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Um paciente de 58 anos e 90 kg encontra-se internado há 24 horas com história de fadiga, anorexia, perda de peso, hipertermia e dor abdominal. Sua história patológica pregressa inclui hipertensão arterial, litíase renal e uso recente de antibioticoterapia devido a infecção do trato urinário. Seus exames laboratoriais revelam um aumento da creatinina sérica em 2,5 vezes tendo apresentado volume urinário de 80 mL nas últimas 4 horas. Sua excreção fracionada de sódio é de 4% e muitos cilindros granulosos grosseiros são vistos na microscopia urinária. No mesmo exame não são encontrados hemácias, leucócitos ou eosinófilos.
A provável fisiopatologia desse quadro é
hipovolemia.
necrose tubular aguda.
glomerulonefrite aguda.
obstrução do trato urinário.
nefrite intersticial aguda.
Assinale a alternativa que descreve corretamente o quadro de um paciente candidato à mobilização em terapia intensiva.
Escala de sedação RASS +4, pressão arterial sistólica 100 mmHg, temperatura central 36 graus celsius.
Fraqueza muscular respiratória, em desmame de ventilação mecânica, saturação periférica de oxigênio 88% com fração inspirada de oxigênio de 0,6.
Hipoativo no leito, colaborativo, força muscular preservada, PAS 160 mmHg e sem sinais de desconforto respiratório.
Pressão intracraniana 10mmHg, pressão arterial sistólica 90mmHg, saturação periférica de oxigênio 90%, fração inspirada de oxigênio 0,6.
Sedado com pressão intracraniana de 36mmHg, temperatura central de 32 graus celsius.
Um paciente encontra-se internado após ingesta intencional de 30 g de paracetamol junto com considerável quantidade de álcool. A mensuração na escala de Glasgow caiu de 12 na admissão no CTI para 8, horas após a admissão.
A causa mais provável para esse quadro é
edema cerebral.
acidente vascular cerebral.
sangramento intracerebral.
uremia secundária a falência renal aguda.
encefalopatia hepática secundária a doença hepática crônica secundária.
São recomendações de ventilação mecânica para pacientes com síndrome da angústia respiratória aguda, EXCETO:
Volume corrente 4-8 ml/kg.
Pressão de distensão menor do que 20 cmH20.
Posição prona em pacientes com relação PaO2/FiO2 < 150 mmHg.
Manobras de recrutamento alveolar monitoradas por imagem.
ECMO veno-venoso em pacientes com PaO2 < 80 por 06 horas.
Um jovem, vindo da Emergência, é internado no CTI com história de ter sido encontrado em casa, por parentes, e de ter admitido a ingestão de 15g de paracetamol 10 horas antes. Na Emergência, foram administrados carvão ativado, infusão de N-acetilcisteína e 2L de cristaloide. Após 24h, encontra-se com Glasgow 14, e níveis séricos: pH 7,34, INR 5,7, potássio 4,4 mEq/L, creatinina 3,2mg/dL e lactato de 2,8 mmol/L. Não há sinais de sangramento ativo.
O próximo passo na conduta deve ser
infusão de bicarbonato sérico.
infusão de plasma fresco.
inclusão do paciente na lista de transplante de fígado.
terapia de reposição renal.
administração de vitamina K.
Paciente vítima de queimadura hemifacial (toda a hemiface) por água quente, lesões de 2º grau profundas e lesões no tórax anterior, perfazendo 17% de SCQ. Satura 98% em ar ambiente e não apresenta tosse ou estridor. Qual é a conduta mais segura no caso?
Entubação para proteção de vias aéreas.
Entubação e corticoide imediato para edema de vias aéreas.
Alta para casa, com óleo mineral na face e sulfadiazina no tórax e orientação de hidratação oral vigorosa.
Observação em unidade de queimados, hidratação e analgesia.
Entubação e posterior fibrobroncoscopia para diagnóstico de lesão de vias aéreas.
Um politraumatizado é admitido no CTI vítima de trauma craniano com hematoma subdural, contusões frontais, fraturas de costelas no hemitórax esquerdo e uma fratura de tíbia após uma queda de 6 metros. O tratamento neurológico foi definido como conservador com manutenção da pressão intracraniana em 18 mmHg com o paciente sob sedação por 48h após a avalição da tomografia computadorizada de crânio (TCC) pela neurocirurgia. Há também ausência de anormalidades na coluna cervical.
