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A reestruturação produtiva iniciada nas últimas décadas do século XX redefiniu as bases da organização do trabalho, intensificando a mobilidade, a instabilidade e a exigência de competências subjetivas. No entanto, tais transformações não ocorrem sem implicações sobre a saúde mental dos trabalhadores e a coesão social. Considerando esse contexto, analise as afirmativas a seguir:
I.A lógica da "empregabilidade" substitui a garantia do emprego, deslocando do Estado para o indivíduo a responsabilidade de manutenção do vínculo laboral.
II.A intensificação da competitividade e da vigilância nos ambientes de trabalho fragiliza laços solidários, promovendo a fragmentação subjetiva e o isolamento social.
III.A tecnificação e a digitalização das atividades laborais eliminam totalmente a dimensão exploratória do trabalho, por reduzirem a carga física e aumentarem a autonomia produtiva.
Está correto o que se afirma em:
I apenas.
II e III apenas.
III apenas.
I e II apenas.
I, II e III.
Reflita sobre o fragmento textual a seguir.
“A uberização é um processo no qual as relações de trabalho são crescentemente individualizadas e invisibilizadas, assumindo, assim, a aparência de “prestação de serviços” e obliterando as relações de assalariamento e de exploração no trabalho.
Como pude desenvolver na obra O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital, contra a rigidez taylorista e fordista vigente nas fábricas da ‘era do automóvel’ durante o longo século XX, nas últimas décadas, as empresas ‘liofilizadas e flexíveis’, impulsionadas pela expansão informacional-digital e sob o comando dos capitais, em particular o financeiro, vêm impondo sua trípode destrutiva do trabalho.
[...]
Outro exemplo encontramos na Uber: trabalhadores e trabalhadoras com seus automóveis arcam com as despesas de seguros, gastos de manutenção com seu carro, alimentação, limpeza, etc., enquanto o ‘aplicativo’ se apropria do mais-valor gerado pelo sobretrabalho dos motoristas, sem nenhuma regulação social.”
Fonte: ANTUNES, Ricardo. Uberização, trabalho digital e indústria 4.0. São Paulo: Boitempo, 2020. p. 11 e 12
Com base no exposto, infere-se que o trabalho de plataforma como a uberização trouxe consigo a imposição das relações trabalhistas, destacando-se, entre outras
terceirização, informalidade, flexibilidade e intermitência.
terceirização, intermitência, informalidade e linha de montagem.
formalidade,flexibilidade, linha de montagem e intermitência.
formalidade, intermitência, flexibilidade e produção just in time.
terceirização, produção just in time, inflexibilidade e linha de montagem.
A Reforma Trabalhista de 2017, instituída pela Lei nº 13.467, promoveu alterações relevantes nas relações de trabalho no Brasil, com efeitos expressivos sobre o papel e a atuação dos sindicatos.
Dentre as mudanças, ressalta-se:
a facultatividade da contribuição sindical;
a criação de novas formas de cobrança da contribuição sindical;
a introdução do princípio da prevalência do legislado sobre o negociado;
o fato de que a contribuição sindical que torna-se responsabilidade dos empregadores;
a ampliação do valor da contribuição sindical para o correspondente a dois dias de trabalho.
Desde 2011, no Brasil, surgiu o serviço de delivery de comidas e, em seguida, no ano de 2014, o transporte por aplicativo, elevando o market-share desses serviços na geração de empregos na economia. Com a nova revolução digital, como a internet das coisas, a inteligência artificial, o Big Data, a nanotecnologia e o machine-learning, o conceito clássico de subordinação do trabalho vem se alterando.
Em relação a essa temática e segundo os princípios gerais da atividade econômica, a alternativa que vai contra o princípio da livre concorrência é a seguinte:
os modelos de negócios que conectam fornecedores de serviços com consumidores, por meio de plataformas digitais, estimulam a concorrência via entrada de novos competidores;
a “uberização” incentivou a inovação, uma vez que as empresas competem de forma schumpeteriana para se manterem competitivas no mercado;
a oferta de serviços por meio das plataformas amplia as opções ao consumidor, que pode escolher o serviço que melhor atende às suas necessidades e preferências;
preços dinâmicos manipulados podem elevar a diferença entre preço e custo marginal do serviço, afetando o mercado com discriminação de preços, barreiras à entrada e preços predatórios;
o empregado ou motorista por aplicativo tem maior flexibilidade para escolher horários de trabalho, podendo atuar em diferentes plataformas simultaneamente.
