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O mundo das ideias, segundo Platão, por sua vez, só pode ser intuído pela razão, o que implica uma ruptura radical com os dados dos sentidos aos quais estamos acostumados. O conhecimento, para Platão, passa ainda por três níveis fundamentais.
Relacione as colunas abaixo:
Coluna 1:
1. O conhecimento sensível.
2. O conhecimento discursivo.
3. O conhecimento intelectivo.
Coluna 2:
( ) É efetuado pelos sentidos no mundo dos fenômenos.
( ) Implica o conhecimento da matemática, a única ciência que possui uma natureza não corpórea;
( ) Ao qual só a filosofia é capaz de levar, por meio de um corte completo com a experiência sensorial.
Marque a sequência CORRETA:
1, 2, 3
2, 1, 3
3, 2, 1
1, 3, 2
2, 3, 1
O Problema do Conhecimento em Platão: conforme Marilena Chauí, Platão distingue quatro formas ou graus de conhecimento, que vão do grau inferior ao superior: crença, opinião, raciocínio e intuição intelectual. Para ele, os dois primeiros graus devem ser afastados da Filosofia – são conhecimentos ilusórios ou das aparências, como os dos prisioneiros da caverna – e somente os dois últimos devem ser considerados válidos. Identifique a alternativa que não corresponde às concepções de Platão quanto ao Conhecimento:
O conhecimento matemático seria a melhor preparação do pensamento para chegar à intuição intelectual das ideias verdadeiras, que constituem a verdadeira realidade.
Platão diferencia e separa radicalmente duas formas de conhecimento: o conhecimento sensível (crença e opinião) e o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição) afirmando que somente o segundo alcança o Ser e a verdade.
O conhecimento sensível alcança a mera aparência das coisas, o conhecimento intelectual alcança a essência das coisas, as ideias.
Para Platão, o primeiro exemplo do conhecimento puramente intelectual e perfeito encontra-se na Matemática, cujas ideias se devem aos órgãos dos sentidos e não se reduzem a meras opiniões subjetivas.
O raciocínio treina e exercita nosso pensamento, preparando-o para uma purificação intelectual que lhe permitirá alcançar uma intuição das ideias ou das essências que formam a realidade ou que constituem o Ser.
Há sempre quem pergunta qual é a função do filósofo em uma sociedade. Aliás, essa deve ser uma pergunta a ser posta pelo próprio filósofo ou pelo professor de Filosofia a si mesmo. Franklin Leopoldo escreve: “Platão – Mito da Caverna. Seria ocioso, na perspectiva da origem da filosofia, lembrar a inserção histórico-social do filósofo em relação à figura de Sócrates. É talvez o exemplo mais acabado do dimensionamento da reflexão filosófica pela sua finalidade social e é, ao mesmo tempo, o exemplo mais acabado de como este dimensionamento histórico-social do filosofar não implica absolutamente a exclusiva imediatez de um pensamento que exerceria reflexão apenas na exata medida em que a interiorização ou o contato do espírito consigo é condição da exteriorização e da submissão da reflexão ao caráter puramente circunstancial das necessidades primeiras e mais aparentes da vida política e da prática política. Pois dificilmente imaginaríamos um filósofo mais comprometido com a cidade, com os problemas da vida política e com o destino histórico dos seus concidadãos do que Sócrates. [...] É interessante notar que, quando a filosofia se lança nos seus inícios à interrogação sobre as condições universais do exercício da política, mantém-se no plano da indagação, da pergunta que se elabora a partir do horizonte da universalidade, sem perder o vínculo com a concretude da contingência humana. É sob o signo da universalidade que devemos primeiramente entender a condição do filósofo em Platão. E o Mito da Caverna nos ensina duas coisas igualmente importantes. É preciso fugir do mundo sensível, das sombras e dos fantasmas e encontrar fora da Caverna o verdadeiro mundo dos objetos e o sol que os ilumina no seu verdadeiro e autêntico ser. [...] Ensina-nos também que, uma vez contemplada esta fonte da verdade, o filósofo retorna à Caverna, onde sofrerá toda sorte de incompreensões por parte daqueles que têm as sombras como única realidade”.
Sob essa visão fidedigna de Franklin em relação à função social do filósofo em Platão, observa-se a seguinte contraposição:
O filósofo deve ser o guardião da cidade, o condutor, o mantenedor da justiça que deve reinar.
No plano humano, o filósofo é o que apenas contempla.
