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Paciente de 60 anos, internado na UTI por sepse de foco pulmonar, recebe nutrição enteral contínua há 5 dias. Evolui com 5 evacuações líquidas nas 24 horas. Está em uso de antibiótico de amplo espectro, procinético e solução medicamentosa contendo sorbitol. Não há distensão abdominal importante, vômitos ou instabilidade hemodinâmica.
A melhor abordagem inicial é
reduzir proteína para menos de 0,6 g/kg/dia, pois a principal causa de diarreia enteral é excesso nitrogenado.
tratar empiricamente com loperamida em dose alta sem investigar causas infecciosas ou medicamentosas.
trocar imediatamente para fórmula elementar hiperosmolar, pois toda diarreia em UTI decorre de má absorção de proteínas intactas.
investigar causas não relacionadas à fórmula, como infecção, medicamentos e velocidade de infusão, ajustando a dieta apenas se persistirem fatores nutricionais envolvidos.
suspender definitivamente a nutrição enteral e iniciar nutrição parenteral total, pois diarreia é contraindicação absoluta à via enteral em paciente criticamente enfermos.
Na terapia nutricional de pacientes com pancreatite aguda grave, o início precoce da nutrição enteral, mesmo em presença de íleo paralítico, é preferível à nutrição parenteral por preservar a integridade da barreira intestinal e modular a resposta inflamatória, desde que a via de acesso seja distal ao ligamento de Treitz.
Certo
Errado
De acordo com ACG Clinical Guideline: Nutrition Therapy in the Adult Hospitalized Patient (2016), em relação à oferta de terapia nutricional especializada a pacientes hospitalizados em situação de final de vida, assinale a alternativa correta.
A colocação de gastrostomia é contraindicada em todos os casos de final de vida, mesmo quando solicitada pelo paciente ou pela família.
A decisão de implantar gastrostomia deve considerar se o acesso enteral e a nutrição atendem aos objetivos do paciente e/ou família, ainda que o benefício seja conforto ou facilitar a alta.
A nutrição parenteral é preferida à enteral no final de vida, pois estaria associada a menor risco de desconforto e complicações clínicas.
O profissional de saúde deve oferecer hidratação e nutrição em todas as circunstâncias, independentemente da indicação clínica ou desejo do paciente.
A nutrição parenteral no final de vida é indicada para prolongar a sobrevida, independentemente da relação risco-benefício.
De acordo com a RDC n° 503 de 2021, qual é a atribuição do enfermeiro na prática da terapia nutricional?
Indicar, prescrever e acompanhar os pacientes submetidos à Terapia Nutricional Enteral.
Realizar as operações inerentes à prescrição dietética, composição e preparação da nutrição enteral.
Participar do sistema de garantia da qualidade.
Administrar a nutrição enteral, observando as recomendações de Boas Práticas de Administração de Nutrição Enteral.
Estabelecer a via de administração da nutrição enteral.
De acordo com a Diretriz de Terapia Nutricional na Insuficiência Cardíaca Congestiva da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, assinale a alternativa CORRETA.
A terapia nutricional deve ter como objetivo manter o peso seco do cardiopata e deve corrigir a dislipidemia, o diabete e a obesidade, independentemente de sua associação.
Restrição de açúcar está indicada em pacientes com sintomas atuais de insuficiência cardíaca e fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida e que tenham evidência de retenção de fluidos.
Não existe contraindicações absolutas ou relativas para terapia nutricional em pacientes com doença cardiológica crônica. O que deve ser evitada é a oferta aumentada de água e sal.
A caquexia cardíaca pode ser sugerida quando da perda de 10-12% do peso magro (ausência de edema) em seis meses.
Caquexia aumenta a mortalidade de pacientes com ICC (insuficiência crônica congestiva), dependendo de outros marcadores de mau prognóstico, como fração de ejeção do ventrículo esquerdo, nível sérico de sódio e classe funcional.
