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Os militantes e intelectuais que adotam o termo raça não o adotam no sentido biológico, pelo contrário, todos sabem e concordam com os atuais estudos da genética de que não existem raças humanas. Na realidade, eles trabalham o termo raça atribuindo-lhe um significado político construído a partir da análise do tipo de racismo que existe no contexto brasileiro e considerando as dimensões histórica e cultural que este nos remete. Por isso, muitas vezes, alguns intelectuais, ao se referirem ao segmento negro utilizam o termo étnico-racial, demonstrando que estão considerando uma multiplicidade de dimensões e questões que envolvem a história, a cultura e a vida dos negros no Brasil.
(GOMES, 2005a, p. 47.)
A promulgação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História da África e Cultura Afro-brasileira, significou um grande avanço na luta pela superação dos preconceitos contra os descendentes africanos. Uma vez que:
Só a partir da criação dos quilombos, os africanos e seus descendentes começaram a resgatar algumas práticas, formas de comunicação e cultura de seus países de origem.
Até pouco tempo atrás suas contribuições culturais não eram muitas vezes reconhecidas ou valorizadas devidamente, expostas de forma descontextualizada ou incompleta.
Os portugueses vendiam os africanos no Brasil como se fossem mercadorias e impediam qualquer forma de comunicação entre eles, o que minou a disseminação da sua cultura.
Apesar dos africanos trazerem para o nosso país suas crenças e suas formas de sociabilidade, como estavam em desacordo com o projeto colonizador, foram totalmente aculturados.
Como eram, desde os primórdios da colonização, proibidos de praticar sua religião e rituais, seguindo a religião católica, a tendência com todas as imposições e restrições foi deixar sua cultura esvaecer.
As rebeliões representaram a mais direta e inequívoca forma de resistência escrava coletiva. Elas tornaram-se mais frequentes a partir do final do século XVIII.
(João José Reis, “Nos achamos em campo a tratar a liberdade”: a resistência negra no Brasil oitocentista. Em: Carlos Guilherme Mota, Viagem incompleta. A experiência brasileira (1500-2000). Formação: histórias. Adaptado)
Para João José Reis, o aumento da frequência de rebeliões escravas a partir do final do século XVIII, teve relação com
a nova legislação portuguesa que exigia que todos os escravizados fossem registrados junto às autoridades das vilas e cidades, sendo que os custos relativos aos registros recairiam sobre os cativos.
o renascimento da mineração na região central do Brasil, o que exigiu que enormes contingentes de escravizados fossem transferidos das regiões decadentes do Nordeste açucareiro para o trabalho nas minas.
os intensos investimentos diretos feitos por Portugal, desde a Era Pombalina, para modernizar o comércio de escravizados com várias regiões africanas, havendo um cuidado especial com Moçambique.
a expansão das áreas dedicadas à agricultura comercial e a consequente intensificação do tráfico escravo, que fez crescer a população cativa e em particular o seu contingente africano.
a política colonial de sobretaxar a propriedade de escravizados para os senhores dos grandes plantéis, condição que proporcionou o aumento da exploração do trabalho nas regiões agroexportadoras.
Analise as assertivas abaixo sobre a escravidão no Brasil:
I. A defesa dos povos indígenas em relação ao trabalho escravo oscilava de acordo com os interesses: defendida quando havia africanos suficientes para o trabalho, e flexibilizada na ausência desses, como ocorrido durante a guerra de conquista holandesa em Pernambuco.
II. Os “negros da terra” poderiam ser elementos de segurança e importantes aliados aos portugueses contra os invasores europeus.
III. Para legitimar a escravidão africana, em 1570, a Coroa portuguesa promulgou a lei de proteção aos povos indígenas, que admitia somente a escravização de canibais e/ou povos que ameaçassem a segurança dos portugueses no Brasil.
Quais são corretas?
Apenas II.
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
Para Martins (2017), o conceito de matriz africana se consolida como a herança oriunda do continente africano transmitida por meio da diáspora africana, que engloba uma pluralidade de saberes oriundos de diversos povos. Como que sustentada por uma raiz conformada por diversos conhecimentos (oriundos de diferentes etnias, reinos e povos africanos), a matriz africana evoca a imagem de uma árvore que novamente se ramifica em seus galhos na diáspora africana. Assim, conectados por essa matriz, articulam-se tecnologias, culinárias, línguas, religiões e outras manifestações de diferentes povos. Essas foram preservadas ao longo da diáspora africana e transmitidas de geração para geração.
