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Sendo a sociedade uma realidade ao mesmo tempo objetiva e subjetiva, qualquer adequada compreensão teórica relativa a ela deve abranger ambos esses aspectos, que recebem correto reconhecimento se a sociedade for entendida em termos de um processo dialético em curso, composto de três momentos: exteriorização, objetivação e interiorização. Somente depois de ter realizado a interiorização é que o indivíduo se torna membro da sociedade, o que se dá pelo processo ontogenético da socialização – primária e secundária.
Com relação ao processo de socialização, assinale a alternativa incorreta.
Os conteúdos específicos que são interiorizados na socialização primária variam naturalmente de sociedade para sociedade. Alguns encontram-se em toda parte. É a linguagem que tem de ser interiorizada acima de tudo, pois é por meio dela que vários esquemas motivacionais e interpretativos são interiorizados com valor institucional definido.
A socialização primária não depende apenas do aprendizado cognoscitivo a que a criança é submetida, da mesma forma que a socialização secundária também não depende do status do corpo de conhecimento e do universo simbólico considerado como uma totalidade.
A socialização primária é a primeira socialização que o indivíduo experimenta na infância, e em virtude da qual torna-se membro da sociedade. É nela que é construído o primeiro mundo do indivíduo e dela implica-se sequências de aprendizado socialmente definidas. Ela termina quando o conceito de outro generalizado é estabelecido na consciência do indivíduo.
A socialização secundária é qualquer processo subsequente que introduz um indivíduo já socializado em novos setores do mudo objetivo de sua sociedade. É a interiorização de “submundos” institucionais, a aquisição do conhecimento de funções específicas, funções direta ou indiretamente enraizadas na divisão do trabalho.
Texto 1:
“Desde que se compreenda em toda a sua amplitude a noção de disciplina, desde que se reconheça que uma disciplina escolar comporta não somente as práticas docentes da aula, mas também as grandes finalidades que presidiram sua constituição e o fenômeno de aculturação de massa que ela determina, então a história das disciplinas escolares pode desempenhar um papel importante não somente na história da educação, mas na história cultural”.
(CHERVEL, André. História das disciplinas escolares: reflexões de um campo de pesquisa. Teoria & Educação. 2, 1990).
Texto 2:
“Ao discorrer sobre a construção das disciplinas escolares, em particular sobre a ortografia francesa, Chervel criticava os esquemas explicativos que posicionavam o saber escolar como um saber inferior ou derivado dos saberes superiores, fundados pelas universidades; e a noção da escola como simples agente de transmissão de saberes elaborados fora dela [...]”.
(FARIA FILHO, L.M. et al. A cultura escolar como categoria de análise e como campo de investigação na história da educação brasileira. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 1).
André Chervel, no texto “História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa”, afirma que cada uma das disciplinas que compõe o currículo escolar são:
Construções provenientes dos consensos sociais que se impõem sobre a escola.
Conteúdos rígidos e fixos ensinados na escola, que perpassam gerações sem alterações.
Tradução das ciências consideradas pela sociedade como relevantes para serem ensinadas às gerações mais jovens.
Produto próprio da escola e da cultura escolar, na mediação que realiza com um campo de conhecimento.
A intensa incorporação de jovens ao Ensino Médio brasileiro nos últimos anos tem imposto inúmeros desafios à instituição escolar. O perfil heterogêneo e a origem social diversa desses jovens, associados à estrutura social de exclusão e ao cotidiano de conflitos e violência mais extremada, suscitam novas reflexões e atitudes ao corpo pedagógico das escolas. A respeito dessas modificações mais recentes na relação entre a escola e o contexto socioeconômico dos jovens que a frequentam, é correto afirmar que:
A experiência escolar é compreendida como o que ocorre dentro dos muros da instituição escolar, suas atividades pedagógicas e as tarefas administrativas.
A condição juvenil desassocia-se da condição de aluno, por isso, a utilidade e o viés da aprendizagem têm de ser estabelecidos pelos profissionais da educação, conforme seus próprios critérios técnicos.
A socialização no ambiente escolar deixou de ser uma adesão automática e passiva a esquemas de pensamento e ação previamente definidos para se constituir numa construção da experiência conforme as peculiaridades e a orientação de sentido de cada estudante nesse processo.
