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Em uma capacitação com várias equipes de saúde que atuavam em diferentes áreas, foi discutido o uso das tecnologias em saúde no cotidiano assistencial e nas ações de promoção e prevenção. Nesse sentido, com base na classificação de Merhy (2002), é correto afirmar que:
tecnologias leves estão relacionais à interação humana, como acolhimento, vínculo, comunicação e gestão de processos de trabalho;
as tecnologias duras são as únicas capazes de produzir impacto real na saúde dos usuários, pois são baseadas em evidências e possuem respaldo científico;
a principal diferença entre as tecnologias leve-duras e duras é que as primeiras não exigem nenhum conhecimento técnico, apenas habilidades sociais dos profissionais;
tecnologias leves e duras são semelhantes, pois ambas envolvem estruturas organizacionais e equipamentos que garantem a qualidade técnica do atendimento;
tecnologias leves-duras referem-se aos equipamentos utilizados nos serviços de saúde, como tomógrafos e respiradores, sendo essenciais para o diagnóstico.
Quando se trata da análise sobre as relações entre determinantes sociais e saúde, um dos principais desafios é estabelecer uma hierarquia de determinações entre, de um lado, os fatores mais gerais de natureza social, econômica e política e, de outro, as mediações por meio das quais esses fatores incidem sobre a situação de saúde de grupos e pessoas, já que a relação de determinação não é uma simples relação direta de causa-efeito. Dentre os diversos enfoques adotados para esses estudos, o modelo de Dahlgren e Whitehead inclui os Determinantes Sociais da Saúde (DSS) dispostos em diferentes camadas, desde uma camada mais próxima dos determinantes individuais até uma camada distal, onde se situam os macrodeterminantes.
Considerando a abordagem dos DSS para mudança de comportamentos de risco, é correto afirmar que:
a mudança de comportamentos de risco independe de mudança nas normas culturais que os influenciam;
a mudança de comportamentos individuais requer prioritariamente a atuação sobre os indivíduos;
comportamento e estilo de vida são fatores individuais e não são considerados parte dos DSS;
programas educativos e comunicação social para mudança de comportamentos de risco são secundários nos DSS;
a atuação nos DSS para mudança de comportamentos individuais requer políticas de abrangência populacional.
Como se denomina o sistema de informação em que os Agentes Comunitários de Saúde registram suas atividades realizadas na Atenção Primária à Saúde?
Siscolo.
Siab.
Sipacs.
Sipni.
E-sus território.
A Política Nacional de Gestão Estratégica e Participativa estabeleceu como atribuição e(ou) responsabilidade dos gestores estaduais, municipais e do Distrito Federal a implementação de ouvidorias do SUS em suas respectivas esferas administrativas.
Certo
Errado
Durante uma reunião do Conselho Municipal de Saúde, foram identificados problemas na assistência à saúde no município, incluindo alta demanda por consultas especializadas e dificuldades no acesso a exames laboratoriais. Ao mesmo tempo, o município enfrenta limitações orçamentárias e recursos humanos insuficientes. Para lidar com esses desafios, o gestor municipal propôs a articulação interfederativa, por meio do planejamento integrado entre os entes municipais, estaduais e federais, e a pactuação de ações no âmbito da Comissão Intergestores Regional (CIR). Com base no caso apresentado, qual é a medida mais adequada a ser adotada para garantir a efetividade do planejamento da saúde e a articulação interfederativa?
Investir em campanhas de prevenção e promoção da saúde e integrar as ações com os outros entes federativos.
Elaborar um Plano Municipal de Saúde, priorizando os recursos disponíveis e solicitando apoio técnico e financeiro direto ao Ministério da Saúde, sem expensas para a pactuação regional.
Firmar convênios diretos com prestadores privados para suprir as deficiências na oferta de serviços especializados, garantindo atendimento imediato à população mediante pactuação.
Promover reuniões regulares no âmbito da CIR para identificar as demandas prioritárias, pactuar responsabilidades entre os entes federativos e integrar o planejamento às necessidades regionais.
Concentrar os esforços em estratégias de atenção primária à saúde, buscando reduzir a demanda por serviços especializados, independentemente das ações articuladas com os entes estaduais e federais.
É uma característica da organização da Atenção de Média Complexidade no âmbito do SUS:
Oferta universal em todos os municípios do país, assegurada pela padronização tecnológica obrigatória em nível local.
Restrição às ações de atenção primária, que prescindem de profissionais especializados e tecnologias de apoio diagnóstico.
Conjunto de serviços ambulatoriais e hospitalares que exigem recursos especializados e diagnósticos, mas cuja oferta não se justifica em cada município
Realização de atendimentos que demandam apenas práticas de baixa densidade tecnológica, justificando sua descentralização integral.
