Questões de Concurso sobre Psicologia Jurídica/Forense

 
 
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O grande estudioso do abuso sexual infantil, Tilman Furniss, explica o estereótipo da “criança sedutora” (que seduz o pai e aprecia o abuso), da seguinte maneira:


A

A criança deve ser sempre responsabilizada pela situação juntamente com seus genitores, pois o abuso é uma via de mão dupla e isso é uma précondição para qualquer trabalho terapêutico.


B

É muito comum na atualidade encontrarmos a criança que busca o abuso e tem prazer nele, cabendo ao adulto interromper a situação comunicando a autoridade judiciária obrigatoriamente.


C

Não cabe ao genitor traçar as fronteiras adequadas para a exacerbação da sexualidade de sua criança, devendo a família procurar ajuda psiquiátrica para conter de forma medicamentosa o comportamento transgressor.


D

A invasão das mídias eletrônicas tornam a barreira da sexualidade dentro do espaço privado mais tênue, cabendo ao pai entender e participar das propostas sexualizadas da criança, para que em momento posterior, com a chegada da adolescência, isso possa ser interrompido, explicado e entendido.


E

Tal situação tem pouco a ver com a realidade do abuso sexual da criança, pois ainda que haja um comportamento sexualizado da criança, ela nunca poderia ser responsabilizada pela situação.

O nome dado ao processo em que um terceiro busca levar as partes a um entendimento com vistas a um acordo e tem como objetivo central por fim ao conflito manifesto é


A

psicoterapia de base analítica.


B

avaliação psicológica com fins periciais.


C

perícia.


D

conciliação.


E

terapia adversarial.

Muitos estudos focalizam padrões transgeracionais de relacionamentos violentos e sua repetição, sendo comum a utilização, de uma representação gráfica da família, considerando as várias gerações, que fornece um mapa para investigação e melhor compreensão das alianças, delegações, das redes de relacionamentos e do ciclo de vida familiar. Trata-se


A

do intergeracional.


B

da anamnese.


C

do mapa familial.


D

do cenário familiar.


E

do genograma.

Malvina Ester Muskat atua como mediadora com famílias que vivem situação de graves conflitos ou de violência. Esta autora acredita que a mediação tem como objetivo primeiro garantir uma situação de equidade entre as partes mediadas, isto é, que se em dada família um de seus membros se encontra em situação de submissão ou opressão em relação ao outro, não será, portanto, atendido este princípio, porque o indivíduo não estará em condições de igualdade do ponto de vista


A

educacional e/ou jurídico.


B

étnico e/ou social.


C

moral e/ou psicológico.


D

amoroso e/ou simbólico.


E

citadino e/ou político.

No que se refere ao processo de conciliação é correto afirmar:


A

procedimento que, na maioria dos casos, se restringe a uma reunião entre as partes e o conciliador, no intuito da busca de um acordo imediato para pôr fim à controvérsia ou ao processo judicial, sendo que o procedimento não requer o conhecimento da interrelação das partes em conflito.


B

o conciliador, para poder melhor auxiliar as partes em conflito, deve ter mais tempo para investigar toda a complexidade da inter-relação, que demanda pelo terceiro em função da necessidade de se ter um conhecimento mais profundo sobre o caso, viabilizado em programa de 6 encontros.


C

a conciliação não visa pura e simplesmente ao acordo, mas a atingir a satisfação dos interesses e das necessidades dos envolvidos no conflito, estimulando o diálogo cooperativo nas reuniões mensais entre as partes, pelo período de 1 ano, para que alcancem a solução das controvérsias em que estão envolvidos.


D

a conciliação é um método de resolução de conflitos em que um terceiro independente e imparcial coordena reuniões conjuntas ou separadas com as partes envolvidas em conflito, em que o acordo passa a ser a consequência lógica, a acontecer em um prazo máximo de 15 meses.