Os episódios de violência observados no interior ou nos arredores de escolas públicas e privadas pelo país não dizem respeito ao sistema educacional, devendo ser considerados apenas pelo prisma do direito penal.
Mantém-se a cisão entre as regras, normas, valores e procedimentos escolares e aquilo que os estudantes trazem consigo de suas comunidades e famílias, como a religião, costumes, preferências musicais, formas de entretenimento, dentre outros.
“Os programas contra a violência que existem nos principais países têm alguns pontos em comum: a tentativa de satisfação das necessidades dos jovens; o desenvolvimento de um ambiente solidário, humanista e cooperativo; a intenção de criar relacionamentos positivos e duradouros entre os alunos, professores e funcionários; a preocupação com um tempo não-escolar a ser assumido pela instituição escolar e a ser programado em interação com a comunidade. Ao mesmo tempo, há um objetivo de se incorporar o conflito como uma tensão positiva para a escola, como algo que pode criar coesão social, a escola assumindo o conflito como criador social. Tudo isso implica em assumir uma prática de negociação instaurada no interior da escola, em especial nos próprios grupos de alunos, através, por exemplo, da ideia de mediação pelos pares, de forma a criar responsabilidades entre os próprios membros da escola”.
TAVARES-DOS-SANTOS, José-Vicente. A violência na Escola, uma questão social global. In: BRICEÑO-LEÓN, Roberto (org.). Violência, Sociedad y Justicia em America Latina. Buenos Aires: CLACSO, 2002. p. 117-133.
Considerando o que se afirma no texto acima, assinale a afirmação verdadeira.
“A ‘função’ de reprodução da escola é uma invariante das sociedades modernas, que precisam encontrar nos veredictos escolares, ratificando as competências e o mérito das pessoas, a justificativa das hierarquias sociais produzidas pelas desigualdades escolares. Consequentemente, a reprodução passaria, primeiro, pela transformação das desigualdades sociais em desigualdades escolares de mesma extensão e, depois, das desigualdades escolares em desigualdades sociais em um circuito idêntico de repetição.” DUBET, François; DURU-BELLAT, Marie; VÉRÉTOUT, Antoine. As desigualdades escolares antes e depois da escola: organização escolar e influência dos diplomas. In: Sociologias, Porto Alegre, ano 14, nº 29, jan./abr. 2012. p. 22-70.
Considerando o excerto acima, assinale a afirmação verdadeira.
A respeito dos padrões de comportamento social que podem ser observados nos diversos contextos ou grupos sociais e que influenciam na conduta de seus membros, identifique com V ou F as proposi-ções, conforme sejam verdadeiras ou falsas.
( ) As formas como os indivíduos agem coletivamente, como eles se relacionam entre si, como produzem sua vida material e espiritual, são o que constrói a sociedade. Assim como os indi-víduos influenciam na dinâmica social, a sociedade também exerce influência sobre eles, ou seja, indivíduo e sociedade são interdependentes.
( ) O comportamento social humano, da mesma maneira que outras espécies que vivem coleti-vamente, é orientado pela cultura e também pelos instintos naturais. Assim, o comportamento humano baseado na cultura e na aprendizagem é o que une essencialmente o homem às demais espécies.
( ) Os padrões de comportamento coletivo são adquiridos. Tudo que os indivíduos compartilham ao viver em sociedade, suas crenças, valores e expectativas sociais é o resultado de um processo de aprendizagem da cultura, também denominado de socialização.
( ) Ao nascer, os indivíduos são dotados de potencialidades inatas como a linguagem, a inteli-gência, a postura bípede dentre outras. Todas essas potencialidades se desenvolvem natu-ralmente, independente do contexto social onde os indivíduos estão inseridos.