Considerando-se que o paciente ficará em coma assistido, a conduta a ser feita em relação ao colar cervical instalado no paciente é
trocar para um colar do tipo Aspen.
manter esse colar até nova revisão da Neurocirurgia.
solicitar uma ressonância magnética da coluna cervical.
manter a imobilização cervical até o paciente acordar.
retirar o colar cervical.
Uma paciente de 81 anos foi submetida recentemente a cirurgia cardíaca na qual foi instalado um marcapasso epicárdico temporário, que foi programado para o modo DDD com frequência de 90bpm. Você é informado pela enfermeira dos seguintes sinais vitais no momento: FC=35 bpm, PA= 72/40 mmHg, FR 16 irpm, SaO2= 96% com uma FiO2 de 50%, Glasgow 13. No ECG foi verificado um alargamento dos complexos QRS na frequência de 35 bpm. Espículas no marca-passo são vistas no ritmo de 90bpm.
A próxima conduta deve ser
trocar as baterias do marcapasso.
aumentar a frequência do marcapasso.
mudar para uma forma alternativa de regulagem.
aumentar a voltagem do débito.
diminuir a sensibilidade do marcapasso.
Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a sepse representa uma das principais causas de morbimortalidade. O rápido reconhecimento e o manejo adequado do foco infeccioso são cruciais para o desfecho clínico. Em relação à investigação e ao manejo do foco abdominal como origem de sepse em pacientes críticos, analise as afirmações a seguir:
A tomografia computadorizada (TC) de abdome é o exame de imagem de escolha para a investigação inicial de sepse de origem abdominal, devido à sua alta sensibilidade e especificidade para a detecção de coleções intra-abdominais e perfurações de vísceras ocas.
A dosagem sérica de procalcitonina é um biomarcador específico para infecções abdominais e seu valor preditivo negativo exclui a necessidade de investigação por imagem em pacientes com suspeita de sepse de foco abdominal.
Em pacientes com sepse de origem abdominal, a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada precocemente, mas a abordagem cirúrgica ou intervencionista para controle do foco deve ser postergada até a estabilização hemodinâmica completa.
A presença de pneumoperitônio em um paciente com sepse de origem abdominal é um achado radiológico que indica a necessidade de laparotomia exploradora de emergência, independentemente da estabilidade clínica.
A ultrassonografia à beira do leito é um método rápido e não invasivo para avaliação inicial de pacientes críticos com suspeita de foco abdominal, mas sua sensibilidade é operador-dependente e limitada na presença de distensão gasosa intestinal.
Um paciente de 49 anos portador de uma DPOC é internado no CTI com agudização da doença devido a uma infecção. Encontra-se dispneico e é tratado inicialmente com nebulização com broncodilatadores, corticoide IV e antibioticoterapia IV. Uma hora depois de iniciado o tratamento, o paciente permanece taquipneico com frequência respiratória de 28 irpm, saturação de oxigênio de 88% e escala de Glasgow de 15. Na gasometria encontramos o seguinte resultado: pH: 7,24, PCO2: 70 mmHg e PO2: 58 mmHg.
A melhor conduta na sequência é
repetir a nebulização com broncodilatadores.
aplicar ventilação não invasiva.
infusão de cetamina venosa.
bolus de aminofilina venosa.
associar um segundo antibiótico venoso.
Sobre as indicações da Hemodiálise Estendida de Baixa Eficiência (SLED) em pacientes críticos, é correto afirmar que:
É contraindicada em pacientes com coagulopatia grave por necessitar de anticoagulação plena com heparina não fracionada durante todo o procedimento.
Apresenta como vantagem principal a remoção ultrarrápida de solutos em 4 horas, sendo ideal para correção emergencial de hipercalemia refratária em choque cardiogênico.
Possui maior tolerância hemodinâmica quando comparada à hemodiálise convencional por utilizar fluxos sanguíneos reduzidos (100-200 mL/min) e duração de 6-12 horas.