Um estudante da 3ª série de uma escola pública de Ensino Médio compartilhou com o professor de Sociologia que dois amigos estavam faltando às aulas por terem vivenciado um episódio de LGBTfobia a caminho da escola. Tendo em seu planejamento bimestral a discussão dos Direitos Humanos, o professor pode abordar essa situação da seguinte forma:
Compartilhar com a turma o ocorrido com os dois colegas, conduzindo posteriormente uma discussão a respeito dos direitos humanos.
Aguardar o retorno dos estudantes para a escola e explicar o conceito de gênero como uma construção cultural a partir da teoria socioantropológica.
Propor que as vítimas do episódio leiam o capítulo sobre gênero e sexualidade, presente no livro didático, e incentivar a sua permanência na escola.
Organizar com os estudantes um evento aberto à comunidade para explicar como a sexualidade é produto de construções culturais diversas, constituindo um direito humano.
Tempos modernos, direção de Charles Chaplin (United Artists, 1936, 88 min), é uma obra-prima do cinema mudo, ambientada durante a Crise de 1929, século XX, em que Chaplin, por meio do personagem Carlitos, procura denunciar o caráter desumano do trabalho industrial mecanizado, da tecnologia e da marginalização de determinados setores da sociedade. Esse modo de produção está relacionado ao fordismo, ao passo que hoje temos um modelo de produção muito mais ancorado ao toyotismo. As dinâmicas atuais, no século XXI, do mundo do trabalho expressam basicamente o modo de produção toyotismo, que se caracteriza por:
Terceirização do trabalho e intensificação da exploração do trabalho em razão da polivalência e da multifuncionalidade do trabalhador exigidas pelas empresas.
Aumento do contingente de trabalhadores, processo possibilitado pela subcontratação e pela terceirização.
Disciplina como a principal exigência de qualificação, com o cumprimento das tarefas a serem executadas com as devidas orientação e obediência a normas operacionais.
Produção de bens a custos e preços cada vez menores, com a constituição de bens em massa para um mercado consumidor que também se configura como um mercado de massa.
Diminuição do desemprego estrutural, em virtude da intensa automação e da robotização.
De acordo com Oliveira (2024), na “Grécia do Período Clássico, o trabalho manual era visto pelas elites como algo penoso e detestável. Era algo que cabia apenas àquelas pessoas consideradas inferiores e que se encontravam nas camadas mais baixas da sociedade, ou seja, os escravizados”. Ao longo do tempo, os sentidos e os objetivos do trabalho ganham novas conotações, e no século XXI, é correto afirmar que as transformações do mundo do trabalho dizem respeito ao(à):
Prioridade dada aos contratos de trabalho flexíveis, que vem desacompanhada da desestruturação dos direitos do trabalhador, garantias jurídicas e regulamentações trabalhistas.
Presença massiva de empresas terceirizadas ou subcontratadas, cujos trabalhadores recebem salários mais baixos em empregos que não oferecem as mesmas garantias apresentadas pelas empresas tradicionais.
Lógica adotada para aumentar suas taxas de lucro, em que o capitalismo necessita cada vez mais de trabalho estável e cada vez mais das diversificadas formas de trabalho parcial (ou part-time) e terceirizado.
Trabalhador que as empresas querem, aquele considerado versátil, capaz de se adaptar às normas de seu empreendimento, e que seja o trabalhador que prefira um trabalho tradicional que possa começar e terminar sua jornada de trabalho ao longo da vida na mesma empresa.
Trabalhador que as empresas querem, o ser que é denominado polivalente, multifuncional, apto a desenvolver as mais diversas atividades, na medida em que tem sua estabilidade trabalhista garantida na empresa por toda a sua trajetória profissional.
Com base na constatação de vários casos de evasão em uma turma da 1ª série do Ensino Médio de uma escola pública, o corpo docente se reuniu com a direção para discutir a questão. Considerando os dados apresentados no texto, uma proposta adequada de intervenção por parte da escola é
solicitar uma reunião com os responsáveis pelos estudantes infrequentes e em situação de abandono escolar, para avisá-los de que os casos não solucionados serão relatados aos órgãos de proteção à infância.
divulgar ideias e oportunidades de empreendedorismo individual que permitam jornadas flexíveis de trabalho e a permanência na escola.
realizar uma roda de conversa com estudantes, responsáveis pelos estudantes e representantes comunitários, para dialogar sobre os motivos da evasão e construir propostas conjuntas de combate ao problema.
organizar uma palestra para os estudantes do Ensino Médio sobre a importância da conclusão da Educação Básica para a formação cidadã.
