Questões de Concurso sobre Paciente crítico

 
 
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Paciente de 55 anos, internado em UTI com pancreatite aguda grave, em ventilação mecânica, sem tolerância à dieta oral há 5 dias. Apresenta íleo funcional leve, peristaltismo presente e passagem discreta de gases. De acordo com as diretrizes da BRASPEN para pacientes críticos, a conduta nutricional mais adequada neste caso é:


A

iniciar nutrição enteral precoce via sonda nasojejunal, complementando com TNP apenas se houver intolerância significativa


B

iniciar TNP total imediatamente, fornecendo 100% das necessidades calóricas e proteicas, considerando que a via intravenosa garante aporte nutricional completo e evita risco de hipocaloria em pacientes críticos


C

aguardar melhora clínica total antes de iniciar qualquer terapia nutricional, considerando que o fornecimento precoce de nutrientes poderia aumentar o risco de necrose pancreática, sobrecarga metabólica e complicações infecciosas, mesmo em presença de sinais de peristaltismo


D

iniciar TNP parcial associada à dieta oral restrita imediatamente, tentando fornecer calorias máximas por múltiplas vias, mesmo com íleo funcional leve e discreta passagem de gases, assumindo que a combinação terapêutica minimizará a perda de massa magra e proteína, sem avaliar tolerância intestinal

Sobre o cuidado nutricional do paciente adulto crítico, de acordo com as recomendações da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN, 2019), analise os itens.


I. Pacientes críticos com previsão de permanecerem na unidade de terapia intensiva (UTI) por mais de 48 horas devem ser considerados como em risco de desnutrição. Esses pacientes devem ser avaliados quanto ao diagnóstico de desnutrição a partir de uma avaliação clínica geral que envolve exame físico, anamnese, avaliação da composição corporal, perda ponderal não intencional ou redução do desempenho físico antes da admissão na UTI, além de avaliação da força muscular, se possível.

II. Na escolha da via de alimentação, sempre que possível, deve-se optar pela via oral. Quando a via oral não for possível, deve-se iniciar precocemente a via enteral, preferencialmente de modo contínuo por meio de sonda nasoentérica em posição pós-pilórica em todos os pacientes.

III. A oferta de 70% do alvo energético é definida como terapia nutricional hipocalórica (underfeeding), enquanto a terapia nutricional trófica representa a oferta mínima de nutrientes capaz de prevenir a translocação bacteriana, e a oferta calórica excessiva (overfeeding) representa a oferta calórica superior a 110% do alvo energético. A terapia nutricional hipocalórica deve ser ofertada na fase aguda inicial da doença crítica.

IV. A oferta proteica para pacientes críticos deve ser de 1,3 gramas/kg/dia, desde o início da terapia nutricional, devido ao intenso catabolismo proteico decorrente da doença crítica.


Está CORRETO o que se afirma:


A

Apenas nos itens I e IV.


B

Apenas nos itens II e III.


C

Apenas nos itens II e IV.


D

Apenas nos itens I e III.

Segundo Toledo (2019), são benefícios do início precoce da dieta em doentes críticos:


A

prevenir a desnutrição e prevenir a perda de massa muscular.


B

reduzir a necessidade de drogas vasoativas e prevenir a desnutrição.


C

reduzir a atrofia intestinal e prevenir a translocação bacteriana.


D

reduzir o tempo de internação e reduzir custos hospitalares.


E

prevenir necrose intestinal e reduzir o tempo de internação.

A Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente Grave, publicada em 2023, formula linhas de tratamento baseadas no contexto multidisciplinar, promovendo a uniformização das práticas de terapia nutricional.


Quanto ao documento supracitado referente ao suporte nutricional enteral e parenteral, é correto afirmar que


A

no paciente grave, recomenda-se iniciar a nutrição parenteral suplementar (NPS) na primeira semana de hospitalização, isto é, precocemente.


B

para pacientes graves, o uso de nutrição parenteral pronta apresenta superioridade clínica quando comparada à individualizada.


C

na vigência da insuficiência renal aguda, os pacientes críticos devem receber fórmulas enterais diferenciadas e com recomendações energéticas aumentadas.


D

o uso de glutamina para pacientes queimados é fortemente recomendado, sugerindo-se doses elevadas diárias para recuperação do estado nutricional.


E

sugere-se a nutrição enteral em posição gástrica como padrão; considerar posicionamento pós-pilórico em casos específicos como, por exemplo, quando há alto risco para aspiração.