( ) As condutas que os indivíduos devem ou não assumir, como eles devem se relacionar e tudo o que é comum a eles derivam do convívio social. Em primeira instância, vem a família e, posteriormente, vão sendo somadas as vivências no bairro, na escola, nos grupos de referên-cia, a mídia etc.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
“O modo com o qual a linguagem opera a favor da normatividade é amplamente percebido no caso de Ana, chamada de “Canhão” (referente à estética), “Bombril”, “Cabelo de vassoura” (raça) e “Sargento”. Quanto a “sargento”, não consegui obter sequer uma justificativa por parte das crianças, mas acredito estar negativamente associado à postura exacerbadamente agressiva de Ana, o que a “masculinizaria”. Estigmatizada no olhar racializado dos garotos brancos, Ana ainda se torna alvo de chacota devido a um comportamento que transgride a matriz heterossexual. Mas, novamente, a reconfiguração do sexo e do gênero ganha um caráter de desvalorização. Através de um gênero masculinizado que não corresponde à linearidade esperada pela matriz heterossexual e na relação com outros marcadores sociais “desprivilegiados”, Ana tem garantido o “direito” a uma posição inferiorizada nas relações de poder produzidas no interior do grupo”.
SOUZA, Érica Renata. Marcadores sociais da diferença e infância: relações de poder no contexto escolar. Cadernos Pagu, n. 26, p. 169-199, 2006.
Considerando o que se afirma no texto, assinale a afirmação verdadeira.
O processo por meio do qual o indivíduo aprende a ser um membro da sociedade é designado pelo nome de socialização. O mesmo revela uma série de facetas diversas. (…) Vista sob este ângulo, a socialização é a imposição de padrões sociais à conduta individual. Conforme procuramos demonstrar, esses padrões chegam mesmo a interferir nos processos fisiológicos do organismo. Conclui-se que na biografia do indivíduo a socialização, especialmente em sua fase inicial, constitui um fato que se reveste dum tremendo poder de constrição e duma importância extraordinária.
(BERGER, Peter L.; BERGER, Brigitte. “Socialização: como ser um membro da sociedade”. In: FORACCHI, Marialice M.; MARTINS, José de Souza. Sociologia e sociedade: leituras de introdução à sociologia. Rio de Janeiro: LTC, 1977. p. 204).
O conceito de “socialização”, definido acima, atribui um papel destacado ao
conteúdo ensinado nas escolas públicas.
conflito preexistente entre classes sociais distintas.
processo de interiorização do mundo social na consciência das crianças.
fator biológico como definidor da personalidade.
conjunto de influências dos meios de comunicação de massa sobre os indivíduos.
“[...] tendo como meta escolas sem violências, é de indiscutível importância identificar medidas para que essas se apresentem como espaços seguros para todos os seus membros. Certamente, é consensual na sociedade que a segurança escolar constitui-se em um valor em si mesma, uma vez que afeta a vida, a integridade física, emocional e psicológica de alunos, professores, funcionários e pais/responsáveis. Ademais, a violência ou a ameaça de violência – em suas diversas modalidades – tem um impacto direto na qualidade da educação, no modo como os professores e estudantes desenvolvem seu trabalho em sala de aula, no ambiente escolar, no rendimento dos alunos e na qualidade de vida de suas famílias”
(ABRAMOVAY. Miriam. Programa de prevenção à violência nas. escolas. Disponível em http://flacso.org.br/files/2015/08/Violencias-nas- Escolas.pdf).
Considerando o que se afirma no texto acima, é correto dizer que
“À medida que a polícia possui atribuições e poderes para usar a força e manejar instrumentos visando ao seu exercício, ela pode facilmente praticar, nos mais diversos contextos nacionais, abusos ou excessos contra os cidadãos. Muitos desses excessos implicam o emprego da força como castigo, e não como um recurso instrumental para individualizar, identificar o autor, restringir ou prevenir condutas consideradas como juridicamente inaceitáveis. As condições de possibilidade para isso são os juízos morais de culpabilidade dos suspeitos, a desconfiança no sistema formal de justiça penal, como entidade à qual se reserva a imposição do castigo legal, e a existência de uma demanda social para que os policiais atuem como executores de castigos contra determinadas "clientelas". Embora os policiais entrevistados não possuam a mesma compreensão do castigo e dos meios para ministrálo, eles o praticam com apoio dos seus colegas de trabalho, de modo informal e com maior ou menor visibilidade, a depender das circunstâncias, contra certos indivíduos e grupos. Um aspecto decisivo para reduzir a possibilidade de castigo é o poder de reclamação do cidadão, traduzido em capacidade de denunciar e processar policiais por essa prática”. MUNIZ, Jacqueline de Oliveira; PAES-MACHADO, Eduardo. Polícia para quem precisa de polícia: contribuições aos estudos sobre policiamento. Caderno CRH, v. 23, n. 60, p. 437-447, 2010.
