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Segundo Guerreiro (2010), a noção de família remete ao relacionamento entre pessoas, que não necessariamente compartilham o mesmo domicílio e os mesmos laços sanguíneos ou de parentesco. Essa ampliação da ideia clássica desse agrupamento humano parece claramente assumida na literatura, nos marcos legais e no discurso cotidiano das pessoas. Contudo, talvez ainda não esteja suficientemente incorporada nas ações institucionais.
Sobre o trabalho realizado com famílias no âmbito das políticas sociais, é correto afirmar:
Nessa perspectiva, podemos entender que as mães criam vínculos mais estáveis com todas as pessoas de sua rede de relações primárias, com as quais estabelecem trocas recíprocas, para favorecer apenas o cuidado de seus filhos.
Para pensar a influência das redes de relações primárias no processo de inclusão social, é necessário examinar as particularidades de cada família em termos de tempo e espaço sociais, somente no que se refere à sua organização.
Nos segmentos populares o desemprego e a precarização dos vínculos de trabalho têm sido apontados como fatores preponderantes no fortalecimento dos vínculos familiares e sociais.
As famílias de camadas populares, que são organizadas em rede (participação de outros parentes e de pessoas da comunidade no convívio e em prol da sobrevivência) e que têm como foco o sistema de obrigações, diferenciam-se das de camadas médias, que se organizam em núcleos centrados no parentesco.
A prática tem mostrado que, em prol da efetividade e eficácia do trabalho social, certas demandas precisam ser respondidas com a menor brevidade possível, inclusive porque disso depende o não agravamento da questão em foco.
Segundo Mioto (2011), a família é, naturalmente, a principal instância de proteção social. Nessa direção, novas configurações vão se formando, numa “mistura assistencial”, com um agregado de instâncias provedoras e gestoras no campo do bem-estar. Corresponde a um dos setores desta “mistura assistencial” o:
oficial, com as ONGs.
oficial, com as redes primárias e informais de apoio.
informal, com as redes primárias e informais de apoio.
informal, com o mercado.
comercial, com o governo.
No livro Família, Redes, Laços e Políticas Públicas, organizado por ACOSTA. A.R. e VITALE. A.F., as autoras fazem uma discussão sobre a relação das famílias e políticas públicas, demonstrando que as crescentes demandas de proteção social estão postas por uma maioria de pessoas que se percebem ameaçadas pelos riscos de, a qualquer momento, perderem a segurança advinda de seus tutores modernos: o trabalho assalariado e o Estado. Com base na discussão apresentada, as políticas sociais de saúde e assistência social, nos últimos anos, têm dado ênfase aos serviços direcionados a(à)
Mulher e pessoas idosas.
Crianças, Adolescentes e família.
Idosos e Pessoas com deficiência.
Família e Comunidade.
Pessoas com deficiência e Indígenas.
Teixeira (2017) aborda a família e o trabalho social com famílias nos seus fundamentos históricos, teórico-metodológicos e técnico-operativos ancorados nas premissas da teoria social crítica e do projeto ético-político do Serviço Social. A partir da análise contida na obra da autora, assinale a alternativa correta acerca desse debate.
O trabalho social com família é um trabalho profissional, técnico e especializado desenvolvido por equipes interdisciplinares no contexto do processo de trabalho nas políticas sociais. Portanto, um trabalho fundamentado de modo ético-político e propositivo reforça o pluralismo de bem-estar, conta com o envolvimento e a mobilização das famílias com vínculos fortalecidos e dispostas a assumir ao máximo sua capacidade protetiva.
O trabalho social com família envolve o âmbito das políticas sociais e públicas e o contexto profissional. Diante da relativa autonomia dos assistentes sociais, conforme as diretrizes e os princípios na política “para e com a família”, as ações dessa intervenção voltam-se para a reprodução social, manutenção das estruturas familiares e expansão de um modelo ideal de família.
A assistência social protagonizou a retomada da centralidade da família na política social brasileira gerando dois vieses de aproximação, quando apontou a necessidade de abarcar conhecimento científico e técnico para as ações desenvolvidas com as famílias e quando abriu espaço para ações voltadas à perspectiva racionalizadora, com enfoque na focalização do atendimento às famílias extremamente pobres, em que a solução para situação de pobreza encontra-se no fortalecimento da própria família em proteger/cuidar os seus.
