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Em casos judiciais complexos envolvendo abuso sexual de crianças, a atuação interdisciplinar entre o Direito e a Psicologia torna-se fundamental, dado que nem sempre os elementos apresentados nos processos judiciais são suficientes para comprovar o abuso.
Por isso, nesses casos, é fundamental solicitar uma avaliação psicológica da criança, uma vez que essa investigação
contribui para garantir a veracidade do depoimento da criança, sem que ela precise ser ouvida muitas vezes, por diversos profissionais.
confere materialidade às fantasias e aos relatos verbais das crianças em situação de abuso, permitindo a produção de elementos concretos para a sua comprovação.
permite a reconstrução dos fatos ocorridos, assim como a identificação dos abusadores e dos facilitadores da situação traumática ocorrida.
dirige o relato da criança, de forma apropriada e específica, para a situação que é alvo de averiguação, eliminando a interferência de fatores externos.
propicia um conhecimento mais abrangente da violência sofrida pela criança e das repercussões dessa violência na sua dinâmica psíquica.
Na obra Teoria crítica do Direito (2019), Luiz Fernando Coelho argumenta que, depois do esgotamento do juspositivismo diante das catástrofes ocorridas durante as grandes guerras mundiais no século 20, verificou-se um retorno ao direito natural, à consagração do Estado como meio a serviço do ser humano e não como um fim em si mesmo, como ocorreu nos Estados inspirados em ideologias totalitárias. Segundo Coelho (2019), nos Estados Unidos da América, tal retorno: “[...] ocorreu por influência dos juízes, quando a corte suprema daquele país acabou por adotar as teorias da corrente sociológica, para a qual a finalidade do direito é resolver problemas sociais e não manter princípios; na visão da escola, os precedentes judiciais devem ser interpretados à luz das situações sociais cambiantes, atualizar-se e não permanecer apegados ao ranço de dogmas ultrapassados. Uma ala extremada da escola sociológica, a corrente do realismo jurídico, definiu o direito de maneira mais prosaica: o direito não são as leis nem os precedentes; direito é o que os tribunais decidem”.
(Luiz Fernando Coelho. Teoria crítica do direito, 2019. Adaptado)
O realismo jurídico, no entanto, pode implicar riscos ao Estado Democrático de Direito. Dentre eles, cabe destacar
o desgaste dos usos e costumes como guias da agência moral.
a fragilização da separação de poderes e o subjetivismo jurídico.
o comprometimento da superestrutura econômica do Estado.
a deterioração das instituições artísticas, culturais e religiosas.
o impedimento ao efetivo controle de investimentos públicos.
Ao analisar a transição da "justiça social" à "justiça global", no livro "Breve história da justiça", David Johnston realiza diversas considerações acerca da temática da justiça. Tendo em vista essas considerações, é INCORRETO afirmar que:
A justiça emana da natureza. Por esse motivo, ela é universal e imutável, impondo-se a todas as sociedades do globo.
Apesar de toda a sua grandeza, as teorias de justiça social recentes perderam contato com as origens da ideia de justiça, que estão ligadas ao conceito de reciprocidade.
A justiça é um conceito e, como todos os conceitos, é uma ferramenta inventada e aperfeiçoada por seres humanos.
A tendência constante da ideia de justiça social, na forma que ela assumiu nos dois últimos séculos, tem sido reforçar um provincianismo que contaminou as teorias sobre a justiça desde a Antiguidade.
Atualmente, os principais atores do cenário internacional são movidos, em sua maioria, pela busca de seu próprio interesse, sem muita consideração pela justiça.
Em uma comunidade rural, duas famílias entraram em conflito por causa do uso da água de um riacho para irrigação. O caso poderia ser levado ao Judiciário, mas, diante da demora dos processos formais e da vontade de preservar as relações de vizinhança, optaram por buscar auxílio em um centro comunitário de mediação. Com a ajuda de um mediador, conseguiram construir um acordo voluntário, reconhecido pelas partes como legítimo e justo.
À luz da Sociologia do Direito e dos mecanismos não judiciais de resolução de litígios, especialmente considerando o marco da Lei de Mediação, assinale a afirmativa correta.
O acordo firmado entre as famílias não possui qualquer relevância social ou jurídica, uma vez que apenas as decisões judiciais têm a capacidade de pacificar conflitos de forma legítima e duradoura.