Segundo Toledo (2019), o Nutrition Risk in Critically III (NUTRIC) é uma ferramenta de triagem nutricional legitimada para identificar pacientes críticos com tendência a se beneficiar de uma terapia nutricional agressiva, de acordo com o risco nutricional. Para aplicação do NUTRIC, são considerados os seguintes fatores:


A

idade e dosagem de IL-6.


B

dosagem de IL-6 e PC-R.


C

presença de componente inflamatório crônico e perda de massa muscular.


D

gravidade da doença e redução da capacidade funcional.


E

perda de tecido adiposo e presença de edema.

Analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:


I. A instabilidade hemodinâmica que afeta grande proporção de pacientes críticos desencadeia uma série de alterações na circulação que dão origem à diminuição do fluxo sanguíneo esplâncnico (especialmente em situações de choque hipovolêmico ou cardiogênico).


PORQUE


II. A hipoperfusão esplênica relacionada ao choque pode potencialmente ser agravada pela administração da NE, pois a digestão representa uma carga cardíaca extra de trabalho.


A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.


A

As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.


B

As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.


C

A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.


D

A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.

Paciente masculino, 75 anos, internado em UTI por sepse abdominal, apresentou perda ponderal de 8% nos últimos 3 meses, IMC 20 kg/m², edema de membros inferiores, ingestão alimentar <50% do habitual na última semana.


Para o caso, assinale a ferramenta mais indicada para a avaliação do risco nutricional.


A

Mini Nutritional Assessment (MNA).


B

Subjective Global Assessment (SGA/ASG).


C

Malnutrition Universal Screening Tool (MUST).


D

Nutritional Risk Screening 2002 (NRS-2002).


E

Body Mass Index (BMI) isolado.

Paciente masculino, 52 anos, foi admitido na UTI com diagnóstico de sepse grave secundária a pneumonia por Pseudomonas aeruginosa. Apresentou choque séptico em uso de noradrenalina 0,8 μg/kg/min, ventilação mecânica invasiva há 48 horas, e função gastrointestinal preservada.

Índice de massa corporal de 24 kg/m², sem comorbidades prévias. SOFA score de 12 pontos na admissão. Laboratorialmente: procalcitonina 15 ng/mL; albumina 2,1 g/dL; e vitamina D 8 ng/mL.


Para esse caso, assinale a opção que apresenta a conduta decisiva da equipe de Nutrição.


A

Aguardar a estabilização hemodinâmica com redução da noradrenalina para <0,5 μg/kg/min antes de iniciar nutrição enteral para evitar isquemia intestinal.


B

Administrar nutrição parenteral exclusiva nas primeiras 72 horas, seguida de transição gradual para nutrição enteral com fórmula imunomoduladora.


C

Implementar nutrição enteral trófica (10-20% das necessidades calóricas) até o 5º dia, seguida de progressão para nutrição plena com glutamina intravenosa.


D

Iniciar nutrição enteral após 72 horas, com fórmula hipocalórica (15 kcal/kg/dia) e suplementação de vitamina D em dose elevada (50.000 UI).


E

Começar nutrição enteral precoce (≤48h) com aporte proteico elevado (1,5g/kg/dia), suplementação de probióticos (Lactobacillus e Bifidobacterium) e vitamina D.

Segundo a Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente Grave, avalie se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinale a sequência correspondente.


( ) Sugere-se a administração da nutrição enteral em posição pós-pilórica como padrão.

( ) O uso de drogas vasoativas, per si, não contraindica o início ou a manutenção da terapia nutricional enteral, mas é necessário ter maior cautela conforme houver aumento da dose.

( ) Caso disponha de calorimetria indireta, a oferta energética na fase inicial deve ser entre 30-50% do gasto energético aferido e progredir para 100% após o sétimo dia nos pacientes que já se encontram na fase pós aguda/recuperação.

( ) A meta calórica deve ser de 11-14kcal/kg/dia do peso real para pacientes com IMC entre 30-50kg/m². Já a oferta proteica dever fornecer 2 gramas de proteína por kg de peso ideal por dia, caso IMC entre 30-40kg/m², e até 2,5 gramas por kg de peso ideal por dia, caso IMC >40kg/m².


A

C - C - E - E


B

E - E - C - C.


C

C - E - C - E.


D

E - C - E - C.

