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Quando refletimos e relacionamos os conceitos de normalidade, anormalidade e psicopatologia, a partir de uma determinada ocorrência, como a homossexualidade, ou um distúrbio de linguagem, como a afasia, é CORRETO afirmar que essa ocorrência psíquica
se é normal, sempre e necessariamente estará dissociada da psicopatologia.
se é anormal, sempre e necessariamente estará associada a uma psicopatologia.
sendo normal ou anormal, pode ou não estar associada a uma psicopatologia.
terá sua normalidade e anormalidade determinadas pelo contexto sociocultural.
não poderá ser tipificada como normal e/ou anormal, portanto, psicopatológica.
O diagnóstico psicopatológico, com exceção dos quadros psico-orgânicos, não é, de modo geral, baseado em possíveis mecanismos etiológicos supostos pelo entrevistador.
Esse diagnóstico é quase sempre emitido com base, preponderantemente, nos dados pessoais
laboratoriais.
sintomáticos.
evolutivos.
caracteriais.
Em psicopatologia, a definição do que se considera como sendo normal ou patológico é algo bastante controverso. Trata-se, de acordo com Canguilhem (1978), em seu livro “O normal e o patológico”, de uma classificação resultante de opções filosóficas, ideológicas e pragmáticas do profissional. Com relação aos critérios de normalidade utilizados em psicopatologia, Dalgalarrondo (2008) destaca os seguintes: normalidade como ausência de doença, normalidade ideal, normalidade estatística, normalidade como bem-estar, normalidade funcional, normalidade como processo, normalidade subjetiva, normalidade como liberdade e normalidade operacional. A respeito desses critérios, é correto afirmar que
a “normalidade como ausência de doença” é entendida como certa “utopia”, em que se estabelece que o que é “sadio” é mais “evoluído”.
a “normalidade estatística” identifica norma e frequência e, assim, o normal passa a ser aquilo que se observa com mais frequência.
“normalidade como liberdade” compreende os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial, isto é, os aspectos envolvidos nas desestruturações e reestruturações que ocorrem ao longo da vida dos indivíduos, tornando-os livres das pressões sociais.
o critério da “normalidade como bem-estar” destaca o fato de que um fenômeno só deve ser considerado patológico se não for considerado funcional.
“normalidade funcional” remete à possibilidade de os indivíduos produzirem comportamentos que fogem ao que é frequente em uma sociedade, a partir de uma lógica funcionalista, ainda que sejam considerados socialmente pouco adaptativos.
O conceito de saúde e de normalidade em psicopatologia em psicologia é questão de grande controvérsia. Obviamente, quando se trata de casos extremos, cujas alterações comportamentais e mentais são de intensidade acentuada e de longa duração, o delineamento das fronteiras entre o normal e o patológico não é tão problemático. Entretanto, há muitos casos limítrofes, nos quais a delimitação entre comportamentos e formas de sentir normais e patológicas é bastante difícil. (Dalgalarrondo, p. 31, 2008).
A respeito das diferentes concepções de critério normalidade que habitam o conhecimento das ciências psicológicas a respeito da psicopatologia, assinale a alternativa que apresenta a concepção de critério normalidade que corresponde a seguinte definição: “Trata-se de um critério assumidamente arbitrário, com finalidades pragmáticas explícitas, buscando trabalhar a partir das consequências de tal definição prévia de normalidade e patologia”:
Normalidade operacional.
Normalidade funcional.
Normalidade como processo.
Normalidade ideal.
Normalidade consequencial.
Ao tratar da psicopatologia dinâmica, fazemos referência a corrente que:
Interessa-se fundamentalmente pela forma das alterações psíquicas, a estrutura dos sintomas, àquilo que caracteriza a vivência patológica como sintoma mais ou menos típico.
Trabalha com uma noção de homem centrada no corpo, no ser biológico como espécie natural e universal.
No seu enfoque, o homem é visto como um conjunto de comportamentos observáveis, verificáveis, regulados por estímulos específicos e gerais, bem como por certas leis e determinantes do aprendizado.