Tem como desvantagem principal a necessidade de interrupção para procedimentos diagnósticos, impossibilitando seu uso em pacientes com múltiplas comorbidades.
É indicada exclusivamente em pacientes com clearance de creatinina inferior a 15 mL/min, devido ao alto custo operacional quando comparada à diálise peritoneal.
Um paciente de 44 anos é admitido no CTI com dor torácica e agitação. Ele é usuário de cocaína e admite ter usado a droga nesse mesmo dia. Apresenta, em seu ECG, uma elevação do segmento ST nas derivações V1-V4. Apresenta história pregressa de tabagismo, hipertensão arterial e hiperlipidemia. Sua pressão arterial no momento é de 220X130 mmHg.
A melhor conduta imediata é
fenoxibenzamina intravenosa.
angiograma coronariano por tc.
administração de betabloqueadores intravenosos.
trombólise urgente.
sedação do paciente.
Uma mulher de 30 anos com esclerose múltipla progressiva e depressão é encontrada por sua mãe caída em casa. É trazida pela ambulância para a Emergência e daí para o CTI. Na escala de Glasgow apresentava uma grau 3 e nos sinais vitais hipotensão arterial (75/30 mmHg), bradicardia (38 bpm), além de hipotermia (34 C) e bradipnéia (6 irpm). A glicemia está normal. Está comatosa, com pupilas fixas bilateralmente. Reflexos de tronco cerebral ausentes e paralisia flácida com reflexos tendinosos ausentes. Suas medicações usuais incluíam drogas antidepressivas e para a esclerose múltipla.
A provável medicação responsável pelo quadro clínico apresentado, é
Amiltriptilina.
Baclofeno.
Diazepam.
Gabapentina.
Quetiapina.
Para o controle da hemorragia digestiva alta, uma das ferramentas que pode ser utilizada em pacientes graves é o balão de Sengstaken-Blackemore.
Sobre essa ferramenta, assinale a afirmativa correta.
O balão provê controle definitivo do sangramento das varizes gastroesofagianas em 90% dos casos.
O sangramento que se origina de úlceras gástrica no fundo gástrico apresentam melhor resposta ao tratamento com o balão em comparação com lesões em região pilórica.
A inserção do balão requer anestesia geral com intubação traqueal para prevenção da broncoaspiração
O tubo consiste de quatro partes: um balão gástrico, um balão esofagiano, uma via de sucção gástrica e uma via de sucção esofagiana.
O tubo pode ser inserido por via nasal ou por via oral.
Em um paciente com cetoacidose diabética, inicia-se o tratamento com reposição da volemia, que pode levar à melhora da acidose. Sabe-se que a reposição de potássio deve ser iniciada precocemente, pois mesmo que o nível de potássio esteja normal à medida que o nível do pH sobe, o nível do potássio sérico cai.
Para cada 0,1 de variação de pH, pode-se esperar quanto de variação no nível sérico de potássio?
0,1 a 0,2 mEq/L.
0,3 a 0,4 mEq/L.
0,5 a 0,6 mEq/L.
0,7 a 0,8 mEq/L.
0,9 a 1,0 mEq/L.
Um médico está realizando a avaliação de um paciente idoso em ambiente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com hipótese de delirium. Para fazer a confirmação de diagnóstico de delirium, a variabilidade, atenção e consciência devem ser, respectivamente:
Curso crônico – variabilidade progressiva – atenção e consciência alteradas.
Curso agudo – variabilidade flutuante – atenção e consciência alteradas.
Curso agudo – variabilidade progressiva – atenção e consciência mantidas.
Curso crônico – variabilidade flutuante – atenção e consciência alteradas.
Curso agudo – variabilidade flutuante – atenção e consciência mantidas.
O manejo da síndrome de baixo débito cardíaco (SBDC), após a circulação extracorpórea (CEC), é vital para melhorar os resultados pós-operatórios em crianças submetidas a cirurgia cardíaca. Nesse caso, a abordagem de manejo correta é:
expansão do volume para aumento da pré-carga, que é comumente necessária, seguida pelo uso apropriado de agentes vasoativos
restrição de estratégias de shunt da direita para a esquerda no nível atrial em face da disfunção pósoperatória esperada do ventrículo direito
saturação arterial de oxigênio, pH do sangue total e bicarbonato são medidas comumente usadas para avaliar a adequação da perfusão tecidual
contraindicação do uso de estimulação atrioventricular nos quadros de bloqueio cardíaco completo ou atrasos prolongados na condução interventricular e contração assíncrona
Você é solicitado a avaliar um paciente que se encontra em UTI com diagnóstico de TEP secundário a uma TVP.