Durante uma campanha de prevenção, uma pessoa recebe o diagnóstico de diabetes. Começa, então, seu controle na unidade básica de saúde. Nesse acompanhamento, realiza consultas especializadas quando necessário.
Sobre esse acompanhamento, é correto afirmar que:
o paciente não deveria ter sido referenciado para consultas especializadas, pois isso enfraquece o papel da atenção primária;
o paciente deveria ter iniciado seu controle na atenção especializada;
o referenciamento a consultas especializadas não implica falta de efetividade do sistema de atenção à saúde;
o referenciamento a consultas especializadas mostra menor eficiência do sistema de atenção na aplicação de recursos;
o paciente pode buscar os serviços de urgência e emergência quando necessário, pois eles fazem parte da atenção primária.
Uma senhora é atendida em consulta de rotina na unidade básica de saúde onde controla uma hipertensão arterial sistêmica. Ela solicita à médica que faça um pedido de ecocardiograma, porque sua vizinha, que também controla a hipertensão arterial, faz um ecocardiograma por ano. A médica explica que, no caso da senhora, não é indicado fazer o exame anualmente. A senhora, porém, retruca: “Se ela faz, eu também tenho esse direito”.
Diante dessa situação, segundo as diretrizes e princípios do Sistema Único de Saúde, a médica agiu:
corretamente, dado o princípio da integralidade da atenção;
incorretamente, dado o princípio do acesso universal aos serviços de saúde;
corretamente, dada a orientação para contenção de gastos no Sistema Único de Saúde;
corretamente, dada a importância de se privilegiar a atenção primária na unidade básica de saúde;
corretamente, dado o caráter excessivamente especializado do ecocardiograma, o que o torna inapropriado para uma unidade básica.
No contexto da atenção à saúde pelo SUS, os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas (PCDTs) têm o objetivo de padronizar condutas, garantindo segurança e efetividade no cuidado.
Qual afirmativa descreve corretamente a função dos PCDTs?
São documentos que descrevem os medicamentos disponíveis, sem orientação terapêutica.
São diretrizes que orientam condutas baseadas em evidências científicas, priorizando eficácia, segurança e economicidade.
Não servem como sugestão de conduta, podendo ser ignorados sem prejuízo legal.
Apenas os médicos têm obrigação de seguir os PCDTs; fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais não.
São criados exclusivamente por profissionais da iniciativa privada.
O modelo da Vigilância da Saúde representa mudança paradigmática em relação ao modelo sanitarista-campanhista tradicional, propondo abordagem integral dos problemas de saúde. Em um contexto de município litorâneo, que enfrenta surtos sazonais de doenças diarreicas agudas durante o verão, a aplicação deste modelo implica:
Implementação de sistema de vigilância que priorize notificação compulsória universal, investigação laboratorial especializada e medidas de isolamento sanitário coordenadas exclusivamente pelo nível estadual.
Estruturação de resposta emergencial que combine ações de desinfecção química intensiva, assistência hospitalar especializada e comunicação de risco restrita aos profissionais de saúde.
Organização de intervenções por microáreas urbanas que incluam vigilância passiva baseada em notificações, educação escolar obrigatória e terceirização da capacidade assistencial para setor privado.
Desenvolvimento de estratégias preventivas padronizadas nacionalmente que combinem monitoramento epidemiológico centralizado, intervenções ambientais pontuais e campanhas educativas verticais de massa.
Articulação de intervenções sobre determinantes ambientais e sociais, ações de promoção e educação em saúde, vigilância epidemiológica contínua, assistência clínica oportuna e reabilitação, com enfoque territorial e participação intersetorial.
A Educação Permanente em Saúde (EPS) deve ser compreendida não apenas como uma estratégia de qualificação técnica, mas como um campo político e pedagógico comprometido com a transformação do trabalho em saúde. Essa concepção requer o reconhecimento dos trabalhadores como sujeitos coletivos, a valorização dos saberes locais e a problematização das práticas institucionais (Feuerwerker, 2014). Com base nessa formulação, qual proposição expressa com maior fidelidade os fundamentos da EPS como política pública no Sistema Único de Saúde?
A adoção de abordagens por competências na EPS pode favorecer a reorganização do processo de trabalho em saúde, desde que contextualizadas às necessidades locais e articuladas aos objetivos institucionais.
A consolidação da EPS requer diretrizes nacionais orientadoras capazes de garantir alguma padronização formativa em programas locais incluindo e valorizando a diversidade dos contextos territoriais.
