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O Brasil não era, em realidade, apenas um, mas era constituído por uma série de colônias. Os ingleses tinham razão quando falavam, nos séculos XVII e XVIII, dos “Brasis”, pois havia de fato mais de uma colônia.
(Stuart B. Schwatz. “Gente da terra brazilinese da nasção. Pensando o
Brasil: a construção de um povo”. Em: Carlos Guilherme Mota (org.).
Viagem incompleta. A experiência brasileira.
Formação: histórias (1500-2000), p. 112.)
A expressão “Brasis”, no contexto referido, está relacionada com
a criação das capitanias hereditárias, no início do século XVII, durante o segundo Governo-Geral, o que gerou inúmeros conflitos de jurisdição entre os donatários e os grandes proprietários rurais, essencialmente referente à política tributária e às formas de combates aos índios rebeldes.
a diversidade e a seletividade na aplicação das leis portuguesas na América colonial, o que permitiu que cada região recebesse uma ordenação jurídica particular, caso da capitania de São Paulo, onde era permitida a escravização dos índios, ao contrário do estabelecido no Nordeste, produtor de açúcar.
a política portuguesa, constituída após a Restauração de 1640, de estabelecer direitos de produção para mercadorias específicas para cada espaço colonial, decorrendo disso a especialização do Nordeste na produção de trigo e tabaco, e de São Paulo produzindo alimentos para o mercado externo.
a grande extensão territorial da América portuguesa, na qual se estabeleceram diversas formas de exploração colonial, casos da costa entre Pernambuco e Rio de Janeiro, espaço dedicado à produção voltada ao mercado externo, e São Paulo, que permaneceu uma área rústica até o século XVIII.
a forte descentralização do poder, garantida pelas prerrogativas das Câmaras Municipais, comandadas pelos chamados homens bons, condição que impedia, desde o século XVI, a aplicação de restrições mercantilistas, como a proibição de navios sem a bandeira portuguesa aportarem no Brasil.
Certamente o quilombo do Palmares foi e ainda é considerado um marco da resistência escrava em Pernambuco, por todo significado e simbologia que existe em relação a ele. Todavia, ele não foi a única forma de resistência que os escravos africanos desenvolveram em solo pernambucano.
Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar que
as atividades atribuídas a alguns escravos acabavam por facilitar uma possível fuga. Um escravo que trabalhava vendendo mercadorias precisava de maior mobilidade e flexibilidade em relação ao horário, possuindo maiores chances de se distanciar, antes que o dono soubesse o que, de fato, havia acontecido.
o quilombo do Catucá, que se localizava nas proximidades das cidades do Recife e Olinda, foi um dos maiores problemas para as autoridades provinciais durante quase toda a segunda metade do século XIX.
apesar de a capoeira ser vista hoje como uma luta, ela não era praticada pelos escravos como forma de resistência. Nessa época, estava muito mais ligada ao lado lúdico e de diversão.
o processo de catequese pelos quais passavam os escravos africanos permitiu que a religião africana praticamente desaparecesse do Brasil, no período imperial. Poucos eram os escravos que resistiam e continuavam a homenagear os orixás.
ao contrário do medo existente entre os habitantes da Bahia e do Rio de Janeiro, a população de Pernambuco não estava assombrada por um grande levante de escravos, aos moldes do que ocorreu no Haiti. Isso se justificava pela enorme repressão exercida contra os escravos rebeldes na capitania de Pernambuco.
“As esmeraldas de Minas matavam os homens ‘de esperança e febre/ e nunca se achavam/ e quando se achavam/ eram verde engano’, como afirmou mais de dois séculos depois o poeta Carlos Drummond de Andrade, ao recordar a aventura de Fernão Dias; a localização da refulgente montanha de pura prata continuava incerta, e sua empresa não rendera sequer uma peça de ouro à Coroa em Lisboa. [...]”
SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloisa M. Brasil: uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 113.
Sobre a expedição de Fernão Dias Paes, é correto afirmar:
Fez com que a Coroa portuguesa apenas deslocasse a possibilidade de encontrar as esmeraldas e a montanha de prata para outras regiões no interior da colônia.
Foi essa expedição que ensinou aos sertanistas meios e estratégias de sobrevivência em ambiente hostil, garantindo à metrópole a conquista da região.
Levou a Coroa portuguesa a desistir de contar com empreendedores privados, como os bandeirantes, investindo em expedições patrocinadas pelo Estado.
Resultou em fracasso, o que afastou o sonho dos metais preciosos da década de 1670, data da expedição, para a de 1690, quando, enfim, o ouro foi descoberto.
