Questões de Concurso sobre Semiologia Psiquiátrica e Critérios de Normalidade

 
 
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Junto com os sistemas de classificação, como DSM-IV e CID 10, a noção de síndrome é útil na abordagem dos quadros mentais. Com relação à perspectiva sindrômica em psicopatologia, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a afirmativa verdadeira e (F) para a falsa.


( ) Aponta para o caráter instável dos sintomas em função de sua etiologia variada.

( ) Indica haver um estado psicopatológico multicausal, em função dos sinais e sintomas apresentados.

( ) É o último passo que encerra a observação psicopatológica, permitindo fechar o diagnóstico.


As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,


A

F – V – F.


B

F – V – V.


C

V – F – F.


D

V – V – F.

De acordo com Paulo Dalgalarrondo (2019), a semiologia psicopatológica é o estudo dos sinais e sintomas dos transtornos mentais. A psicopatologia se interessa por sinais comportamentais objetivos e verificáveis pela observação direta do paciente.

As vivências subjetivas relatadas pelos indivíduos, suas queixas e narrativas, ou seja, aquilo que o sujeito experimenta e, de alguma forma, comunica a alguém, é chamado corretamente de


A

sintoma.


B

nosologia.


C

propedêutica.


D

semiogênese.

Sobre os manuais de classificação psiquiátrica, NÃO se pode afirmar que:


A

A influência que a psicanálise exercia até a década de 1960 é substituída pela influência da psicofarmacologia.


B

As classificações psiquiátricas modernas se referem a um conjunto de condutas, sentimentos e comportamentos dos sujeitos, inseridos em suas redes sociais de vínculo, família e trabalho, que são levadas em consideração nos manuais ao definir um diagnóstico.


C

Atualmente, a abordagem hegemônica da classificação psiquiátrica privilegia a sintomatologia do paciente.


D

O debate psicopatológico fica minimizado em favor do diagnóstico.


E

Os manuais foram inicialmente criados para garantir uma linguagem comum na comunidade científica.

De acordo com a obra O Normal e o Patológico, de Georges Canguilhem, é CORRETO afirmar que:


A

Não há diferença entre o normal e o patológico.


B

O normal é o que acontece em maior frequência estatística.


C

Existe diferença qualitativa entre o normal e o patológico.


D

Existe apenas uma diferença quantitativa entre o normal e o patológico.

O indivíduo (com ideias, fantasias e imagens persistentes) reconhece o caráter irracional e absurdo desses pensamentos tentando, às vezes, neutralizá-los com outros pensamentos ou com atos e rituais específicos. Esse indivíduo apresenta qual sintoma de sofrimento mental?


A

Síndrome obsessiva.


B

Síndrome histérica.


C

Síndrome de estupor.


D

Fobia.


E

Parafilia.

A Psicopatologia foca na questão do normal e do patológico, uma vez que “o conceito de normalidade psicológica e saúde mental implica um estado de bemestar psicológico através do qual o indivíduo desenvolve as suas próprias capacidades e potencialidades, pode lidar eficazmente com o stress, trabalha de forma produtiva e com satisfação, sendo capaz de contribuir para a comunidade onde está inserido” (Carvalho Teixeira, 2005). Os vários critérios de distinção entre o normal e o patológico são:


A

no critério Psicológico, a normalidade de um sujeito faz parelha com uma condição saudável, enquanto o estado patológico se identifica com a doença.


B

no critério Sociológico, a normalidade está associada a determinados atributos psicológicos e ao desenvolvimento pessoal.


C

o critério Biomédico onde o normal é a situação que tiver maior frequência e o patológico o que é estatisticamente raro.


D

no critério Psicodinâmico, a normalidade associa-se a um indivíduo socialmente adaptado, e o patológico ao comportamento desviante.


E

no critério Subjetivo, o normal está ligado ao bem-estar psicológico e o patológico ao sofrimento psicológico.

Um transtorno mental é uma síndrome caracterizada por perturbação clinicamente significativa na cognição, na regulação emocional ou no comportamento de um indivíduo que reflete uma disfunção nos processos psicológicos, biológicos ou de desenvolvimento subjacentes ao funcionamento mental. Transtornos mentais estão frequentemente associados a sofrimento ou incapacidade significativos que afetam atividades sociais, profissionais ou outras atividades importantes. Sobre transtorno mental, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.


