Questões de Concurso sobre Ludoterapia

 
 
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Durante a realização de uma sessão de ludoterapia, um garoto de dez anos recorta muitas tiras das folhas de papel disponíveis em sua caixa lúdica. Depois, monta, com as tiras recortadas, uma cerca, e leva nessa atividade boa parte da sessão. Esse comportamento denota


A

ausência total de simbolização, ou pseudobrincadeira, atividade característica de uma estrutura psicótica.


B

escolha de brincadeira criativa, que indica elevada tolerância à frustração e comportamento típico para a idade.


C

modalidade de brincadeira monótona e pouco criativa, característica de crianças neuróticas.


D

carência de discriminação de elementos da realidade, comportamento típico de crianças psicóticas.


E

capacidade simbólica comprometida, em função de interesses e dificuldades próprias dessa idade.

Em relação à entrevista lúdica é correto afirmar que:


A

a postura do psicólogo deve ser a de estimular a interação, conduzindo a situação de maneira que a criança se sinta segura e aceita. O material lúdico deve ser apresentado numa ordem numérica e aparente.


B

o material lúdico deve ser apresentado numa ordem numérica e aparente.


C

o psicólogo deve sempre participar de forma ativa independente do desejo da criança.


D

a postura do psicólogo deve ser a de estimular a interação, conduzindo a situação de modo que a criança não administre a sessão. Deve seguir o roteiro padronizado.


E

a postura do psicólogo deve ser a de estimular a interação, conduzindo a situação de maneira que a criança se sinta compreendida, segura e aceita. Neste caso uma postura passiva durante a observação, ativa durante a formulação de hipóteses.

Kaye (1999) esclarece que, no trabalho psicoterápico de orientação analítica com crianças, algumas especificidades devem ser consideradas. Acerca desse assunto, julgue os itens a seguir.


I O psicoterapeuta infantil deve considerar que a criança apresente menor capacidade de suportar a dor psíquica.

II O psicoterapeuta infantil deve considerar que a criança possa ter compreensão limitada sobre os motivos da indicação do tratamento e sobre seus benefícios.

III O psicoterapeuta infantil deve considerar que a criança irá transferir para o terapeuta todos os sentimentos que tenha em relação aos pais.


Assinale a alternativa correta.


A

Nenhum item está certo.


B

Apenas os itens I e II estão certos.


C

Apenas os itens I e III estão certos.


D

Apenas os itens II e III estão certos.


E

Todos os itens estão certos.

Assinale a alternativa incorreta quanto à ludoterapia:


A

Trata-se da psicoterapia adaptada para o tratamento infantil.


B

Por meio dela a criança, ao brincar, projeta seu modo de ser.


C

Seu objetivo é ajudar a criança, por meio da brincadeira, a expressar com maior facilidade os seus conflitos e dificuldades.


D

Na prática, funciona como um detector de mentiras.

A observação lúdica é um recurso utilizado pelo psicólogo, durante a realização de um processo psicodiagnóstico, para conhecer a realidade da criança que foi trazida para o atendimento. É correto afirmar que, durante a observação lúdica, a criança


A

tem a possibilidade de brincar, em um contexto particular, sem um enquadramento específico e sem explicitação de papéis, o que lhe permite total liberdade expressiva.


B

ainda não estabeleceu um vínculo transferencial com o terapeuta, por isso, o campo da entrevista organiza-se, basicamente, pelas variáveis da personalidade da criança.


C

expressa somente um segmento de seu repertório, reatualizando no presente um conjunto de fantasias que irão se sobrepor ao campo de estímulo.


D

comunica suas fantasias sem a interferência do processo primário, o que facilita a compreensão dos conflitos responsáveis pela sua sintomatologia.


E

expressa, por meio da linguagem e do uso apropriado dos verbos e das leis de pensamento, a natureza das fantasias que dominam seu mundo interno.

Considere os entendimentos de diferentes autores em relação à importância do brincar para criança, abaixo.


