Questões de Concurso sobre Medicina intensiva pediátrica

 
 
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Um paciente de 7 anos encontra-se internado em UTI pediátrica devido a queimaduras que acometem 40% da superfície corpórea. Está intubado e em ventilação mecânica, sem necessidade de drogas vasoativas. Nas últimas 24 horas, apresentou piora ventilatória importante (radiografia de tórax a seguir). Não apresenta disfunção hemodinâmica grave; ecocardiograma funcional sem alterações.


Imagem associada para resolução da questão


(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)


No momento, encontra-se em modo assistido-controlado, pressão controlada, com os seguintes parâmetros: PEEP: 8 cmH20; frequência respiratória: 30 irpm; pressão controlada (acima do PEEP): 18 cmH2O; tempo inspiratório: 0,8 s; FiO2: 100%: média de volume corrente: 7 mL/kg; pressão média das vias aéreas (Paw): 15 cmH20. Gasometria arterial: pH: 7,24; pCO2: 60; pO2: 100; bic: 23; BE: —2; SatO2: 84%.


Com base nos dados apresentados, assinale a alternativa que contenha o valor mais adequado do Índice de Oxigenação (IO) e a melhor conduta ventilatória a ser instituída nesse momento.


A

IO: 15 — Aumentar PEEP para 10, tentar baixar PC para 15, objetivando volume corrente de 4 a 6 mL/kg por ciclo ventilatório, diminuir FR para 25; tolerar hipercapnia até pH de 7,2.


B

IO: 18 — Aumentar PEEP para 12, tentar baixar PC para 15, objetivando volume corrente de 4 a 6 mL/kg por ciclo ventilatório; tolerar hipercapnia até pH de 7,15.


C

IO = 15 — Aumentar PEEP para 10, aumentar PC para 20, objetivando melhora do volume corrente e da hipercapnia; diminuir FR para 22.


D

IO = 18 — Aumentar PEEP para 10, manter PC em 18, com alvo de volume corrente de 6 a 8 mL/kg por ciclo ventilatório; diminuir FR para 25.

Com relação à punção venosa profunda percutânea em terapia intensiva pediátrica, assinale a alternativa correta.


A

A punção venosa central percutânea deve ser realizada na emergência, inclusive na parada cardiorrespiratória, pois o acesso vascular é prioridade para a infusão de drogas inotrópicas e vasopressoras.


B

A veia jugular interna é o sítio de escolha na emergência pediátrica pela facilidade de localização e pela menor taxa de complicações.


C

A punção do sítio subclávio está associada a menor incidência de infecção e maior conforto para o paciente. Assim, em função desses benefícios, deve ser sempre tentado inicialmente, mas se houver falha na punção desse acesso, outros sítios devem ser considerados.


D

A veia femoral é um sítio muito utilizado por médicos na emergência pediátrica, pois é de fácil acesso, está distante dos principais locais de atividade na ressuscitação cardiopulmonar e está associada a menor taxa de complicações agudas graves do que outros sítios de punção na pediatria.


E

O uso da ultrassonografia para auxiliar na punção venosa central é recomendado na pediatria e em muitos serviços é obrigatória a sua utilização para reduzir os riscos inerentes ao procedimento. Para a punção venosa, deve-se utilizar os transdutores convexos, pois facilitam a visualização de estruturas mais profundas.

Uma menina de 10 anos com diagnóstico prévio de artrite idiopática juvenil sistêmica é internada na UTI com febre persistente, hepatosplenomegalia e petéquias difusas. Durante a internação, apresenta rebaixamento do nível de consciência e hipotensão progressiva. Os exames laboratoriais revelam citopenia em duas linhagens celulares, elevação de ferritina (>10.000ng/mL), aumento de transaminases, coagulopatia e hipertrigliceridemia. Diante desse quadro clínico, a principal hipótese diagnóstica é:


A

púrpura trombocitopênica imunológica


B

síndrome de ativação macrofágica


C

anafilaxia medicamentosa


D

leucemia linfocítica

De acordo com as diretrizes mais recentes (PALICC-2, 2023), qual dos critérios a seguir é mais crítico para o diagnóstico de PARDS (síndrome do desconforto respiratório agudo pediátrico), em uma criança ventilada de forma não invasiva?


A

Presença de edema pulmonar cardiogênico detectado por ecocardiografia.