Trata-se de uma paciente de 58 anos, com histórico de câncer de útero com infiltração pélvica e com edema importante em MIE há 2 meses. A paciente é hipertensa e evoluiu com quadro de dispneia, foi ao PA que, pelo exame clinico, avaliou como provável TVP e pediu uma angioTC de tórax que demonstrou trombo central em artéria pulmonar D, e alguns ramos sub segmentares em LIE. Apresenta sinais de aumento da artéria pulmonar e relação VD/VE aumentada. A paciente apresentava-se com desconforto respiratório leve, necessitando cateter de O2 1l/min para manter sat >93%. Tinha PA em torno de 100x50 com noradrenalina em doses baixas, a troponina estava elevada, o BNP elevado. Estava em uso de enoxaparina em dose plena.
Em relação ao caso descrito, qual a interpretação e conduta adequadas?
Paciente com PESI risco intermediário baixo. Realizar expansão volêmica, desmame da noradrenalina, realizar um ECO e um doppler de MMII para avaliação de possíveis trombos flutuantes em MMII, e no VD, trocar enoxaparina para heparina IV em bomba.
Paciente deve ter um TEP crônico, manter heparinização em BIC, programar uma arteriografia pulmonar para decidir sobre tromboendarterectomia pulmonar.
Paciente com PESI risco intermediário alto. Manter enoxaparina, realizar um doppler de MMII e programar um implante de filtro de cava de MMII, desmame da droga vasoativa de acordo com a evolução clínica. Considerar trombólise em caso de deterioração hemodinâmica.
Paciente com risco PESI alto. Realizar trombólise química se não houver contraindicação absoluta, após manter heparina IV em dose plena, monitorização hemodinâmica e de sangramentos rigorosa.
Paciente com risco PESI alto, se disponível, indicar trombectomia mecânica; se não disponível, manter heparinização em bomba até melhora clínica, e, então, substituir por NOACs.
O choque é definido como um estado agudo e complexo de disfunção circulatória ou metabólica que resulta na entrega insuficiente de oxigênio e nutrientes para as necessidades metabólicas dos tecidos. Sobre a fisiopatologia do choque, deve-se considerar que o(a):
estabilização da macro-hemodinâmica reflete a melhora da microcirculação e oxigenação dos tecidos
adequação do transporte de oxigênio pode não refletir hipoperfusão regional ou isquemia localizadas
uso de vasopressor é importante no choque obstrutivo, para manter a perfusão coronária
valor do lactato sérico está diretamente relacionado a infecção que o paciente apresenta
Assinale a alternativa correta em relação às infecções por bactérias multirresistentes na Unidade de Terapia Intensiva.
São fatores de risco para a aquisição de bactérias multirresistentes o uso de imunossupressão, a presença de comorbidades, a falta de higiene no domicílio e as condições socioeconômicas ruins.
A pressão antimicrobiana seletiva não interfere no aumento de bactérias multirresistentes, mas é um parâmetro normalmente acompanhado pela Comissão de Infecção Hospitalar para que se conheça as bactérias presentes no ambiente hospitalar e sua resistência.
As principais bactérias multirresistentes no ambiente de Terapia Intensiva são Estafilococos aureus, Enterococos faecium, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa e o Mycoplasma pneumoniae.
A permanência prolongada na Unidade de Terapia Intensiva e o uso prolongado de antibióticos e antifúngicos associados a uma má prática de higiene no hospital são fatores importantes na aquisição de resistência bacteriana.
Novos antibióticos têm surgido no mercado para contrabalancear o problema das bactérias multirresistentes, como a linezolida para os enterococos resistentes à vancomicina e ceftazidima com avibactam ou imipenen com cilastatina e relebactam para os bacilos gram negativos multirresistentes.