O trabalho social com famílias na área da saúde, se caracterizado como mais avançado dentre as políticas de seguridade social, tem se consolidado como espaço de contrahegemonia ao formar uma nova cultura societária ou um projeto hegemônico alternativo. Os assistentes sociais assumem uma finalidade crítica e voltada para os interesses dos usuários, ao seu acesso aos bens e aos serviços como controle de natalidade, planejamento familiar e fortalecimento de vínculos.
As transformações econômicas e políticas corridas no Brasil nas últimas décadas do século XX e início do século XXI interferiram na política social, afetando diretamente a população no acesso a bens e a serviços sociais. Assinale a alternativa correta quanto aos impactos desses processos nas famílias.
Maior solicitação da participação da família na provisão de bem-estar e a responder pelas iniquidades que se expressam nos contornos de sua convivência; e na paralela desenvolvem-se os processos de judicialização das políticas públicas.
Predominância da tendência protetiva, tendo a família suas funções asseguradas pelo Estado, via políticas públicas e o distanciamento de práticas profissionais punitivas e controladoras.
Maior requisição do consumo, pela hegemonia da lógica mercantil de financiamento dos serviços sociais e a retração da lógica gerencial sobre os serviços públicos estatais que assegurariam a privacidade e o direito à proteção social.
Ampliação do familismo na política de proteção social, a família é convidada a negociar as condições e a qualidade dos serviços ofertados de fruição dos direitos sociais e da coparticipação das ações públicas na realização de suas clássicas funções de socialização e econômicas.
A consolidação da teoria marxista no meio profissional do Serviço Social modificou a visão de família que predominou na profissão desde o seu inicio. Assim a família passou a ser concebida:
como um ente vocacionado a desenvolver papéis de cuidado e de disciplinarização de seus membros.
como uma estrutura que tem sua dinâmica marcada pelas contradições da sociedade em um determinado momento histórico.
enquanto redes privilegiadas de solidariedade e sociabilidade engendradas pela convivência.
a partir de uma visão ampliada cujo ponto central é a sua função de socialização dos indivíduos através das relações intergeracionais.
na sua condição de totalidade em que se faz necessária a mediação para o atendimento às demandas de cada indivíduo membro da família.
Sobre o debate atual de Família, leia o trecho abaixo retirado da Revista Retratos – A Revista do IBGE (Dezembro de 2017).
“(...) Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revelam que, desde 2005, o perfil composto unicamente por pai, mãe e filhos deixou de ser maioria nos domicílios brasileiros. Na pesquisa de 2015, o tradicional arranjo ocupava 42,3% dos lares pesquisados. Uma queda de 7,8 pontos percentuais em relação a 2005, quando abrangia 50,1% das moradias. Por outro lado, novas tendências ganharam força. Em 2015, por exemplo, quase um em cada cinco lares era composto apenas por casais sem filhos (19,9%), enquanto que em 14,4% das casas só havia um morador (...)”.
Sobre esse tema, assinale a afirmativa INCORRETA.
Historicamente, as famílias eram definidas segundo a presença de um casal heterossexual e sua prole, sendo essa concepção de família ainda comumente utilizada em algumas esferas da vida social.
Para algumas disciplinas, como a Psicanálise, em meados do Século XX, a maior parte das outras formas de composição familiar, que não a composição tradicional formada por pai, mãe e sua prole, era encarada como patológica, incompleta, insuficiente, ou era simplesmente invisível.
No Brasil, na década de 1930, a família, para ser reconhecida, deveria ser constituída pelo casamento indissolúvel, sob a proteção especial do Estado.
Há certa consensualidade de que a família ocupou lugar de centralidade no sistema de proteção social brasileiro, constituído e consolidado de 1930 até 1980, embora tenha constado como público das políticas vigentes de modo focalizado.
O modo como a família é incorporada na política pública reflete na organização dos serviços e na proposição e organização do trabalho com as famílias no cotidiano dos serviços, programas e projetos.