A partir do texto apresentado, escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma nos itens abaixo.
( ) As forças policiais são agências que possuem a função e a autorização para uso legítimo da força.
( ) A violência policial acontece quando policiais autorizados para o uso legítimo da força ultrapassam os limites e excedem suas funções ao violarem direitos de cidadania.
( ) Os excessos produzidos pelas forças policiais atendem aos anseios dos seus operadores que desejam usar o castigo físico como meio de resolver seus problemas.
( ) A violência policial atinge de maneira discriminada determinados sujeitos no interior de uma sociedade na qual determinados segmentos demandam esse tipo de ação.
Esta correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:

O comportamento nada mais é do que a expressão manifesta, expressa, aparente, de formulações bem mais profundas das pessoas e, por que não dizer, também das organizações, que são sempre constituídas de pessoas em permanente interação. Tendo em vista as influências sociais na formação da personalidade do indivíduo, analise as afirmativas a seguir.
I. O ambiente é, de certa forma, responsável pela formação de algumas características básicas do homem, tais como sua capacidade intelectual.
II. A mente do recém-nascido é por excelência o local intacto e obscuro onde serão impregnadas as noções culturais necessárias à vida social.
III. As condições e experiências de vida do indivíduo (sua inteligência, personalidade, traços físicos etc.) já estão formadas, ‘prontas’ ao nascimento, devido à sua herança biológica.
IV. Qualquer traço, caráter ou característica que o indivíduo apresenta na infância é, por definição, inato ou congênito e, portanto, trata-se de uma herança genética.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
“[…] a constituição de uma ciência em disciplina escolar se dá pelos processos de contextualização, em que se produzem os conhecimentos e os discursos da disciplina no campo cientifico/acadêmico, e pelos processos de recontextualização, reelaboração dos conhecimentos/ textos/discursos nos órgãos oficiais do Estado e destes para as escolas” (SILVA, I. F. 2007, p.4)
Assinale a alternativa correta acerca da afirmação acima.:
A passagem do conhecimento científico à disciplina escolar se dá diretamente
A eleição e elevação de um conhecimento científico à disciplina escolar está determinado ao contexto histórico social particular
Os processos de recontextualização são aqueles em que o conhecimento científico se amoldam aos interesses das instituições do Estado e da escola
O devir de todo conhecimento científico é se tornar disciplina escolar
As decisões da pertinência dos conteúdos a serem estudados cabem meramente a comunidade escolar
“Além disso, influenciado pelo isolamento relativo e cíclico a que estão sujeitas as comunidades caiçaras, desenvolveu-se uma forma de linguajar típico, com o uso de palavras somente conhecidas entre os caiçaras”. (DIEGUES, 2004; p.21-48).
Assinale a alternativa incorreta acerca da afirmação acima.
A escolarização não influencia estes agrupamentos tradicionais, uma vez que os materiais didáticos, por exemplo, levam em conta a particularidade de quem os utilizará
A oralidade é uma importante marca das comunidades tradicionais
O autor afirma que a oralidade de grupos que estiveram em relativo isolamento assume elementos particulares
O vocabulário tradicional tem sua perpetuação através de cantigas e festejos típicos
A linguagem é um importante elemento da auto identificação como membro de um grupo
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna. Pesquisadores se detiveram aos estudos sobre os conteúdos indiretos que a vida escolar acaba por reproduzir, muitas vezes de forma automática e sem a reflexão devida. Dentre estes feitos está a influência que a instituição escolar exerce sobre o comportamento dos sujeitos, na perspectiva foucoultiana a escola é um importante instrumento do poder, pois _______________.
A escola representa o espaço de maior liberdade das crianças e jovens em seu processo de aprendizado
A escola, por ser estruturada de modo a atender as necessidades individuais de seus estudantes, acaba por estimular, consequentemente, as mais variadas formas criativas
A escola acaba por ser um importante instrumento de docilidade dos corpos
Em um Estado laico e democrático não se aplicam as reflexões de Foucault à instituição escolar
A semelhança estrutural entre as instituições de controle (hospitais psiquiátricos e prisões) com os escolares é uma mera questão arquitetônica