I. Ao brincar a criança domina realidades dolorosas e controla medos instintivos, projetando-os no brinquedo.

II. O terapeuta deveria apenas fortalecer os aspectos positivos do vínculo com a criança, não relacionando o brincar com os sonhos ou à associação livre do adulto.

III. A criança é capaz de estruturar através dos brinquedos a representação de seus conflitos básicos, diferenciar a hora do jogo diagnóstica da hora de jogo terapêutica.


As afirmações acima relacionam-se aos respectivos teóricos da psicologia:


A

I

II

III

Melanie Klein

Anna Freud

Aberastury


B

I

II

III

Donald Winnicott

Aberastury

Anna Freud


C

I

II

III

Melanie Klein

Aberastury

Anna Freud


D

I

II

III

Aberastury

Donald Winnicott

Melanie Klein


E

I

II

III

Anna Freud

Donald Winnicott

Melanie Klein

Em uma sessão de ludoterapia um garoto de sete anos, primeiramente, identifica-se com o herói de um jogo de vídeo game e enfrenta seus inimigos sacudindo um objeto de sua caixa lúdica, que descreve como o escudo que o protege de todos os ataques. Em seguida, resolve que vai alimentar todos os animais da floresta fazendo um doce especial, cuja receita só ele conhece. Afirma que, depois de comerem esse doce, todos os animais vão ficar fortes e poderosos. Nessa sessão, o garoto expressa


A

modalidade de brincadeira plástica e utilização de defesa maníaca.


B

personificação e baixa tolerância à frustração.


C

dificuldades motoras e ansiedades do tipo persecutórias.


D

onipotência e estereotipia de comportamentos e verbalizações.


E

dificuldade de adequação à realidade e labilidade de humor.

Segundo uma abordagem psicanalítica, durante a realização de uma observação lúdica, o papel do psicólogo é


A

ambíguo, pois ele deve limitar a expressão dos afetos negativos da criança e favorecer a expressão de suas necessidades e recursos.


B

colaborativo, uma vez que cabe ao psicólogo escolher os jogos e as atividades mais apropriadas para a manifestação das fantasias da criança.


C

passivo, já que ele atua no setting simplesmente como um observador da atividade lúdica da criança e da ansiedade que ela desperta.


D

ativo, na medida em que sua atitude atenta e aberta permite a compreensão e formulação de hipóteses sobre a problemática do entrevistado.


E

limitado, pois ele cria as condições favoráveis para que a criança brinque com a maior espontaneidade possível, mas não pode ser incluído no jogo.

om relação à entrevista lúdica de acordo com Werlag (2000), julgue os seguintes itens.


I É uma técnica utilizada na avaliação psicológica de crianças.

II É um momento em que o psicólogo deve se abster de fazer interpretações.

III É muito utilizada no primeiro contato com uma criança que vai iniciar um processo psicodiagnóstico.

IV Dá à criança a oportunidade de brincar como desejar com todo o material lúdico disponível na sala.

V O material lúdico deve ser apresentado à criança de forma organizada e evolutiva.


A quantidade de itens certos é igual a


A

1


B

2


C

3


D

4


E

5

A autora declara que, no atendimento de crianças, é importante “tratar a família”, porque:


A

o psicólogo precisa escutar as demandas dos pais e apresentá-las às crianças


B

a escuta dos pais ou cuidadores aponta para como a criança se situa na família


C

a eficácia do trabalho vem da criação de uma dependência do discurso dos pais


D

os pais ou cuidadores devem fazer análise para que o tratamento com a criança funcione

Winnicott (1971) apresentou uma forma de interação com a criança tendo como objetivo básico estruturar uma consulta com efeitos terapêuticos. Trata-se de uma técnica clínica que tenta reproduzir as condições para o aparecimento do espaço transicional entre psicólogo-cliente, gerando uma situação como que onírica, onde a comunicação de aspectos profundos do psiquismo fica facilitada. Qual o nome dessa técnica?


