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Um paciente de 58 anos apresenta tosse seca crônica e dispneia progressiva associada a fadiga há 6 meses. Exame físico: crepitações finas bibasais, sem cianose. Realiza-se broncoscopia com LBA: linfócitos: 60%; neutrófilos: 10%; eosinófilos: 3%; relação CD4/CD8 = 0,75. Sorologias para doença autoimune foram negativas, e não há uso de drogas pneumotóxicas. Com base nos achados do LBA, qual é o diagnóstico mais provável?
Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI).
Sarcoidose pulmonar.
Pneumonia intersticial não específica (NSIP idiopática).
Pneumonite por Hipersensibilidade (PH).
Fibrose associada a doença autoimune soronegativa.
Sobre avaliação e diagnóstico de tromboembolismo pulmonar (TEP), segundo a diretriz da American Heart Association – AHA (2025), é INCORRETO afirmar que:
O escore PERC (Pulmonary Embolism Rule-out Criteria) deve ser utilizado nos pacientes com baixa probabilidade para TEP.
Nos pacientes com probabilidade intermediária para TEP deve ser realizado D-dímero associado ao escore YEARS.
Os pacientes de probabilidade intermediária com D-dímero maior ou igual a 500 ng/ml devem realizar exame de imagem, independentemente da pontuação no YEARS.
Os pacientes considerados de alta probabilidade para o diagnóstico de TEP devem sempre realizar exame de imagem.
A angiotomografia arterial de tórax é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico de TEP.
Quais distúrbios eletrolíticos podem estar associados à desidratação grave nos pacientes mencionados?
Hiponatremia, hipercalemia e hipercloremia.
Hiponatremia, hipercalemia e hipocloremia.
Hiponatremia, hipercalemia e hipernatremia.
Hiponatremia, hipocalemia e hipocloremia.
Hiponatremia, hipocalemia e hipercloremia.
Suponha a seguinte situação fictícia em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA):
Lactente de 6 meses no pico invernal com coriza, sibilância fina bilateral, saturação de O2: 92% em ar ambiente, afebril e sem fatores de risco como pré-termo e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica familiar. Teste rápido negativo para influenza e COVID-19.
Assinale a conduta apropriada para o manejo inicial do quadro:
Iniciar oseltamivir 3 mg/quilo, VO, a cada 12 horas, por 5 dias, considerando infecção viral sazonal e antibioticoterapia por sobreinfecção, com reavaliação em 48 horas.
Fornecer suporte com manutenção da hidratação, oxigenioterapia por cânula nasal se hipoxemia, monitorando para definir necessidade de internação.
Iniciar oseltamivir 3 mg/quilo, VO, a cada 12 horas, por 5 dias, considerando infecção viral sazonal e nebulização padrão com salbutamol e ipratrópio, com reavaliação em 48 horas.
Prescrever corticoide oral e salbutamol inalatório, avaliar a resposta, monitorando para definir necessidade de internação.
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para o Tratamento do Tabagismo do Ministério da Saúde, qual estratégia farmacológica é padronizada e disponibilizada no SUS para o tratamento da dependência de nicotina?
Terapia de reposição de nicotina (adesivo e goma) associada ou não à bupropiona.
Terapia de reposição de nicotina (TRN), bupropiona e vareniclina.
Apenas aconselhamento comportamental, sem farmacoterapia.
Citisina como primeira linha em todos os pacientes.
Uso exclusivo de cigarro eletrônico como estratégia de redução de danos.
Mulher de 29 anos, assintomática, enfermeira de unidade hospitalar, realizou rastreamento ocupacional e apresentou IGRA positivo. A radiografia de tórax é normal e não há história prévia de tratamento para tuberculose. Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, qual é a conduta mais adequada?
Iniciar imediatamente esquema básico para tuberculose ativa (2RHZE/4RH).
Repetir o IGRA em 6 meses antes de qualquer decisão terapêutica.
Não indicar tratamento, pois o IGRA não diferencia infecção latente de exposição passada.
Solicitar cultura de escarro seriada antes de indicar qualquer forma de tratamento.
Tratar infecção latente, podendo ser utilizado esquema com isoniazida ou rifampicina, após exclusão de TB ativa.
