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Paulo Freire afirma que a educação é um ato, especificamente humano, de intervenção no mundo. O conceito de educação como interversão, para este educador, refere-se tanto àquela que aspira a mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, à saúde, quanto à que:
pretende imobilizar a História e manter a ordem injusta;
propõe atacar os sintomas sem eliminar as causas;
pressupõe ensinar a defesa do interesse das classes dominantes;
defende os preconceitos de classe, raça e religião;
pretende impedir a mobilidade vertical das classes oprimidas.
A intervenção para favorecer a adaptação em famílias adotivas deve ser centrada na criança, que perdeu seu primeiro referencial, e não na família adotiva que, quando selecionada, está apta para a adoção.
Ao discutir saberes fundamentais à prática educativo-crítica, Paulo Freire afirma que não há docência sem discência. Neste sentido, para ele, ensinar é:
estruturar programas adequados para treinar o aluno;
elaborar técnicas para transferir conhecimento;
criar as possibilidades para produção do conhecimento;
ensinar os conteúdos pedagógicos objetivamente;
reforçar os comportamentos necessários para a aprendizagem.
Segundo Freire, a prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer. É fundamental, segundo o autor, que na prática da formação docente:
o pensar certo que supera o ingênuo seja produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador;
a aceitação e manutenção de pressupostos promovam, de modo harmônico, o treinamento para o desempenho de destrezas;
o pensar sobre o fazer seja substituído pela ciência e técnica com vistas à preparação de força de trabalho para o mercado;
os educandos sejam treinados com técnicas didáticas que permitam a transferência de conhecimento aos seus alunos;
o pensar certo não sobreponha o ingênuo que permite a manutenção das condições de infra-estrutura para a excelência do ensino.
Relacione as colunas tomando com referência tipos de debilidade mental e suas possibilidades psicopedagógicas com as respectivas possibilidades psicossociais.
1) leve: educável.
2) moderada: treinável.
3) severa: semitreinável.
4) profunda: ineducável.
( ) necessita supervisão.
( ) dependente.
( ) autonomia.
( ) relativa autonomia
Em "Pedagogia da autonomia", Freire apresenta um elenco de saberes necessários à prática educativa, considerando-a como dimensão social da formação humana. Este elenco de saberes foi dividido, pelo autor, em três categorias de temas, a saber:
não há docência sem discência; ensinar é transferir experiência; ensinar é uma especificidade humana;
não há docência sem discência; ensinar não é transferir conhecimento; ensinar é uma especificidade humana;
não há docência sem discência; ensinar não é transferir conhecimento mas reproduzi-lo; ensinar é uma especificidade humana;
não há docência sem discência; ensinar é transferir experiência; ensinar é uma especificidade humana e de animais superiores;
não há discência sem docência; ensinar não é transferir conhecimento; ensinar é uma capacidade humana e de animais superiores.
Ao avaliar a leitura, o psicopedagogo deve explorar:
apenas um tipo de leitura escolhido pelo profissional, mas que contenha os elementos básicos para uma avaliação segura;
leitura recreativa (histórias), leitura informativa (regras de jogos), enunciado dos problemas, desafios e questões diversas;
principalmente a leitura de poesias em forma de quadras, com rimas pobres, mas que sejam recreativas (histórias) e informativas (regras de jogos);
apenas leitura de trava-língua, inserindo o lúdico como desafio permanente;
textos com grandes gravuras, e apenas uma palavra, para forçar a leitura não-verbal em oposição à leitura linear.
Ao avaliar a escrita do aprendente o psicopedagogo atém-se:
aos aspectos que auxiliem na compreensão da queixa formulada no início do processo diagnóstico;
aos erros, corrigindo-os como se fosse uma prova que valesse nota e da qual dependesse o aprendente para ser promovido de uma série para a outra;
apenas à má caligrafia do aprendente e à falta de estética do texto escrito;
somente ao número de vezes que o aprendente usou a borracha, para avaliar-lhe a dependência deste material;
especialmente à força com que o aprendente segura o lápis e com isso verificar o desgaste do material utilizado.
Cada sujeito tem uma maneira especial de construir o seu saber e aproximar-se do conhecimento. Este fato em psicopedagogia é denominado:
construção do caráter;
modalidade de aprendizagem;
evolução afetiva;
crescimento emocional;
maturação
O processo lúdico é fundamental no trabalho psicopedagógico porque:
possibilita ao terapeuta conhecer a família do aprendente em suas condições ambientais;
é impossível realizar o trabalho sem a utilização dos jogos e brincadeiras;
no processo lúdico, estando a criança em interação com o outro e com o meio, dá-se a aprendizagem;
delimita nitidamente o aprender e o brincar, criando as condições ideais para o crescimento social;
faz que a criança viva plenamente a infância e, com isso, já possa ir se revelando como um adulto equilibrado e integrado.