B

Hipoxemia definida por uma relação PaO2 /FiO2 menor ou igual a 300 em pacientes ventilados de forma não invasiva por um tempo conhecido de desenvolvimento dos sintomas.


C

Início súbito de insuficiência respiratória grave em até quatro dias, associado à necessidade de ventilação não invasiva.


D

Evidência clínica de disfunção ventilatória sem alteração evidente em imagens torácicas.


E

Aumento progressivo do espaço morto pulmonar associado a redução da complacência pulmonar e acidose metabólica grave.

Considerando uma criança cirrótica que apresenta bilirrubina direta de 10 mg/dL (normal < 0,3 mg/dL) e tem uma alimentação adequada para idade, quais vitaminas podem estar deficientes e necessitam ser acompanhadas e suplementadas se necessário?


A

Vitaminas A, B, E e Cianocobalamina.


B

Vitaminas A, D, E e K.


C

Vitaminas D, B12, Ácido fólico e K.


D

Vitaminas A, D, Homocisteína e K.


E

Vitamina E, K e C.

Considerando uma menina de 10 anos, classificada como paciente grande queimado, que inalou fumaça durante incêndio, o manejo deve considerar que:


A

como sepse em queimado é uma das complicações mais frequentes, o antibiótico profilático deve ser iniciado no momento da chegada ao hospital


B

para reposição hídrica nas primeiras 24 horas, é necessário ajustar o volume conforme a diurese do paciente, que deve ser mantida em torno de 1mL/kg/h


C

se a paciente evoluir para intubação orotraqueal e apresentar raio X (RX) de tórax normal, não é necessário realizar broncoscopia diagnóstica para confirmar a lesão por inalação, nem para avaliar a gravidade


D

todas as extremidades com queimaduras circunferenciais de espessura total devem ser elevadas, para minimizar a formação de edema, e avaliadas a cada hora, para verificar os sinais de comprometimento vascular, não necessitando de avaliação do fluxo sanguíneo por Doppler

Durante uma reunião de equipe em um hospital pediátrico, discute-se a abordagem para o reconhecimento e tratamento da sepse em crianças. Qual das afirmações sobre a sepse em pediatria é correta?


A

O uso de antibióticos deve ser iniciado, imediatamente, após a confirmação do diagnóstico de sepse.


B

A administração de fluidos intravenosos é uma parte essencial do manejo inicial da sepse pediátrica.


C

A sepse não pode ocorrer em crianças saudáveis, pois geralmente está associada a condições subjacentes.


D

A sepse em crianças, geralmente, se apresenta apenas com febre alta e alteração do nível de consciência.

Criança de 6 anos vítima de queda de altura (aproximadamente 5 metros) é admitida na emergência com ausência de movimentos e sensibilidade nos quatro membros, priapismo, respiração diafragmática e hipotensão (PA 70x40 mmHg) com bradicardia (FC 55 bpm), apesar de hidratação venosa inicial. A ressonância magnética da coluna cervical evidencia fratura-luxação instável em C5-C6 com compressão medular significativa e edema. Após estabilização clínica inicial, é submetida à descompressão medular e artrodese cervical posterior de urgência. No pós-operatório imediato na UTI pediátrica, qual das seguintes combinações de cuidados e monitorizações é mais crucial para prevenir complicações secundárias e otimizar o prognóstico neurológico e sistêmico dessa criança com choque neurogênico e lesão medular cervical alta?


A

Manter sedação profunda para evitar agitação, restringir fluidos para prevenir edema pulmonar e iniciar nutrição parenteral total em 48h devido ao provável íleo paralítico.


B

Monitorização hemodinâmica, uso criterioso de vasopressores (por exemplo, noradrenalina) para manter PAM alvo, suporte ventilatório com atenção à capacidade vital e mecânica respiratória, profilaxia para tromboembolismo venoso (TEV) conforme faixa etária e cuidados rigorosos com a pele e posicionamento.


C

Estimulação elétrica funcional precoce dos membros para manter tônus muscular, uso de altas doses de metilprednisolona conforme protocolo NASCIS II e restrição proteica na dieta para evitar sobrecarga renal.


D

Manter colar cervical rígido continuamente, mesmo após fixação cirúrgica, permitir hipotensão permissiva (PAM >50 mmHg) para não sobrecarregar o coração e iniciar fisioterapia motora passiva e ativa intensiva nas primeiras 24 horas.