Mulher de 62 anos, com diagnóstico de bronquiectasias cilíndricas em lobos médios e inferiores, apresenta fadiga, perda ponderal de 4 kg e tosse purulenta há 4 meses. Duas culturas de escarro (coletadas em intervalos de 2 semanas) foram positivas para Mycobacterium avium complex (MAC). A TCAR de tórax demonstra nódulos centrolobulares com padrão de “árvore em brotamento” e novas áreas de consolidação cavitada. Com base no guideline da ATS/ERS/IDSA e da British Thoracic Society (BTS), qual é a estratégia terapêutica inicial correta?
Iniciar esquema quaternário com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol (RIPE), considerando a alta prevalência de tuberculose e a possibilidade de contaminação das culturas por MAC ambiental.
Prescrever monoterapia com claritromicina 500 mg (2 vezes ao dia), visto que o uso de múltiplos fármacos em pacientes com bronquiectasias deve ser evitado para reduzir a toxicidade e o risco de interações medicamentosas.
Iniciar regime combinado com uma claritromicina (ou azitromicina), etambutol e rifampicina, administrados pelo menos 3 vezes por semana ou diariamente, dependendo da gravidade e da presença de cavitação, mantendo o tratamento por no mínimo 12 meses após a negativação das culturas.
Iniciar ciprofloxacino associado à amoxicilina e clavulanato por 21 dias para tratar a exacerbação bacteriana purulenta e repetir as culturas de micobactérias após 3 meses de estabilidade clínica.
Indicar ressecção cirúrgica segmentar imediata como terapia de primeira linha, visando o controle do foco infeccioso e a prevenção da disseminação broncogênica da micobactéria para o pulmão contralateral.
Sobre o uso da alfa-1 antitripsina (AAT) na DPOC, segundo as recomendações atuais, assinale e alternativa correta.
A deficiência de AAT deve ser pesquisada apenas em pacientes com DPOC abaixo dos 45 anos.
O rastreamento deve ser realizado em todos os pacientes com diagnóstico de DPOC, independentemente da idade ou histórico tabágico.
Pacientes com fenótipo PiMZ devem receber terapia de reposição enzimática precocemente.
A TC de tórax com padrão de enfisema panacinar exclui a necessidade de dosagem sérica de AAT.
A espirometria com resposta significativa ao broncodilatador confirma a etiologia genética da DPOC.
Paciente inicia tratamento para tuberculose pulmonar com o esquema básico (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol). Após uma semana, retorna à unidade referindo suor e urina de coloração avermelhada, sem outros sintomas associados. Encontra-se em bom estado geral e nega dor, febre ou disúria. Qual é o fármaco mais provavelmente relacionado e a conduta correta nesse caso?
Rifampicina – suspender o tratamento e investigar hematúria por possível sangramento urinário.
Isoniazida – suspender o medicamento por suspeita de hepatotoxicidade e solicitar provas de função hepática.
Pirazinamida – reduzir a dose e prescrever hidratação venosa devido a efeito adverso grave.
Etambutol – suspender o fármaco e encaminhar para avaliação oftalmológica urgente.
Rifampicina – orientar o paciente sobre a ocorrência do evento e sua benignidade, mantendo o tratamento.
Uma mulher de 55 anos apresenta TEP agudo subsegmentar isolado, identificado incidentalmente em tomografia realizada por outro motivo. Ela é assintomática, não apresenta câncer ativo, tem boa reserva cardiopulmonar e a ultrassonografia de membros inferiores não apresenta trombose venosa profunda. Conforme as diretrizes existentes, qual é a conduta mais adequada?
Observação clínica, sem uso de anticoagulação, com vigilância adequada.
Anticoagulação plena, que é obrigatória em todos os casos de TEP subsegmentar.
Inserção imediata de filtro de veia cava inferior.
Trombólise sistêmica, pelo risco de progressão.
Anticoagulação indefinida, devido ao risco elevado de recorrência.
De acordo com o Manual de Abordagem e Tratamento do Fumante do INCA/Ministério da Saúde, qual é a principal indicação para o uso de farmacoterapia no tratamento do tabagismo?
Todo fumante, independentemente do número de cigarros.
Apenas fumantes com doenças respiratórias estabelecidas.
Apenas fumantes que já falharam em múltiplas tentativas prévias.
Fumantes com dependência moderada ou grave de nicotina, avaliada por instrumentos como o Teste de Fagerström.
Exclusivamente fumantes internados.
