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A ‘medicalização’ da vida é a transformação de situações normais da existência humana em objetos de abordagem por profissionais de saúde, utilizando medicamentos e equipamentos. Eventos como nascimento, morte, adolescência, menopausa, envelhecimento, atividade sexual, distúrbios digestivos e outros, são transformados em situações clínicas. Nessas situações, é preciso desenvolver atitudes e ações destinadas a promover a qualidade de vida e prevenir doenças, mas o que acaba ocorrendo é o uso indiscriminado e em larga escala de medicamentos” (http://www.portal.cfm.org.br). Sobre o conceito de medicalização, é correto afirmar:
Medicalizar é o ato de prescrever medicações a partir de um diagnóstico realizado por profissionais da Medicina.
A medicalização permite que se empreenda intervenções medicamentosas no início do desenvolvimento da criança, possibilitando um convívio social mais adequado.
Medicalizar é o ato de reduzir a causalidade dos problemas cotidianos à ordem psíquica.
A lógica medicalizante busca causas orgânicas para problemas de diferentes ordens.
A medicalização é uma prática que leva em conta que a saúde decorre de um processo físico, psíquico e social, como entende a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Para Moretto (2016), a caracterização dos dispositivos clínicos psicológicos de um Serviço de Saúde obedece à seguinte ordem de procedimentos: acolhimento, triagem, diagnóstico e tratamento e avaliação de resultados.
Sobre esses procedimentos e os dispositivos clínicos, assinale a alternativa correta:
O acolhimento é o atendimento prévio discriminatório quanto às necessidades e indicações de atendimento referentes à área psicológica.
A triagem é o momento em que o psicólogo escuta as demandas iniciais do paciente que procura a instituição numa tentativa de construir um vínculo.
A triagem é o momento em que o psicólogo escuta as demandas iniciais do paciente que procura a instituição numa tentativa de construir um vínculo.
O processo de psicodiagnóstico na instituição de saúde possibilita ao psicólogo a construção do diagnóstico do paciente em relação a diversas questões, tais como estrutura psíquica, dinâmica das suas relações e tipo de relação que o paciente estabelece com a sua doença e com a instituição.
A implantação de dispositivos clínicos idealizados aproxima o profissional da comunicação interdisciplinar.
Conforme definição da Organização Mundial de Saúde, a Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de afecção ou doença (OMS). Sobre as concepções de saúde e doença, analise as alternativas e indique a opção correta.
Em uma concepção holística, a saúde é um processo no qual os atributos que pertencem ao indivíduo se desagregam daqueles da estrutura social; e na visão reducionista, a saúde é considerada um estado, numa análise que incorpora as ações do indivíduo da estrutura social;
Percebe-se que a saúde, a doença e o fenômeno de cura mudam de significado de acordo com a época e variam de uma cultura para outra. Assim, é necessário um amplo conceito de saúde envolvendo dimensões individuais, socioculturais, ecológicas e, também, espirituais ou transpessoais;
A saúde é um processo dinâmico e contraditório resultante da interação das políticas econômicas e sociais, das transformações do meio ambiente e ambiente de trabalho, do desenvolvimento científico e processo técnico. Tal concepção atenua a ligação do conceito de saúde com os setores sociais e ambientais;
A manutenção da saúde é em parte, uma questão individual e, em parte, coletiva, estando as duas, a maior parte do tempo, intimamente ligadas. A primeira se baseia no reconhecimento de que a saúde dos seres humanos não é determinada, acima de tudo, por seu comportamento, sua alimentação e a natureza de seu meio ambiente.
De acordo com Angerami-Camon (2014), a Psicologia da Saúde ajuda a compreender o significado do processo saúde-doença a partir da análise dos fatores que o condicionam. Considera-se a Psicologia da Saúde como
a aplicação de uma área da psicologia que tem como profissional o psicólogo como o único condutor dessa prática.
uma área voltada para a pesquisa e o tratamento das patologias que acometem os pacientes fazendo uma ligação entre a saúde física e a saúde emocional do sujeito.
uma prática de psicoterapia individual ou grupal para lidar com a queixa do sujeito.
uma área composta de práticas que atuam em uma integração da saúde mental com a saúde física e social do sujeito.
toda técnica empregada no tratamento para manter a força de trabalho no âmbito organizacional.
A Psicologia da Saúde surge da necessidade de promover e de pensar o processo saúde/doença como um fenômeno:
Social.
Cultural.
Exprimido.
Biológico.
