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Sobre a presença de comorbidades psiquiátricas no câncer, NÃO é correto afirmar que:
Transtornos de humor e de ansiedade são os quadros mais frequentes.
A presença destas comorbidades pode impactar o prognóstico dos pacientes.
Não há maior prevalência dessas condições em sobreviventes de câncer em comparação com pessoas que nunca tiveram câncer.
Interações medicamentosas devem ser consideradas, por exemplo no tratamento da depressão em casos de câncer de mama tratados com antiestrogenos.
Segundo Simonetti (2004), existe um sentimento presente em todos os estágios vivenciados por um doente crônico ou terminal, funcionando como fio de ligação na órbita do adoecimento e sua manutenção é essencial ao sujeito, não cabendo intervenção do psicólogo sobre ele. Esse sentimento é chamado de:
angústia.
solidão.
esperança.
aceitação.
A dor, em maior ou menor grau, está presente frequentemente nas doenças. Muitas das dores podem ser eliminadas com remédios, mas muitas outras resistem à mais potente das medicações. A Sociedade Internacional de Estudos sobre a Dor propõe que a dor seja vista como uma experiência sensorial e emocional desagradável, vivida de forma subjetiva, ressaltando que cada indivíduo utiliza este termo por meio de suas próprias experiências traumáticas. Desse modo, cada dor é a dor de uma pessoa. Nesse contexto, considere o caso descrito abaixo.
Um homem, 67 anos, diagnosticado com câncer, passou a ter dores muito fortes. Diante disso, ele conseguiu atenção e amparo de sua família, antes muito afastada. Os médicos receitaram analgésicos, porém ele não os tomava, justificando problemas no estômago. Na verdade, ele temia perder o acolhimento recém-conquistado de seus familiares.
Nesse caso, a equipe de psicologia deve atuar com a compreensão de que as dores do paciente
têm um sentido de manipulação dos afetos das relações familiares, devendo, por isso, ser ignoradas pela equipe.
têm significados ocultos e complexos que atendem a objetivos singulares que devem ser considerados e expressados.
devem ser tratadas com firmeza, na medida em que estão prejudicando o tratamento do paciente.
trazem restrições físicas e afetivas ao paciente, que deve ser forçado a tomar os analgésicos em nome de seu bem-estar.
têm um significado de falseamento da realidade, o que aponta para um quadro psicótico.
Sobre a notícia e a construção da Linha de Cuidado da Hipertensão, é INCORRETO afirmar:
A abordagem da alimentação escolar, as atividades físicas nas escolas, o debate junto às empresas a saúde de seu trabalhador, são atividades que sinalizam para uma inversão das tecnologias de cuidado utilizadas na produção de saúde, investindo em processos de trabalho centrado no uso de tecnologias leves e leve-duras.
As ações demonstram uma quebra no tradicional modo de intervir sobre o campo das necessidades de forma compartimentada, demonstrando atuações na complexidade dos fatores associados ao adoecimento.
Um processo de trabalho centrado nas tecnologias leve-duras e duras deve ser essencial da produção de atos de cuidado nos atos assistenciais na Linha de cuidado de Hipertensão.
A Atenção Básica se mostra essencial na construção da Linha de Cuidado no que se refere à produção de atos assistenciais de prevenção e promoção da saúde com o foco em ações coletivas.
As ações devem se limitar ao setor e aos serviços de saúde, mostrando a eficácia deles na efetividade da assistência integral principalmente na prevenção da hipertensão arterial.
Joana é psicóloga e acabou de ser contratada no município de Paes Landim e foi informada pela equipe de saúde, que teria de atuar com adolescentes diabéticos. Com este tipo de paciente é importante:
I. estar sensível à possibilidade de que o adolescente desrespeite a dieta, como uma forma de comportamento de oposição comum nos adolescentes.
II. insistir na modificação dos hábitos alimentares da família
III. encaminhar o adolescente para terapia individual.
IV. disponibilizar grupos de discussão nos serviços de atendimento a adolescentes diabéticos.
apenas a afirmativa I está correta;
apenas as afirmativas I e II estão corretas;
apenas a afirmativa I e III estão corretas;
apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas;
Assinale a opção CORRETA.