(MARTINS, A. R. 2011.)
A transmissão da cultura e o resgate de instituições africanas para a recuperação da forma de vida africana no novo território (Brasil) foi possível, dentre outros fatores, devido
à manutenção, mesmo no auge do tráfico negreiro, da instituição familiar, através da organização do trabalho por tribos e/ou etnias.
ao interesse e à admiração dos colonizadores pelas formas de trabalho, culinária e outras tecnologias oriundas de diversas regiões do continente africano.
à transmissão dos saberes africanos nos aldeamentos, engendrados e dirigidos pelos jesuítas e, posteriormente, pelos próprios afrodescendentes.
aos quilombos, notórios marcos de resistência ao processo de escravização das populações negras, onde se reproduzia o modelo de organização social africano.
Sobre as sociedades antigas africanas, é CORRETO afirmar que:
A civilização cuxita teve muita expressão na África Ocidental, sendo uma das bases para o Reino de Gana.
Os egípcios sempre mantiveram uma relação amistosa com as civilizações do seu entorno, não tendo controlado ou dominado nenhuma delas.
Kerma é um exemplo de cidade egípcia que foi feita aos moldes da civilização cuxita, que era inspiração para os egípcios.
A civilização de Aksun expandiu-se e adquiriu relevância no papel de intermediação no comércio marítimo do Índico.
A diáspora africana foi um processo histórico caracterizado pela imigração forçada de homens, mulheres e crianças do continente africano para outras regiões do planeta. Sobre esse tema, analise as afirmativas a seguir.
I. A imigração forçada sustentou o regime escravocrata por meio de intensa violência e exploração da vida humana.
II. A elevada brutalidade que se seguiu a essa imigração forçada dificultou que essas pessoas criassem laços de sociabilidade nos locais em que chegavam.
III. A História enquanto disciplina deve abordar o estudo da história e da cultura africana e afro-brasileira em razão dos conhecimentos e saberes africanos produzidos no continente africano e nas suas diásporas.
Assinale a alternativa correta.
Apenas a afirmativa I está correta
Apenas a afirmativa II está correta
Apenas a afirmativa III está correta
As afirmativas I, II e III estão corretas
Apenas as afirmativas II e III estão corretas

Encontro dos Tambores (Macapá, 2013), do qual participaram 44 comunidades de quilombos afrodescendentes para divulgar as tradições culturais e religiosas da cultura negra no Amapá. Foto de Maurício de Paiva.
O Marabaixo e o Batuque destacam-se como importantes manifestações culturais da população afrodescendente do Amapá. A respeito dessas expressões culturais, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) Consistem em danças e músicas executadas ao som de caixas, tambores, tabocas e outros instrumentos, muitas vezes de fabricação caseira.
( ) Estão ligadas a festividades católicas, como a do Divino Espírito Santo e a da Santíssima Trindade no Ciclo do Marabaixo, por exemplo.
( ) São festas cuja estrutura ritual deriva de preceitos cristãos e de religiões afro-brasileiras, motivo pelo qual estão integradas ao calendário litúrgico católico e são presididas por bispos.
As afirmativas são, respectivamente,
V – V – F.
V – F – V.
F – V – V.
F – F – V.
V – V – V.
Os cativos estranhos não provinham apenas das guerras. Existiu em várias sociedades africanas a prática de penhor humano. Um clã, grupo ou linhagem, pela decisão do patriarca, podia empenhar um dos seus membros celibatários a uma outra linhagem credora, que poderia usá-lo gratuitamente até a extinção da dívida. O penhor poderia ser feito, por exemplo, em momento de grandes calamidades naturais. Nesse caso, o parente era empenhado para receber em troca quantidades de comida para salvar a linhagem.
(Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes. O negro no Brasil de hoje)
Para Munanga e Gomes, essas situações de exploração do trabalho presentes na África tradicional revelam que
a introdução do trabalho compulsório ocorreu entre os povos e reinos a partir dos contatos comerciais e diplomáticos com os europeus, especialmente os portugueses, desde o século XVI, quando tem início a produção de açúcar americano.
existia uma milenar ordem escravista, organizada a partir do poder dos principais Estados do continente, que enriquecia os grandes comerciantes e fornecia mão de obra abundante para a agricultura e a extração de prata e ouro.
o trabalho livre era a regra nas capitais dos reinos, cidades-Estado e grandes cidades comerciais, enquanto a escravidão prevalecia nas sociedades que desconheciam o Estado ou outra forma de poder institucionalizado.
as variadas modalidades de trabalho compulsório africano presentes fundamentavam a essência da economia e, assim, o tráfico continental de escravizados sofreu poucas transformações a partir das relações com os negociantes europeus.
há ausência de sistemas escravistas, porque a exploração não era renovada sistematicamente e não suscitava uma categoria de indivíduos mantida institucionalmente em uma relação de subordinação entre senhores e escravizados.
No artigo Avanço das mulheres. Que mulheres?, de Alzira Rufino, publicado em 2003, há o seguinte trecho:
Enquanto as mulheres brancas estão rompendo estereótipos e atingem números significativos em áreas antes restritas aos homens, as mulheres negras ainda têm que lutar para ter acesso a funções como secretárias ou recepcionistas, ocupações tidas como “femininas”, mas que podem melhor ser descritas como “femininas e brancas”.
(Apud Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes. O negro no Brasil de hoje)
Para Alzira Rufino, no artigo citado,
as políticas afirmativas em relação às mulheres negras no mundo do trabalho foram multiplicadas ao longo das duas últimas décadas, mas o efeito não chegou ao patamar desejado porque a educação continua sempre um ponto de estrangulamento para a formação de mulheres negras para trabalhos mais qualificados.
a conjuntura das mulheres afrodescendentes no mercado de trabalho preocupa muito porque elas tendem a receber remunerações inferiores às mulheres brancas e, ao mesmo tempo, há uma condição positiva porque as mulheres negras sofrem menos com o desemprego e têm um alto grau de contratações formais.
o avanço no status das mulheres em todo o mundo e no Brasil, nas últimas décadas, não produziu no país melhorias sensíveis à mulher negra, pois é a trabalhadora que saiu dos trabalhos forçados do escravagismo diretamente para os trabalhos braçais, mais insalubres, mais pesados, mesmo no tempo contemporâneo.
há uma boa vontade do mercado de trabalho no sentido de oferecer boas colocações profissionais para mulheres afrodescendentes, mas efetivamente tal condição não tem sido materializada porque falta uma legislação específica que atenda essas mulheres, além da desatenção da Justiça do Trabalho com esse tema.
há um recuo institucional em relação aos direitos históricos das mulheres negras devido à revogação de uma série de leis consideradas como políticas afirmativas voltadas a essas mulheres, que passaram a ser tratadas no mercado de trabalho como qualquer outro trabalhador.
A Lei nº 11.645/2008 estabeleceu a inclusão no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena". Dessa forma, existem diversas abordagens e atividades que podem ser utilizadas para explorar a história e a cultura da África e dos africanos e a luta dos negros e povos indígenas no Brasil em sala de aula. Dentre essas abordagens, pode-se citar, EXCETO:
Estudar líderes como Zumbi dos Palmares, participantes da Revolta dos Malês, bem como os movimentos indígenas ao longo da história.
Examinar as contribuições africanas para a ciência, matemática, medicina, arte, arquitetura e outras áreas.
Estudar como a colonização auxiliou diferentes regiões da África, suas culturas e sociedades a se tornarem cada vez mais parecidas com os europeus.
Explorar, em sala de aula, os mitos, contos e tradições orais africanas para entender melhor a transmissão de conhecimento e a preservação da história.
Estudar e discutir criticamente o papel dos negros e dos povos indígenas na formação do Brasil, confrontando estereótipos e visões simplificadas.
Inúmeros quilombos foram construídos no século XIX, principalmente nas décadas finais do período escravista. Seus habitantes eram chamados de quilombolas, mocambeiros ou calhambolas e foram perseguidos pelos senhores de escravos e pelo aparato militar colonial e imperial. Alguns quilombos conseguiram sobreviver durante muitos anos mesmo durante a escravidão.
(Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes. O negro no Brasil de hoje)
Para Munanga e Gomes, em geral, a sobrevivência de alguns quilombos derivou
do fato de alguns quilombos localizarem-se em áreas de maior isolamento e outros manterem relação de aliança com indígenas, brancos pobres e demais grupos da população e em alguns casos, essas duas estratégias podem ter acontecido ao mesmo tempo.
de uma organização essencialmente militarizada e com forte hierarquização social, associada à produção de excedentes agrícolas exportáveis, como ocorria com o café, açúcar e tabaco, além do extrativismo representado pela exploração de ouro em Minas Gerais.
da improbidade administrativa da maior parte dos dirigentes designados para dirigir as mais importantes províncias do Império, porque havia o entendimento, entre esses dirigentes, de que os quilombos se constituíam em válvulas de escape para a opressão do sistema escravista.
de recorrentes acordos tácitos entre os quilombolas e os mais importantes proprietários de uma determinada região, sendo que, nesses acordos, os dirigentes quilombolas comprometiam-se em não ampliar a libertação de escravizados e os senhores evitavam atacar tais esconderijos.
das profundas rivalidades que separavam os interesses dos grandes proprietários rurais e as autoridades políticas do Império, porque enquanto essas autoridades consideravam a necessidade de abolir o escravismo, os senhores escravocratas defendiam a sobrevida do trabalho compulsório.
Observe o gráfico a seguir. Ele mostra, em milhares, o quantitativo de escravizados vindos da África que desembarcaram nos portos brasileiros, cubanos e do sul dos Estados Unidos.

Fonte: http://www.slavevoyages.org/estimates/mrcDmLng
A respeito das causas que explicam o elevado número de desembarques de africanos, especificamente nos portos americanos, entre as últimas décadas do século XVIII e a primeira metade do século XIX, analise as afirmativas a seguir.
I. A maior demanda de escravos em função da ampliação progressiva do cultivo de arroz em Cuba, para atender ao seu consumo crescente devido à difusão das dietas dos europeus.
II. A expansão do uso de mão de obra africana em função do crescente interesse pelo algodão do Sul dos Estados Unidos, utilizado como matéria-prima por fábricas europeias.
III. O crescimento dos complexos cafeeiros escravistas no Império do Brasil, justificado pelo incremento de consumo de café em diversos países europeus.
Está correto o que se afirma em
I, apenas.
I e II, apenas.
II e III, apenas.
I e III, apenas.
I, II e III.
Leia atentamente o texto abaixo:
“Vejam, pois, estes senhores [...], que estamos cercados de escravos, e temam por sua própria segurança e vida, que eles não tomem ao pé da letra tanto Cativo, tanta igualdade e desaforo com que estão continuadamente berrando de todos os cantos deste Império; lembrem-se da Ilha de S. Domingos, e não queiram fazer do Brasil um novo Haiti - Quod Deus Avertat [Deus nos livre]. Amém!”
(Fonte: O Cruzeiro: Jornal Político, Literário e Mercantil, Pernambuco, n. 40, 25 jun. 1829, p.4.)
Considerando o contexto do início do século XIX no Brasil, assinale a alternativa em que a afirmativa se relaciona com o texto:
A mídia pernambucana por meio dos textos publicados no jornal “O Cruzeiro” endossaram as iniciativas políticas daqueles que eram realmente abolicionistas, ao defenderem a tese de que os cativos só seriam realmente livres se tivessem seus direitos assegurados tal como se pode vislumbrar na Declaração de Independência dos Estados Unidos de 1776.
A Igreja Católica no Brasil exerceu profunda influência contra a abolição da escravidão uma vez que o modelo revolucionário Haitiano, de teor republicano, defendia uma cultura nacional voltada para sua ancestralidade, o que significa na prática, o confisco de todos os bens da Igreja de Roma e a elevação da prática religiosa Vodu como religião oficial do país.
A manifestação de caráter racista e conservadora expressa neste fragmento do Jornal “O Cruzeiro” evidencia as bases sobre as quais as elites do início do século XIX pensavam o lugar dos cativos na sociedade brasileira, bem como seu potencial perigo para o status quo.
O discurso anarquista que embasa a citação acima indica tanto uma repulsa ao Estado monárquico brasileiro, assim como ao possível sucesso de uma revolução republicana como a ocorrida no Haiti entre 1791 e 1804. Tanto a monarquia nacional quanto a república inaugurada pelos escravos no Haiti, segundo a ótica dos anarquistas brasileiros, seriam modelos políticos refratários à demandas fundamentais para eles, como, por exemplo, o fim das classes sociais.