A escolha pela mediação demonstra a ineficácia do sistema judicial, sendo exemplo de que a sociedade só consegue resolver conflitos fora das instituições estatais, sem qualquer respaldo normativo.
A experiência é incompatível com a Sociologia do Direito, pois esta não reconhece sistemas não judiciais de composição de litígios como parte do fenômeno jurídico, mas apenas como práticas informais de convivência.
A utilização da mediação revela a importância de mecanismos de resolução consensual de conflitos que integram práticas sociais e jurídicas, permitindo soluções mais adequadas às especificidades de cada caso.
O Direito, ao lidar com conflitos sociais, busca apenas a eliminação total das disputas, não podendo reconhecer a mediação, mesmo regulamentada por lei, como instrumento legítimo de pacificação social.
Sobre a contribuição da sociologia para a compreensão do fenômeno jurídico moderno, marque a alternativa correta.
Eu seus estudos Max Weber não se ocupa da relação entre sociologia jurídica e dogmática jurídica.
A sociologia jurídica elaborada por Max Weber dedica-se ao estudo do comportamento dos sujeitos em relação às normas vigentes.
Max Weber e Hans Kelsen não são relevantes para este campo de estudos.
A sociologia jurídica e a dogmática jurídica são equivalentes do ponto de vista epistemológico.


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Sobre a sociologia jurídica no Brasil, marque a alternativa correta.
A sociologia jurídica no Brasil toma como uma parte de sua base teórica os clássicos da sociologia.
A sociologia jurídica ignora o tema da efetividade do direito.
O referencial teórico marxista não é mobilizado nos estudos dos fenômenos criminais no Brasil.
A sociologia jurídica não alcançou reconhecimento suficiente para constar como matéria obrigatória nas faculdades de Direito.
Segundo as análises de Norberto Bobbio sobre as formas de Estado, desenvolvidas pelo autor na obra Estado, Governo, Sociedade, a diferença do Estado representativo diante do Estado estamental está no fato de que a representação por categorias ou corporativa é substituída pela representação
das comissões parlamentares, às quais se atribui poderes irrestritos.
das unidades federativas, às quais se reconhece relativa legitimidade.
de colegiados superiores, aos quais se atribui poderes públicos ilimitados.
dos indivíduos singulares, aos quais se reconhecem os direitos políticos.
das ligas de associações, às quais se outorga direitos políticos.
A Mídia vem exercendo, especialmente nas últimas décadas, um papel de destaque na sociedade brasileira frente às relações de poder, sendo-lhe comumente atribuída a denominação de "quarto poder". O uso dessa expressão pode ser atribuído (a) ou associado (a) à (ao):
Influência que a mídia possui com relação à construção e/ou desconstrução das credibilidades dos governantes ou personalidades públicas em geral, no entanto esse poder ou influência só acontece (ou é visível/perceptível) nos meios de comunicação virtual.
Função que a mídia sempre possuiu de somente transmitir informações à sociedade de maneira sempre imparcial, independente do meio de comunicação utilizado.
Uso da expressão "três poderes" do Estado Democrático de Direito (Executivo, Judiciário e Legislativo), demonstrando a capacidade que a mídia possui de influenciar governantes ou autoridades políticas e a sociedade como um todo, indo além da função de transmissão de informações.
Fato de a mídia não transmitir assuntos e informações relacionados à esfera do poder político.
Compromisso que a mídia possui em nunca na história ter manipulado informações a favor de governantes ou candidatos políticos.
Em sua obra “O direito da sociedade”, o sociólogo alemão Niklas Luhmann sustenta que o Direito seria um subsistema social que exerce uma função específica no bojo da sociedade moderna. Segundo o autor, esta função exercida pelo Direito na sociedade consistiria na
promoção da integração social mediante a imposição de seu arcabouço regulatório.
estabilização de expectativas normativas, mediante a sua generalização congruente nas dimensões social, temporal e material de sentido.
obtenção da paz social a partir do uso da coerção.
consecução da justiça como valor supremo e transcendente.
articulação entre as finalidades consignadas nos sistemas político e econômico e as demandas de solidariedade social.