Considerando o texto e com o objetivo de expor elementos que introduzem o tema sobre as transformações contemporâneas no mundo do trabalho, a professora de Sociologia incluiu em seu plano de aula a realização, em grupos, de uma pesquisa, em fontes secundárias, sobre as mudanças nas relações sociais e de trabalho, utilizando métodos e técnicas próprios das Ciências Sociais. Os recursos de pesquisa utilizados pela professora na orientação da atividade aos estudantes foram:
Observação direta e participante com os trabalhadores e profissionais das plataformas digitais, como Uber e Ifood.
Entrevistas e elaboração de questionários para coletar dados sobre experiências, opiniões e percepções de trabalhadores da Uber.
Análise bibliográfica e documental: reportagens, estudos acadêmicos e legislações trabalhistas para contextualizar as mudanças históricas e sociais.
Estudos de caso e questionário para aprofundar situações específicas de relações de trabalho, como o crescimento do trabalho remoto, o papel das plataformas digitais ou a informalidade.
Segundo György Lukács, é o trabalho que cria a diferenciação entre o humano, como ser social, e os seres unicamente naturais. É por meio dele que nos tornamos capazes de transformar o meio, enquanto ao mesmo tempo nos transformamos.
Isso se deve ao fato de o trabalho ser
um mecanismo de interação que é condicionado por respostas adaptativas às circunstâncias externas.
uma forma de ação ativa e consciente pela qual o sujeito insere no mundo as suas próprias finalidades.
um processo baseado na construção de padrões comportamentais estáveis para preservar o ambiente.
uma atividade espontânea que decorre da imposição das necessidades mínimas de sobrevivência material.
um processo físico por meio do qual o ser humano passa a obedecer às regularidades da natureza.
O local onde se desenvolve o trabalho humano pode envolver tanto aspectos ambientais propriamente ditos, quando se trata do trabalho agrícola ou de mineração, por exemplo, em que os/as trabalhadores/as desenvolvem suas atividades ao ar livre, quanto aspectos psicológicos, no que se refere à qualidade das relações humanas no ambiente de trabalho, entre chefes e subordinados, por exemplo, qualquer que seja a atividade econômica efetuada, seja em ambientes abertos ou em ambientes fechados, como escritórios ou fábricas.
Considerando a complexidade próprias do ambiente de trabalho, é correto afirmar que
as interações profissionais não envolvem aspectos pessoais.
o assédio moral se estabelece em relações hierárquicas.
as condutas impróprias não devem prejudicar a produtividade.
o trabalho agrícola é isento de possibilidades de bullying.
as iniciativas de combate ao assédio incentivam o vitimismo.
Do ponto de vista sociológico, o trabalho pode ser caracterizado como o conjunto de atividades que modificam a natureza para suprir necessidades humanas, constituindo uma dimensão inalienável da vida, pois permite a criação livre e consciente da realidade e da sociabilidade. No entanto, a atual situação climática do planeta indica que
as atividades humanas têm respeitado os distintos ecossistemas globais.
a lógica da produção capitalista compromete o futuro das novas gerações.
a dinâmica do clima tende naturalmente para o aquecimento do planeta.
o uso responsável dos recursos naturais tem prevalecido no capitalismo.
os princípios de sustentabilidade defendidos pela ONU têm predominado.
Observe a charge a seguir:

Na perspectiva sociológica, a imagem se refere ao movimento
industrial dos centros metropolitanos.
agrário de reivindicação por equidade.
mecanização e desigualdade no campo.
desenvolvimentista e precarização rural.
conflitos agrários e revolução verde.
Em relação ao significado original do trabalho e como essa visão evoluiu ao longo do tempo, assinale a alternativa correta.
Para os calvinistas, a recompensa do trabalho incessante e da riqueza acumulada pelo trabalho era o Reino dos Céus.
Na Reforma Protestante, o trabalho era considerado punição e tortura.
O trabalho sempre foi visto como uma atividade prazerosa desde o início.
A escola moderna nasceu com a ideia de que o trabalho é um castigo.
Para Calvino, a afirmação de que o trabalho dignifica e enobrece o homem era completamente equivocada.
De acordo com os escritos de BECK (2011), o sistema de emprego, que emergiu no último século, a partir de crises e conflitos sociopolíticos graves, baseia-se em padronizações intensivas em suas três dimensões principais:
local de trabalho, políticas de diversidade e da estrutura hierárquica da empresa.
contrato de trabalho, local de trabalho e jornada de trabalho.
regime de aposentadoria, seguro-desemprego e jornada de trabalho.
tipo de trabalho, remuneração e formação educacional.
relações interpessoais no trabalho, contrato de trabalho e carga tributária.