A

Jogo dos sonhos.


B

Jogo de rabiscos.


C

Jogo de faz-de-conta.


D

Técnica da projeção.


E

Técnica da confabulação.

Em relação ao uso de atividades lúdicas no ambiente hospitalar, é correto afirmar que:


A

favorece o bem estar da criança e facilita a interação com a equipe de saúde.


B

dificulta a comunicação da equipe com o paciente.


C

fragiliza a família no processo de cuidar.


D

propicia uma interação negativa com o ambiente hospitalar.


E

vai prejudicar a criança porque ela vai querer brincar o tempo todo.

Com frequência, em uma sessão de ludoterapia, a criança fala abertamente, desenha e brinca com a caixa lúdica e o psicoterapeuta apenas a escuta e observa. Outras vezes, a criança estabelece um diálogo em resposta a alguma estimulação do terapeuta. Segundo Françoise Dolto, uma das pioneiras no tratamento psicanalítico de crianças, a intervenção do terapeuta


A

tem caráter psicoeducativo, uma vez que o senso crítico e moral das crianças ainda não se estabeleceu de forma plena.


B

deve ser a mínima possível, permitindo a expressão espontânea e emocionada das dificuldades e dos conflitos da criança.


C

deve ser dispensada, o que permite o desvelamento catártico de todas as fantasias da criança.


D

volta-se, essencialmente, para as verbalizações da criança, para submeter sua atividade pulsional ao julgamento da realidade.


E

enfatiza os aspectos lúdicos das atividades da criança, no sentido de eliminar as ansiedades associadas aos conflitos inconscientes.

Em relação ao atendimento com crianças na clínica, marque a alternativa INCORRETA:


A

Muitas vezes existe uma demanda de análise da criança, mas quem está realmente demandando é um dos pais.


B

As entrevistas preliminares são um momento importante para compreender a demanda trazida pelos pais ou responsáveis, como também situar a entrada da criança em terapia.


C

Após o início do tratamento com a criança, o psicólogo trabalha junto aos pais somente no momento de alta terapêutica do paciente ou quando a terapia precisa ser interrompida.


D

Cabe ao profissional de Psicologia decidir se há critérios de indicação e condições emocionais de iniciar um tratamento com a criança, apoiado incialmente em três pilares: diagnóstico, presença ou não de sintomas e relação transferencial.

O campo da psicoterapia de orientação analítica na infância responde a necessidades crescentes de cuidados à população nessa etapa da vida. Caracteriza-se como umas das terapias da fala que focaliza, sobretudo, a relação entre o psicoterapeuta e seu paciente, e que herdou da psicanálise importantes contribuições. A psicoterapia de orientação analítica aplicada a crianças e adolescentes pressupõe treinamentos teóricos e técnicos específicos. Os analistas de crianças foram os pioneiros nessa direção porque o trabalho com crianças os fez reconhecer as limitações da técnica tradicional. Eles têm como objetivo a melhora da qualidade de vida do paciente e com este fim estabelecem um relacionamento afetivo com o seu paciente, buscando dar sentido ao que acontece entre eles, e criam condições para elaboração e exploração de pensamentos e comportamentos (CORDIOLI, 2008). No entanto deve-se considerar algumas especificidades em relação à psicoterapia de crianças:


I. Linguagem, capacidade cognitiva e vivências devem ser avaliadas de acordo com a etapa evolutiva da criança;

II. Compreensão limitada sobre os motivos da indicação do tratamento e sobre seus benefícios na vida atual e futura;

III. Menor capacidade para suportar a dor psíquica;

IV. Maior grau de confusão e temor ao acercar-se intimamente de um estranho;

V. Dependência física e emocional dos pais.


Dentre as especificidades citadas acima ante as regras da psicoterapia de orientação analítica aplicada a crianças, escolha a mais coerente segundo o autor citado:


A

I, II, VI e V estão corretas;


B

I e V estão corretas;


C

Todas estão corretas;


D

Todas estão erradas.