A EPS pode se estruturar por iniciativas formativas focadas na atualização técnico-operacional dos profissionais, priorizando metas institucionais definidas pelos serviços em seus planos locais de gestão.
A EPS propõe processos de aprendizagem baseados na problematização do trabalho real, na interlocução entre saberes técnico-científicos e populares, e na negociação entre sujeitos implicados na produção do cuidado.
A política de EPS pode ser fortalecida por ações de capacitação alinhadas às metas sanitárias pactuadas entre instituições formadoras, gestores e profissionais de saúde nos diferentes níveis do sistema de saúde.
O atendimento humanizado é uma abordagem em saúde que vai além da execução de procedimentos técnicos. Ele busca tratar o paciente como um ser integral, promovendo autonomia, corresponsabilidade, vínculos solidários e participação coletiva nos processos de saúde. Com base nesse contexto, um atendimento é considerado não humanizado quando existe:
I.Falta de empatia.
II.Excesso de paciência.
III.Falta de espaço para que o paciente se expresse e exponha as suas dúvidas e receios.
É CORRETO o que se afirma e
III apenas.
I e III, apenas.
I e II apenas.
II apenas.
As ações intersetoriais em saúde pressupõem a articulação entre diferentes áreas e setores, a fim de garantir respostas mais eficazes aos determinantes sociais da saúde. No Brasil, destacam-se a vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental como dimensões fundamentais para a prevenção e promoção da saúde coletiva. A integração entre essas frentes permite identificar riscos, monitorar agravos e planejar estratégias conjuntas que ampliam a resolutividade dos serviços de saúde. Com base nesse contexto, as ações intersetoriais têm como finalidade:
Reduzir custos administrativos por meio da eliminação de setores redundantes.
Integrar esforços para enfrentar problemas complexos que ultrapassam os limites de uma única área.
Fortalecer a hierarquia entre setores, garantindo maior controle do sistema de saúde.
Priorizar a vigilância epidemiológica em detrimento da sanitária e da ambiental.
A Portaria que regulamenta os consórcios públicos no âmbito SUS foi discutida de forma tripartite, com participação de Conass, Conasems, Secretaria Executiva, Secretaria de Atenção Especializada à Saúde.
Sobre as diretrizes e aspectos operacionais aplicáveis aos consórcios públicos no âmbito do SUS avalie as opções e assinale (V) para a verdadeira e (F) para as falsa.
( ) Estabelecimento de relações de cooperação federativa, com a finalidade de prestar serviços e desenvolver ações conjuntas que visem ao interesse coletivo e a benefícios públicos em saúde.
( ) Fortalecimento do federalismo cooperativo, do processo de regionalização e da organização das Redes de Atenção à Saúde no SUS.
( ) Melhoria da articulação e da coordenação entre os entes federados, de forma a potencializar a capacidade do setor público de ofertar ações e serviços de saúde, com ganhos de escala e eficiência.
( ) Observância aos pactos firmados e estabelecidos no Planejamento Regional Integrado, sem necessidade de aprovação pela CIB, em relação à sua respectiva área de atuação.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
V – V – V – V.
V – V – F – V.
V – F – V – F.
V – F – F – F.
V – V – V – F.
Um profissional da Secretaria de Saúde está elaborando um relatório epidemiológico sobre diabetes mellitus em seu município para subsidiar o planejamento de ações de saúde. Durante a análise dos dados coletados, ele precisa calcular diferentes indicadores epidemiológicos para caracterizar adequadamente a situação da doença na população local. Para mensurar a magnitude total do problema de saúde na comunidade, considerando tanto os casos já diagnosticados quanto os novos casos identificados durante o período de estudo, o indicador epidemiológico mais apropriado é a prevalência, que se define como:
O número total de casos (novos e antigos) de uma doença em uma população, em um determinado momento ou período.
O intervalo de tempo transcorrido entre a exposição aos fatores de risco e o aparecimento dos primeiros sintomas da doença.
A proporção de óbitos por todas as causas em uma população durante um período específico.
O número de óbitos causados especificamente por diabetes mellitus em um período determinado.
O número de casos novos de uma doença que ocorrem em uma população específica durante um período determinado.
Sobre os métodos de planejamento em saúde, analise as assertivas abaixo:
I. O planejamento estratégico situacional pondera o contexto político e a correlação de forças entre os atores.
II. O planejamento normativo é participativo e propõe ações emergenciais do território.
III. O planejamento tático-operacional ocorre após a definição das estratégias e tem foco na execução.
IV. O planejamento estratégico situacional é sequencial e desconsidera fatores contextuais.
V. O planejamento normativo é típico de sistemas centralizados e baseia-se em metas previamente definidas.
Quais estão corretas?