No que concerne à abordagem sistêmica, passível de emprego em face das novas modalidades de família, assinale a alternativa correta:
A princípio, o referencial da abordagem sistêmica pautou-se exclusivamente ao atendimento das pessoas consideradas individualmente. Porém, com o desenvolvimento prático da abordagem, a teoria foi se reestruturando para também compreender o funcionamento dos sujeitos e instituições em seus contextos estruturais
Entende-se por abordagem sistêmica um conceito utilizado para se referir aos diferentes segmentos sociais em que o sujeito encontra-se inserido, isto é, no contexto familiar, social, escolar, comunitário. Nessa perspectiva, esses segmentos se envolvem mutuamente e formam um sistema em relação
O trabalho sistêmico não pode ser indicado para todas as faixas etárias, tendo em vista que visa escutar e acolher o sofrimento psíquico do sujeito ou alguma forma de dificuldade emocional nos contextos periféricos
O processo terapêutico tem o objetivo de intervir de modo não intenso e por tempo ilimitado, com o intuito de modificar o padrão de relacionamento familiar. As técnicas utilizadas na abordagem sistêmicas são pautadas nos eventos pretéritos, no intuito de estabelecer uma aliança e contribuir para a melhoria da comunicação nos relacionamentos interpessoais e conjunturais
O que é família extensa?
Família extensa é aquela que se estende para além da unidade de pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos.
São famílias que estenderam os laços familiares aos amigos, vizinhos e afilhados.
São famílias formadas após o processo de divórcio.
São famílias por pares do mesmo sexo e seus filhos, em que um adulto do casal assuma orientação sexual diferente da heterossexual.
São famílias compostas por um homem, mulher e filhos coabitando o mesmo espaço.
Construída e reconstruída histórica e cotidianamente, a família, nas suas mais diversas configurações, constitui-se em um espaço altamente complexo. De natureza privada, também é pública, uma vez que tem um papel importante na estruturação da sociedade e, na mesma medida, sofre os rebatimentos das mudanças sociais. Dessa perspectiva decorre para o Serviço Social a demarcação do foco de interesse e intervenção na relação família e proteção social.
De outro ponto de vista, evidencia-se o entendimento da família como a principal responsável pelo bem-estar de seus membros, tendência esta denominada
inclusiva.
matricial.
nuclear.
familista.
patriarcal.
A expressão “familismo” vem ganhando força no debate da política social, em especial a partir dos anos 1990, caracterizada pela máxima designação de obrigações à unidade familiar. Acerca da temática, de acordo com Alves e Mioto (2015):
I. No mundo “familiarizado”, a renda familiar é, geralmente, insuficiente e instável, porém com o mundo das famílias pode-se contar de forma esporádica, tendo em vista as trocas mercantis, comunitárias e familiares que são estabelecidas com pessoas igualmente desprotegidas;
II. O caráter familista da política social brasileira pouco se abalou ao longo de sua história, embora se reconheça a existência de disputa entre projetos, que firmam a família como parceira na condução das políticas sociais, marcados ora pela “desfamiliarização”, ora pela “familiarização”.
III. O trabalho familiar compreende o conjunto de atividades relacionadas: às tarefas domésticas; ao cuidado de seus membros, especialmente os dependentes; e aos investimentos que as famílias fazem no campo das relações com outras instituições, que lhes exigem tempo e habilidades.
Estão corretas as afirmações:
I e II
I e III
II e III
I, e II e III
As ações socioassistenciais, realizadas pelo profissional do serviço social no trabalho com famílias, favorecem a estas a oportunização da elaboração crítica e consciente de sua própria concepção de mundo, propiciando uma participação ativa na produção de suas próprias histórias. Tal perspectiva de trabalho faz com que o assistente social coloque em movimento o princípio da(o):
subalternização de classes.
integração social.
solidariedade societária.
ampliação do consenso
pedagogia emancipatória.
O debate entre família e políticas públicas demonstra que o Estado cada vez mais intervém no campo da reprodução social. Essa relação significa
ampliação do papel do Estado na execução de políticas públicas.
o reforço da responsabilidade da família, pois o Estado atua tornando-a como um de seus interlocutores bem como parceira na proteção social.
diminuição da responsabilidade da família, que pode ser exemplificado pelo incremento de programas de transferência de renda como o Bolsa Família.
a ampliação da responsabilidade do Estado no campo da saúde, devido à constante ampliação do Programa Estratégia Saúde da Família, em contrapartida reduz no campo da Assistência Social.
que nas legislações em favor da criança e do adolescente e do segmento das pessoas idosas, a família não aparece como a principal responsável pelos cuidados.