Desde a década de 1970, desenvolveu-se a partir dos países de industrialização avançada um processo de reestruturação produtiva que se disseminaria globalmente e que promoveria profundastransformações nos processos de organização da produção, nas relações de trabalho e na composição da classe trabalhadora. Considere, entre as assertivas abaixo, a(s) que indica(m) características desse processo apontadas por sociólogos como Ricardo Antunes (2020) e José Ricardo Ramalho (2010).
I- O estabelecimento de um padrão da acumulação flexível - “flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo”, bem como “o surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional”.
Il- Do ponto de vista de organização do processo produtivo, o toyotismo e a empresa flexível, de modo geral, constituem alternativas ao binômio taylorismo/fordismo, possuindo como traços principais: a) produção vinculada à demanda e a adoção de sistemas como o kanban, que permitem obter sinalizações sobre a reposição de peças e estoques por meio do acompanhamento do fluxo de trabalho; b) princípio do just-in-time; c) trabalho em equipe e o desempenho de multivariedade de funções; d) processo produtivo organizado de modo a possibilitar a um único trabalhador a operação simultânea de várias máquinas; e) empresa de estrutura horizontalizada; f) possibilidade de apropriação dos saberes intelectuais e cognitivos do processo de trabalho por meio da criação de círculos de controle de qualidade.
III- Atingidos mundialmente pela precarização, os trabalhadores vêm construindo novas formas de organização em âmbito internacional que têm obrigado os Estados nacionais a articularem-se supranacionalmente para regulamentar e fiscalizar as relações de trabalho e as novas políticas de proteção social.
IV - Na realidade de uma classe trabalhadora cada vez mais heterogênea, a flexibilização expressa em múltiplas facetas o fenômeno da precarização do trabalho: terceirização e informalidade são algumas dessas facetas.
Marque a alternativa que indica as assertivas CORRETAS:
l e Il, apenas.
I, II, III e IV.
I, II e III, apenas.
I, II e IV, apenas.
l e IV, apenas.
O modelo de negócios criado pela empresa UBER consiste no fornecimento de serviços de transporte a usuários do aplicativo da empresa por meio de motoristas, previamente cadastrados na plataforma. Para usufruir do serviço, o usuário precisa cadastrar-se na plataforma, fornecendo seus dados pessoais e um meio de pagamento, como cartão de crédito, e solicitar um motorista, recebendo, feita a solicitação, o valor a ser pago pelo serviço. O valor pago será dividido entre a empresa e o motorista, num percentual que varia entre 1% e 40 %, dependendo do tempo e da distância da corrida. A empresa opera, então, como uma mediadora entre o usuário e o/a motorista.
A chamada “uberização” modifica significativamente as relações do trabalho porque
garante condições de trabalho dignas aos trabalhadores de aplicativos.
promove a substituição do contrato de trabalho por um contrato comercial.
permite a mobilidade e a ascensão social dos prestadores de serviços.
beneficia prioritariamente os trabalhadores em detrimento da empresa.
combate diretamente a progressiva precarização do trabalho terceirizado.
Carlos Ribeiro constata que no Brasil, entre 1970 e 2000, houve uma diminuição gradual da classe de trabalhadores manuais qualificados e profissionais. Essa mudança significou
manutenção da classe média.
diminuição do padrão de mobilidade social.
aumento do padrão de mobilidade social.
diminuição da classe popular.
manutenção do padrão de mobilidade social.
Quando se busca entender a história do trabalho e a sua intrínseca relação entre a força sobre os meios de produção e o controle deles, observa-se que a diferença basal entre a servidão e a escravidão se estabelece na
propriedade
religião
produtividade
tecnologia
exploração
O historiador João José Reis elabora uma analogia entre a regulação pela reforma trabalhista de 2017 da figura jurídica do “trabalho intermitente” e os sistemas de ganho/aluguel de escravos praticados no Brasil durante o período escravista. Por meio dessa analogia, o autor sugere que
a transformação nas relações de trabalho antes e depois de 1888 não foi suficientemente profunda a ponto de extinguir os sistemas de ganho/aluguel de escravos no país.
a condição de precarização do trabalho aprofundada pela reforma trabalhista de 2017 autoriza a comparação entre o atual modo de produção existente no país e seu passado escravista.
a transição do modo de produção escravista para o modo de produção assalariado foi revertida pela reforma trabalhista de 2017.
apesar de haver diferenças entre o trabalhador intermitente e o escravo de ganho, ambos são parte integrante de um mesmo modo de produção que segue se reproduzindo ao longo de toda a história brasileira.
assim como o sistema de ganho/aluguel de escravos foi favorável aos escravos que podiam poupar dinheiro para comprar sua alforria, o trabalho intermitente favorece o trabalhador pois permite que ele multiplique seus contratos com diferentes empregadores.