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A arte de imitar está muito afastada da verdade, sendo que por isso mesmo dá a impressão de poder fazer tudo, por só atingir parte mínima de cada coisa, simples simulacro. O pintor, digamos, é capaz de pintar um sapateiro, um carpinteiro ou qualquer outro artesão, sem conhecer absolutamente nada das respectivas profissões. No entanto, se for bom pintor, com o retrato de um carpinteiro, mostrado de longe, conseguirá enganar pelo menos crianças ou pessoas simples e levá-las a imaginar que se trata de um carpinteiro de verdade.
(PLATÃO. A República (Livro X). In: MARÇAL, Jairo (org.). Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED, 2009. p. 558.)
Sobre a relação entre arte e verdade, assinale a alternativa correta, segundo o pensamento platônico.
As obras de arte estão distanciadas três graus da realidade, e, por isso, estão muito distantes da representação da verdade.
Não poderíamos nos aproximar da verdade por meio das obras de arte, uma vez que elas apresentam somente uma representação das ideias.
Existe um valor positivo da arte imitativa, mas no âmbito da cidade ela era corrosiva, pois, em relação à verdade, desloca a atenção que a política necessitava.
As obras de arte são necessárias para uma aproximação da verdade, mas apenas no âmbito privado, negando dessa forma, sua função na cidade e, portanto, deveriam ser excluídas.
“SÓCRATES: E agora, Mênon, vê que progressos ele já fez em termos de memória? De início não sabia que linha forma a figura de oito pés e mesmo agora não sabe, mas antes achava que sabia e respondeu confiante como se soubesse, sem ter consciência das dificuldades; ao passo que agora sente a dificuldade em que se encontra e, além de não saber, não acha mais que sabe.”
(PLATÃO. Mênon. In: MARCONDES, Danilo. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999, p. 35)
Dentre as características da filosofia socrática inferidas dos escritos de Platão, o trecho acima retrata
o uso da dialética como meio de alcançar as verdades imutáveis da alma.
o constante recurso a analogias e abundantes exemplos para testar definições.
a crença na reminiscência ou recordação como meio de acessar o conhecimento.
a convicção de que a investigação se inicia com um reconhecimento do não saber.
- Então, tomemos dessas pluralidades a que quiseres; a seguinte, por exemplo, se estiveres de acordo: leitos há muitos, e também mesas.
- Como não?
-Porém para todos esses móveis só há duas ideias: a ideia do leito e a ideia da mesa.
-Certo.
- Costumamos, também, dizer que os obreiros desses móveis têm em mira a ideia segundo a qual um deles apronta leitos e outros as mesas de que nos servimos, e assim para tudo o mais. Porém a ideia em si mesma, o obreiro não fabrica. Como o poderia?
(PLATÃO. A República – livro X. In: MARÇAL, Jairo (org.). Antologia de textos filosóficos. Curitiba: SEED, 2009. p. 553)
O trecho citado, retirado do Livro X da República de Platão, expressa
a crítica à imitação como afastamento da verdade em três graus.
um caso tipificado de contemplação das formas pela experiência.
o reconhecimento da forma de leito e de cadeira por reminiscência.
uma explicação do uno e do múltiplo pressupondo a teoria das ideias.
Nas discussões com Céfalo, Trasímaco e Cálicles, Sócrates é porta‐voz de Platão ao tratar sobre o problema ético. Nas alternativas a seguir, apenas uma não se trata de um problema ético dentro da teoria da conduta moral de Platão. Assinale‐a.
O que é justiça?
É melhor ser bom ou ser forte?
É mais importante o público ou o privado?
Devemos procurar a integridade ou o poder?
Se é verdade que as distinções platônica e aristotélica tiveram como resultado colocar a filosofia no topo do saber, situando-a no vértice da pirâmide ou na copa da árvore do conhecimento, não é menos exato, em contrapartida, que elas terminaram por fixar a distinção entre as formas de saber ou de conhecimento, levando o filósofo a acostumar-se com a ideia de diversidade.
Analise as afirmativas abaixo e marque a alternativa correta.
I. Ao entrar na era moderna muita coisa muda nesse modo de ver as coisas e o próprio conhecimento
II. A lógica cede lugar para a matemática, a experiência converte-se em experimentação e os experimentos em laboratório passam a ter um papel central.
III. A técnica se dissocia do saber empírico e se vincula à ciência, gerando a tecnologia, a filosofia perde a primazia para a ciência, primeiro para a física, depois para a biologia, e, desde então, é toda a diversidade dos saberes que é questionada, modificada e invertida.
IV. A tendência passa a ser valorizar mais e mais a ciência, e junto com ela a tecnologia, cuja fusão e interdependência vão gerar o complexo das tecnociências.
Estão corretas.
I e II apenas;
II e III apenas;
Todas;
Nenhuma.
O problema da relação entre mito e filosofia é colocado desde a Antiguidade, quando os primeiros filósofos se voltavam criticamente contra a tradição mítica da cultura grega arcaica.