Leia atentamente o texto abaixo: “Para se pensar o ensino de História, é fundamental considerar a utilização de diferentes fontes e tipos de documento (escritos, iconográficos, materiais, imateriais) capazes de facilitar a compreensão da relação tempo e espaço e das relações sociais que os geraram. Os registros e vestígios das mais diversas naturezas (mobiliário, instrumentos de trabalho, música etc.) deixados pelos indivíduos carregam em si mesmos a experiência humana, as formas específicas de produção, consumo e circulação, tanto de objetos quanto de saberes. Nessa dimensão, o objeto histórico transforma-se em exercício, em laboratório da memória voltado para a produção de um saber próprio da história”
(Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. p.398.)
Assinale abaixo a alternativa que corresponde ao texto:
O ensino da História pressupõe o entendimento das relações espaço-temporais que atravessam os indivíduos, e parte desta se refere às fontes materiais. Os objetos feitos pela humanidade em um determinado contexto apontam aos historiadores os fundamentos que possibilitam sua existência, sendo eles, deste modo, reminiscências das trajetórias daqueles humanos, e portanto, alvo de análise da História.
A História enquanto ciência social só deve se valer das fontes que dela se podem verificar a verdade dos indivíduos situados em um determinado tempo. Estes registros devem ser oriundos de testemunhos confiáveis, sendo, pois, recomendado ao historiador, - e, por consequência ao professor, que reproduz em sala de aula o saber derivado das pesquisas daquele -, verificar nos apenas arquivos de órgãos oficiais das instituições oficiais da época que ele estuda aquilo que de fato aconteceu.
Todo passado é alvo de diferentes formas de ver o mundo, sendo, pois, cada uma delas uma criação imaginária daqueles que a eles se dedicam. Os objetos são, desse modo, aquilo que podem, ou não, indicar estas diversas verdades, sendo, portanto, o passado uma realidade inatingível para a humanidade.
O passado, assim como o presente e o futuro são momentos distintos de um caminho predestinado por uma força maior. Os objetos pelos quais o homem pode interagir com a Natureza são benefícios concedidos previamente conforme a vontade desta força que governa todas as coisas.
A melhor conservação das estradas de rodagem e traçado de novos caminhos, a abertura de vias férreas, o progresso nos métodos de beneficiamento de café, com o emprego de máquinas cada vez mais aperfeiçoadas, contribuirão para modificar as relações de produção, favorecendo a passagem do trabalho servil para o trabalho livre, criando maiores possibilidades para a imigração. (...) O movimento abolicionista extinguiu-se com a Abolição. Fora primordialmente uma promoção de brancos, de homens livres. A adesão de escravos viera depois. Nascera mais dos entraves que esta representava para a economia em desenvolvimento, do que propriamente do desejo de libertar a raça escravizada em benefício dela própria, para integrá-la à sociedade dos homens livres. Alcançado o ato emancipador (Abolição da escravidão em 1888), abandonou-se a população de ex-escravos à sua própria sorte (COSTA, 1966, p. 154-450).
Nesse contexto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I. A partir da proibição do tráfico negreiro (1850) e, consequentemente, do fim da importação de escravos africanos, era imprescindível encontrar uma solução para a substituição da força de trabalho. No plano social, a imigração de trabalhadores não teria como apagar a marca da escravidão, que deixou sinais no país desde os tempos coloniais.
PORQUE
II. As modernizações do período não garantiram que a economia brasileira sofresse transformações radicais. Entretanto, as mudanças operadas e o fim da escravidão foram suficientes para solapar as bases sociais, econômicas e políticas da Monarquia, abrindo caminho para a proclamação da República.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa CORRETA:
As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é a justificativa correta da I.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é a justificativa correta da I.
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
A asserção II é uma proposição verdadeira, e a I é uma proposição falsa.
Sobre a História Africana, assinale a alternativa correta.
I - Interpretações cristãs contribuíram na construção de ideário negativo sobre a África. Tais como a associação entre os africanos e a teoria semita, que condicionava os habitantes daquele local à condição de escravos.
II - No século XVI, Portugal passou a adotar o comércio de escravos. Geralmente compravam escravos de guerra. Em outros casos, pessoas eram sequestradas e transformadas em escravas.
III - O marco do imperialismo na África aconteceu com a Conferência de Berlim, realizada em 1685, que marcou a repartição e exploração do continente africano entre as potências europeias.
Apenas o item I é verdadeiro.
Apenas o item II é verdadeiro.