( ) Uma resposta esperada ou aprovada culturalmente a um estressor ou perda comum não constitui transtorno mental.

( ) Desvios sociais de comportamento e conflitos que são basicamente referentes ao indivíduo e à sociedade não são transtornos mentais mesmo que o desvio ou conflito seja o resultado de uma disfunção no indivíduo.

( ) O diagnóstico de transtorno mental deve ajudar os clínicos a determinar o prognóstico, os planos de tratamento e os possíveis resultados do tratamento para seus pacientes.

( ) O diagnóstico de um transtorno mental é equivalente à necessidade de tratamento.


A

V – F – V – F.


B

F – V – F – V.


C

V – V – F – V.


D

V – F – F – V.


E

F – F – F – V.

Se levarmos a sério o significado da palavra psicopatologia – discurso (logos, logia) da paixão, do afeto (pathos) psíquico seremos, imediatamente, remetidos ao método clínico: espaço percorrido a caminho da palavra representante desse sofrimento. O método assim entendido contém uma lógica que não é formal e se revela pela narrativa construída pelo médico e o paciente na situação clínica. A psicopatologia é, portanto, discurso resultante de caminho visando um objetivo, ou seja, ela se realiza por meio da prática clínica. A prática clínica é, por sua vez, caminho que se percorre e seu resultado, sempre precário, quando posto em palavra, chama-se psicopatologia, assim é INCORRETO afirmar que:


A

Psicopatologia é uma área do conhecimento que objetiva estudar os estados psíquicos relacionados ao sofrimento não só mental, mas físico também. É a área de estudos que está na base da psiquiatria, da filosofia e da sociologia cujo enfoque é clínico.


B

Psicopatologia é uma área do conhecimento que objetiva estudar os estados psíquicos relacionados ao sofrimento mental. É a área de estudos que está na base da psiquiatria, cujo enfoque é clínico.


C

O espaço da psicopatologia é composto por várias perspectivas teórico e práticas acerca do psicopatológico. É lícito expressar que a referência ao corpo como realidade da doença, cujo diagnóstico é pautado pelo grau de oposição ao normal, constitui o tema crucial sob cujo domínio se posiciona os vários projetos clínicos. Assim, a psicopatologia, como um terreno circunscrito do saber médico sobre os transtornos psíquicos, caracteriza-se por uma diversidade de teorias que abordam a problemática da especificidade do psicopatológico e de suas relações com o normal.


D

Freud em A interpretação de sonhos (1900/1996a) e A psicopatologia da vida cotidiana (1901/1996c) estabelece identidade entre os fenômenos psíquicos sob o argumento de que são realizações de desejo. Nessa perspectiva, as noções de normal e patológico não apontam para uma descontinuidade absoluta entre experiências psíquicas, porquanto, nos sonhos, esquecimentos corriqueiros, paralisias histéricas e delírios, por exemplo, o que está em jogo é o desejo do sujeito.

Ainda com relação as noções de Doença, Cura e Saúde propostas por Canguilhem (1978), é CORRETO afirmar:


A

Distinguindo anomalia de estado patológico, variedade biológica de valor negativo, é impossível atribuir ao próprio ser vivo a responsabilidade de distinguir o ponto em começa a doença, sendo necessário um outro habilitado para que seja tomado como ponto de referência.


B

Só é possível determinar o conteúdo do “ser doente” recorrendo a uma norma supra individual, a relatividade individual do biológico impõe obstáculos a essa tarefa.


C

O normal não tem a rigidez de um determinativo para todos os indivíduos da mesma espécie e sim a flexibilidade de uma norma que se transforma em sua relação com as condições individuais.


D

O limite entre normal e patológico nunca é impreciso.


E

Aquilo que é normal em determinada condições deve permanecer normal em outra situação, se se permanece inalterado.