Analise as alternativas abaixo e marque a incorreta.
Xenófanes – fez a primeira crítica do mito a partir da filosofia;
Aristóteles – Reconhece o mito como precursor da atitude filosófica;
Platão – não admite o mito no campo da filosofia;
O mito platônico – tem função heurística e pedagógica.
O problema da distinção entre mente e corpo é um dos temas centrais da filosofia, que desde Platão alimenta o debate filosófico até os dias de hoje. Tradicionalmente, o tratamento desse problema esteve sempre ligado à busca teórica pela definição da essência do ser humano e as soluções apresentadas têm implicações práticas profundas na maneira como estabelecemos nossas relações com o mundo, com os nossos semelhantes e com nós mesmos.
Analise as afirmativas abaixo, dê valores (V) verdadeiro ou (F) falso e após marque a alternativa correta.
( ) Respostas distintas a essa questão são objeto das mais fervorosas disputas em que divergentes concepções filosóficas são abraçadas, não apenas por filósofos profissionais, mas por homens de ciência, religiosos e pelas pessoas comuns.
( ) Somos feitos de duas substâncias: alma e corpo? O psiquismo é separado do corpo? O que comanda o ser humano: sua razão ou seus desejos? Somos senhores de nossos desejos e sentimentos? O que significa ser consciente? O que significa dizer que pensamos com nosso cérebro?
( ) Do ponto de vista pedagógico, o tema tem um forte apelo entre os adolescentes que se veem cotidianamente confrontados com questões envolvendo, por exemplo, as relações entre seu corpo, suas emoções e sua razão ou então com a impossibilidade de saber com certeza o que o outro está realmente sentindo.
A sequência correta é:
V, F, V;
F, V, F;
V, V, V;
F, F, F.
Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas.
RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.
O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de
determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.
sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.
“Tudo o que existe abaixo do Primeiro tem de provir dele, quer imediatamente, quer através de intermediários. Tem de haver uma ordem de segundo grau e uma ordem de terceiro grau, na qual a segunda volta-se à primeira e a terceira à segunda”.
(PLOTINO. Tratados das Enéades. São Paulo: Polar Editorial, 2000, p.55.)
O neoplatonismo pode ser compreendido, de modo geral, como uma Filosofia baseada em uma estrutura hierárquica que tem como princípio o Uno, razão pela qual também é conhecido como uma henologia e tem em Plotino seu grande representante.
Assinale a opção que caracteriza corretamente o sistema plotiniano em relação à sua estrutura hierárquica do ser.
O Uno é a primeira hipóstase, entendida como a realidade imanente ao mundo, que explica sua multiplicidade, sendo, ao mesmo tempo, incorpóreo.
O Nous ou Espírito é o princípio que está além do ser e da essência, pois é a inteligência que pensa a totalidade dos inteligíveis.
A processão é o princípio que explica como do Uno provém o múltiplo, já que o Uno é atividade autoprodutora.
A Alma é a terceira hipóstase do sistema plotiniano, concebida como corpórea por ser a razão das coisas sensíveis.
Como tudo procede do Princípio, ao homem é dada a experiência inata e imediata da união mística com o divino, que elimina o mistério e revela a realidade última do mundo.
“(...) os poetas trágicos são versados em todas as artes, em todas as coisas humanas relativas às virtudes e aos vícios, e até mesmo nas coisas divinas; na verdade, é necessário, afirmam, que o bom poeta, se quiser criar uma bela obra, conheça os temas de que trata, pois de outra forma não seria capaz de criar. É preciso, pois, examinar se tais pessoas, tendo-se deparado com imitadores desse gênero, não foram enganadas pela visão de suas obras, não se dando conta de que elas se acham afastadas em três graus do real, e de que, sem conhecer a verdade, é fácil realizá-las com êxito, pois os poetas criam fantasmas e não coisas reais (...)”.
(PLATÃO. A República. São Paulo: Perspectiva, 2006, Livro X.)
Platão atribui um papel pedagógico importante à arte na cidade ideal concebida n’A República, mas seus critérios são rigorosos e sua crítica recai sobre os poetas, por serem “imitadores”.
Com relação à crítica platônica da imitação, analise as afirmativas a seguir.
I. A crítica platônica da imitação inclui uma hierarquização da mimese em relação às essências, que são a única realidade.
II. A crítica platônica da imitação distingue o bom do mau poeta, pois o primeiro conhece sua arte, por isso, acede ao Belo.
III. A crítica platônica da imitação elogia o papel da tragédia, por sua abordagem superior das virtudes e vícios humanos.
Assinale:
se apenas a afirmativa I estiver correta.
se apenas a afirmativa II estiver correta.
se apenas a afirmativa III estiver correta.
se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
se todas as afirmativas estiverem corretas.
“A magia e a astrologia postulavam a solidariedade e unidade da natureza inteira, onde o cintilar do astro mais distante repercute no lugar mais recôndido do mundo e, inversamente, onde todo movimento da alma se prolonga em ecos infinitos. Não existem abismos nem fronteiras, mas uma gama de correspondências na corrente motriz da vida universal”.