Interessa-se pelo conteúdo da vivência, os movimentos internos dos afetos, desejos e temores do indivíduo, sua experiência particular, pessoal, não necessariamente classificável em sintomas previamente descritos.
Em sua visão, o homem é visto como ser “determinado”, dominado por forças, desejos e conflitos inconscientes.
“Semiologia psicopatológica é, por sua vez, o estudo dos sinais e sintomas dos transtornos mentais” (DALGALARRONDO, 2008). Neste contexto, avalie as afirmativas abaixo assinalando a opção INCORRETA.
Os signos de maior interesse para a psicopatologia são os sinais comportamentais objetivos e os sintomas.
Sintomas são as vivências subjetivas, relatadas pelos pacientes, suas queixas e narrativas, aquilo que o sujeito experimenta e, de alguma forma, comunica a alguém.
Síndromes são agrupamentos relativamente constantes e estáveis de determinados sinais e sintomas.
Sintomas são os elementos encontrados em um determinado sujeito, a partir da observação e avaliação profissional, que permitem a análise e consequente interpretação do estado mental do indivíduo.
Sinais comportamentais objetivos são aqueles verificáveis pela observação direta do paciente.
Sobre o conceito de Normal e Patológico analise as proposições a seguir destacando a afirmativa FALSA.
O conceito de normalidade em psicopatologia é uma questão de grandes controvérsias, pois a normalidade pode variar com a cultura, a ideologia e a vivência de cada indivíduo.
Quando se trata de casos extremos, cujas alterações comportamentais e mentais são de intensidade acentuada e de longa duração, o delineamento das fronteiras entre o normal e o patológico não é tão emblemático.
Segundo Dalgalarrondo (2008) há vários critérios de normalidade a anormalidade e em psicopatologia podemos expressar alguns desses critérios como: normalidade estatística; normalidade subjetiva; normalidade como liberdade e normalidade operacional.
A normalidade como bem-estar seria também um dos critérios para se avaliar a normalidade, sendo baseado nos aspectos funcionais e não necessariamente quantitativos.
O conceito de normalidade pode implicar a própria definição do que é saúde e doença mental.
No curso dos episódios de transtorno mental há quatro termos utilizados.
Aquele que diz respeito ao surgimento de um novo episódio é a
remissão.
recuperação.
recaída.
recorrência.
Assinale a alternativa INCORRETA abaixo. A patologia é um valor sempre entendido como:
Obstáculo vital.
Desvio qualitativo.
Anormalidade.
Desvio funcional.
Norma fixa.
A loucura tem sido uma companheira inseparável do homem ao longo de todo o seu trajeto conhecido pela história. As referências a loucos são encontradas desde o Velho Testamento até os estudos etnográficos das sociedades chamadas de primitivas. Não existe cultura que deixe de ser sensível àquilo que escapa à sua norma, definindo incessantemente as fronteiras entre a loucura e a normalidade, voltando seu olhar para a presença dos “loucos” no convívio com as pessoas “normais” e produzindo estratégias para enfrentar os produtos dessa divisão. Como já foi demonstrado no clássico História da Loucura, de Michel Foucault, a partir do século XIX, a tarefa de vigiar a fronteira entre a razão e a loucura e montar guarda em sua cancela foi destinada à medicina.
Fernando Freitas. Cidadania e loucura. Tundis e Costa, 2001 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue os itens a seguir.
I A loucura costuma ser, em alguma medida, delimitada ou definida, pelas diferentes culturas, por nomes diversos.
II Os estudos etnográficos de sociedades primitivas confirmam a criação de normas que estabelecem fronteiras entre o normal e o louco.
III As culturas produzem estratégias para lidar com a dicotomia normalidade/loucura.
Assinale a alternativa correta.
Apenas o item I está certo.
Apenas o item II está certo.
Apenas o item III está certo.
Apenas os itens I e II estão certos.
|Todos os itens estão certos.