E

a conciliação tem como um dos seus objetivos estimular o diálogo cooperativo entre as partes para que alcancem a solução das controvérsias durante a realização de 10 encontros focais e temáticos.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é, em geral, mantida em segredo por anos, até que as vítimas consigam revelar os abusos ou alguém os denuncie. Nesses casos, é muito importante


A

entender que a violência sexual determina e reproduz a violência vivida pelo perpetrador do abuso.


B

precaver-se contra a vítima, pois ela, em função do abuso, não é mais capaz de administrar suas vivências violentas e torna-se, portanto, também violenta.


C

incentivar a vítima a falar sobre a situação abusiva, indicando-lhe que, a despeito de ter sido nela envolvida, não é responsável pelo abuso.


D

cuidar do agressor, pois ele comete o ato abusivo por problemas psicológicos, como desajuste social e ausência de sentimento moral.


E

configurar a violência como uma questão que decorre de conflitos interpessoais entre pais e filhos.

Para Álvaro Chrispino (2007), se o conflito é inevitável, devemos aprender o ofício da “mediação de conflito”, entendido como o procedimento em que


A

o mediador, nomeado pela equipe gestora da escola, induz atitudes de tolerância e responsabilidade para uma nova ordem social ao investigar, identificar e punir os causadores do conflito.


B

os participantes, com a assistência de um mediador, colocam as questões em pauta com o objetivo de desenvolver opções, considerar alternativas e chegar a um acordo que seja mutuamente aceitável.


C

o mediador escuta e analisa as argumentações dos envolvidos com o objetivo de definir, com base nos dados coletados, as estratégias adequadas para resolver a situação e definir as responsabilidades.


D

os participantes nomeiam um mediador para uma discussão assistida que tem por objetivo identificar as circunstâncias e causas do conflito para definir as medidas cabíveis em relação aos envolvidos.


E

os envolvidos no conflito são ouvidos por um mediador, designado pela gestão da escola, visando inibir manifestações conflituosas e promover um ambiente saudável de controle social no contexto escolar.

Com relação aos limites éticos da perícia psicológica na área forense, analise as alternativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta.

I. vedado ao psicólogo ser perito de pessoa por ele atendida ou em atendimento.

II. Deve-se considerar que na área penal, o sujeito periciado não é o cliente do psicólogo e sim, o sistema mais amplo da sociedade.

III. O psicólogo, quando solicitado pelo examinado está obrigado a fornecer a este cópia das informações que foram encaminhadas ao solicitante.

IV. O psicólogo perito tem autonomia para exame e verificação de responsabilidade penal, encaminhando, apenas se necessário, o sujeito periciado para avaliação psiquiátrica.


A

somente a I está correta


B

somente a II está correta


C

somente a II e III estão corretas


D

somente a III e IV estão corretas


E

somente a IV está correta

Na mediação transformativa, a atenção do mediador se concentra nas necessidades dos disputantes e em sua relação. Os mediadores facilitam um processo pelo qual os próprios disputantes determinam o rumo e o resultado da


A

lide e investem em obrigatoriamente obter um acordo, já que este é o objetivo primeiro do processo.


B

mediação, não importando se isto acabará levando a um acordo ou não.


C

disputa, em que quem tiver a opção mais aplicável ganhará prioridade no acordo urgente.


D

solução, sendo que não é objetivo, neste momento, desenvolver a consciência social de que conflito e resultados precisam ser em consenso.


E

resolução do conflito, sem que se precise considerar que cada um tem seus motivos, pois o que importa é a assunção de um encaminhamento transformativo.

Na mediação de conflitos, a consciência de Si e do Outro (o reconhecimento do Outro como diferente de Mim) é condição básica para a proposição de um diálogo e para se garantir, dentro das diferenças, o princípio da


A

estrutura básica.


B

moralidade.


C

equidade.


D

desigualdade.


E

normalidade.