Em Platão, toda a organização social está voltada para a existência contemplativa do filósofo: a rigidez da divisão de classes, o caráter seletivo da educação.
O filósofo é político se for educador, e a política do filósofo, a interferência no social, simbolizada pela volta à Caverna, caracteriza-se principalmente pela educação.
Para Platão, o fundamento da vida política deve ser retirado da esfera do contingente e colocado sob a égide da universalidade.
Segundo Platão existem três tipos de alma. Assinale V para verdadeiro e F para falso para cada assertiva:
( ) Alma concupiscente, própria dos vegetais;
( ) Alma irascível, própria dos animais;
( ) Alma racional, exclusiva do ser humano.
( ) Alma moral, própria do ser humano.
Marque a sequência CORRETA:
V, V, F, V
V, F, F, V
V, V, V, F
F, F, V, V
F, V, V, F
Dois grandes expoentes da filosofia medieval foram Santo Agostinho (Patrística) e São Tomás de Aquino (Escolástica). Ambos, que tentaram resolver o intricado problema da conciliação entre fé e razão, fizeram isso tomando por base dois grandes filósofos gregos, que divergiam em alguns aspectos: um defendia o inatismo, o mundo das ideias e o dualismo da natureza humana; e o outro advogava o empirismo, o mundo material e o unitarismo do ser humano. Esses dois filósofos gregos são, respectivamente:
Tales de Mileto e Protágoras.
Sócrates e Epicuro.
Platão e Aristóteles.
Heráclito e Parmênides.
Um filósofo relevante da Grécia Antiga foi Aristóteles, aluno de Platão na Academia.
Fundou sua própria escola, o Liceu, pois já não concordava com a filosofia _______ do seu mestre. Destacou-se também por ter criado a teoria da _______, composta por matéria e forma, também denominada hilemorfismo.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
ágrafa • vida
utópica • alma
idealista • substância
subjetivista • potência
transcendental • caverna
O Mito da Caverna, de Platão, estabelece uma relação interna ou intrínseca entre paideia e aletheia: a filosofia é educação ou pedagogia para a verdade. Sobre o Mito da Caverna e o conceito de verdade em Platão, assinale a alternativa INCORRETA.
A relação entre paideia e aletheia é proposta pelo mito com a analogia entre os olhos do corpo e os olhos do espírito quando passam da obscuridade à luz: assim como os primeiros ficam ofuscados pela luminosidade do Sol, também o espírito sofre um ofuscamento no primeiro contato com a luz da ideia do Bem, que ilumina o mundo das ideias.
Platão abandonou o antigo conceito de verdade, isto é, a evidência como adequação entre a ideia e o intelecto, o inteligível e a inteligência, obtida apenas pelas operações da própria alma e o substituiu por aquele em que o próprio ser se manifesta no mundo e ao mundo.
A trajetória realizada pelo prisioneiro é a descrição da essência do homem (um ser dotado de corpo e alma) e sua destinação verdadeira (o conhecimento intelectual das ideias). Essa destinação é seu destino: o homem está destinado à razão e à verdade.
O Mito da Caverna preserva o antigo sentido da aletheia como não esquecimento e não ocultamento da realidade, pois aletheia é o que é arrancado do esquecimento e do ocultamento da realidade, fazendo-se visível para o espírito, embora invisível para o corpo.
A partir do Teeteto de Platão, estabeleceu-se a tradição de definir o conhecimento como crença verdadeira justificada. No século XX, foi apresentado um conjunto de contraexemplos a esta fórmula. Nos casos apresentados, temos uma crença que é verdadeira, cujo agente está justificado em tê-la. Mas a verdade da crença não tem a relação apropriada com essa justificação, de maneira que é de certo modo acidental, ou uma questão de sorte, que a crença seja verdadeira. Esses contraexemplos ficaram conhecidos como
o problema da demarcação.
o problema de Getttier.
o paradoxo de Goodman.
o problema de Gauguin.
Platão e Aristóteles são os dois principais nomes do período da filosofia denominada de:
Cristã.
Helenística.
Sistemática.
Medieval.
Plena.