O ser vivo e o meio, considerados separadamente, não são normais, porém, é sua relação que os tornam normais um para o outro. O meio é normal para uma determinada forma viva na medida em que lhe permite uma tal fecundidade e, correlativamente, uma tal variedade de formas que, na hipótese de ocorrerem modificações do meio, a vida possa encontrar em uma dessas formas a solução para o problema de adaptação que, brutalmente, se vê forçada a resolver. Um ser vivo é normal em um determinado meio na medida em que ele é a solução morfológica e funcional encontrada pela vida para responder a todas as exigências do meio (Canguilhem, p. 56, 2007).
Ainda discorrendo sobre normalidade, Canguilhem (2007) estabelece um paralelo com as proposições darwinistas. A respeito do que discorre a obra, é correto afirmar que:
A anomalia e a mutação exprimem outras normas de vidas possíveis, sendo estas normas patológicas a medida em que contrastam com tendências quantitativamente determinadas.
O patológico é a ausência de uma norma biológica, e por esta razão não pode ser definido por si só, mas em relação à norma biológica que é a normalidade.
O patológico e o anômalo existem em si, tal como as espécies vivas que podem apresentar características desvantajosas que restringem as suas possibilidades de sobrevivência.
Não existe fato que seja normal ou patológico em si. A anomalia e a mutação não são, em si mesmas, patológicas, mas exprimem outras normas de vidas possíveis.
Não existe fato que seja normal ou patológico em si. A patologia se configuraria como uma ausência de lei biológica que submeteria determinadas formas de vida a desvantagens.
Assinale a única alternativa CORRETA abaixo. A anomalia é um fato descritivo que pode ser entendido como:
Diversidade.
Diferença.
Anormalidade.
Alteração quantitativa.
Todas as respostas anteriores.
Serpa Junior (2006) afirma que a psicopatologia atual, na sua ambição por descrever objetivamente sinais e sintomas, de forma cada vez mais rasa e sem nuances, desconsidera a sua própria dimensão avaliativa e a subjetividade do paciente. Segundo este autor, é correto afirmar que:
toda psicopatologia traz embutida uma concepção de saúde e doença e, antes disso, uma ideia acerca do que deve estar subjacente à partilha entre o normal e o patológico.
toda atividade mental pode ser inteiramente elucidada a partir do conhecimento dos mecanismos de funcionamento do cérebro.
a psicopatologia deve entender a subjetividade como algo totalmente independente da alteridade e do mundo externo.
as expressões psicopatológicas não apresentam aspectos subjetivos e intersubjetivos.
para melhor investigação dos impasses da experiência da loucura, deve-se desconsiderar sua dimensão de sofrimento e dor moral.
É porque existem anomalias experimentadas ou manifestadas como um mal orgânico que existe um interesse — afetivo em primeiro lugar, e teórico, em seguida — pelas anomalias. É por ter se tornado patológico, que a anomalia suscita o estudo científico das diversas anomalias. De seu ponto de vista objetivo, o cientista só quer ver, na anomalia, o desvio estatístico, não compreendendo que o interesse científico do biólogo foi suscitado pelo desvio normativo. (Canguilhem, p. 52, 2007).
A partir da obra de “O normal e o patológico”, de Canguilhem, assinale a alternativa correta a respeito das anomalias:
Uma ciência da anomalia inclui na definição do anômalo uma normativa que permita servir de parâmetro quantitativo do que é ou não saudável. Do contrário, o próprio conceito de saúde se perderia em um relativismo.
Nem toda anomalia é patológica, mas todas fazem parte do que se denomina “mal orgânico” ao qual se integra a normalidade em uma relação de polaridade indissociável que faz parte do processo dinâmico da saúde.
A normalidade é concebida como um processo dinâmico e normativo, do qual o adoecimento é uma forma de desvio qualitativo, implicando em um “mal orgânico”, isto é, uma avaria que perturba o equilíbrio como um todo do corpo.
Nem toda anomalia é patológica, mas só a existência de anomalias patológicas é que criou uma ciência especial das anomalias que tende normalmente a banir, da definição de anomalia, qualquer implicação normativa.
