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O conceito de normalidade e loucura em psicopatologia é uma questão controversa. A concepção de que a doença mental “é constrangimento do ser, é fechamento das possibilidades para transitar com graus distintos de liberdade”
caracteriza uma perspectiva de normalidade de orientação fenomenológica e existencial.
identifica-se com a concepção de saúde entendida como um estado de bem-estar físico, mental e social.
enfatiza a percepção subjetiva do próprio indivíduo em relação ao seu estado de saúde físico e mental.
destaca os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial e as crises características de cada período etário.
adota aspectos socioculturais e ideológicos abstratos e utópicos como critérios para definição de patologia.
Sobre alguns conceitos psicopatológicos, analise as assertivas a seguir.
1) Sintoma é compreendido como um estado de sofrimento que o paciente acusa, e do qual está querendo livrar-se, porquanto o sente como um corpo estranho a si.
2) Inibição é um estado que tanto pode ser a preliminar de um sintoma que está se organizando, como também pode já estar constituído por um permanente traço de caráter.
3) Por caráter entende-se um estado – organizado – da mente e da conduta, que pode resultar harmônico e saudável, sem condições de prevalência de uma egossintonia.
4) Repressão se processa como uma forma de defesa contra a ameaça de irrupção da angústia, mais especificamente, a angústia de castração.
5) A neurose de angústia consiste em um transtorno clínico que se manifesta por meio de uma angústia livre, e que se caracteriza como um quadro permanente.
Estão corretas, apenas:
1, 3 e 5.
1, 2 e 4.
1, 4 e 5.
2, 3 e 4.
2, 3 e 5.
A obra “O normal e o patológico”, de Georges Canguilhem, é considerada um dos trabalhos mais célebres sobre a temática da normalidade que acompanha as discussões em Psicologia, principalmente no que tange à Psicopatologia e aos debates sobre o que é possível ser considerado ou não como doentio ou sadio. Dessa obra, destaca-se o seguinte trecho: “A anomalia e a mutação não são, em si mesmas, patológicas.”
Com base nos conhecimentos na referida obra, o estado patológico:
não é a ausência de norma biológica, é uma norma diferente, mas comparativamente repelida pela vida.
se define pela ausência de uma norma, e que por se afastar das condições normais, caracterizam o estado de deterioração da vida.
não é um estado definido por si, mas uma medida arbitrária concebida a partir dos parâmetros inferiores no qual a norma da vida vigora.
é uma mutação que não se adequa à antiga norma de vida, sendo inferior a essa norma tanto em sua natureza quanto em essência.
Com relação aos principais critérios de normalidade utilizados em psicopatologia, assinale a alternativa CORRETA.
Na Normalidade subjetiva, é dada maior ênfase à percepção subjetiva do próprio indivíduo em relação a seu estado de saúde.
Para o conceito de Normalidade como bem estar normal, seria aquele indivíduo que simplesmente não é portador de um transtorno mental definido.
O critério de normalidade funcional trata de um conceito de normalidade que se aplica especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral.
Na Normalidade operacional, a saúde mental se vincula às possibilidades de transitar com graus distintos de liberdade sobre o mundo e sobre o próprio destino.
O modelo dimensional de Psicopatologia tem enfoque quantitativo, exemplificando-se pela medida da intensidade sintomática. Por sua vez, o modelo _________________ exemplifica-se pelo julgamento clínico sobre a presença ou ausência de uma configuração de sintomas significativos, com enfoque qualitativo.
A alternativa que preenche, corretamente, a lacuna do trecho acima é
psicanalítico
psicossomático
fundamentalista
categórico de psicopatologia
hipocrático de psicopatologia
Segundo Visca (1991), a Epistemologia Convergente afirma que a aprendizagem pode adotar, no contínuo da normalidade-anormalidade, três grandes formas. São elas:
patogênica, normal, e patológica.
patológica, normal e nosográfica.
normal, patogênica, e interativa.
patogênica, patológica, e universal.
patológica, interativa, e normal.
