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Em uma perspectiva de educação integral, a elaboração do projeto político-pedagógico deve ser delegada a especialistas em educação, pois, devido a sua formação técnica, eles são mais bem capacitados para projetar uma escola de qualidade para a comunidade, que, afinal, constitui o legítimo usufrutuário do sucesso do processo educacional.
Certo
Errado
Atividades esportivas, de lazer, culturais, artísticas, de educomunicação, de educação ambiental e de inclusão digital são consideradas extracurriculares.
Certo
Errado
Sacristán (2000) apresenta a seguinte figura referente a objetivação do currículo no processo de seu desenvolvimento:

A respeito a dessa figura, assinale a alternativa correta.
“Assim como as tradições que definem o que é currículo, o currículo é, ele mesmo, uma prática discursiva. Isso significa que ele é uma prática de poder, mas também uma prática de significação, de atribuição de sentidos. Ele constrói a realidade, nos governa, constrange nosso comportamento, projeta nossa identidade, tudo isso produzindo sentidos”. (LOPES, Alice Casimiro; MACEDO, Elizabeth. Teorias de Currículo. São Paulo: Cortez, 2011).
A partir da visão pós-estruturalista das práticas curriculares de poder e significação, é correto afirmar que o currículo:
se constrói na dialética, a partir de imposições e resistências, tendo como atores principais os alunos;
é um recorte implacável, em que há um processo avassalador de imposições por meio do arbitrário cultural dominante;
torna inócuas distinções como currículo formal, oculto, vivido, na medida em que tudo isso é parte inalienável das práticas curriculares;
oculto é a parte intangível do currículo, na medida em que não está colocada nos textos e não é partilhada por todos;
possui independência das decisões políticas, na medida em que é construído no interior das escolas.
Inês Barbosa de Oliveira afirma que pensar alternativas curriculares como uma possibilidade de contribuição para a emancipação social traz em si dois pressupostos. Um deles refere-se à definição de currículo.
Para a autora, adepta de uma visão pós-estruturalista, o currículo deve ser compreendido como criação:
dos sujeitos que compõem o norte epistemológico e impõem indelevelmente seus saberes a outros que se encontram em situações de miséria social e intelectual;
das estruturas do Estado totalitário, que se propõe a dirigir as nações em direção a uma sociedade mais justa para todos e todas;
cotidiana daqueles que fazem as escolas e como prática que envolve todos os saberes e processos interativos do trabalho pedagógico realizado por alunos e professores;
dos intelectuais ligados aos governos centrais e que deve ser posta em ação pelos profissionais da educação nas escolas, apresentando seus resultados através das avaliações externas;
dos movimentos sindicais, dos movimentos sociais e dos sindicatos ligados aos profissionais da educação que conhecem as realidades dos sistemas de ensino do país.
Segundo Candau (2012), em relação ao direito à educação escolar:
“num primeiro momento a ênfase foi posta na ampliação dos anos de obrigatoriedade escolar, na perspectiva da universalização do ensino fundamental. [...]. No entanto, a expansão do sistema e a presença dos diversos grupos sociais e culturais que passaram a frequentá-lo colocaram em evidência a heterogeneidade dos resultados, os altos índices de evasão e fracasso escolar, a distorção idade-série, particularmente de determinados sujeitos e grupos, colocando no centro dos debates e das preocupações a questão da qualidade da educação. [...]”
(CANDAU, Vera Maria Ferrão. Direito à educação, diversidade e educação em direitos humanos. Educ. Soc., Campinas, v. 33, n. 120, p. 715-726, jul.-set. 2012)
A partir da discussão sobre universalização e qualidade da educação escolar no Brasil, apresentada pela autora, pode-se afirmar que
o país conseguiu atingir níveis maiores do que 90% de matrículas de crianças e jovens da faixa etária do ensino fundamental, porém esse percentual vem se reduzindo nos últimos anos devido à queda nos repasses do FUNDEF para os estados e municípios.
a evasão escolar tem sido objeto de preocupação por parte de políticas públicas para a educação, que têm incorporado, inclusive, programas de transferência de renda como aliados na busca pela permanência escolar.
a heterogeneidade dos estudantes, que veio com a universalização do ensino fundamental, tem se constituído como um obstáculo à elaboração de planos educacionais qualitativos.
a universalização do ensino fundamental veio acompanhada de qualidade apenas nas redes de ensino localizadas nas grandes capitais, em detrimento das cidades do interior.
As narrativas contidas no currículo, explícita ou implicitamente, corporificam noções particulares sobre conhecimento, sobre formas de organização da sociedade e sobre os diferentes grupos sociais e representam os diferentes grupos sociais de forma diferente. Enquanto as formas de vida e a cultura de alguns grupos são valorizadas e instituídas como cânon, as de outros são desvalorizadas e proscritas. Assim, contam histórias que fixam noções particulares sobre gênero, raça, classe – noções que acabam também nos fixando em posições muito particulares (SILVA, 2005, p. 195). Segundo o autor, as narrativas contidas no currículo contribuem para:
I. o entendimento de que o currículo vincula-se a aspectos políticos inerentes às relações de poder que acentuam as desigualdades étnico-raciais e de gênero;
II. a superação das desigualdades instituídas em relação às questões étnico-raciais e de gênero;
III. a compreensão de que o currículo representa, de forma igualitária, os diferentes grupos sociais.
Das afirmativas, verifica-se que está(ão) correta(s)
I, apenas.
III, apenas.
I e II, apenas.
II e III, apenas.
I, II e III.
Segundo Connell (1993 apud Moreira e Candau, 2003), uma justiça curricular pautada por princípios como os interesses dos menos favorecidos, a participação e escolarização comum, e a produção histórica da igualdade, ainda está longe se ser alcançada. Para o autor, o critério da justiça curricular é:
o fortalecimento da cultura das minorias em detrimento de uma cultura elitizada e desprovida de sentido para as classes populares.
a igualdade na distribuição curricular de temáticas relacionadas tanto ao saber das classes populares quanto ao conhecimento científico.
o grau em que uma estratégia pedagógica produz menos desigualdade no conjunto de relações sociais ao qual o sistema educacional está ligado.
o nível de adequação das práticas curriculares aos conhecimentos prévios dos alunos vindos das classes menos favorecidas e minorias étnicas.