Há vários critérios de normalidade e anormalidade em Medicina e Psicopatologia. A adoção de um ou outro depende, entre outras coisas, de opções filosóficas, ideológicas e pragmáticas do profissional. Os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial, das desestruturações e das reestruturações ao longo do tempo, de crises, de mudanças próprias a certos períodos etários caracterizam que tipo de critério para a normalidade?
ideal.
funcional.
subjetivo.
como processo.
como liberdade.
Em relação ao desenvolvimento normal, anormal e patológico da linguagem, assinale a alternativa INCORRETA.
Nas holófrases, a emissão de palavras corresponde à produção de um enunciado com significado.
Quando uma criança apresenta, por exemplo, a troca ou omissão de fonemas, tem-se uma dislalia.
Os arrulhos da criança, geralmente situados entre o primeiro e segundo mês de vida, são inatos.
Dentre os sintomas que caracterizam o diagnóstico do autismo, podemos ter o mutismo seletivo.
Com o balbucio, observamos o início da discriminação e aprendizagem dos fonemas da língua.
Assinale a alternativa INCORRETA em relação à doença mental.
As doenças mentais são distúrbios graves que causam alterações biológicas no cérebro e são debilitantes em diferentes graus.
A doença mental é caracterizada por apenas um sintoma somático que pode ser adequadamente explicado com base em exames físicos e laboratoriais.
A doença mental é igual à doença cerebral. Sua origem é endógena, dentro do organismo, e refere-se a alguma lesão de natureza anatômica ou distúrbio fisiológico cerebral.
A doença mental é um mau funcionamento das atividades psíquicas, sendo esta, portanto própria ao indivíduo, porém que pode ser influenciada de alguma maneira pelo meio em que este se insere, bem como pelas circunstâncias emocional ou social as quais este se encontra submetido.
Transtorno mental pode ser definido como “uma síndrome caracterizada por perturbação clinicamente significativa na cognição, na regulação emocional ou no comportamento de um indivíduo” (DSM-V, 2013, p. 20). Vários modelos e explicações sobre a etiologia e o tratamento dessa síndrome foram concebidos, como a da terapia moral que
considera os conflitos inconscientes e os mecanismos de defesa na origem dos transtornos neuróticos.
dá ênfase à resolução de conflitos internos e na reformulação das relações sociais.
oferece uma atenção individualizada, encoraja as interações sociais normais e reforça as consequências positivas para os comportamentos apropriados.
atribui a etiologia dos transtornos aos aspectos biológicos e recomenda-se o uso de tratamentos medicamentosos.
A obra “O normal e o patológico”, de Georges Canguilhem, é considerada um dos trabalhos mais célebres sobre a temática da normalidade que acompanha as discussões em Psicologia, principalmente no que tange à Psicopatologia e aos debates sobre o que é possível ser considerado ou não como doentio ou sadio. Dessa obra, destaca-se o seguinte trecho: “A anomalia e a mutação não são, em si mesmas, patológicas.”
Com base nos conhecimentos na referida obra, o estado patológico:
não é a ausência de norma biológica, é uma norma diferente, mas comparativamente repelida pela vida.
se define pela ausência de uma norma, e que por se afastar das condições normais, caracterizam o estado de deterioração da vida.
não é um estado definido por si, mas uma medida arbitrária concebida a partir dos parâmetros inferiores no qual a norma da vida vigora.
é uma mutação que não se adequa à antiga norma de vida, sendo inferior a essa norma tanto em sua natureza quanto em essência.
Com relação aos principais critérios de normalidade utilizados em psicopatologia, assinale a alternativa CORRETA.
Na Normalidade subjetiva, é dada maior ênfase à percepção subjetiva do próprio indivíduo em relação a seu estado de saúde.
Para o conceito de Normalidade como bem estar normal, seria aquele indivíduo que simplesmente não é portador de um transtorno mental definido.
O critério de normalidade funcional trata de um conceito de normalidade que se aplica especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral.
Na Normalidade operacional, a saúde mental se vincula às possibilidades de transitar com graus distintos de liberdade sobre o mundo e sobre o próprio destino.