Sobre a nutrição enteral em pacientes críticos, marque a alternativa correta:


A

A administração de nutrição enteral deve ser feita por gotejamento livre para evitar pressão excessiva no tubo de alimentação.


B

A administração de fórmulas enterais isotônicas é contraindicada em pacientes com insuficiência renal.


C

A interrupção da nutrição enteral em casos de intolerância gástrica é recomendada até que o quadro seja completamente resolvido.


D

A nutrição enteral precoce em pacientes críticos está associada à redução da mortalidade e de complicações infecciosas.

A interação entre inflamação sistêmica e modulação epigenética em estados críticos envolve alterações na disponibilidade de substratos metabólicos e no perfil inflamatório, modulando desfechos clínicos. À luz de Calder (2020) e ESPEN (2023), avalie:


A

A depleção proteico-energética reduz o pool de doadores de grupos metil, modulando hipometilação de DNA e alterando a resposta inflamatória sistêmica em pacientes críticos.


B

O fornecimento de ácidos graxos poli-insaturados n-3 associa-se à regulação epigenética de genes inflamatórios, influenciando resolvinas, maresinas e protetinas, com impacto clínico mensurável.


C

Antioxidantes como vitaminas C e E apresentam efeito uniforme na acetilação de histonas, independentemente do genótipo individual ou do estado inflamatório basal.


D

A restrição calórica aguda promove hipometilação global, porém carece de evidências consistentes que relacionem essa alteração epigenética a prognóstico clínico em terapia intensiva.


E

A intervenção dietética não interage com mecanismos epigenéticos, sendo a expressão gênica determinada exclusivamente por fatores hereditários estáveis.

A resposta metabólica ao estresse em pacientes críticos envolve alterações fisiopatológicas importantes, que impactam diretamente na terapia nutricional. Considerando as principais recomendações atuais para a abordagem nutricional no paciente em estado crítico, assinale a alternativa correta.


A

O hipermetabolismo da fase aguda do paciente crítico justifica a oferta imediata de 100% das necessidades calóricas estimadas, desde o primeiro dia, de modo a evitar déficit energético inicial.


B

A resposta inflamatória sistêmica do paciente crítico está associada à redução da gliconeogênese hepática e melhora da sensibilidade insulínica, permitindo aporte liberal de glicose sem risco de complicações metabólicas.


C

A utilização de nutrição parenteral exclusiva é recomendada como primeira escolha no paciente crítico hemodinamicamente estável, uma vez que promove melhor controle metabólico e menor risco de complicações infecciosas do que a nutrição enteral.


D

A resposta ao estresse crítico cursa com hiperglicemia, resistência insulínica e catabolismo proteico acentuado, resultando em balanço nitrogenado negativo, recomendando-se progressão cautelosa do aporte energético.


E

Durante a fase inicial da resposta inflamatória em pacientes críticos, ocorre redução significativa do gasto energético, de modo que a oferta nutricional deve ser limitada a valores muito baixos, sem progressão gradual ao longo da primeira semana.

O paciente R., 70 anos, está internado em UTI com pneumonia grave e não consegue se alimentar por via oral há alguns dias. Ele começou a receber dieta pela sonda nasoenteral, mas passou a apresentar diarreia frequente. Considerando as orientações atuais de terapia nutricional, a conduta mais adequada é:


A

parar completamente a dieta enteral e iniciar nutrição parenteral


B

ajustar o tipo de fórmula, fracionar os volumes, acompanhar a tolerância e aumentar a quantidade gradualmente


C

elevar rapidamente a quantidade total da dieta enteral, na tentativa de repor rapidamente calorias e nutrientes perdidos, conforme a condição clínica do paciente


D

diminuir o volume total da dieta enteral rapidamente, sem alterar a composição da fórmula, independentemente da causa da diarreia ou da tolerância gastrointestinal do paciente, sem avaliar necessidade de ajuste de nutrientes, fracionamento dos volumes ou monitoramento da evolução clínica

Paciente masculino, 5 anos, foi admitido na UTI pediátrica com traumatismo cranioencefálico grave após acidente automobilístico. Altura: 114 cm; peso: 23 kg (percentil 80,4%). Realizou craniotomia para drenagem de hematoma subdural agudo. Evolução clínica de 298 dias de internação com 33 consultas da equipe de terapia nutricional.