Na visão de Alícia Fernández, o fracasso escolar afeta o aprender do sujeito sem chegar a aprisionar a inteligência e, muitas vezes, advém do choque entre o aprendente e a escola. Em geral, diante de uma situação de fracasso escolar o psicopedagogo faz uma intervenção dirigida:
à escola, no intuito de que esta reveja a metodologia, a linguagem, o vínculo e as modalidades de ensino;
à família, responsabilizando-a pelo fracasso do filho e sugerindo alterações nos valores que lhe direcionam a formação;
ao sujeito que não aprende, procurando adequá-lo a normas mais rígidas de controle e de aprendizagem;
à modalidade de aprendizagem da família, orientando os pais quanto às condutas adequadas à aprendizagem;
à direção da escola e ao regimento escolar inadequado, propondo reformulações que atendam às necessidades dos aprendentes.
Ao avaliar a leitura em voz alta, o psicopedagogo verifica a:
pontuação e a respiração do aprendente, considerando o ritmo impresso à leitura;
troca de letras como dado de maior expressão, para encaminhar o aprendente a um especialista;
dificuldade em fazer a pontuação, como decorrência da falta de ritmo na leitura;
omissão de sílabas, como sintoma de problemas articulatórios graves;
entonação, a pontuação, a junção, a omissão e o deslocamento de letras, sílabas, palavras e frases.
A autora Alicia Fernández faz distinção entre quatro modalidades de ensino, às quais denomina com os seguintes termos:
criar, desejar, praticar, desfazer;
planejar, executar, expor, registrar;
sonhar, elaborar, realizar, desfazer;
pensar, organizar, revelar, ocultar;
mostrar-guardar, esconder, exibir, desmentir.
A informática é mais um recurso utilizado pelo psicopedagogo nos processos diagnóstico e terapêutico. O uso do computador possibilita observações importantes como:
o entretenimento preferido pelo aprendente, dentre as inúmeras opções que a indústria de softwares vem desenvolvendo, para se verificar se opta por jogos com maior ou menor grau de violência;
os níveis de solução de problemas, a lógica usada na busca de soluções, o nível de atenção e o foco na tarefa, a memorização de novos comandos e seqüências funcionais, o nível de resistência à frustração;
o conhecimento de softwares infantis e o domínio desses programas na geração de idéias que permitam verificar a capacidade do aprendente para solucionar problemas no hardware;
o conhecimento dos princípios da informática relacionados a programas de hardware, a periféricos e utilização da internet;
a relação que o aprendente tem com a informática e como usa os recursos como Internet e Intranet, bem como a sua capacidade de utilização de mensagens nos endereços eletrônicos.
Segundo Maria Lúcia Lemme Weiss, "É preciso resgatar, desde o diagnóstico, o hábito de ler, criandose a idéia de atividade prazerosa". De acordo com o pensamento da autora, o psicopedagogo, ao avaliar a leitura deve:
selecionar textos complexos que obriguem o aprendente a forçar a capacidade de concentração;
selecionar textos do interesse do aprendente e adequados ao seu nível de escolaridade;
apresentar reportagens sobre economia internacional, como uma maneira de integrar o aprendente no processo de globalização;
oferecer aos adolescentes coletâneas de textos alusivos à adolescência no século XVI;
usar apenas revistas em quadrinhos, dispensando livros, crônicas e reportagens.
Ao final de uma leitura, o psicopedagogo necessita verificar se o aprendente compreende o texto, se é capaz de sintetizá-lo. Essa verificação pode ser feita por meio de:
dissertação, com um mínimo 40 linhas, sobre o assunto lido, na qual manifeste seu pensamento com clareza, coerência e concisão;
questionário de várias perguntas, respondido por escrito, retirando pontos caso ocorram erros de ortografia;
desafio lançado ao aprendente para que diga em apenas uma frase de que trata a história, o texto e, dialogando, verificar se é capaz de hierarquizar os fatos, se captou a seqüência temporal e se estabelece relação de causalidade;
desafio feito ao aprendente no sentido de responder oralmente a vasto questionário sobre o texto lido, cuidando para que as respostas reproduzam textualmente o que foi lido;
texto idêntico ao lido pelo aprendente, com lacunas em branco, que serão preenchidas com as palavras que faltam, devendo-se estipular um tempo de 3 segundos para cada lacuna.
Se um psicopedagogo está avaliando um aprendente, que está cursando a 3ª série do ensino fundamental e tem uma queixa de dificuldade especificamente em matemática, há necessidade de se avaliar mais detalhadamente:
se resolve corretamente cálculos que envolvam raiz quadrada aplicados em questões concretas de seu diaa- dia;
se opera mentalmente a multiplicação de números decimais, principalmente as relacionadas a operações de câmbio e ações de bolsas de valores;
a resolução de equação de 2º grau que envolvam situações de juros simples e compostos;
o raciocínio matemático, o cálculo, a leitura e compreensão de problemas e questões;
o conhecimento de geometria a partir da proposição de problemas em cuja leitura estejam presentes figuras do mundo concreto do aprendente.
A técnica diagnóstica "Hora do Jogo" geralmente é realizada com crianças até nove anos, pois depois dessa idade observamos que as crianças:
não conseguem mais abstrair o pensamento, envolvidos que estão na realidade concreta:
embora gostem da técnica, ainda não atingiram o nível mental que permita respostas corretas;
tornam-se desatentas e hiperativas, não se adequando a atividades que impeçam movimentos com gasto de energia;
preferem jogos de regras, e uma atividade superada pode torná-las confusas;
só têm interesse por jogos motores que despertam nelas a hiperatividade e a desconcentração.