Na abordagem de John M. Haynes (descrita no livro Fundamentos da Mediação Familiar), quando um ou ambos os cônjuges abusam de álcool e/ou drogas, o mediador deve estabelecer regras específicas para lidar com esta condição. Informam aos clientes que eles devem vir a cada sessão livres de substâncias. Se algum membro do casal vem à sessão sob o efeito de alguma substância química, a sessão será


A

cancelada em favor de sua própria proteção e esta pessoa pagará pelo horário, já que alcoolizados ou drogados não podem representar adequadamente seu legítimo interesse individual.


B

adaptada, sendo que o mediador conversa com o membro do casal não alcoolizado, para lhe oferecer suporte diante do cônjuge em mal estado.


C

mantida, uma vez que o cônjuge não alcoolizado ou drogado demanda ajuda e não pode controlar a atitude do outro, que tão logo recuperar-se-á deste estado.


D

postergada em uma hora para que o casal possa dialogar em situação de sanidade mental, propiciando assim a viabilidade dos acordos.


E

reorganizada de modo a oferecer chances iguais e controlar o perigo de uma lide interminável, já que se deva tentar, via mediação, a aproximação e pacificação das partes.

A resolução de um conflito por meio do compromisso resulta em soluções que satisfazem pelo menos em parte o interesse


A

latente por trás do conflito.


B

subjacente por trás do conflito.


C

original por trás do conflito.


D

potencial por trás do conflito.


E

oculto por trás do conflito.

O mediador pode assumir vários papéis para ajudar as partes na resolução de disputas, entre eles o de agente de realidade, ou seja, ele


A

pode assumir certa responsabilidade ou culpa por uma decisão impopular que as partes, apesar de tudo, estejam dispostas a aceitar.


B

ajuda a elaboração de um acordo razoável e viável e questiona e desafia as partes que têm objetivos radicais e não-realistas.


C

toma a iniciativa de prosseguir as negociações por meio de sugestões processuais ou fundamentais.


D

proporciona assistência às partes e as vincula a especialistas e a recursos externos (ex: advogados, especialistas técnicos) que podem capacitá-los a aumentar as opções aceitáveis de acordo.


E

instrui os negociadores iniciantes, inexperientes ou despreparados no processo de barganha.

Em um processo de separação judicial, a mãe requer a guarda exclusiva de seu filho. Em entrevista com a criança, o psicólogo relata as seguintes características: a criança diz odiar o pai e também seus tios e avós, conta que o pai sempre foi ausente e que sempre sentiu falta de amor por parte dele. A mãe foi considerada pelo psicólogo como superprotetora e vitimizada em relação ao pai, por quem nutre muito ódio e desejo de vingança. Com base nessa situação, assinale a alternativa que apresenta uma conclusão correta do psicólogo.


A

O relato da criança aponta para um transtorno de estresse pós-traumático, provocado por provável abuso sexual. A guarda exclusiva é recomendada.


B

Trata-se de um caso de Síndrome de Alienação Parental. Recomendam-se entrevistas conjuntas com os pais da criança, para o diagnóstico da síndrome e futuros encaminhamentos.


C

Trata-se de uma manipulação da criança que, na verdade, quer ficar com pai em detrimento da convivência com a mãe.


D

A guarda exclusiva deve ser deferida, tendo em vista que a criança aparenta ter dificuldades em discernir fantasia de realidade.


E

Trata-se de um caso de abuso moral contra a criança; assim, a guarda deve ser dada exclusivamente à mãe e seus familiares diretos.

A Síndrome de Alienação Parental tem sido tema recorrente em disputa de guarda de filhos em processos de separação e divórcio. Essa síndrome foi descrita por Gardner, psiquiatra norte-americano, como


A

o processo que consiste em fazer uma criança esquecer-se de um de seus genitores.


B

o recurso utilizado pelos pais de uma criança para que ela passe a odiar seus avós maternos ou paternos.


C

o meio pelo qual um adulto passe a odiar seus filhos, abrindo mão de sua guarda.


D

o processo que consiste em “programar” uma criança para que odeie um de seus genitores, sem justificativa.