E

Realizar hipotermia terapêutica moderada (34-35 °C) por 72 horas para neuroproteção medular, manter o paciente em decúbito dorsal estrito para estabilidade da coluna e iniciar cateterismo vesical intermitente apenas após 7 dias, para evitar infecção.

Menina de 2 anos foi levada ao hospital devido a sonolência, taquipneia, dor abdominal e poliúria 24 horas após comemoração do seu aniversário. No exame físico, apresentou-se sonolenta, com mucosas secas, pulsos periféricos filiformes, pupilas isofotoreagentes, sem déficits focais, respiração rápida e profunda, auscultas pulmonar e cardíaca normais, abdômen difusamente doloroso. O resultado dos exames laboratoriais foi: leucometria = 19.100/mcL, proteína C reativa (PCR) negativo, sódio = 129mEq/L, potássio = 2,7mEq/L, ureia = 45mg/dL, creatinina = 1,4mg/dL, glicemia = 482mg/dL, gasometria pH = 6,9, pCO2 = 19, pO2 = 102, bicarbonato = 4,2, BE = 23,8, SatO2 = 98. Tendo em conta que a paciente está com acidose grave, hiponatremia, desidratação e ausência de diurese, o tratamento deve considerar que a(s):


A

insulina deve ser interrompida quando a glicemia atingir níveis abaixo de 250mg/dL e pH normal, independentemente do valor de bicarbonato


B

antibioticoterapia deve ser iniciada, já que tanto o choque quanto a leucocitose, a acidose e a hiperglicemia decorrem do quadro basal de sepse


C

complicações trombóticas são comuns, por isso devem-se evitar acessos venosos centrais, mas, em caso de instalação, tentar retirada precoce e/ou avaliar profilaxia com heparina


D

prescrição de hidratação vigorosa com solução salina hiperosmolar, reposição de insulina de início imediato, e avaliação de bicarbonato em caso de não resposta ao tratamento instaurado devem ser adotadas

Uma criança de 1,5 ano, 12 kg, 78 cm, foi vítima de queimadura – o quarto onde estava pegou fogo há cerca de uma hora. Ao dar entrada no hospital, observa-se uma superfície queimada de 45%, com queimaduras de segundo e terceiro graus, em face e cabeça, tronco e abdome anterior, além de braços. Notam-se presença de estridor inspiratório e desconforto respiratório moderado, pressão arterial de 80 x 50 e tempo de enchimento capilar de 2 segundos. A mãe relata que a criança estava tratando um quadro gripal desde um dia antes do acidente, mas não estava com desconforto respiratório.


Com relação ao atendimento inicial e ao prognóstico dessa criança, é correto afirmar que se deve obter dois acessos venosos, iniciar reposição de


A

135 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras oito horas e, depois de oito horas, de 67,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se ofertar oxigênio a 100% e realizar intubação em sequência rápida de intubação com succinilcolina + midazolam + fentanil. O prognóstico está associado ao fato de haver queimadura na via aérea superior.


B

154 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras sete horas e, depois, de 67,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se administrar soro de manutenção basal sem potássio, ofertar oxigênio a 100% e realizar intubação em sequência rápida de intubação com rocurônio + propofol + fentanil. O prognóstico está associado à idade e à superfície corpórea queimada.


C

100 mL/kg de soro fisiológico nas primeiras sete horas e, depois de oito horas, de 37,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se ofertar oxigênio a 100%, realizar nebulização com adrenalina e administrar dexametasona. O prognóstico está associado à presença de queimaduras de segundo e terceiro graus.


D

87,5 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras oito horas e, depois de oito horas, de 37,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se administrar soro de manutenção sem potássio, ofertar oxigênio a 100%, realizar nebulização com adrenalina e administrar dexametasona e antibiótico profilático. O prognóstico está associado ao fato de a criança estar infectada previamente ao acidente.


E

135 mL/hora de soro fisiológico nas primeiras oito horas e, depois de oito horas, de 67,5 mL/hora nas dezesseis horas seguintes. Deve-se ofertar oxigênio a 100% e realizar intubação em sequência rápida de intubação com succinilcolina + midazolam + fentanil. O prognóstico está associado à duração do tempo de exposição ao agente causador da queimadura.

