboidratos complexos distribuídos nas refeições do dia.
Um paciente de 17 anos de idade, com diabetes mellitus tipo 1 há 6 anos, em uso de esquema basal-bolus com contagem de carboidratos, buscou atendimento devido a episódios recentes de cetonemia leve pela manhã e grande variabilidade glicêmica. Referiu ter iniciado, por conta própria, uma dieta cetogênica (<10% carboidratos/dia) para “melhorar o controle do açúcar”. Os exames revelaram: glicemia de jejum 86 mg/dL, HbA1c 8,2%, cetonas 1,2 mmol/L. O adolescente negou hipoglicemias graves.
Nesse caso, considerando-se o manejo nutricional do DM1 segundo a ADA (2024) e as diretrizes da SBD, qual é a conduta mais adequada?
Manter a dieta cetogênica, pois níveis baixos de carboidratos reduzem a necessidade de insulina e melhoram o controle glicêmico em todos os pacientes com DM1.
Interromper a dieta cetogênica, readequar a ingestão de carboidratos para níveis seguros, ajustar doses de insulina e reforçar educação em contagem de carboidratos e prevenção de cetoacidose.
Substituir a insulina basal por análogos ultrarrápidos para evitar hipoglicemia durante a dieta cetogênica.
Aumentar o aporte proteico para 2 g/kg/dia a fim de compensar a falta de carboidrato e evitar catabolismo muscular.
Um paciente com diabetes mellitus tipo 1 que utiliza insulina basal e insulina rápida antes das refeições foi orientado por sua equipe de saúde a usar a contagem de carboidratos da seguinte forma: 1 unidade de insulina rápida cobre 10 g de carboidrato (relação insulina/unidade de carboidrato).
Considerando que o paciente fará uma refeição contendo 50 g de carboidratos do arroz, 30 g de carboidratos do feijão e 20 g de carboidratos de suco natural, assinale a alternativa que corresponde à dose de insulina rápida que ele deverá administrar antes da refeição.
5 unidades
8 unidades
10 unidades
15 unidades
Durante o acompanhamento nutricional em um serviço ambulatorial, um nutricionista atende dois pacientes com Diabetes Mellitus: um adulto com diabetes tipo 2, em tratamento farmacológico, e uma criança com diabetes tipo 1, em insulinoterapia. A avaliação contempla aspectos fisiopatológicos, dados da avaliação nutricional e a definição da conduta dietoterápica adequada às particularidades de cada caso. Nesse cenário, tem-se que:
a conduta nutricional no diabetes deve ser uniforme, independentemente do tipo da doença e da fase do ciclo vital do paciente diabético
o manejo dietético deve considerar a interação entre ingestão de carboidratos, ação da insulina e necessidades metabólicas individuais
estratégias dietéticas baseadas em restrição severa e generalizada de carboidratos constituem a abordagem central tanto no diabetes tipo 1 quanto no tipo 2
em crianças com diabetes, o controle glicêmico isolado é suficiente, não sendo necessária consideração das demandas de crescimento e desenvolvimento
o papel da alimentação no manejo do diabetes é secundário, uma vez que o controle metabólico depende predominantemente da terapêutica medicamentosa
Situação hipotética: Um paciente com diabetes mellitus tipo 1 utiliza o método de contagem de carboidratos, com uma razão insulina/carboidrato de 1:15 (1 unidade de insulina para cada 15g de carboidratos). Para uma refeição contendo 60g de carboidratos, ele necessitará de 4 unidades de insulina ultrarrápida.
Certo
Errado
As Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reforçam a centralidade da alimentação saudável e das mudanças no estilo de vida no tratamento do diabetes mellitus. Com base nesse contexto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)A adoção de uma dieta hipocalórica de forma isolada, dissociada de intervenções comportamentais e de modificações sustentadas no estilo de vida, mostra-se suficiente para assegurar a manutenção da perda ponderal em longo prazo.
(__)As mudanças no estilo de vida, incluindo ajustes nos padrões alimentares, prática de atividade física e controle de fatores comportamentais, não exercem influência significativa sobre o controle metabólico em indivíduos com diabetes mellitus.
(__)Indivíduos com doses diárias fixas de insulina devem tentar manter o teor de carboidrato/ refeição no dia a dia.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA.