Em sua obra “O direito da sociedade”, ao analisar a questão do fechamento operativo do sistema jurídico, Niklas Luhmann discute a questão da validade afirmando, relativamente a ela, que se trata de um símbolo
da racionalidade comunicativa dos agentes em interação entre si e com a sociedade.
que exprime a correspondência das normas jurídicas positivas com o direito natural.
dotado de valor intrínseco que exprime a justiça e a legitimidade social do direito.
sem valor intrínseco que reproduz e conserva a unidade do sistema no âmbito da diversidade de suas operações.
que oculta a violência intrínseca à coercitividade do direito.


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Duas grandes abordagens para corrigir a injustiça, que atravessam o divisor da redistribuição-reconhecimento, são apresentadas por Nacy Frase. Uma chamada de “afirmativa”, e outra, “transformativa”. Por remédios afirmativos para a injustiça, compreendem-se os remédios voltados para corrigir efeitos desiguais de arranjos sociais sem abalar a estrutura subjacente que os engendra.
Por remédios transformativos, entende-se que
são remédios dirigidos para reduzir a diferença entre o par redistribuição-reconhecimento.
têm em vista a eliminação de diferenças socioeconômicas.
reduzem a desigualdade social por promover a solidariedade nas relações econômicas.
são voltados para corrigir efeitos desiguais precisamente por meio da remodelação da estrutura gerativa subjacente.
equalizam a distribuição econômica, uma vez que permitem que todas as classes façam parte da produção de riqueza igualmente.
Acerca da denominada pré-sociologia do direito, assinale a opção correta.
A democracia grega assemelhava-se à atual democracia representativa.
Aristóteles era conhecido por seu caráter questionador e defendia a participação das mulheres nas decisões da pólis.
As bases do Estado de direito foram construídas no âmbito do pensamento medieval sobre a organização social dos feudos.
Locke defendia ideias sobre a necessidade de separação entre igreja e Estado.
Rousseau, devido ao fato de considerar o homem lobo do próprio homem, defendia o absolutismo.
Assinale a opção correta a respeito das ideias de pensadores clássicos para a sociologia jurídica.
Hegel, como parceiro de Marx, foi o responsável pela finalização de obras importantes, como O capital.
Marx, a partir da análise do comportamento protestante e da ascese, investiga o desenvolvimento do capitalismo e de questões religiosas.
Weber é considerado o pai da sociologia.
Weber trouxe como ponto importante para a sociologia do direito e do Estado a categorização dos tipos de dominação.
Comte, criador da teoria do fato social, explica a necessidade de existência da norma jurídica com base na ideia de controle dos sujeitos desviantes.
Podemos, pois, resumindo a análise precedente, dizer que um ato é criminoso quando ofende as condições consolidadas e definidas da consciência coletiva.
(Durkheim, 2010, p. 75.)
Em relação ao papel do direito repressivo e o papel que ele exprime em relação a solidariedade, assinale a afirmativa correta.
Reproduz a consciência coletiva.
Reproduz a consciência individual.
Está diretamente relacionado à solidariedade orgânica.
Está diretamente relacionado à solidariedade mecânica.
O papel do Direito seria, nas sociedades complexas, análogo ao do sistema nervoso: regular as funções do corpo. Por isso expressa também o grau de concentração da sociedade devido à divisão do trabalho social, tanto quanto o sistema nervoso exprime o estado de concentração do organismo gerado pela divisão do trabalho fisiológico, isto é, sua complexidade e desenvolvimento. Enquanto as sanções impostas pelo costume são difusas, as que se impõem através do Direito são organizadas.
QUINTANEIRO, Tânia et al. Um toque de clássicos. Belo Horizonte: UFMG, 2002. p.75.
Na sociologia de Emile Durkheim, o direito serve como um dos indicadores dos tipos de solidariedade social. Desta forma, assinale a alternativa CORRETA quanto ao tema da solidariedade social e as sanções sociais diante de comportamentos desviantes:
Nas sociedades simples, predomina o direito restitutivo, caracterizado pela reparação dos danos causados pelo culpado.
Nas sociedades complexas, predomina o direito repressivo ou punitivo, caracterizado por infl igir uma dor ou privação ao culpado.
Nas sociedades caracterizadas pela solidariedade mecânica, predomina o direito restitutivo, caracterizado pela reparação dos danos causados pelo culpado.