A terapia nutricional enteral deve seguir normas sanitárias específicas e ser conduzida por equipe multiprofissional.
Em relação às competências do nutricionista nesse processo, conforme a RDC no 503/2021, assinale a alternativa correta.
O nutricionista pode calcular as necessidades energéticas e proteicas do paciente, mas a seleção da fórmula enteral deve ser validada pelo médico responsável antes do início da infusão.
A prescrição dietética enteral pelo nutricionista inclui a escolha da fórmula, mas ajustes no volume total prescrito só podem ser feitos após deliberação conjunta da equipe multiprofissional.
O nutricionista tem competência legal para realizar a prescrição dietética à dieta enteral, incluindo cálculo das necessidades nutricionais, escolha da fórmula, ajustes de volume, fracionamento e taxa de infusão e de forma autônoma.
A atuação do nutricionista na terapia enteral limita-se ao planejamento dietético inicial, não cabendo a ele modificar a conduta prescrita após a evolução clínica do paciente.
A escolha entre terapia nutricional enteral (TNE) e parenteral (TNP) deve ser baseada na condição clínica do paciente. A condição que é contraindicada para o uso de TNE, tornando a TNP a opção mais indicada é a de:
desidratação
obstrução intestinal
alergia alimentar leve
doença hepática crônica
Em pacientes hospitalizados, a nutrição parenteral (NP) deve ser utilizada de forma criteriosa, considerando o risco nutricional, a viabilidade da nutrição enteral (NE) e o tempo de internação.
Sobre as recomendações do ACG Clinical Guideline: Nutrition Therapy in the Adult Hospitalized Patient (2016) para início e suspensão da NP, assinale a alternativa correta.
A NP deve ser iniciada em todos os pacientes já no primeiro dia de internação, independentemente do risco nutricional ou da possibilidade de uso da NE.
A NP suplementar deve ser instituída de rotina em pacientes em NE parcial, ainda que esta cubra menos de 60% das necessidades energéticas e proteicas.
A via periférica é preferida à central por reduzir risco de complicações, sendo suficiente para manter aporte adequado no médio e longo prazo.
NP deve ser iniciada precocemente em pacientes com alto risco nutricional, quando a NE não é viável, devendo ser descontinuada assim que a NE atingir > 60% das metas energéticas e proteicas.
A NP deve ser mantida indefinidamente, mesmo quando a NE já atinge mais de 60% das metas de energia e proteína.
(PMM/URCA 2025) Uma criança de 10 anos, vítima de politrauma com Traumatismo Cranioencefálico (TCE), está sedada e intubada, impossibilitada de se alimentar por via oral, porém com o trato gastrointestinal funcionante. A equipe opta pela introdução de Terapia Nutricional Enteral (TNE) em vez da Parenteral (TNP). A principal justificativa para essa escolha é que a TNE:
Tem um custo invariavelmente mais baixo, sendo este o principal fator na decisão clínica.
Preserva a integridade e a função da barreira intestinal, diminuindo o risco de translocação bacteriana e sepse, o que é crucial em pacientes críticos.
Possui menor risco de complicações mecânicas, como obstrução da sonda.
Não requer monitoramento bioquímico, simplificando o cuidado da criança.
Fornece um aporte calórico sempre superior ao da TNP.
Em relação ao cuidado nutricional de pacientes com doença inflamatória intestinal, a Diretriz de Nutrição Clínica na Doença Inflamatória Intestinal (2023), da Sociedade Europeia de Nutrição Parenteral e Enteral (ESPEN), afirma corretamente que
as necessidades proteicas em indivíduos com doença inflamatória intestinal (DII) na fase ativa são menores em relação às de populações saudáveis.
as necessidades proteicas em indivíduos com DII na fase de remissão são maiores em relação às de populações saudáveis.
as necessidades energéticas de indivíduos com DII, em geral, são similares às de populações saudáveis.
a suplementação de ferro por via intravenosa é desaconselhada para os pacientes com DII na fase ativa, sendo recomendado o uso da via oral.
dietas com baixo teor de FODMAPs, em associação com o uso de corticoides, são recomendados para indução da remissão da DII na fase ativa.