Existe clara associação entre diabetes melito e depressão. Em uma metanálise recente, avaliando estudos que utilizaram grupos-controle normais, a prevalência de depressão em pacientes diabéticos era de 11% a 31%, enquanto a presença de diabetes aumenta em duas vezes o risco de depressão em relação aos grupos controle, independentemente se fosse do tipo 1 ou 2 . Pacientes com depressão também têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2.
Ter depressão na adolescência é um fator de risco para se ter excesso de peso na fase adulta, mas o contrário não é verdadeiro, ou seja, ter obesidade quando jovem não aumenta o risco de ter depressão quando adulto.
Os homens são mais vulneráveis à depressão. Levantamentos epidemiológicos apontam dois homens deprimidos para cada mulher. Em certos subtipos depressivos, esta relação pode ser ainda maior. A maior ocorrência de depressão ocorre pelo maior número de primeiros episódios (novos casos), não significando maior recorrência ou cronificação nos homens.
A fisiopatologia dos transtornos de humor em pacientes com doença cardiovascular é unifatorial, determinada pela associação de fatores genéticos, sociais e psicológicos. A associação entre depressão e comprometimento do sistema cardiovascular pode ocorrer em duas direções. A depressão pode direta ou indiretamente acarretar um impacto cardiovascular negativo ou uma predisposição genética comum pode aumentar o risco para a ocorrência de ambas. Segundo estudos recentes, a depressão não pode ser desencadeada pelo estresse psicológico de um evento cardíaco.
A condição de não estar casado (solteiro, divorciado ou viúvo) estava associada à maior prevalência de depressão em homens; para as mulheres, ser solteira era condição associada à maior prevalência de depressão em comparação com ser casada, divorciada ou viúva. Considerando-se as condições socioeconômicas na classe mais favorecida, os homens apresentaram taxas de depressão menos elevadas que as mulheres, enquanto na classe mais pobre, as mulheres tiveram essas taxas duas vezes e meia menos elevadas que os homens (Almeida-Filho et al., 2004).
Sobre o cuidado integral aos pacientes com câncer, é correto afirmar que, EXCETO:
O hospital pode ser visto como um componente fundamental da integralidade do cuidado.
O encaminhamento é o dispositivo fundamental desta perspectiva
O cuidado integral deve ser pensado a partir dos conceitos de rede e equipe.
Os pacientes devem ser considerados em sua rede sociofamiliar e território que ocupa.
Os debates éticos que se colocam atualmente no tratamento de pacientes com câncer terminal NÃO incluem:
Decisões sobre a necessidade de permanecer no hospital versus receber cuidados em casa ou na comunidade.
Discussões sobre a eutanásia voluntária.
Interrupção do tratamento para o câncer e continuidade do cuidado paliativo.
Direito do médico de decidir o curso do tratamento sem consultar o paciente
Sobre a qualidade de vida no ambiente hospitalar e em pacientes com câncer, NÃO é correto afirmar que:
Fatores como personalidade pré-mórbida e variáveis demográficas podem impactar na qualidade de vida dos pacientes.
Os preditores de qualidade de vida variam de acordo com o tipo de câncer e gravidade da doença.
Medições de qualidade de vida podem ser realizadas tanto com os pacientes como, dependendo do caso, com os cuidadores.
Não existem hoje questionários específicos para a medição da qualidade de vida em pacientes com câncer.
A hipertensão arterial é uma condição que atinge mais de 20% da população adulta, sendo foco de muita atenção no meio científico. O tratamento, em geral, exige medidas medicamentosas e não-medicamentosas, incluindo o controle do estresse.
Uma dessas intervenções não-medicamentosas é o Treino de Controle de Stress (TCS), citado por Malagris, Lipp & Chicayban (2014) para pessoas com hipertensão. Qual a resposta mais apropriada no que se refere aos objetivos específicos do TCS?
Levar a pessoa com hipertensão a refletir sobre aspectos da sua história de vida que podem ter levado ao desenvolvimento da doença. A partir desses dados o TCS objetiva uma revisão da história de modo que a pessoa com hipertensão encontre um sentido para seus aumentos de pressão arterial e possa controla-los.