A maior parte das apresentações clínicas da COVID-19 na faixa pediátrica ocorre de forma assintomática. No entanto, foram registrados casos graves de crianças e adolescentes, previamente hígidos, que desenvolveram uma síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) temporalmente associada ao COVID-19. A SIM-P compartilha algumas manifestações com a doença de Kawasaki, mas também apresenta características distintas. Uma manifestação clínica comum na SIM-P, porém rara na doença de Kawasaki, é:


A

edema nas extremidades


B

hiperemia conjuntival


C

exantema


D

choque

Bebê dá entrada no hospital, de madrugada, sendo avaliado com convulsão por hipoglicemia. No exame físico foi notado uma hepatomegalia importante e os exames iniciais demonstram acidose metabólica com lactato aumentado, hiperuricemia e hipertrigliceridemia. No hemograma há neutropenia grave (< 500). Exames hepáticos normais, incluindo transaminases, GGT, fosfatase alcalina, albumina, coagulograma e bilirrubinas. Com base nessas informações, qual a principal hipótese diagnóstica e o tratamento de uso contínuo que deve ser iniciado?


A

Deficiência de síntese de sal biliar, iniciar com amido de milho várias vezes ao dia.


B

Glicogenose do tipo 1a, iniciar com maltodextrina várias vezes ao dia.


C

Doença do xarope de bordo, dieta restritiva em leucina, isoleucina e valina.


D

Defeito da glicosilação tipo 1b, iniciar com suplementação de manose.


E

Glicogenose do tipo 1b, iniciar com amido de milho várias vezes ao dia.

Na manutenção de uma criança em morte encefálica para a possível doação de órgãos, pode ocorrer uma série de distúrbios eletrolíticos que precisam ser corrigidos.


Com relação a esses distúrbios eletrolíticos, assinale a alternativa correta.


A

A hipernatremia é comum e decorre do diabetes insípidos central, e a hiperglicemia também é frequente, devido à liberação de hormônios de estresse, como catecolaminas e cortisol, o que aumenta a gliconeogênese e a resistência à insulina. Ambas as correções são importantes para a preservação dos órgãos a serem doados, e é importante lembrar que a hiperglicemia leva a uma certa hiponatremia dilucional; assim, quando da sua correção, pode haver um aumento na natremia decorrente da correção da hiperglicemia.


B

Com relação aos distúrbios de potássio, a hipocalemia é mais comum devido ao frequente uso de diuréticos, e o potássio deve ser reposto rapidamente, pois uma parada cardiorrespiratória em hipopotassemia dificilmente é revertida. A velocidade de correção de potássio é de 0,5 a 1 mEq/kg/hora.


C

A hipocalcemia é um distúrbio frequente nos pacientes em morte encefálica devido à disfunção endócrina e ao metabolismo alterado do cálcio. Sua correção pode ser realizada com gluconato de cálcio ou cloreto de cálcio – 1 a 2 mL/kg endovenoso lento, de preferência com monitorização hemodinâmica, pois a infusão rápida de cálcio pode levar a uma bradicardia e a PCR.


D

A hipofosfatemia pode ocorrer devido ao aumento da demanda metabólica e à redistribuição intracelular de fosfato. Em geral, a correção é realizada com fosfato de potássio, sem preocupação com a sua velocidade de infusão, pois, como a criança frequentemente está com hipocalemia, a infusão do fosfato de potássio corrige ambos os distúrbios.


E

Frequentemente ocorre hiponatremia, devido à secreção inapropriada de hormônio antidiurético; para corrigir o quadro, é necessária a realização de restrição hídrica, além da administração de furosemida para eliminação da água livre.

Qual das seguintes condutas é a mais apropriada na abordagem inicial da hemorragia digestiva alta em uma criança com cirrose hepática compensada e varizes esofágicas previamente diagnosticadas?


A

Iniciar omeprazol intravenoso e observar evolução clínica antes de decidir por endoscopia.


B

Realizar ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides para manter a pressão arterial tendendo a alta.


C

Administrar antibiótico profilático e iniciar octreotida ou somatostatina precocemente.


D

Indicar transfusão de hemácias sempre que a hemoglobina estiver abaixo de 10 g/dL.


E

Priorizar a realização de tomografia de abdome antes de decidir pelo manejo endoscópico.