(GARIN, Eugenio. Moyen Âge et Renaissance. Paris: Gallimard, 1969, p. 131.)
Com relação ao pensamento filosófico renascentista, referido na citação, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) O platonismo renascentista foi elaborado a partir da leitura e tradução de Platão e Plotino, e concebeu um universo hierárquico que, conectando o Uno ao mundo físico, fazia deste último uma teia de afinidades ocultas.
( ) A obra Sobre a natureza das coisas (De rerum natura), de Epicuro, foi uma das principais fontes do atomismo renascentista, que concebeu um universo atomístico, infinito e formado por átomos, que viria a influenciar a ciência moderna no século XVII.
( ) O aristotelismo no Renascimento prolongou a interpretação medieval de Aristóteles como a grande autoridade do saber, reiterando a metafísica tomista de um cosmo fechado, qualitativo, finito e geocêntrico.
As afirmativas são, respectivamente,
F, V e F.
F, V e V.
V, F e F.
V, V e F.
F, F e V.

SANZIO, R. Detalhe do afresco A Escola de Atenas. Disponível em: http://fil.cfh.ufsc.br. Acesso em: 20 mar. 2013.
No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o alto. Esse gesto significa que o conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem descobre a
suspensão do juízo como reveladora da verdade.
realidade inteligível por meio do método dialético.
salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
essência das coisas sensíveis no intelecto divino.
ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.
Considerando a dialética platônica, assinale a opção correta.
A dialética, na concepção de Platão, é a lógica da aparência, ou seja, a arte dos raciocínios ilusórios; nesse sentido, a dialética identifica-se com o sofisma.
A dialética, na concepção de Platão, é meramente um instrumental de argumentação que se destaca pelo excessivo emprego de sutilezas, de distinções engenhosas e inúteis.
A dialética, em Platão, é a arte de discutir por perguntas e respostas, de dividir as coisas em gêneros e espécies, é remontar de conceitos em conceitos, de proposições em proposições, até os conceitos mais universais e os primeiros princípios, que não são meras ficções do espírito, mas têm uma consistência no ser.
A dialética platônica não está relacionada à ironia nem à maiêutica socrática.
A dialética, segundo Platão, é a aplicação científica da conformidade às leis, inerentes à natureza do pensamento; é a verdadeira natureza própria das determinações do entendimento, das coisas e, de uma maneira geral, do finito.

pela defesa de uma rigorosa separação entre a esfera da política e a esfera da filosofia.
por definir proposições instrumentais para o agir político, antecipando as estratégias maquiavélicas.
por identificar as coisas empíricas como sendo em si mesmas dotadas de sua própria verdade.
pela definição de uma esfera suprassensível que contém as formas perfeitas, necessárias e universais das coisas.
por entender os preconceitos e condicionamentos do mundo sensível como esfera virtuosa e justa.
Para Platão, o homem é a medida de todas as coisas e o conhecimento do real é sempre relativo.
Kant afirma ter promovido uma revolução platônica, visto ter recuperado a metafísica de Platão como forma de solucionar os problemas com os quais se deparou.
Nas Orientações Pedagógicas/MG concernentes à relação entre mito e logos, Platão é assinalado como um filósofo que o professor deve contemplar na sua aula. Isto porque, no pensamento de Platão,
o mito é completamente ausente, já que o filósofo contrapunha ao mito o discurso demonstrativo, o único que pode lograr alcançar as verdades universais e necessárias.
há uma imbricação entre discurso demonstrativo e mítico, uma vez que o filósofo utilizava o mito como recurso para tratar de certas questões.
há uma análise profunda e detalhada de toda a mitologia grega, razão pela qual os seus escritos constituem a principal fonte de conhecimento desta.
o mito é reconhecido como precursor da atitude filosófica, ainda que o filósofo acabe por excluí-lo de seu discurso.
O problema da cont radição-mudança e identidade-permanência dos seres, posto por Heráclito e Parmênides, encontrou resposta na fase de apogeu da filosofia grega, com Platão e Aristóteles. Écorreto dizer que:
o mundo inteligível é parmenidiano e o mundo sensível é heraclitiano, para Platão.
a mudança afeta a identidade do ser, segundo Aristóteles.
essências e aparências estão juntas num único mundo, de acordo com Platão.
a realidade está dividida em dois mundos, o das aparências e o das essências,emAristóteles.
o mundo sensível é composto de seres mutáveis e imutáveis, conforme Platão.

passa pela introdução de modificações na concepção platônica de existência do mundo inteligível.
ocorreu mediante a introdução de elementos materialistas que modificaram as concepções platônicas.
consistiu em uma forte valorização pelos neoplatônicos do mundo sensível antes depreciado por Platão.
ocorreu mediante a completa rejeição pelos neoplatônicos da tese platônica de existência de um mundo inteligível.
passa pela rejeição, por parte dos neoplatônicos, de qualquer dimensão mística ou espiritualizante na filosofia.