Reduzir a excitabilidade física e mental da pessoa com hipertensão diante de confrontos estressantes, eliminar e/ou reduzir fontes internas de estresse, desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar com fontes externas de estresse, promover a noção de responsabilidade pela própria saúde, promover a adesão ao tratamento farmacológico e mudanças de hábitos.
Tem como objetivo principal ajudar a pessoa com hipertensão a entender porque desenvolveu a doença, pois pode haver conflitos intrapsíquicos não resolvidos que estejam contribuindo para a manutenção dos picos de pressão arterial e para a dificuldade no controle da doença. Além disso, visa compreender e rever os relacionamentos interpessoais e sua influência na doença.
O principal objetivo do TCS é ajudar a pessoa a identificar os estressores ambientais, ou seja, fontes externas de estresse. A partir disso, o TCS ajuda a pessoa com hipertensão a eliminar os estressores e, assim, ter um cotidiano de maior leveza, o que se revela como a estratégia mais importante para o controle dos níveis de pressão arterial e melhoria na qualidade de vida.
A Sala de Espera de um ambulatório oncológico é o local onde pacientes aguardam um atendimento, consulta ou resposta de diagnóstico, sendo um cenário tenso e de muitas expectativas e fantasias sobre um veredito, e um dos momentos mais difíceis para o paciente e para sua família.
Sendo assim, o trabalho do psicólogo em grupos de sala de espera de clínica oncológica deve ser visto como um(a)
momento de pesquisa da história de vida do paciente para posterior controle da doença.
espaço de aconselhamento em relação ao desamparo diante da doença ou da morte.
espaço de maior informação e pesquisa dos efeitos psicossomáticos da quimioterapia.
possibilidade de um espaço potencial de informação e trocas de vivências, em que o paciente possa flexibilizar expectativas e restaurar a luta por sua saúde.
primeira fase de uma estratégia de terapia psicossomática da doença.
Um paciente, avaliado pelo psiquiatra do hospital, recebeu o diagnóstico de Transtorno do Humor Devido a Hipotireoidismo com Características Depressivas.
Considerando-se a acuidade do diagnóstico, conclui-se que o médico chegou a esse diagnóstico porque
encontrou evidências de mecanismos fisiológicos específicos e diretamente causais do quadro depressivo associados ao hipotireoidismo.
foi informado do uso recente ou prolongado de um medicamento com efeitos psicoativos relacionado ao tratamento do hipotireoidismo.
ouviu, do paciente, evidências de sua dificuldade em lidar com o estresse gerado pelas restrições que seu quadro clínico insere em sua vida.
não detectou sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outra área importante na vida do paciente.
percebeu que o quadro depressivo ocorria, exclusivamente, durante o curso de um delirium produzido pelas condições fisiológicas relacionadas ao hipotireoidismo.
Sobre características psicológicas de pacientes crônicos em geral, pode-se afirmar que:
As perdas sentidas como definitivas e impostas pela doença acarretam reações de luto específicas, diferente das reações de perda de um objeto de amor.
Entrar em cronicidade implica uma elaboração psíquica existencial.
Existe concordância entre ser afetado por uma doença crônica e sentir-se um doente crônico.
A internação reforça a capacidade de tomada de decisão e adesão ao tratamento.
Conhecer a doença e a evolução é a principal tarefa para uma abordagem compreensiva e recuperação psicossocial.
Considerando as estratégias de enfrentamento (coping) que podem ser utilizadas por pacientes com câncer, é correto afirmar que:
A negação não pode ser entendida como uma estratégia de enfrentamento.
Estas estratégias não têm influência no bem-estar dos pacientes.
A utilização de estratégias de expressão e supressão de emoções não pode ser vista no mesmo paciente.
Estratégias evitativas, como pensar menos sobre seu estado, podem reduzir o desgaste causado pela doença.