Na UTI pediátrica, o desenvolvimento de tolerância e dependência a opioides pode resultar na síndrome de abstinência iatrogênica. Considerando os fatores de risco, os mecanismos fisiopatológicos e as estratégias de monitorização dessa síndrome, é correto afirmar que a:


A

elevação progressiva das doses de opioides necessária para manter a sedação está relacionada à dessensibilização dos receptores e à regulação positiva de vias pós-receptoras


B

hipertensão e a taquicardia são sinais sensíveis para diagnóstico de abstinência a opioides, sendo utilizados na pontuação do Withdrawal Assessment Tool-1 (WAT-1)


C

descontinuação abrupta de opioides deve ser evitada nos pacientes a partir de nove dias de infusão contínua ou dose cumulativa acima de 5mg/kg de fentanil


D

síndrome de abstinência iatrogênica pode ser diagnosticada em pacientes pediátricos, utilizando os escores de Finnegan e Lipsitz

Lactente de 8 meses, que era portador de cirrose hepática por atresia das vias biliares sem cirurgia prévia, foi submetido a um transplante hepático com doador vivo aparentado (pai). O transplante transcorreu sem intercorrências, com peso do enxerto 3%, anastomoses boas de artéria hepática e veia porta, dreno abdominal com saída de secreção serossanguínea, sonda nasogástrica aberta, sonda vesical de demora, pressão arterial invasiva na artéria radial esquerda, cateter de duplo lúmen na jugular interna direita. O anestesista informa que realizou bloqueios abdominais no final da cirurgia. O lactente chega à UTI sedado, recebendo noradrenalina (0,02 mcg/kg/min), com PA estável, em ventilação mecânica controlada, saturando 99% em FiO2 de 35%, pressão controlada de 10 sobre PEEP de 6 com volume corrente adequado.


Assinale a alternativa correta com relação aos cuidados de pós-operatório e às metas assistenciais a serem alcançadas.


A

As principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento e dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, além de prescrever analgesia contínua com opiáceos e dipirona de horário. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas 24 horas, se o paciente passar no teste de respiração espontânea e não houver intercorrências na radiografia de tórax, suspensão de drogas vasoativas nas próximas horas, ajuste de imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manutenção da antibioticoterapia profilática e vigilância infecciosa. Manter dor controlada com escala de dor menor que 3.


B

As principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento, fazer transfusão de hemoderivados apenas se houver sangramento ativo, controlar a dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, controlar rigorosamente a diurese e o balanço hídrico. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário e opiáceos se houver dor, além de protetor gástrico, antibioticoterapia profilática e imunossupressão já iniciada no intraoperatório. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas horas, quando a criança acordar, se não houver intercorrências na radiografia de tórax, suspensão de drogas vasoativas, ajuste de imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manutenção da antibioticoterapia profilática e vigilância infecciosa. Manter dor controlada segundo nível de conforto do lactente.


C

As principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento e dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, controlar infecção. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário alternado com halexaminifeno e anti-inflamatório não hormonal, além de proteção gástrica. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas 48 horas se não houver intercorrências na radiografia de tórax, após teste de respiração espontânea, suspensão de drogas vasoativas nas próximas 24 horas. É desnecessária a imunossupressão, pois o doador é compatível. Deve-se manter antibioticoterapia terapêutica e vigilância infecciosa. Manter dor controlada e escore de sedação Comfort-B em torno de 10 a 12.


D

As principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento e dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário e opiáceos se houver dor. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação assim que a criança acordar, se não houver intercorrências na radiografia de tórax, suspensão de droga vasoativas e, assim que suspensa, sacar cateter de pressão arterial invasiva, sacar a sonda nasogástrica e alimentar a criança, se bem acordada, ajustar imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manter antibioticoterapia profilática e vigilância infecciosa. Manter dor controlada segundo nível de conforto do lactente.


E

As principais preocupações no pós-operatório são manter a volemia, controlar sangramento, manter coagulação dentro dos limites da normalidade à custa de transfusão de hemoderivados, controlar a dor, avaliar e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, controlar rigorosamente a diurese. Deve-se solicitar controles laboratoriais, radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal com doppler para avaliar permeabilidade da artéria hepática e veia porta, controlar o dreno abdominal a cada duas horas, prescrever analgesia com dipirona de horário e opiáceos se houver dor. As metas assistenciais a serem alcançadas são: extubação nas próximas horas, quando a criança acordar, se não houver intercorrências na radiografia de tórax, manutenção da droga vasoativa para manter boa perfusão das anastomoses, ajuste da imunossupressão conforme orientação da equipe de transplante, manutenção da antibioticoterapia profilática e da vigilância infecciosa. Manter dor controlada com infusão contínua de opioides, sacar a sonda vesical após a suspensão dos opiáceos.