A crítica mais contundente à afirmação da família como referência das políticas públicas, na atualidade, está associada:
à manutenção da participação do Estado Social na provisão do bem-estar.
à participação do Estado Novo na provisão do bem-estar.
à regressão da participação do Estado Social na provisão do bem-estar.
à regressão da participação do Estado Novo na manutenção do bem-estar.
Pode-se reconhecer a família como objeto de políticas públicas quando:
para ela é estabelecido um padrão ou modelo de família a ser seguido e contemplado pelas políticas sociais.
o objetivo da política é o desenvolvimento humano, por meio da minimização da pobreza, acesso à educação, saúde, alimentação, moradia e proteção integral às suas crianças, adolescentes e idosos.
o Estado a reconhece como instância autônoma, capaz de resolver seus problemas independente de medidas socioeducativas e repasse financeiro.
o assistente social é livre para determinar a melhor intervenção junto à família que atende já que a vulnerabilidade é um impeditivo de identificação, para a família, de suas necessidades.
há apoio pelo profissional para resolução individual, por cada membro da família, de problemas que surgem na família ou que, vindo de fora, a afeta, gerando conflitos.
Ainda com relação ao debate sobre a centralidade da família e o Serviço Social, analise as afirmativas abaixo e coloque V nas Verdadeiras e F nas Falsas.
( ) Desde os primórdios da profissão de Serviço Social que a família se constitui em sujeito privilegiado na intervenção. No entanto, nesse período, o foco estava centrado na busca de soluções para as situações problemáticas a partir de recursos do ambiente e dos indivíduos.
( ) A partir da consolidação da profissão, a atuação com famílias ganha novo impulso, com a influência do marco conceitual do Serviço Social americano, especificamente a metodologia do estudo de caso que primava pela emancipação humana da família.
( ) Com a hegemonia da teoria social de Marx no Serviço Social, a análise e intervenção sobre as famílias deixa de conceber as demandas das famílias como simples problemas individuais ou familiares e passa a interpretá-las como expressões de necessidades sociais, decorrentes da estrutura social desigual do capitalismo.
( ) Os estudos sociais sobre as famílias, fundamentados na perspectiva positivista/funcionalista no Serviço Social, primavam por uma série de avaliações e posteriores exigências de ajustamento e mudanças do modo de vida dos sujeitos.
( ) A matriz da teoria social crítica no Serviço Social desde o final da década de 1970 apropriou-se da família como um dos objetos privilegiados de estudo, o que permitiu um grande desenvolvimento de pesquisas relacionadas a essa temática, auxiliando o campo da prática profissional
. Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA.
V-F-V-V-F
F-V-V-F-V
V-V-V-F-F
V-F-V-V-V
V-V-V-V-V
A partir de 1970, as proposições neoliberais avançaram e, segundo Carloto (2015), nos sistemas de proteção social na América latina se intensifica uma perspectiva:
Familista.
Pública.
Coletiva.
Classista.
A família vem sendo redescoberta, desde a crise econômica mundial dos anos 1970, como um importante agente privado de proteção social, onde as agendas governamentais, em sua maioria, contemplam medidas de apoio familiar. A respeito desta redescoberta, é correto afirmar que:
existe uma homogeneidade no padrão de políticas sociais direcionadas às famílias, assim como de Welfare State, tendo em vista que os Estados nacionais possuem intervenções sociais uniformes
não há propriamente uma política de família, tanto em países periféricos (como o Brasil) quanto em países capitalistas centrais;
a redescoberta da família como fonte privada de bem-estar social propiciou a produção de conhecimentos e de métodos de captação da realidade, descartando falsas visões existentes nas políticas de famílias;
no Brasil, a instituição familiar nunca fez parte integral dos arranjos de proteção social.
Teixeira (2010) analisa que, antes de 1988, as cartas constitucionais brasileiras sempre colocaram, sob o manto da proteção, apenas a família denominada
monoparental.
patriarcal.
extensa.
imperial.
legítima.
Campo do Familismo.
Campo do Cuidado.
Campo dos Direitos Sociais.
Campo do Assistencialismo.
Campo dos Conflitos Intergeracionais.