Leia o caso a seguir.
Paciente V.B.A., 42 anos, sexo masculino em tratamento para pancreatite aguda. Foi prescrito iniciar a terapia nutricional parenteral.
De acordo com TOLEDO e CASTRO (2015) e considerando a sua necessidade calórica total de 2100 kcal/dia, a oferta calórica inicial deverá ser de até
630 kcal.
840 kcal.
1.050 kcal.
1.575 kcal.
Leia o caso a seguir.
Paciente E.R.F., 34 anos, internada na Unidade de Terapia Intensiva e recebendo dieta enteral via SNE, de fórmula polimérica com densidade calórica 1,2 kcal/mL a 40 mL/h em bomba de infusão contínua. Durante a discussão do caso decidiu-se pela necessidade de restrição de volume hídrico via enteral.
Considerando-se o conteúdo de água das fórmulas enterais e que ocorre uma pausa da dieta de 2h/dia para procedimentos (ex.: fisioterapia, exames, banho no leito), quanto da dieta dessa paciente equivale à oferta hídrica pelo menos?
607 mL.
616 mL.
704 mL.
768 mL.
Segundo Toledo e Castro (2015), qual é o valor da osmolalidade de uma dieta enteral isotônica?
550 a 750 mOsm/kg.
350 a 550 mOsm/kg.
300 a 350 mOsm/kg.
280 a 300 mOsm/kg.
A dieta enteral é um alimento para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes, elaborada de forma definida ou estimada, que pode ser industrializada ou preparada no próprio serviço. Ela é utilizada por sondas ou via oral, de modo exclusivo ou parcial, para substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes, com o objetivo de manter ou recuperar o estado nutricional e favorecer a síntese e manutenção de tecidos, órgãos ou sistemas.
Fonte: Waitzberg, Dan L. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica / Dan L. Waitzberg. -- 5. ed. -- Rio de Janeiro: Atheneu, 2017.
A indicação da dieta enteral baseia-se na incapacidade de atender às necessidades energéticas e proteicas por via oral. Nesse contexto, consiste em uma indicação para a Terapia Nutricional Enteral:
O paciente não conseguir atingir 60% das necessidades nutricionais diárias pela via oral.
A nutrição parenteral for contraindicada por hiperglicemia.
O tratamento nutricional for necessário por período inferior a 24 horas.
O paciente apresentar diarreia crônica e absorção intestinal normal.
O trato digestivo estiver inativo e houver risco de aspiração.
Considerando a Terapia Nutricional Parenteral (TNP), assinale a alternativa correta.
A nutrição parenteral periférica pode ser utilizada por até 45 dias, desde que como soluções hiperosmolares, pois não elevam o risco de flebite.
A administração da nutrição parenteral deve ser feita em volume máximo, desde o primeiro dia, evitando-se introdução progressiva para reduzir déficit calórico inicial.
As emulsões lipídicas são importantes fontes de energia e ácidos graxos essenciais, devendo corresponder a 50% do valor energético total na TNP.
A monitorização glicêmica deve ser feita quinzenalmente, pois a alteração mais prevalente na TNP é a hiperlipidemia.
A via central é a escolha em nutrição parenteral de longa duração, permitindo a infusão de soluções com maior osmolaridade com segurança e garantindo aporte energético e proteico adequado.
A Terapia Nutricional, especialmente em ambientes hospitalares, exige atuação integrada e altamente especializada, sendo regulamentada por diretrizes específicas da ANVISA. A Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN) é responsável por planejar, implementar, monitorar e avaliar a terapia nutricional enteral e parenteral, assegurando segurança, eficácia e qualidade em todas as etapas. De acordo com a Resolução da ANVISA (2021), essa equipe deve ser formalmente constituída, contando obrigatoriamente com médico, nutricionista, enfermeiro e farmacêutico, todos com treinamento específico para a prática.