Analise as afirmativas sobre as conquista dos sertões, colocando entre parênteses a letra "V", quando se tratar de afirmativa verdadeira, e a letra "F" quando se tratar de afirmativa falsa. A seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
(_) As bandeiras se constituíram na grande marca deixada pelos paulistas na vida colonial do século XVII.
(_) As bandeiras eram expedições que tinham como objetivos, entre outros, os de buscar indígenas para serem escravizados e encontrar metais preciosos.
(_) As bandeiras marcaram, sem contestação da historiografia, a independência dos paulistas em relação à Coroa, assim como, se configurou como um movimento democrático.
V - V - F.
V - F - V.
F - V - V.
F - F - V.
F - F - F.
“O triângulo rural – engenho, casa, capela – se impôs à paisagem de massapê, como a sua primeira nota de ordem europeia. A água dos rios e dos riachos da região se subordinou ao novo sistema de relações entre o homem e a paisagem, embora conservando-se cheia de curvas e até de vontades. Sem se militarizar em canais rígidos à holandesa.” (FREYRE, Gilberto. O Nordeste. São Paulo: Global, 2004, p. 59)
Considerando-se o texto, podemos afirmar que Gilberto Freyre faz menção ao processo de:
De colonização portuguesa do litoral nordestino, principalmente na zona da mata;
De ocupação do sertão semiárido pela pecuária no século XVIII;
De colonização francesa no litoral do Maranhão, com a fundação da atual capital, São Luís;
Ocupação de parte da região Nordeste com a construção da transamazônica durante a Ditadura Militar;
Colonização do litoral cearense com a chamada civilização do açúcar;
Acerca da resistência dos escravos à escravatura no Brasil colonial, assinale a opção correta.
Com o amplo conhecimento do território os indígenas passaram a fugir da escravidão imposta pelo regime colonial no Brasil, pois devido a questões de sua religiosidade, o suicídio não se constituía uma alternativa.
Uma das principais estratégias de resistência dos escravos no Brasil colônia foi o sistemático envenenamento dos donos de engenho e suas famílias, pois como estavam sob forte vigilância não poderiam sabotar a produção dos produtos industrializados feitos nos regimes de fábricas.
A experiência realizada com o Quilombo de Palmares representou a fortaleza da resistência negra contra a escravidão, possibilitando a organização social alternativa. Essa possibilidade provocou uma reação sistemática nos governantes e proprietários que passaram a atacar o quilombo até a sua destruição.
Ainda que tenham se disseminado por toda a colônia, os quilombos não chegaram a representar uma ameaça ao sistema colonial no Brasil, pois reforçavam a condição dos escravos enquanto componentes da economia açucareira.
Diante de sua integração cultural com os colonizadores, os indígenas não se rebelaram contra a escravidão, pois foram tratados em condições mais humanas em relação aos escravos de origem africana, conseguindo desde o inicio da colonização garantir direitos que os africanos somente teriam acesso no final do século XX.
Na época da projeção de Portugal e Espanha na navegação oceânica, no final do século XV, já se conhecia a bússola e o astrolábio. Naquela época, para o navegante saber exatamente a posição do navio em relação ao globo terrestre, era necessário calcular a latitude e a longitude do local. Com base nessas informações, é correto afirmar que, no século XV:
o cálculo prático da longitude a bordo de navios era difícil, pois dependia de se conhecer, com precisão, a hora.
já existiam cronômetros rudimentares, que possuíam a vantagem de fornecer os rumos e as marcações de pontos de terra em linhas retas, facilitando a plotagem da latitude e da longitude nas cartas náuticas.
a latitude era difícil de ser calculada, e era por meio dela e da estimativa de quanto o navio havia se deslocado que os navegadores da época sabiam exatamente a sua localização no mar.
o quadrante e o sextante mediam os meridianos e os paralelos, representados por linhas retas que se interceptam formando ângulos de 90 graus, permitindo estimar a hora e o cálculo da latitude.
a bússola já auxiliava na navegação, por apontar sempre para o norte verdadeiro terrestre, e o astrolábio era utilizado para o cálculo da latitude e longitude entre o nascer e o pôr do sol.
O escritor Ambrósio Fernandes Brandão nos conta uma transação de compra e venda de peças (lotes) de escravos no século XVII:
“[...] vi na capitania de Pernambuco a certo mercador fazer um negócio, (...) o qual foi comprar, para pagar na hora, um lote de escravos de Guiné (africanos) por quantidade de dinheiro e logo no mesmo instante, sem nem mesmo ainda possuí-los, os tornou a vender a um lavrador fiados por certo tempo que não chegava a um ano, com mais de 85 por cento de avanço (lucros).”