Homem de 61 anos, com derrame pleural unilateral à direita, moderado a volumoso, identificado à radiografia de tórax durante investigação de dispneia progressiva. Não há diagnóstico etiológico definido até o momento. O paciente encontra-se hemodinamicamente estável, sem sinais de insuficiência respiratória aguda. Considerando a abordagem inicial do derrame pleural unilateral de causa indeterminada, qual conduta é mais adequada para maximizar a segurança do procedimento e a acurácia diagnóstica?
Realizar toracocentese diagnóstica com base apenas em marcos anatômicos, desde que o derrame seja claramente visível à radiografia.
Solicitar tomografia computadorizada de tórax antes da toracocentese diagnóstica, mesmo em derrames volumosos e não loculados.
Postergar toracocentese diagnóstica até completa investigação etiológica não invasiva.
Utilizar ultrassom à beira-leito para confirmar a presença do derrame e guiar o local da punção, sempre que disponível.
Proceder à drenagem completa do derrame no primeiro procedimento, independentemente da sintomatologia.
Paciente de 48 anos, com diagnóstico de asma desde a idade adulta, que permanece mal controlada apesar do uso regular de corticosteroide inalatório em alta dose associado a LABA e LAMA. Apresentou duas exacerbações graves no último ano, ambas necessitando de corticosteroide sistêmico. Exames laboratoriais mostram eosinófilos no sangue periférico de 420 células/µL e fração exalada de óxido nítrico (FeNO) de 38 ppb. O IgE total é de 60 UI/mL, sem evidência de sensibilização alérgica clinicamente relevante. Foram revisadas técnica inalatória, adesão ao tratamento e comorbidades associadas, não sendo identificados fatores corrigíveis. Com base nas características clínicas e nos fenótipos de asma grave, assinale a alternativa que melhor justifica a indicação de terapia biológica para esse paciente.
A ausência de atopia clínica e o IgE total inferior a 100 UI/mL contraindicam o uso de qualquer terapia biológica.
O início da asma na idade adulta sugere maior probabilidade de resposta ao omalizumabe, independentemente dos biomarcadores inflamatórios.
O uso prévio de corticosteroide sistêmico em exacerbações elimina o benefício esperado das terapias biológicas atualmente disponíveis.
A presença de FeNO elevado isoladamente indica preferência obrigatória por terapias anti-IgE.
A presença de eosinofilia periférica associada a FeNO elevado caracteriza um fenótipo de asma grave com inflamação tipo 2, no qual terapias anti-IL-5, anti-IL-5R ou anti-IL-4Rα são opções apropriadas.
A displasia broncopulmonar (DBP) é uma doença pulmonar crônica que afeta principalmente recém- -nascidos prematuros extremos (< 28 semanas de gestação ou < 1.000 g), caracterizada por dependência prolongada de oxigênio suplementar.
Assinale a alternativa que indica corretamente a etiologia mais comum da DBP, responsável por até 80-90% dos casos em prematuros ventilados.
Infecção congênita por vírus sincicial respiratório (VSR) sem ventilação, causando fibrose alveolar difusa e dependência de O₂ isolada, sem relação com prematuridade.
Malformação congênita das vias aéreas (ex.: atresia brônquica), com obstrução crônica e hiperinsuflação desde o nascimento, independentemente de suporte ventilatório neonatal.
Exposição ambiental pós-natal a poluentes, como fumaça de cigarro, levando à inflamação alérgica e sibilos recorrentes em lactentes a termo sem história de prematuridade.
Exposição prolongada a oxigênio suplementar em altas concentrações e ventilação mecânica invasiva, levando à lesão oxidativa e inflamatória no pulmão imaturo de prematuros com síndrome do desconforto respiratório.
Deficiência genética de surfactante pulmonar isolada, causando colapso alveolar agudo sem necessidade de O2 prolongado ou ventilação em prematuros.
No exame físico do tórax, a ausculta pulmonar identifica sons adventícios patológicos. O som descontínuo, explosivo, de curta duração, predominante na inspiração, causado por abertura súbita de vias aéreas colapsadas, característico de fibrose pulmonar, denomina-se:
Sibilos expiratórios musicais polifônicos.
Roncos inspiratórios de baixa frequência.
Estridor laríngeo inspiratório agudo.
Atrito pleural bifásico contínuo.
Crepitações finas tipo velcro.
Para fins de vigilância epidemiológica e definição de esquema terapêutico no Brasil, define-se um caso de Tuberculose Multirresistente (TB-MDR) quando a cepa de Mycobacterium tuberculosis apresenta resistência in vitro confirmada, simultaneamente, aos fármacos:
Rifampicina e Pirazinamida.