Pacientes diagnosticados com algum tipo de doença crônica podem reagir com atitudes que causam prejuízos físicos e emocionais, como a negligência ao tratamento, a não adesão às orientações médicas, a insistência em realizar atividades ou outras ações contraindicadas para o seu quadro clínico ou podem simplesmente abandonar o tratamento causando-lhes complicações mais sérias. Qual mecanismo de defesa é possível identificar para este tipo de situação?
Deslocamento.
Barganha.
Formação reativa.
Negação.
Letargia.
Considerando a questão do luto em pacientes com câncer e seus familiares, é INCORRETO afirmar:
Familiares de pacientes com câncer estão particularmente expostos à desgaste emocional relacionado com perdas e luto.
Com frequência pacientes e familiares experimentam luto antecipatório em casos intratáveis.
De acordo com o modelo de Kubler-Ross, os 5 estágios do luto são: negação, raiva, castração, depressão e aceitação.
Alguns dos preditores do luto complicado incluem exposição à trauma, histórico de doença psiquiátrica e relação com o falecido.
O Ministério da Saúde tem publicado protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas primordialmente para as doenças e condições clínicas prioritárias tratadas com medicamentos do chamado “Componente Especializado da Assistência Farmacêutica”.
Os critérios definidos para inclusão dos medicamentos estabelecidos nesse componente por norma ministerial (Art 4º Portaria nº 1.554 de 30 de julho de 2013) são os seguintes:
a elevada frequência e a gravidade da doença.
a necessidade de importação do medicamento e a sua relevância.
a complexidade do tratamento, a garantia da integralidade no âmbito da linha de cuidado e a manutenção do equilíbrio financeiro do SUS.
a raridade da doença e a inclusão de medicamentos no complexo produtivo da saúde.
o custo do tratamento e a existência de protocolos que discriminem seu uso.
A criança que vivencia um diagnóstico oncológico geralmente tem pela frente um longo percurso, que inclui intervenções invasivas e efeitos físicos adversos. Sobre a atuação do psicólogo nesse contexto é FALSO afirmar que:
O trabalho do psicólogo tem como objetivo mobilizar padrões adaptativos na criança, facilitando condutas que promovam maior adesão ao tratamento.
O uso da brincadeira como dispositivo permite a criação de operações simbólicas que ressignificam o processo de adoecimento.
A intervenção do psicólogo não deve recuar diante do mal-estar que é inerente ao tratamento oncológico, mas dar voz à criança para que esta expresse sua dor ao seu modo.
Brincar com a criança pode se caracterizar em um instrumento facilitador, por meio do qual ela tem a possibilidade de ressignificar o mal-estar imposto pelo diagnóstico e tratamento oncológico.
No livro “ Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular” (Brasil, 2007), são apontadas algumas sugestões que auxiliam no cuidado com pessoas com condições crônicas de saúde e que fazem parte da clínica ampliada, EXCETO:
A Escuta, que num primeiro momento é acolher toda queixa ou relato dos usuários e ajudá-lo a reconstruir os motivos que o levaram ao seu adoecimento.
O Vínculo, que se relaciona a capacidade de estar atento à transferência ou fluxo de afetos que permitam compreender a si mesmo e ao outro, possibilitando ajudar o sujeito doente.
Evitar recomendações que geram culpa, negociando restrições sem rancor e investindo no usuário de forma a produzir corresponsabilidade no processo de tratamento.
Iniciar as consultas questionando aferições e comportamentos, padronizando todos os encontros para melhorar a eficácia da abordagem.
Trabalhar com ofertas e não apenas com restrições, permitindo a construção conjunta de propostas aceitáveis.
Assinale a afirmativa INCORRETA no que diz respeito a doença crônica/doente crônico:
É permanente e deixa incapacidade residual.
Produz alterações patológicas não reversíveis e requer reabilitação.
Necessita de períodos longos de observação, controle e cuidados.
A tríade psicodinâmica de base do paciente crônico descrita por Schineider é composta por : dependência, regressão e passividade.
Independente da patologia o paciente mantém posturas frente à vida as chamadas postura/condutas necrófila (quando o paciente abandona o tratamento ou não responde as condutas terapêuticas) e postura/condutas neófila (quando o paciente segue as condutas terapêuticas para resgatar o seu bem-estar e sua qualidade de vida).