E

o processo que consiste em manipular um dos genitores para que ele escolha ficar com apenas um filho.

O objetivo dos programas de prevenção da violência não é discutir o papel da qualidade afetiva dos cuidados oferecidos à criança no desenvolvimento futuro da pessoa adulta, mas, sim, promover ações que eliminem a violência.


C
Certo

E
Errado

Para que o processo de mediação ocorra sem grandes oscilações, algumas normas devem ser estabelecidas, como: intimidade, confidencialidade, liberdade de expressão, compromisso com o diálogo e imparcialidade. Assinale a alternativa que apresenta esclarecimento correto a respeito de uma dessas normas.


A

Intimidade: o mediador compromete-se, diante das pessoas às quais presta ajuda, a guardar sigilo sobre o conteúdo das conversações.


B

Confidencialidade: os protagonistas do conflito não serão forçados a falar mais do que considerarem parte de sua intimidade.


C

Liberdade de expressão: os protagonistas comprometem-se a expressar-se com liberdade, mas assumindo que, nos diálogos, estão proibidos os insultos e os ataques verbais, físicos ou psicológicos.


D

Compromisso de diálogo: o mediador compromete-se a não tomar partido de nenhuma das partes em conflito.


E

Imparcialidade: os protagonistas devem comprometer-se a falar de suas dificuldades e conflitos nas sessões de trabalho.

A respeito do trabalho multidisciplinar para a responsabilização do adolescente, seguindo as diretrizes do SINASE quanto à medida socioeducativa, julgue os itens que se seguem.

I A responsabilização da criança pelos seus atos é consequência inerente do processo de desenvolvimento, e não resulta apenas da aplicação de sanções.

II A introjeção das normas, dos limites e do respeito ao outro é fundamental no processo de socialização. Não se trata de colocar em questão se a criança e o adolescente devem, ou não, responsabilizar-se por seus atos, mas de investigar acerca de quais são as experiências ou as condições necessárias para o processo da interdição ao interdito.

III A apenação de crianças e adolescentes e a consequente condição criminal atingem profundamente a construção identitária desses sujeitos. Além dos aspectos jurídicos assistenciais, cabe considerar a vulnerabilidade do adolescente às expectativas sociais a seu respeito, caracterizando-se a delinquência juvenil como temática multidisciplinar.

IV Medidas sancionatórias são favoráveis ao processo de responsabilização do adolescente pelos seus atos infracionais, independentemente da forma como são aplicadas.

A quantidade de itens certos é igual a


A

0


B

1


C

2


D

3


E

4

As queixas apresentadas pela paciente são típicas de mulheres que vivem em situação de violência doméstica, em que a relação e o contexto familiar se tornam estímulos condicionados sinalizadores de abuso iminente, com efeitos sobre a saúde física da vítima.


C
Certo

E
Errado

Considerando que a intervenção do psicólogo junto a adolescentes, em cumprimento de medida socioeducativa, não pode prescindir de uma contextualização da questão em sua dimensão política, social e ética, assinale a alternativa incorreta.


A

A intervenção do psicólogo insere-se em uma incursão para reconhecer e compreender o sofrimento do adolescente, promovendo contextos de possibilidades para sua legitimação e ressignificação.


B

Concerne ao psicólogo, antes de tudo, o resgate do adolescente em conflito com a lei encarado como um sujeito com voz e vez diante da cena na qual situa sua atual condição de vida, e, portanto, alvo de uma intervenção judicial.


C

A intervenção psicológica na justiça implica o reconhecimento de um sujeito que porta uma demanda que cabe decodificar e compreender.


D

O propósito do psicólogo é o resgate do sujeito adolescente que sofre de algo que só com ele pode-se conhecer.


E

O psicólogo, no contexto da justiça, fica impedido de atender a demandas clínicas do sujeito, devendo seguir a rigor sua função primordial de assessorar o juiz na definição da sentença.

   
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