Isoniazida e Etambutol.
Rifampicina e Estreptomicina.
Rifampicina e Isoniazida.
Isoniazida e Pirazinamida.
Durante atendimento em Unidade de Pronto Atendimento, um médico avalia um paciente idoso, ex-tabagista, com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que apresenta febre, tosse produtiva e taquipneia. Ao exame físico, detectam-se crepitações em base pulmonar direita. Após avaliação clínica, é iniciado o tratamento empírico para pneumonia adquirida na comunidade (PAC).
Considerando-se os critérios clínicos e recomendações atuais para o manejo da PAC, verifica-se que
a combinação de um β-lactâmico com um macrolídeo é preferível em pacientes hospitalizados com PAC moderada a grave, mesmo sem fatores de risco para MRSA ou Pseudomonas aeruginosa.
a monoterapia com fluoroquinolona deve ser evitada em pacientes com DPOC devido à alta resistência bacteriana observada nesse grupo.
a presença de DPOC exclui o uso de macrolídeos devido ao risco aumentado de prolongamento do QT, sendo preferível o uso isolado de cefalosporinas.
a inclusão de cobertura para MRSA deve ser rotina em todos os casos de PAC hospitalar, independentemente da gravidade ou de fatores de risco associados.
a terapia empírica inicial deve sempre incluir vancomicina, pois cobre amplo espectro de patógenos, inclusive os atípicos.
Em relação ao uso de corticosteroides na pneumonia adquirida na comunidade (PAC), assinale a alternativa correta.
Os corticoides estão indicados rotineiramente em todos os casos de pneumonia, independentemente da gravidade e da etiologia.
O benefício potencial dos corticoides na PAC grave está relacionado à modulação da resposta inflamatória sistêmica, podendo reduzir o tempo de ventilação mecânica e a mortalidade em pacientes selecionados.
A administração de corticoides deve ser preferencialmente evitada nos pacientes com pneumonia bacteriana grave, devido ao risco aumentado de superinfecção.
O uso de corticoides é especialmente recomendado nas pneumonias virais por influenza, por reduzir a replicação viral e a resposta inflamatória excessiva.
O esquema preferencial é prednisona oral em dose fixa de 40 mg/dia por cinco dias, sem necessidade de ajuste conforme evolução clínica.
Paciente masculino, 65 anos, portador de fibrose pulmonar idiopática (FPI), apresenta piora progressiva da dispneia nos últimos meses, em uso de oxigenoterapia domiciliar contínua e, nos exames, apresenta queda de 15% na CVF e 10% na DLCO nos últimos 6 meses. O ecocardiograma mostra pressão sistólica da artéria pulmonar de 58 mmHg. Ele refere tabagismo prévio (cessado há 10 meses). Durante a avaliação pré-transplante, foram identificados diabetes tipo 2 bem controlado, IMC 32 kg/m², creatinina 1,2 mg/dl e ausência de infecções ativas. Está em acompanhamento psicossocial adequado e aderente às condutas médicas. A respeito do caso clínico apresentado, assinale a alternativa correta.
A presença de hipertensão pulmonar associada à FPI contraindica o transplante devido ao aumento de mortalidade pré-operatória.
O IMC de 32 kg/m2 representa contraindicação absoluta ao transplante pulmonar.
A redução progressiva da função pulmonar e a necessidade de oxigenoterapia configuram indicação apropriada para avaliação de transplante nesse paciente.
A função renal desse paciente associada à diabetes tipo II constitui contraindicação absoluta ao transplante, por se tratarem de doenças sistêmicas graves e irreversíveis.
O tabagismo remoto permanece contraindicação absoluta, devido ao maior risco de bronquiolite obliterante no enxerto. Deve-se aguardar no mínimo 12 meses de abstinência.
Quanto ao uso da procalcitonina (PCT) na pneumonia adquirida na comunidade (PAC), informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) A procalcitonina deve ser utilizada isoladamente para definir a necessidade de antibioticoterapia na suspeita de pneumonia adquirida na comunidade.
( ) Valores de PCT ≤ 0,25 μg/L associados a teste viral positivo e baixa suspeita de coinfecção bacteriana permitem considerar a não introdução de antibiótico.
( ) A dosagem seriada de PCT, com repetição entre 4 e 6 horas, pode reduzir o risco de falso-negativos em apresentações precoces da infecção.
F – F – V.
F – V – F.
F – V – V.
V – F – F.
V – F – V.