No que tange à citada inversão operada na determinação atual dos distúrbios mentais, Pessotti refere-se ao declínio da:
Semiologia
Nosologia
Nosografia
Empiria
Nenhuma das alternativas anteriores
Há vários critérios de normalidade e anormalidade em psicopatologia. A adoção de um ou outro depende, entre outras coisas, de opções filosóficas, ideológicas e pragmáticas do profissional. Considere os principais critérios de normalidade descritos na tabela a seguir e assinale a alternativa que traz a sequência correta:
1 | Normalidade como processo. | J | A normalidade aqui é tomada como uma certa “utopia”. Estabelece-se arbitrariamente quando, o que é supostamente “sadio”, mais “evoluído”. Tal norma é, de fato, socialmente constituída e referendada. Depende, portanto, de critérios socioculturais e ideológicos arbitrário, e, às vezes, dogmáticos e doutrinários. |
2 | Normalidade ideal. | K | Neste caso, mais que uma visão estática, consideram-se os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial, das desestruturações e das reestruturações ao longo do tempo, de crises, de mudanças próprias a certos períodos etários. Esse conceito é particularmente útil em psiquiatria infantil, de adolescentes e geriátrica. |
3 | Normalidade estatística. | Q | Identifica norma e frequência. Trata-se de um conceito de normalidade que se aplica especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral (como peso, altura, tensão arterial, horas de sono, quantidade de sintomas ansiosos, etc.). |
1 – K; 2 – Q; 3 – J
1 – K; 2 – J; 3 – Q.
1 – J; 2 – K; 3 – Q.
1 – J; 2 – Q; 3 – K.
Segundo Tenório e Rocha (2006), no campo da atenção psicossocial, a temática do psicopatológico trata daquilo que:
especifica um sujeito na estrutura
aponta para os sintomas do sujeito
localiza o sujeito na não normalidade
enquadra o sujeito numa nosografia psiquiátrica
Há diversas correntes da Psicopatologia. Assinale a alternativa que corresponda à Psicopatologia dinâmica:
Interessa-se pelo conteúdo da vivência, pelos movimentos internos dos desejos, temores e afetos.
Centra-se no corpo e no ser biológico.
Interessa-se pelas formas das alterações psíquicas e pela estrutura do sistema, essencialmente.
A doença mental é compreendida nessa perspectiva como um modo particular de existência.
Perspectiva que entende o transtorno mental como entidades completamente individualizada.
Assinale a alternativa correta a respeito do conceito de Sintoma, conforme descreve Lacan.
O Sintoma é um significante com significado patológico, é um sinal que aponta para disfunção patológica do aparelho psíquico.
O método estatístico embasa o caráter nosológico das patologias sendo o Sintoma tratado, a nível indivídual, de acordo com este parâmetro.
No processo saúde – doença, o Sintoma remete a um significado único relacionado a seu respectivo significante.
O Sintoma para psicanálise não revela a verdade de uma doença orgânica, mas uma verdade do sujeito do inconsciente.
Para a psicologia em geral, as nosografias psiquiátricas (DSM e seu correlato, Classificação Internacional de Doenças - CID) servem sobretudo como instrumento de:
Previsão prognóstica
Orientação clínica
Prescrição de conduta
Pesquisa epidemiológica
Comunicação interprofissional
Segundo Paulo Dalgalarrondo (p.32, 2008), há vários critérios de normalidade e anormalidade em medicina e psicopatologia. Sobre esses critérios, assinale a alternativa INCORRETA.
Os critérios de normalidade e de doença em psicopatologia são precisos, e não podem variar de acordo com as opções filosóficas do profissional.
Podemos utilizar o critério de Normalidade como ausência de doença. Nele, a ausência de sintomas, sinais ou de doenças é sinônimo de saúde.
Temos o critério de Normalidade estatística, no qual o normal é aquilo que se observa com mais frequência.
Existe o critério de Normalidade como bemestar. A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu, em 1946, a saúde como o complemento entre o bem-estar físico, mental e social e não somente como ausência de doença.
Segundo Dalgalarrondo (2008), os critérios de normalidade e doença em psicopatologia variam consideravelmente em função dos fenômenos específicos com os quais se trabalha.
No que se refere à prática clínica do psicólogo, é CORRETO afirmar:
O profissional deve ter a capacidade de discriminar no processo de avaliação psicodiagnóstica se o fenômeno apresentado pelo paciente é normal ou patológico, isto é, se parte de um momento existencial ou é patológico.
O profissional deve se basear no conceito de normalidade apoiado em critérios socialmente construídos e referendados, com base na adaptação do indivíduo às normas e políticas vigentes numa dada sociedade. O que foge a essas normas é considerado patológico.
O profissional deve ter a capacidade de fazer um exame clínico utilizando testes de personalidade que identifiquem potenciais transtornos psiquiátricos.
O profissional deve observar o que o paciente relata sobre os seus sintomas. A verificação de ausência de sintomas significa normalidade, que pode ser concebida como a saúde no silêncio dos órgãos.