V, V, V.
V, V, F.
V, F, V.
F, F, V.
Considere que um paciente hospitalizado, com diabetes mellitus tipo 2 e inapetência, apresente hipoglicemia recorrente após uso de insulina regular em esquema fixo.
Nesse caso, a falha está relacionada principalmente
à potência excessiva da insulina regular.
ao pico tardio da insulina regular em relação à ingestão alimentar.
à depuração renal da insulina.
ao uso concomitante de dieta hospitalar.
Qual é o consumo de proteínas recomendado para pessoas com Diabetes Mellitus tipo 2, com função renal preservada?
0,8 a 1,0g/kg/dia.
0,8 a 1,2g/kg/dia.
0,8 a 1,5g/kg/dia.
1,0 a 1,2g/kg/dia.
1,0 a 1,5g/kg/dia.
Em pacientes escolares com Diabetes Mellitus Tipo 1, a conduta nutricional básica no planejamento do cardápio deve focar em:
Substituir todos os carboidratos por gorduras insaturadas.
Oferecer dieta isenta de glúten e lactose para evitar picos glicêmicos.
Distribuição fracionada de carboidratos complexos e fibras, evitando açúcares livres.
Jejum intermitente para reduzir a necessidade de insulina.
Eliminação total de frutas do cardápio devido à frutose.
O diabete melito (DM) é uma doença crônica de elevada prevalência nacional e internacional. Seu tratamento envolve o controle glicêmico e a prevenção de complicações, baseando-se na promoção da alimentação saudável e equilibrada, na prática regular de atividade física, no abandono do tabagismo e na manutenção do peso corporal. Considerando as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024), analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Como critérios de diagnóstico para DM recomenda-se considerar que a glicemia de jejum seja maior ou igual a 126 mg/dl, a hemoglobina glicada maior ou igual a 6,5%, a glicemia no TTGO-1h maior ou igual a 209 mg/dl ou a glicemia no TTGO- 2h maior ou igual a 200 mg/dl.
II. Indivíduos com DM devem minimizar a ingestão de carboidratos refinados e açúcares adicionados, focando nos carboidratos de baixo e médio índice glicêmico, vegetais amiláceos, legumes, frutas, laticínios (leite e iogurte) e grãos integrais.
III. Alguns fatores podem alterar o índice glicêmico do alimento ou a carga glicêmica da refeição, como as gorduras, as proteínas e as fibras solúveis no alimento, resultando na diminuição da sua resposta glicêmica pós-prandial.
IV. O tempo e a forma de cocção dos alimentos não alteram o índice glicêmico (IG), porque, quanto mais gelatinizado é o amido do alimento, menor é o IG do carboidrato disponível para absorção.
V. Indivíduos que apresentarem hiperglicemia leve e que não preencherem os critérios para DM serão classificados como pré-diabéticos. Dentre os critérios, consideram-se a glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl e a hemoglobina glicada entre 5,7 e 6,4%.
Todas as afirmativas estão corretas.
Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
Somente as afirmativas II e IV estão corretas.
Somente as afirmativas I, II e V estão corretas.
Somente as afirmativas I, III e V estão corretas.
Um paciente com diabetes melito tipo 2 iniciou dieta extremamente restritiva em carboidratos por acreditar que todos os alimentos desse grupo deveriam ser eliminados da alimentação. Com base nas recomendações atuais, qual é a orientação mais adequada?
Todos os alimentos que contêm carboidratos devem ser retirados da alimentação habitual.
O consumo de fibras alimentares deve ser reduzido para diminuir o volume alimentar.
A sacarose é o único carboidrato responsável pela elevação da glicemia pós-prandial.
Frutas, cereais integrais e vegetais podem compor alimentação saudável mesmo em indivíduos com diabetes.
Sobre a terapia nutricional do pré-diabetes, assinale a alternativa correta.
A perda moderada de peso associada à pratica de atividade física pode contribuir para melhora da resistência à insulina.
O consumo de cereais integrais não apresenta associação consistente com alterações metabólicas relacionadas ao pré-diabetes.
O aumento da ingestão de fibras alimentares produz efeitos restritos ao funcionamento intestinal.
Estratégias alimentares para o pré-diabetes baseiam-se predominantemente na redução da ingestão total de carboidratos.