Drª Sara Paim, psicóloga dedicada aos estudos da aprendizagem, nos diz que nas buscas clínicas da história da criança para entendimento de seus sintomas, podemos observar que muitos dos acontecimentos relatados pelos pais e pela própria criança, “...São falsas lembranças, lembranças encobridoras que se baseiam na ordem do desejo, do: eu deveria ter sido, do que falta ao sujeito para chegar a ser. Se um acontecimento é enunciado e não transcorre no real é por que esta no lugar de uma ausência.” Baseado no enunciado assinale a alternativa verdadeira:


A

Drª. Sara chama atenção para que, na busca da origem dos sintomas apresentados pela criança, a escuta de sua história deve ser observada a partir dos pormenores do discurso, considerando desejos, fantasias, lacunas, no que deixa a desejar, incluindo o que não esta sendo dito, nas ausências podem estar respostas.


B

Dr.ª Sara diz claramente que a escuta clínica de criança deve ser calcada apenas no que esta sendo claramente dito.


C

As questões do desejo e das fantasias, as ausências não interferem na formação cognitiva das crianças.


D

O que é enunciado, mesmo que esteja a nível de fantasia e não tenha ocorrido, faz parte da história da criança e não interfere na busca da origem dos sintomas.


E

Os relatos dos pais, suas fantasias, lembranças e projeções nos filhos, realizadas ou não, são irrelevantes na formação da criança.

Com relação à ludoterapia, assinale a afirmativa correta.


A

A terapia infantil com orientação cognitivo‐comportamental não utiliza recursos ludoterapêuticos.


B

Os materiais expressivos utilizados em ludoterapia costumam ser objetos estruturados, como animais de plástico, imitações de mobília ou utensílios de cozinha, etc.


C

Os terapeutas de orientação lacaniana não costumam valorizar a fala da criança, preferindo interpretar o jogo produzido nas sessões de ludoterapia.


D

A ludoterapia não costuma ser utilizada no contexto hospitalar.


E

O método do “jogo dos rabiscos”, criado por Donald Winnicott, pode ser usado nas sessões de terapia infantil.

Dentre as alternativas abaixo, o papel do psicólogo na entrevista lúdica é vivenciar


A

uns elementos contra-transferenciais e entender apenas os fatores psicopatológicos que configuram a queixa familiar.


B

uma experiência pré-moldada pelo psicólogo, já que ele necessita organizar e prever todos os passos que deverão transcorrer quando estiver com a criança.


C

uma experiência que deve ser tomada pelo psicólogo como útil para traçar planos de abordagem com a equipe interdisciplinar.


D

uma experiência nova, tanto para o psicólogo como para a criança, em que se refletirá o estabelecimento de um vínculo transferencial breve.


E

uma autonomia de procedimentos clínicos, já que não há materiais a serem apresentados para a criança.

Ao brincar a criança se comporta além do comportamento habitual de sua idade e além de seu comportamento diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade. Como no foco de uma lente de aumento, a brincadeira contém todas as tendências do desenvolvimento sob forma condensada. Neste sentido, segundo Vigotsky, a brincadeira é:


A

um aspecto freqüente da infância, sem importância para o desenvolvimento;


B

uma situação imaginária, sem vínculo com a realidade da criança de qualquer faixa etária;


C

uma atividade condutora que determina o desenvolvimento da criança;


D

uma forma lúdica, sem propósito, que a criança utiliza como passatempo;


E

um comportamento relativo ao campo perceptivo imediato, desprovido de significado.

No ato de brincar, a criança constrói um espaço de experimentação, de transição entre o mundo interno e externo. Podemos dizer que o processo lúdico é fundamental para:


A

a criança brincar com o seu brinquedo predileto, de preferência o mesmo que utiliza em casa;


B

a criança poder se comunicar, se revelar;


C

aproximar cada vez mais a criança do mundo infantil;


D

solidificar os vínculos familiares;


E

humanizar o terapeuta.

   
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