Aqui são considerados os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial. Consideram-se as estruturações e reestruturações ao longo do tempo, dando grande importância a esses acontecimentos durante crises e mudanças próprias a certos períodos etários. É um critério que recebe particular simpatia da psiquiatria infantil, de adolescentes e geriátrica.

A descrição acima corresponde a:


A

Normalidade formativa.


B

Normalidade reativa


C

Normalidade como cadência.


D

Normalidade como processo.

Assinale abaixo a alternativa MAIS próxima da noção de normatividade canguilhemiana:


A

Bem-estar.


B

Qualidade de vida.


C

Normalidade.


D

Saúde mental.


E

Plasticidade.

A aplicação precisa da psicopatologia descritiva na prática da psiquiatria é necessária, no mínimo, pelas três razões seguintes:


I. A psicopatologia descritiva é a ferramenta profissional fundamental do psiquiatra; ela é possivelmente, a única ferramenta diagnóstica exclusiva do psiquiatra.

II. A psicopatologia descritiva diz respeito mais do que à simples realização de uma entrevista clínica com o paciente, ou, até mesmo, ter que escutá-lo, embora deva envolver ambos, necessariamente.

III. A psicopatologia descritiva tem utilidade e aplicação clínica.


Sobre os itens acima:


A

Todos os itens estão corretos.


B

Apenas o item I está incorreto.


C

Apenas os itens I e III estão incorretos.


D

Apenas o item III está correto.

De acordo com Clímaco (2010), a criação dos conceitos de normal e patológico, constituídos como contingências opostas e incomunicáveis, introduz a obrigatoriedade de o sujeito estar em um desses polos. Com relação aos conceitos de normal e patológico, assinale a alternativa correta.


A

A psicanálise demonstra, já a partir de Freud, que a relação do sujeito com o ideal sempre é de submissão total.


B

O anormal é uma forma de regularidade e caracteriza necessariamente o patológico.


C

Para Canguillhem, o estado patológico é uma nova dimensão de vida, uma nova forma de ser, uma relação nova com o meio, em que o doente não consegue mais responder às exigências do meio normal anterior.


D

O discurso de patologia como norma envolve estar dentro do padrão, atingir o modelo desejado ou nos resignar a estar dentro da curva estatística do normal, subordinados à normalidade, à eficiência.

“Portanto, se o normal não tem rigidez de um determinativo para todos os indivíduos da mesma espécie e sim flexibilidade de uma norma que se transforma em sua relação com condições individuais, é claro que o limite entre normal e patológico torna-se impreciso.” (In: Canguilhem, Georges. O normal e o patológico. 7 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1978, p. 145).

Com base no trecho acima é possível afirmar:


A

Não há diferença entre normal e patológico.


B

O critério de normalidade é universal.


C

A relação entre normal e patológico deve ser singularizada e pensada sempre numa relação.


D

Não é possível precisar os limites entre normal e patológico, portanto, não é possível uma área do conhecimento que aborde essa questão.


E

O critério de patológico não pode ser tomado em relação a um indivíduo, mas como espécie.

Qual dos critérios citados abaixo não enquadra-se dentre os critérios de normalidade descritos pela Psicopatologia?


A

Normalidade como liberdade.


B

Normalidade como processo.


C

Normalidade funcional.


D

Normalidade como percepção egóica.


E

Normalidade estatística.

Compreende-se que a psicopatologia é o estudo científico dos transtornos psicológicos. Nessa perspectiva, a disfunção psicológica refere-se a uma


A

prevalência de transtornos somáticos.


B

modificação no sistema social do indivíduo.


C

dificuldade de manter os recursos egoicos.


D

interrupção no funcionamento cognitivo, emocional ou comportamental.

Sobre a Psicopatologia, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma abaixo e depois assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.


( ) A psicopatologia, em acepção mais ampla, pode ser definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano. É um conhecimento que se esforça por ser sistemático, questionador e desmistificante. Como conhecimento que visa ser científico, não inclui critérios de valor, nem aceita dogmas ou verdades a priori. O psicopatólogo não julga moralmente o seu objeto, busca apenas observar, identificar e entender os diversos sintomas e conteúdos da doença mental. Além disso, rejeita qualquer tipo de dogma, seja ele religioso, filosófico ou biológico; o conhecimento que busca está permanentemente sujeito a revisões, avaliações e reformulações.