A doença e a hospitalização impõem ao doente vivências de quebra de uma linha de continuidade da vida, das funções desempenhadas no dia a dia, de certa previsibilidade sobre o futuro. O impacto da doença imobiliza e congela a existência e, em consequência, a relação do indivíduo doente com o mundo. É um tempo de supressão: difícil ligá-lo à vida passada ou conectá-lo ao futuro.
BOTEGA, N. J. (org.). Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. Porto Alegre: Artmed, 2017. Adaptado.
Nesse sentido, essa quebra na linha de continuidade da vida, causada pelos processos de adoecimento e hospitalização,
demanda atendimento especializado do psicólogo, em caráter de intervenção psicoterápica breve, como preparo para a intervenção posterior da equipe multidisciplinar de saúde.
faz com que os pacientes reajam, mobilizando estratégias de enfrentamento da doença, independentemente das características de personalidade e sociais, da natureza da doença e do tipo de tratamento.
gera quadros de ansiedade e depressão no paciente, tratados com intervenção psiquiátrica, seguida de intervenção psicológica na modalidade entrevista motivacional de natureza comportamental.
atenua-se com a presença do acompanhante familiar que fornece suporte emocional ao paciente, mantendo os vínculos sociais fora do hospital e possibilitando a redução de sintomas psicológicos.
dificulta a adesão dos pacientes aos tratamentos necessários, desencadeando episódios de agudização das doenças crônicas, que são superados com orientação e aconselhamentos psiquiátricos.
"A natureza (physis), tanto no homem como fora dele, é harmonia e equilíbrio. A perturbação desse equilíbrio, dessa harmonia, é a doença. Nesse caso, a doença não está em alguma parte no homem. Está em todo o homem e é toda dele." (Canguilhem, 2002, p.20)
Com base neste texto a interpretação do autor sobre a concepção de saúde e doença é:
contrária a uma noção de doença determinada a partir da possibilidade de localização
uma visão não-holística no que se refere a males corpóreos e mentais.
fundamentada em uma abordagem epistemológica dualista.
definida pela espiritualidade contextualizada intercorporalmente.
caracterizada pelo dinamismo e organicidade intríncicos relação corpo-alma.
Considerando as diversas conceituações de saúde e doença, assinale a alternativa CORRETA:
A distinção entre o normal e o anormal (patológico) trata-se de uma questão de grau e não de natureza, ou seja, nos indivíduos “normais” e nos “anormais” existem as mesmas estruturas de personalidade e de conteúdos, que, se mais, ou menos, “ativadas”, são responsáveis pelos distúrbios no indivíduo.
A Psicologia nasce enquanto disciplina científica no final do século XIX impulsionada por questionamentos que passam a surgir acerca da problemática saúde x doença.
O sofrimento psicológico pode levar à desadaptação social que por sua vez pode determinar uma ordem de distúrbio psíquico, o que torna possível sempre perceber uma relação de causa e efeito entre ambos.
A Psicologia ao se capilarizar na área da promoção da saúde e consolidar-se como ciência desenvolve psicotécnicas que podem ser aplicadas em treinamentos, qualificações e capacitações organizacionais com vistas a melhorar a qualidade de vida das pessoas. As psicotécnicas nivelam os sujeitos em relação a critérios de normalidade e anormalidade que se aproximam da definição do conceito de saúde como ausência de doença.
Todas as alternativas estão incorretas.
O conceito de saúde e doença vem evoluindo ao longo dos anos. Nesse sentido assinale a alternativa que afirma que o modelo do processo de saúde e doença advém de um patógeno:
Modelo biomédico;
Modelo comportamental;
Modelo psicossomático;
Modelo cognitivo.
Leia as afirmativas a seguir:
I. O baixo nível educacional dos pais está relacionados a alguns fatores de risco para o desenvolvimento dos seus filhos, como o acesso aos serviços básicos de saúde.
II. O acompanhamento pré-natal irá contribuir para a saúde mental e física da mãe e do bebê.
Marque a alternativa CORRETA:
As duas afirmativas são verdadeiras.
A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.
A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa.
As duas afirmativas são falsas.
Figueiredo (1997) afirma:
as duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira (A afirmativa I refere-se ao modelo psicossocial e II ao modelo psicológico)
as duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira (A afirmativa I refere-se ao modelo psicológico e II ao modelo psicanalítico).
a primeira afirmação é verdadeira e a segunda é falsa (A afirmativa I refere-se ao modelo psicossocial e II ao modelo psicanalítico).
a primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira (A afirmativa I refere-se ao modelo psicanalítico e II ao modelo psicossocial).
as duas afirmações são falsas (A afirmativa I refere-se ao modelo biomédico e II ao modelo biopsicossocial).