Durante o período, apresentou estado estupuroso, necessidade de traqueostomia, múltiplas cirurgias plásticas e disfagia grave. Os dados bioquímicos mostraram: ureia variando de 10-24 mg/dL; creatinina de 0,20-0,70 mg/dL, com pico no dia 131 da internação.


Com base nas diretrizes atuais para pacientes críticos pediátricos com lesão cerebral traumática, assinale a opção que apresenta a melhor estratégia nutricional para otimizar o prognóstico neurológico.


A

Iniciar precocemente a nutrição enteral hipercalórica (150% das necessidades estimadas) com fórmula elementar, dentro de 24h da admissão.


B

Executar nutrição parenteral exclusiva por 7-10 dias, seguida de transição gradual para via enteral com suporte proteico personalizado baseado em calorimetria indireta.


C

Realizar nutrição enteral incremental personalizada iniciada precocemente, progredindo de acordo com a fase metabólica (aguda→estabilização→recuperação), com monitoramento contínuo.


D

Fazer jejum prolongado nas primeiras 72h, seguido de nutrição enteral com restrição proteica (0,8g/kg/dia) para reduzir a produção de amônia.


E

Começar uma suplementação isolada de aminoácidos de cadeia ramificada por via parenteral associada à restrição calórica.

Quando o paciente sofre uma grande queimadura, seu gasto energético:


A

reduz


B

aumenta


C

permanece inalterada


D

sua nutrição é indiferente

Segundo Toledo e Castro (2015), qual é o método adequado de avaliação transversal da composição corporal na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)?


A

Antropométrica.


B

Tomografia computadorizada.


C

Ultrassonografia.


D

Bioimpedância.

Paciente masculino, 45 anos, está internado em UTI há 72 horas com pneumonia grave, complicada por síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). O paciente apresenta índice de massa corporal de 22 kg/m², ausência de comorbidades prévias, encontra-se hemodinamicamente estável e em ventilação mecânica invasiva com função gastrointestinal preservada.


Assinale a opção que indica a estratégia nutricional mais apropriada para esse paciente.


A

Iniciar nutrição enteral hipocalórica (12-20 kcal/kg/dia) na primeira semana com proteína padrão (0,8-1,0 g/kg/dia) e aguardar estabilização metabólica.


B

Implementar nutrição enteral precoce (≤48h) com aporte proteico elevado (1,2-1,5 g/kg/dia) e suplementação com prebióticos/probióticos específicos.


C

Administrar nutrição parenteral suplementar após 72 horas, se a nutrição enteral não atingir 80% das necessidades energéticas.


D

Iniciar nutrição enteral com fórmula enriquecida em ácidos graxos ômega-3 e glutamina em doses farmacológicas.


E

Usar calorimetria indireta para determinação precisa das necessidades energéticas, antes de iniciar qualquer suporte nutricional.

De acordo com a Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente Grave (2023), qual é a oferta proteica ideal, para o paciente crítico em nutrição enteral, estando no terceiro dia de internação?


A

Até 1,2 g de proteína/kg de peso/dia.


B

Até 1,3 g de proteína/kg de peso/dia.


C

Até 1,5 g de proteína/kg de peso/dia.


D

Até 1,7 g de proteína/kg de peso/dia.

Os serviços hospitalares constituem componentes fundamentais da rede de atenção e assistência à saúde e têm como objetivo oferecer tratamento imediato aos pacientes acometidos por enfermidades agudas. É fundamental a identificação do risco e estado nutricional do indivíduo à sua admissão, além de identificar o perfil de morbidade e as variáveis nutricionais relacionadas para o estabelecimento de prioridades de tratamento e assistência nutricional. Em se tratando de pacientes graves, em unidade de terapia intensiva, deve-se realizar inicialmente a __________, seguida da __________, que deve ser realizada durante as primeiras 48h de admissão na UTI, e ser repetida a cada 7-10 dias.


A alternativa que preenche, correta e sequencialmente, as lacunas do trecho acima é


A

antropometria / bioimpedância


B

triagem nutricional / avaliação nutricional


C

dosagem de albumina serica / antropometria


D

avaliação de exames laboratoriais / antropometria


E

estimativa da altura / aferição do peso em cama balança

Selecione o motivo pelo qual o Nutricionista deve administrar cautelosamente a dieta em pacientes mais críticos?


A

Risco da síndrome de realimentação.


B

Risco de ganho de gordura.


C

Risco de perda de massa muscular.


D

Risco de excesso calórico.


E

Risco de síndrome metabólica.

   
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