Considerado um dos principais filósofos da humanidade, Platão teorizou, em suas obras, acerca da política, desenvolvendo reflexões sobre temas como
o papel imprescindível do Estado no estabelecimento de um contrato social que garantisse os direitos de todos os cidadãos e decisões consensuais.
a ética necessária na conduta dos governantes, de forma a atender aos interesses coletivos e não individuais.
a divisão necessária do governo em três poderes (executivo, legislativo e judiciário) de modo que houvesse uma autorregulação dos mesmos.
a liberdade de expressão na imprensa e a tolerância religiosa no espaço público, elementos por ele considerados fundamentais para a manutenção da democracia.
o uso justificado dos mais variados meios para se atingir um fim nobre e garantir a permanência do governante no poder.
“Como não haveria de ser evidente mesmo para um cego, como se diz? Enquanto não houvermos feito esta contestação, nem essa demonstração, não poderemos, de forma alguma, falar nem de discursos falsos, nem de opiniões falsas, nem de imagens, de cópias, de imitações ou de simulacros, e muito menos de qualquer das artes que deles se ocupam, sem cair, inevitavelmente, em contradições ridículas.” (PLATÃO, O Sofista. Coleção Os Pensadores,Abril Cultural, 1972)
O trecho acima do diálogo O Sofista se refere a discussão central do diálogo que pretende afirmar qual é a arte do sofista. Esta discussão se pretende a distinção e definição dos conceitos de:
moral e ética.
sensível e inteligível.
ser e não-ser.
doxa e episteme.
uno e múltiplo.
Analise o texto abaixo:
A boa mistura entre sabedoria e liberdade encontra-se presente na relação entre as três instituições da cidade em palavras, proposta em As Leis: a Assembleia dos cidadãos, o Conselho com tarefas administrativas, do qual participam classes censitárias que elegem - cada uma - 90 conselheiros de cada uma das doze pritanias, e um Conselho de velhos guardiões das leis que tem tanto a função de elaborar e fundar a legislação, como a de aplica-la por meio dos vários tipos de magistraturas (pedagógica, militar, religiosa, jurídica, etc.), daí a necessidade de possuírem educação filosófica. Tal proposta coloca o leitor dos diálogos em dúvida sobre porque a democracia, isoladamente, é objeto de crítica no livro VIII da República.
(REIS Maria Dulce. Sapere aude – Belo Horizonte, v. 9 – n. 17, pp. 45-66.)
A partir do texto e de acordo com os conhecimentos sobre Platão, é incorreto afirmar:
Platão faz referência à democracia em alguns de seus diálogos (como a Apologia, o Górgias, a República, as Leis). A boa mistura entre elementos saudáveis da democracia com elementos saudáveis da monarquia é proposta nas Leis (diálogo escrito nos dez últimos anos de vida de Platão).
Devemos compreender a crítica à forma pura de democracia presente em República VIII à luz de pressupostos da filosofia platônica, que podem ser identificados quando aprofundamos o estudo da íntima relação que Platão estabelece, nesse diálogo e em outros, entre psicologia, ética e política.
As relações de poder entre diferentes classes na cidade são consideradas análogas àquelas que ocorrem entre os diferentes elementos da psykhé humana. Platão mostra-se um crítico da igualdade, pois ressalta as diferenças entre as classes da cidade, bem como as diferenças entre as chamadas partes (ou gêneros) da alma individual (o racional, o irascível, o apetitivo).
A constituição política para a cidade projetada nas Leis conjuga elementos que são inerentes à democracia e à monarquia, “a liberdade e a amizade, com sabedoria” (III 693d7-e1). Platão volta a defender, como na República VIII, que uma excessiva liberdade não conduz à situação de soberania (ser mestre /
A democracia é referida, na República VIII, como regime político perfeito, tanto no âmbito do indivíduo (no interior da psykhé humana) como no âmbito da cidade (tensão entre os vários interesses das várias classes da cidade), por isso conduz à paz e à realização da virtude da justiça, o que ocorreria apenas na alma do rei-filósofo e na cidade reta (paradigmas traçados na República).
Na Alegoria da Caverna, Platão (Livro VII da obra A República) distingue dois tipos de conhecimento, a dóxa (opinião) e a epistéme (ciência).
Cada um desses tipos de conhecimento são subdivididos do seguinte modo:
DÓXA: Diánoia (imagens matemático), Pístis (realidades sensíveis), Eikasía (conhecimento do sensível). EPISTÉME: Noésis (conhecimento filosófico).
DÓXA: Eikasía (imagens do sensível), Pístis (realidades sensíveis), Dialektiké (maiêutica socrática), Diánoia (conhecimento matemático). EPISTÉME: Noésis (conhecimento filosófico).