Na contemporaneidade “é a mídia quem decide, através de modelizações psicomercadológicas, o que iremos desejar” (Coser, 2010). Para o autor, a sociedade deixou de viver em uma época em que a ausência de doença era ponto de partida para :
iniciar qualquer tratamento, para uma outra em que o acesso aos serviços de saúde depende da gravidade da doença
o acesso aos serviços de atenção secundária e terciária, para uma época em que só é possível acessar os serviços de saúde se uma doença encontrar-se efetivamente em curso e for previamente diagnosticada em um serviço de atenção primária
uma vida saudável, para uma outra em que a possibilidade de adoecer outorga a cada um a responsabilidade pela gestão dos seus riscos, no lugar do direito à saúde surge o dever de ficar bem
poder iniciar um contrato de trabalho, para uma época em que estar doente não impossibilita o início de um contrato de trabalho em empresas privadas e estatais
Segundo o Ministério da Saúde, a Clínica Ampliada parte do pressuposto da determinação social do processo saúde/doença, no entanto, não perde de vista que cada pessoa interfere de modo ativo nesse processo. Dessa forma, fica clara a necessidade de
coletividade e gestão verticalizada.
antagonismo e individualidade.
protagonismo e autonomia.
singularidade e resiliência.
A reabilitação psicossocial pode ser um paradigma no qual se desvela que:
A psiquiatria revela um conjunto de ações práticas inclusivas, equânimes e universalistas.
O paciente e sua família não são incluídos como parceiros na cura e na condução de seu projeto terapêutico.
O paciente é o único sujeito responsável pela condução de ser tratamento e de seu percurso institucional.
A psiquiatria é um conjunto de estratégias de manutenção do paciente e do cuidador “dentro” de uma auto-reprodução da doença e da cura.
Segundo Queiroz 2015, o conceito de qualidade de vida relacionado à saúde refere-se
aos valores estáticos já consolidados na vida do indivíduo.
à avaliação feita a partir da perspectiva biomédica da área da saúde.
à avaliação das circunstâncias da vida atual do indivíduo.
aos fatores objetivos e indicadores quantitativos.
As práticas de saúde no modelo biopsicossocial refletem a necessidade de formas mais humanizadas de lidar com o sofrimento e a doença do indivíduo. Nesta perspectiva, sobre a atuação do psicólogo na assistência ao paciente é correto afirmar que:
Atua na coordenação, ajuda na adaptação, interconsulta, enlace, assistência indireta e gestão de recursos humanos;
Atua como minimizador da angústia e da ansiedade do paciente, "favorecendo a expressão dos sentimentos e auxiliando na compreensão da situação vivenciada";
Proporciona verbalização das fantasias, bem como atenuando a confiança entre paciente e equipe de saúde;
Faz-se dispensável, principalmente, a atuação na reorganização do esquema da consciência do paciente no mundo e sua imagem corporal, necessários para a reestruturação do autoconceito.
O diagnóstico de depressão na população oncológica representa um grande desafio, vistas as características associadas com o avanço do câncer. Dentre esses efeitos, encontram-se a perda de regulação e baixa constância do sistema imunológico e seus resultados adversos para a saúde.
A respeito da prática do profissional da Psicologia no contexto saúde de maneira geral e do hospital, mais especificamente:
Deve ser orientada somente a Psicoeducação, uma vez que essa pode aumentar o seu lócus interno de controle em relação ao seus adoecimentos, aumentando sua autonomia diante do seus diagnósticos.
Pode ser orientada a buscar suporte social, desenvolver habilidades para resolver problemas e ampliar repertórios de enfrentamento (coping) diante do adoecimento e dos desdobramentos dessa condição.
Pode ser orientada a buscar a integração com diferentes dimensões que compõem a subjetividade do paciente, incluindo a religiosa/espiritual que fundamenta os protocolos de cuidados paliativos.
Deve ser orientada a integrar pacientes, familiares e profissionais da saúde em um objetivo comum que consiste na cura da doença, ainda que a autonomia do paciente seja renunciada em favor da vida.
Deve promover medidas de adesão às terapêuticas propostas pela equipe multiprofissional no contexto hospitalar, não cabendo promover estilos de vida mais saudáveis, posto que é uma ação respectiva à atenção primária.