Apenas I e IV.
Apenas III e IV.
Apenas I, II e V.
Apenas I, III e V.
Apenas II, III e IV.
Segundo Ministério da Saúde (2021), as diretrizes metodológicas para o planejamento estratégico das Secretarias Estaduais de Saúde utilizam os quatro momentos propostos por Carlos Matus (1993) no Planejamento Estratégico Situacional (PES). Dessa forma, relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando cada momento à sua respectiva definição.
Coluna 1
1. Momento explicativo (“tende a ser”).
2. Momento normativo (“deve ser”).
3. Momento estratégico (“pode ser”)
4. Momento tático-operacional (execução das ações).
Coluna 2
( ) É nesse momento que se faz a análise do jogo social e os conflitos potenciais que podem surgir em decorrência do comportamento dos atores que interagem nesses espaços.
( ) Nessa etapa é importante estabelecer a análise da articulação entre o projeto que pretende executar, as dificuldades e facilidades de executá-lo.
( ) Valoriza-se a condução do plano e, consequentemente, seu monitoramento e correções a serem efetivadas ao longo do tempo nas operações propostas.
( ) Compreende três dimensões básicas de análise: a política, a econômica e a organizativa.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo é:
1 – 2 – 3 – 4.
2 – 1 – 3 – 4.
3 – 4 – 2 – 1.
1 – 2 – 4 – 3.
De acordo com Teixeira (2010, apud Ministério da Saúde, 2023), planejar é um processo que consiste, fundamentalmente, na identificação de _______ e fatores associados, na identificação e definição de objetivos e ___________ de intervenção, na identificação de _________ de ação para enfrentar/solucionar os problemas, e no processo de identificar ____________ pelo desenvolvimento das ações propostas.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
problemas – prioridades – estratégias – responsáveis
prioridades – problemas – estratégias – responsáveis
estratégias – responsáveis – problemas – prioridades
responsáveis – estratégias – prioridades – problemas
De acordo com o Ministério da Saúde (2021), o planejamento e a gestão são temas atuais na agenda dos gestores do SUS em busca de uma administração eficiente, capaz de assegurar ao usuário a continuidade do cuidado em saúde por meio da organização das Redes de Atenção à Saúde (RAS). Sobre o planejamento, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Consiste, basicamente, em decidir com antecedência o que será feito para mudar condições insatisfatórias no presente ou evitar que condições adequadas venham deteriorar-se no futuro.
II. Se resume a um conjunto de intenções ou à tomada de decisão em si.
III. Consiste em formalização de procedimento para a obtenção de resultado articulado, de forma que as decisões possam estar integradas umas às outras.
Apenas a assertiva I está correta.
Apenas as assertivas I e II estão corretas.
Apenas as assertivas I e III estão corretas.
Apenas as assertivas II e III estão corretas.
A redução do consumo de tabaco no Brasil é consequência dos avanços das políticas públicas de saúde voltadas para o controle do tabagismo. Em novembro de 2005, o Brasil tornou-se Estado Parte da Convenção Quadro da OMS para Controle do Tabaco (CQCT), primeiro tratado internacional de Saúde Pública, que coloca, diante dos países que o ratificaram, o desafio de implementar medidas intersetoriais relacionadas à redução da demanda e da oferta dos produtos de tabaco.
Considerando os aspectos da Política Estadual (MG) da Atenção Primária, Promoção da Saúde e Equidade, no que se referem ao contexto do enfrentamento do tabagismo, assinale a afirmativa FALSA:
A Atenção Primária à Saúde é o ponto de atenção preferencial da Rede de Atenção à Saúde para a abordagem do tabagismo, não só por sua capilaridade, como também por conhecer a população, o território e os determinantes sociais que interferem nas mudanças comportamentais.
O enfrentamento do tabagismo enquanto problema de saúde pública, por meio de ações de prevenção e tratamento do próprio tabagismo e da dependência à nicotina, faz parte do espectro da Promoção da Saúde.
O Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), instituído em 2023, tem por objetivo reduzir a prevalência de usuários de produtos de tabaco e de dependentes de nicotina, bem como a consequente morbimortalidade relacionada ao consumo de derivados do tabaco e à dependência de nicotina e da exposição ambiental à fumaça do tabaco.
Os profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, exclusivamente, devem estar capacitados para perguntar sobre o uso do tabaco, registrar as respostas nos prontuários clínicos, dar breves conselhos sobre o abandono do tabaco e encaminhar os fumantes para o tratamento mais adequado e eficaz disponível localmente, caso o tabagista sinalize o desejo de parar.