Com base nesse contexto, correspondem às atividades do nutricionista na EMTN, EXCETO:
Registro da evolução nutricional.
Supervisão da preparação da nutrição enteral.
Colocação da sonda oro/nasogástrica.
Prescrição dietética.
Avaliação do estado nutricional.
A terapia nutricional em pacientes submetidos à hemodiálise requer ajustes específicos para atender às necessidades metabólicas e prevenir complicações decorrentes da insuficiência renal. Com base nessas recomendações, analise as afirmações abaixo e marque (V) para verdadeiro e (F) para falso:
(....) A restrição de sódio na dieta do paciente em hemodiálise é essencial para o controle da pressão arterial e da retenção hídrica, devendo ser ajustada para cerca de 1.500 a 2.000 mg por dia, conforme tolerância do paciente.
(....) O fósforo é um micronutriente que deve ser aumentado na dieta do paciente em hemodiálise, pois a filtração renal não influencia significativamente sua concentração no organismo, sendo priorizados alimentos como laticínios e oleaginosas.
(....) A ingestão proteica deve ser maior em pacientes em hemodiálise do que naqueles em estágio pré-dialítico, pois há maior degradação proteica durante o procedimento, sendo recomendada uma ingestão média entre 1,0 e 1,2 g/kg/dia.
(....) Pacientes em hemodiálise devem manter um controle rigoroso da ingestão de potássio, especialmente quando apresentam hipercalemia recorrente, sendo recomendadas técnicas como cocção com fervura em água abundante para reduzir o teor de potássio de alimentos vegetais.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de verdadeiro (V) ou falso (F):
V – V – F – V
V – F – V – V
F – V – V – F
F – F – V – V
V – V – V – F
A terapia nutricional no perioperatório melhora o prognóstico de pacientes cirúrgicos. De acordo com as diretrizes recomendadas para a nutrição em cirurgias de grande porte, qual é a recomendação correta em relação ao uso da nutrição enteral (TNE) e da nutrição parenteral (TNP) no período pós-operatório?
A nutrição parenteral deve ser sempre preferida à nutrição enteral, pois reduz o risco de complicações infecciosas.
A nutrição enteral precoce deve ser implementada apenas em pacientes com contraindicação absoluta à nutrição parenteral.
A nutrição enteral precoce, mesmo na presença de anastomoses digestivas, é segura e pode reduzir o tempo de internação e complicações.
A nutrição parenteral é indicada como primeira escolha em pacientes submetidos a grandes cirurgias abdominais devido ao risco de sepse.
A nutrição enteral deve ser iniciada somente após a primeira semana de pós-operatório em pacientes que não toleram dieta oral.
Conforme a Resolução - RDC nº 63, de 6 de julho de 2000, quando se trata de nutrição enteral, são atribuições do nutricionista, exceto:
organizar e operacionalizar as áreas e atividades de preparação
elaborar a prescrição dietética com base nas diretrizes estabelecidas na prescrição médica
garantir o registro claro e preciso de todas as informações relacionadas à evolução nutricional do paciente
assegurar a manutenção da via de administração
Em relação à terapia imunomoduladora descrita por Piovacari (2021), assinale a alternativa INCORRETA.
A administração de fórmulas orais/enterais enriquecidas com nutrientes imunomoduladores deve ser ofertada em pacientes que serão submetidos a cirurgias de câncer.
A dose recomendada de fórmulas enriquecidas com nutrientes imumonomudalores é de duas doses diárias de 250 ml ou 500 a 1000 kcal/dia.
A terapia imunomoduladora tem como objetivo reduzir a morbidade pós-operatória, complicações infecciosas e duração da hospitalização.
O ômega-3 reduz o estímulo inflamatório e modula a resposta imunológicа.
Os nucleotídeos são essenciais para a rápida proliferação celular.