Considerando a natureza e a causa dos distúrbios mentais, pode-se afirmar que
os comportamentos e sintomas que caracterizam os diversos transtornos mentais são determinados por uma constelação de fatores de origem intrapsíquica.
todo transtorno psíquico pode ser reduzido, em seus aspectos fundamentais, a uma série de manifestações de caráter psicofisiológico e neuronal.
fatores inconscientes determinam todos os comportamentos e sintomas exibidos pelos indivíduos acometidos por um transtorno mental.
os sintomas associados a um transtorno mental são resultado de uma série de forças conflitantes que servem a um único propósito: a sobrevivência.
um único comportamento ou sintoma serve a diversas funções e soluciona muitos problemas de um paciente com um transtorno mental.
O objetivo principal de qualquer ciência da vida, seja ela individual ou social, é a definição e explicação do estado normal, bem como a diferenciação do seu estado patológico. Baseado na discussão entre o normal e o patológico, analise as proposições a seguir e, em seguida, aponte a alternativa CORRETA:
I - Os critérios de normalidade e de doença em psicopatologia variam consideravelmente em função dos fenômenos específicos com os quais trabalhamos, e também de acordo com as opções filosóficas do profissional. Esta é uma área da psicopatologia que exige uma postura permanentemente crítica e reflexiva dos profissionais.
II – A distinção entre o normal e o patológico se torna mais fácil de ser delineada em alguns casos em que existem alterações comportamentais e/ou mentais de intensidade acentuada e longa duração.
III – É possível definir uma patologia baseada apenas em um critério estritamente quantitativo, sendo dispensável o discurso do sujeito ou da família.
Amarante (2013) afirma que a obra literária “O Alienista”, escrita por Machado de Assis, deveria ser lida por profissionais que lidam com a psiquiatria, a psicologia, a saúde mental e a atenção psicossocial, pois essa obra consiste em uma crítica ao alienismo e ao modelo de ciência positiva que o legitimou. Assinale a alternativa que indica o(s) tema(s) discutido(s) na referida obra.
AMARANTE, P. Saúde Mental e Atenção Psicossocial. 4ª ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2013. 123p. (versão e-book).
Normalidade/anormalidade, ciência como produtora de verdade e mito da neutralidade científica.
Medicalização da vida e uso restrito das psicoterapias no tratamento das doenças mentais.
Necessidade de aprimoramento da comunicação nas equipes multidisciplinares que atuam no tratamento das psicopatologias.
Formas alternativas de tratamento dos transtornos mentais e desinstitucionalização do paciente psiquiátrico.
Personagens excêntricos na literatura e neutralidade científica.
Desde muito tempo, a história da doença mental revela que as pessoas com comportamentos e atitudes diferentes são segregadas pela sociedade e, em muitos casos, remetidas para o isolamento, até em prisões. Há pouco tempo, pessoas passaram a ser alvo de atenção e intervenção psíquica, surgindo os primeiros tratamentos médicos psiquiátricos. Mesmo assim, ainda há muitos aspectos que dificultam o entendimento dos limites que separam o normal do anormal. De acordo com Bergamini e Tassinari (2010) “o anormal mostra, no geral, certas atitudes do seu repertório comportamental consideradas normais. O normal pode, uma vez ou outra, ter atitudes isoladas passíveis de serem classificadas com um tipo de desvio anormal de conduta.” Isto pode significar que:
o normal é sempre melhor que o anormal.
o anormal é quase sempre um louco que merece estar internado.
ninguém é normal ou anormal o tempo todo.
o normal sempre está dentro das diretrizes de ajustamento.
Para Romano (1999), a definição operacional e prática de normalidade psíquica associado à doença orgânica, deve incluir, EXCETO:
a ausência total de psicopatologia grave e de sérias anomalias psicopatológicas e físicas.
o domínio de faculdades previamente adquiridas, com possíveis retrocessos importantes.
aptidão para experimentar reações afetivas com flexibilidade para elaborar inevitáveis conflitos, e chegar até conclusões aceitáveis.
o indivíduo sentir-se parte de uma configuração social e estar consciente de suas normas e valores.
Sobre as grandes síndromes psiquiátricas, Dalgalarrondo (2008) afirma, EXCETO:
As síndromes são conjuntos de sinais e sintomas que se agrupam de forma recorrente.
São agrupamentos instáveis de sintomas.
O diagnóstico sindrômico é um ato clínico modesto, mas estrategicamente importante no raciocínio clínico.
É desejável, sempre que possível, após a precisa caracterização dos sinais e dos sintomas e seu ordenamento em síndromes clínicas, a formulação de hipóteses diagnósticas.