Apenas o item III é verdadeiro.
Apenas os itens I e II são verdadeiros.
Todos os itens são verdadeiros.
Considerando-se a história da Confederação Ashanti, que teve grande projeção nos séculos XVIII e XIX, na Costa do Ouro, é CORRETO afirmar que:
A confederação de estados autônomos, a partir da ação de Osei Tutu, passou a ter um exército permanente. Apesar da grande organização e contingente, o exército teve muitas baixas pelo pouco armamento disponível.
Embora se situasse às margens do Atlântico, posição privilegiada de contato com outros povos, a Confederação vivia isolada quanto às trocas comerciais.
O poder na Confederação não era hierarquizado, e os servidores administrativos, geralmente, pertenciam às famílias que exerciam mais influência na região.
Os povos controlados pela Confederação, ao longo do século XVIII, foram integrados de diferentes formas: algumas províncias passaram a ser administradas por representantes ashanti, enquanto outras continuavam a ser administradas por seus antigos governantes.
Sobre a história africana e suas relações com a Europa e a América, julgue os itens a seguir e assinale a alternativa correta:
I – As interpretações cristãs contribuíram na construção de ideário negativo sobre a África.
II – O imperialismo na África foi caracterizado pela repartição e exploração do continente entre as potências europeias, tendo como marco a Conferência de Berlim, realizada em 1584.
III - Interessada em ampliar seu mercado consumidor no Brasil, a Inglaterra desenvolveu medidas para o fim da escravidão em 1807.
Apenas o item I é falso.
Apenas o item II é falso.
Apenas o item III é falso.
Apenas os itens I e II são falsos.
Todos os itens são falsos.
Atrelada aos interesses europeus, a África e os africanos reagiram de várias formas ao colonialismo, desde as primeiras décadas do século XX, mesmo que essa reação nem sempre tivesse sido orientada por planos bem definidos ou por uma ideologia anticolonial. Essa posição mudou no período posterior à Segunda Guerra Mundial, quando o colonialismo foi posto em questão na Ásia e em todo o continente africano, através de movimentos organizados que pressionaram as metrópoles e promoveram as independências em seus respectivos países. A análise da colonização da África durante os séculos XIX e XX, permite afirmar que:
Os povos locais não representaram resistência às potências colonizadoras
As metrópoles iniciaram projetos de descolonização no início do século XX.
O processo de independência das colônias ganhou força na segunda metade do século XX.
Os movimentos de resistência da primeira década do século XX tinham orientação socialista.
Os africanos passaram a organizar formas de resistência a partir da Segunda Guerra Mundial.
A temática da diversidade tornou-se pauta obrigatória para os sistemas escolares nas últimas décadas. Proveniente de demandas dos movimentos sociais – em particular do Movimento Negro, desde o início do século XX, e, mais recentemente, na década de 1980, do Movimento de Trabalhadores em Educação – a diversidade foi sendo gradualmente incorporada aos currículos tanto a partir de práticas de professores que reconheceram a necessidade de atuar em prol de uma reeducação das relações raciais quanto em decorrência das imposições previstas pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que instituíram a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura afrodescendente, africana e indígena. Apesar disso, a tarefa não tem sido realizada de forma pacífica, uma vez que a realização efetiva das mudanças que essa agenda requer implica no enfrentamento de aspectos centrais do chamado sistemamundo moderno-ocidental, o qual pressupõe a raça e o racismo como seus elementos estruturantes e constituintes.
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(QUIJANO, 2005.)
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A BNCC (Base Nacional Curricular Comum) traz em vários momentos a discussão sobre a diversidade e preconiza dentre outros aspectos relativos a essa temática:
A abordagem do tema de forma a colocar em evidência o desvelamento das estruturas de poder, reivindicando currículos e práticas educativas voltadas às diferenças.
A fragmentação estrutural e definitiva dos grupos sociais diversos, através de paradigmas mais rígidos que garantam um Brasil uno, igual, livre de preconceitos e discrepâncias sociais.
O elogio sistemático e pedagógico às diferenças, pluralidades e diversidades visando esvaziamento e apaziguamento das diferenças exterminando, assim, qualquer conflito social.
A urgência da apropriação, a partir do ensino, de argumentos ou bandeiras de lutas mais radicais e efetivas, para que os grupos minoritários assumam de vez o protagonismo da sociedade.