Nas sociedades caracterizadas pela solidariedade orgânica, predomina o direito repressivo ou punitivo, caracterizado por infligir uma dor ou privação ao culpado.
Nas sociedades em que há uma maior divisão social do trabalho, predomina o direito cooperativo ou restitutivo caracterizado por contribuir para o pronto restabelecimento do anterior estado de coisas.


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No que diz respeito aos grupos sociais e ao direito, ao direito estatal e extraestatal, bem como ao conflito social e ao conflito jurídico, assinale a opção correta.
O direito estatal pertence ao universo das nações, e o extraestatal interno, ao sistema ONU.
Os conflitos sociais são uma espécie de conflito jurídico.
A existência de grupos sociais dentro do direito viola o princípio da isonomia.
O direito extraestatal inexiste no Brasil.
O pluralismo jurídico compreende a existência de direito estatal e extraestatal.
O controle social é um dos objetos centrais dos estudos da Sociologia do Direito, especialmente no que diz respeito ao papel desempenhado por valores morais adquiridos e pela ordem jurídica em tal controle. É de interesse da Sociologia do Direito o estudo de como a ilicitude e as sanções jurídicas, negativas e positivas, articulam-se nos processos sociológicos de controle das ações humanas em sociedade.
Considerando os mecanismos de controle social na perspectiva da Sociologia do Direito, assinale a alternativa correta.
A dogmática jurídica oferece critérios universais para o exercício do controle social.
A introjeção psicológica de valores morais é um elemento irrelevante para o controle social.
As sanções não coativas utilizam a força para o exercício institucional do controle social.
As sanções positivas são aplicadas no caso da prática de ações contra normas ético-morais.
As ações reprováveis, tais como descortesias e grosserias, são reprovadas de modo difuso.
O conceito de Estado de Direito (Rechtsstaat) remonta ao século XIX, quando os Estados europeus consolidaram sua soberania e obtiveram o monopólio da produção e da administração do direito. Para uma perspectiva sistêmico-funcional como a de N. Luhmann, o Estado de Direito é formado por dois sistemas funcionais distintos: o sistema político e o sistema jurídico, os quais, no decorrer de sua evolução social, se converteram em sistemas com funções distintas na sociedade.
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Assinale a afirmativa que caracteriza corretamente as relações entre o sistema político e o jurídico em um Estado de Direito.
A política se ocupa da tomada de decisões coletivamente vinculantes e o direito, da generalização congruente de expectativas normativas.
A autoridade política e a legal estão unidas na figura do governante, mediante o qual os indivíduos se constituem como sujeitos políticos e de direito.
O poder político garante a estrutura organizacional do judiciário e normatiza domínios funcionais como a religião e a economia.
O governo determina o que é lícito e o que é ilícito, com base em critérios de conveniência política, e interfere no funcionamento dos tribunais.
Os comandos legais são produzidos a partir da interpretação dos juízes e convivem com os comandos extralegais, aplicados pela força.
Sobre a diferença entre legalidade e legitimidade, para Norberto Bobbio, é CORRETO afirmar:
Legalidade representa uma inclinação para o real, enquanto, na legitimidade, a inclinação é para o ideal.
Legalidade é mais coercitiva, enquanto legitimidade é mais colaborativa.
Legalidade pressupõe adesão e legitimidade pressupõe força.
Legalidade implica todos os meios de exercer o poder, enquanto legitimidade implica o uso da violência.
Legalidade é uma força política mais horizontal, enquanto legitimidade é mais vertical.
O filósofo Thomas Hobbes (1588-1679), um dos mais importantes autores jusnaturalistas, tornou-se conhecido como teórico da soberania absoluta (SINGER; ARAUJO; BELINELLI, 2021). Em relação às ideias defendidas por esse autor sobre o Estado soberano, assinale a afirmativa correta:
O pacto de fundação da soberania baseia-se na transferência limitada do poder de mando dos súditos a uma autoridade.
Os súditos, desprovidos de direitos, conquistam com o pacto de fundação da soberania o direito inalienável à vida.
A proteção da integridade física dos indivíduos frente às ameaças internas e externas justifica a constituição do Estado soberano.
Os governados têm assegurado pelo contrato social estabelecido com o Estado o direito de destituir a pessoa que ocupa o cargo soberano.
O Estado soberano é privado do direito de submeter, pelo uso da força, os governados à obediência.


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