DÓXA: Diánoia (conhecimento matemático), Noésis (conhecimento filosófico). EPISTÉME: Eikasía (imagens do sensível), Pístis (realidades sensíveis).
DÓXA: Eikasía (imagens do sensível), Pístis (realidades sensíveis). EPISTÉME: Diánoia (conhecimento matemático), Noésis (conhecimento filosófico).
Quanto à problemática do conhecimento, Aristóteles critica a teoria das ideias do Platão e distingue tipos de saber. Assim, é correto afirmar que para o estagirita
as regras da lógica são fundamentais para o ultrapassar a doxa em direção ao conhecimento suprassensível.
a técnica ou o saber fazer é o conhecimento dos meios a serem usados para se chegar aos fins desejados. Pode ser ensinada.
os experimentos geométricos devem ser tomados de modo isolado, cada um em sua particularidade para poder ser observado.
a experiência ou conhecimento sensível é imediato e concreto e só permite o conhecimento individual, é um conhecimento particular e, portanto, transmissível.
a phronesis é o único é o único tipo de conhecimento a determinar as causas e os princípios primeiros; a única a dizer o que as coisas são, por que são e demonstrá-las.
Em determinado momento do diálogo de Hípias Menor, de Platão, Sócrates declara que encontrou dificuldade para responder à pergunta “qual o critério para reconheceres o que é belo e o que é feio?”. De acordo com Platão, a dificuldade está em que:
os juízos de Beleza são subjetivos, sendo relativos a quem os enuncia.
o belo e o feio não se distinguem realmente.
é preciso conhecer o que é Beleza para que se possam identificar as coisas belas.
o critério de Beleza não é acessível aos homens, mas apenas aos deuses.
a Beleza é uma mera aparência.
Todos devem ter acesso igualitário à educação, independente do grupo social a que pertence desde o nascimento. Durante o processo de formação escolar, as crianças passariam de um grupo social para outro de acordo com o desenvolvimento de suas aptidões. Isso levaria as mais aptas a alcançarem o patamar mais alto desse processo, a filosofia, a fim de se tornarem sábios, sendo habilitados a administrar a cidade. Este é o pensamento político de:
Aristóteles (348 - 322 a.C.).
Maquiavel (1469 - 1527).
Platão (428 - 347 a.C).
Sócrates (469-399 a.C).
Em relação ao filósofo Al-Farabi, é correto afirmar que
foi o primeiro a tratar do tema político no Islam, inspirado na Política de Aristóteles.
foi influenciado por Platão em relação à noção de cidade ideal, mas em vez de o sábio descer da contemplação dos inteligíveis, ele deve se unir aos seres espirituais e guiar os cidadãos.
tematiza a política, a partir da Política de Aristóteles, ajustando esta ao sentido do sábioprofeta tal como manifestado pelo profeta Maomé.
utiliza-se de Platão e Aristóteles, de forma instrumental, para resolver o problema particularmente islâmico do califa como guia político e espiritual do Islam.
“Platão descobriria e procuraria demonstrar que a realidade ou o ser não é de um único gênero e que, além do cosmos sensível, existe também uma realidade inteligível que transcende o sensível.”
(Reale, 1990. V 1. P 24.)
Ao pensar assim, Platão estaria constatando o que mais tarde seria chamado de:
Quando soube daquele oráculo, pus-me a refletir assim: “Que quererá dizer o Deus? Que sentido oculto pôs na resposta? Eu cá não tenho consciência de ser nem muito sábio nem pouco; que quererá ele então significar declarando-me o mais sábio? Naturalmente não está mentindo, porque isso lhe é impossível”. Por longo tempo fiquei nessa incerteza sobre o sentido; por fim, muito contra meu gosto, decidi-me por uma investigação, que passo a expor.
(PLATÃO. Defesa de Sócrates. Trad. Jaime Bruna. Coleção Os Pensadores. Vol. II. São Paulo: Victor Civita, 1972, p. 14.)
O texto acima pode ser tomado como um exemplo para ilustrar o modo como se estabelece, entre os gregos, a passagem do mito para a filosofia. Essa passagem é caracterizada:
pela transição de um tipo de conhecimento racional para um conhecimento centrado na fabulação.
pela dedicação dos filósofos em resolver as incertezas por meio da razão.
pela aceitação passiva do que era afirmado pela divindade.
por um acento cada vez maior do valor conferido ao discurso de cunho religioso.
pelo ateísmo radical dos pensadores gregos, sendo Sócrates, inclusive, condenado por isso.