Durante a ressuscitação cardiopulmonar em uma criança com ritmo chocável, qual é a sequência recomendada de ações após a primeira desfibrilação, incluindo o uso de medicamentos, conforme as diretrizes da American Heart Association de 2020?


A

Continuar com compressões torácicas por dois minutos antes de realizar nova desfibrilação e, na sequência, administrar amiodarona.


B

Realizar ventilação de resgate por um minuto, depois administrar epinefrina e continuar as compressões torácicas.


C

Administrar epinefrina imediatamente após a desfibrilação, seguida por compressões torácicas por dois minutos.


D

Continuar com compressões torácicas por dois minutos, avaliar ritmo cardíaco e, se o ritmo for chocável, realizar nova desfibrilação, voltar a administrar compressões e então administrar a primeira dose de epinefrina.


E

Reavaliar o ritmo cardíaco imediatamente após a desfibrilação e administrar amiodarona ou lidocaína antes de iniciar uma nova rodada de compressões.

Retorna ao consultório um bebê de 4 meses de vida devido à colestase neonatal com diversos exames solicitados: bilirrubina direta de 5,0 mg/dL, Gama GT e fosfatase alcalina normais, transaminases duas vezes o limite superior da normalidade, ácidos biliares séricos normais e ultrassonografia doppler de fígado e sistema porta normal. Segundo esses dados, qual a principal hipótese diagnóstica?


A

Atresia de vias biliares.


B

Síndrome de Alagille.


C

Deficiência de síntese de sais biliares.


D

Deficiência de BSEP (PFIC tipo 2).


E

Deficiência de MDR3 (PFIC tipo 3).

Paciente de 3 anos e 2 meses, internado na UTI pediátrica há 4 dias por trauma cranioencefálico grave (queda de televisão em polo cefálico após se apoiar no móvel). Tem tomografia de crânio com edema cerebral grave, inclusive com sinais de herniação. Evolui com coma arreativo e aperceptivo e com pupilas midriáticas fixas; sedação e analgesia contínuas pausadas há 48 horas, com manutenção do comprometimento neurológico. Não apresenta disfunção renal ou hepática. O médico é questionado sobre a abertura do protocolo de morte encefálica. No momento, o paciente está intubado com parâmetros ventilatórios moderados (com FIO2 de 100%), com gasometria arterial com pH = 7,44; pCO2 = 44; pO2 = 204; bic = 30; SatO2 = 98%, recebendo adrenalina a 0,2 mcg/kg/min. Sinais vitais com FC = 142 bpm; PA = 72 x 44 (58) mmHg; FR igual ao do ventilador (está em apneia); temperatura retal = 35,8ºC; SatO2 = 98%. Não apresenta distúrbios eletrolíticos nos últimos exames.


Assinale a alternativa que contém a condição apresentada pelo paciente que impede a abertura do protocolo de morte encefálica nesse momento.


A

A pCO2 na gasometria arterial abaixo de 45 mmHg.


B

A pressão arterial sistólica abaixo de 85 mmHg.


C

A temperatura central abaixo de 36ºC.


D

O uso de drogas vasoativas.

Paciente de 5 anos, com diagnóstico recente de leucemia mieloide aguda, internado em UTI e em indução com prednisona, daunorrubicina, ifosfamida e L-asparaginase. Hemograma: Hb 7,6 g/dL, leucócitos 165.000/mm³ (90% blastos), plaquetas 21.000/mm³. Está em uso de O2 por cateter (2 L/min) devido a infiltrado pulmonar bilateral e hipertensão arterial. Evolui subitamente com cefaleia, confusão mental e crise convulsiva. Com base no quadro clínico, foram realizadas quatro hipóteses diagnósticas.


Assinale a alternativa correta com relação a essas hipóteses.


A

Pode ser que se trate de PRES (encefalopatia posterior reversível), mais comum em pacientes com leucocitose importante.


B

Pode ser toxicidade neurológica relacionada à quimioterapia, especialmente por ciclofosfamida.


C

Pode ser acidente vascular cerebral, com indicação imediata de trombólise.


D

Pode ser síndrome de hiperviscosidade (leucostase), associada a sintomas respiratórios e neurológicos.

 
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