( ) De modo geral, as formas dos sintomas estão relacionados aos temas centrais da existência humana, tais como sobrevivência e segurança, sexualidade, temores básicos (morte, doença, miséria, etc.), religiosidade, entre outros. Esses temas representam uma espécie de substrato, que entra como ingrediente fundamental na constituição da experiência psicopatológica.

( ) Classicamente, distinguem-se três tipos de fenômenos humanos para a psicopatologia: fenômenos semelhantes; fenômenos em parte semelhantes e em parte diferentes; e fenômenos qualitativamente novos, diferentes.

( ) O diagnóstico psicopatológico, com exceção dos quadros psicoorgânicos (delirium, demências, síndromes focais, etc.), não é, de modo geral, baseado em possíveis mecanismos etiológicos supostos pelo entrevistador. Baseia-se principalmente no perfil de sinais e sintomas apresentados pelo paciente na história da doença e no momento da entrevista.

( ) De início, pode-se afirmar que a habilidade do entrevistador se revela pelas perguntas que formula, por aquelas que evita formular e pela decisão de quando e como falar ou apenas calar. Também é atributo essencial do entrevistador a capacidade de estabelecer uma relação ao mesmo tempo empática e tecnicamente útil do ponto de vista humano.


A

F – F – V – V – V.


B

V – V – F – V – F.


C

F – F – F – F – V.


D

V – V – F – F – V.

Segundo Dalgalarrondo (2008), o processo diagnóstico em psicopatologia apresenta alguns aspectos particulares. São eles, EXCETO:


A

O diagnóstico de um transtorno psiquiátrico é quase sempre baseado preponderantemente nos dados clínicos.


B

O diagnóstico psicopatológico não é, de modo geral, baseado em possíveis mecanismos etiológicos supostos pelo entrevistador e sim no perfil de sinais e sintomas apresentados pelo paciente na história da doença e no momento da entrevista.


C

O diagnóstico psicopatológico só é possível, em inúmeros casos, com a observação do curso da doença.


D

De modo geral, não existem sinais ou sintomas psicopatológicos totalmente específicos de determinado transtorno mental. Além disso, não há sintomas patognomônicos em psiquiatria.


E

O diagnóstico psiquiátrico deve ser unidimensional e focar nos sintomas psíquicos, uma vez que não são encontradas evidências de alterações orgânicas nessas patologias.

Sobre psicopatologia, assinale a alternativa incorreta.


A

A psicopatologia passa a ocorrer quando o comportamento de uma pessoa, ou eventualmente de um grupo de pessoas, é esperado como referência de determinada sociedade, quando a pessoa passa a ter alterações importantes em relação ao comportamento que tinha no passado, com prejuízos significativos em seu funcionamento (comportamento), causando a si e a outros, especialmente seus familiares, acentuado grau de sofrimento.


B

A psicopatologia, saúde e normalidade são termos altamente relacionados.


C

A psicopatologia é uma área do conhecimento que objetiva estudar os estados psíquicos relacionados ao sofrimento mental.


D

A psicopatologia, em acepção mais ampla, pode ser definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano.

Georges Canguilhem fornece uma importante contribuição à Psicologia e a área da saúde ao propor uma reflexão sobre as relações entre os conceitos de normal e patológico. Dentre as afirmativas abaixo qual reflete melhor o pensamento desse autor?


A

O sofrimento humano advém do não reconhecimento que a doença é a norma e a saúde é o seu instável desvio.


B

A normalidade e a patologia precisam ser entendidas como conceitos distintos e devem ser bem definidos matematicamente para que regulamentem a prática em saúde com segurança.


C

O patológico é a ausência da norma, é desarmonia. E a norma, por sua vez, é a saúde expressa no corpo.


D

Normal e patológico são conceitos indissociáveis. E o patológico não é a ausência de norma biológica, mas sim uma norma diferente.


E

Saúde é o bem-estar biopsicossocial e por isso é preciso ter uma compreensão holística do indivíduo.

   
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