O trecho acima deixa evidente a lucratividade obtida com o tráfico de africanos, gerada pela:
ocupação territorial que visava a promoção de um mercado interno, que demandava cada vez mais mão de obra escrava africana.
incapacidade dos nativos da América de se adaptarem ao trabalho escravo na lavoura de cana-de-açúcar, tornando o africano a única opção.
impossibilidade de escravização dos ameríndios pois, por conhecerem o território e estarem em maior número e mais adaptados ao meio, promoviam revoltas.
promoção de um modo de produção que demandava prioritariamente a exploração de uma mão de obra dócil e pouco afeita a revoltas como os africanos.
definição de uma colonização baseada na plantation, dentro dos padrões mercantilistas, tornando África e América economias interdependentes.
Durante o período conhecido por União Ibérica, ocorreu o Embargo Espanhol ao comércio das colônias portuguesas com os holandeses. Isto motivou a Holanda a atacar o Nordeste brasileiro com a finalidade de romper o embargo e reativar as rotas comerciais entre o Brasil e a Europa. É fato relacionado à primeira investida dos holandeses ao Brasil, ocorrida em 08 de maio de 1624, a (o)(s)
conquista de Porto Calvo por Matias de Albuquerque.
ocupação de Salvador.
governo de Maurício de Nassau.
fundação do Arraial do Bom Jesus.
Batalhas de Guararapes.
A principal mão de obra do Brasil Colônia foi a escrava. Mas isso não foi feito sem a resistência dos escravos. Acerca do tema da resistência dos escravos no Brasil Colonial assinale a alternativa correta:
O envenenamento dos donos de engenho e de suas famílias, constituiu-se no principal mecanismo de resistência dos escravos no Brasil Colônia pois não possuíam armamento e nem sabotar a produção;
O suicídio não se constituía uma alternativa, diante disso, as fugas para fundações de vilas e cortiços representou forte elemento da resistência escrava na colônia;
A organização social alternativa realizada com o Quilombo de Palmares representou a fortaleza da resistência negra contra a escravidão, chegando a provocar uma reação dos governantes e proprietários que passaram a atacar o quilombo até a sua destruição.
Mesmo que tenham ocorrido por toda a colônia, os quilombos não representaram uma ameaça ao sistema colonial no Brasil, pois não alteravam a condição dos escravos na economia açucareira.
Os indígenas não se rebelaram contra a escravidão, pois foram tratados em condições distintas aos escravos de origem africana, assegurando direitos que os africanos somente teriam acesso posteriormente.
Durante o período colonial, a região de Pernambuco sofreu diversas transformações – principalmente em meados do século XVII. A Insurreição Pernambucana ocorre tendo por contexto a ocupação holandesa no Brasil e tem por motivação:
A insatisfação dos produtores locais com a administração holandesa, culminando na expulsão dos holandeses do nordeste.
O apoio da população nordestina pela administração holandesa e a demonstração de insatisfação com a coroa portuguesa.
A cisão entre a população pernambucana que da parte dos artesãos e da população mais pobre havia apoio aos holandeses, e dos grandes produtores e proprietários de terras, apoio aos portugueses.
A luta pela diminuição das tarifas portuárias por parte da coroa portuguesa, mas que houve resistência portuguesa e apoio dos holandeses aos pernambucanos.
Abaixo apresentamos um excerto escrito pelo historiador Boris Fausto, leia com atenção:
‘A população da colônia viveu em sua grande maioria no campo. As cidades cresceram aos poucos e eram dependentes do meio rural, a própria capital da Colônia foi descrita por Frei Vicente de Salvador, no século XVI, como ‘cidade esquisita, de casas sem moradores, pois os proprietários passavam mais tempo em suas roças rurais, só acudindo no tempo das festas’. Um padre jesuíta refere-se à pobreza da pequena São Paulo, no século XVII, como resultado da constante ausência de habitantes”.
Com base no texto e em seus conhecimentos, assinale a alternativa incorreta.
Com o passar dos anos o quadro descrito pelo texto sofreu algumas modificações, por conta da influência do comércio e do crescimento do aparelho administrativo.
A importância das cidades foi diminuindo cada vez ao longo do período colonial.
A invasão holandesa e a vinda da família real foram importantes no processo de desenvolvimento urbano do período.
O foco de ocupação do espaço, nesse período, concentrou-se no litoral brasileiro.
As cidades eram ocupadas mais em tempos de festa, pois no restante dos dias os proprietários ficavam mais em suas propriedades rurais.
A região entre os rios Oiapoque e Araguari tornou-se, depois da assinatura do Tratado de Utrecht, em 1713, uma espécie de “zona tampão” entre territórios portugueses e franceses no Norte do Brasil. Ela ficaria conhecida como
Zona Franca.
Território Neutro.
Contestado.
Colônia do Meio.
Entre Impérios.
Um dos artistas trazidos por Nassau foi o autor da tela “Vista da Cidade Maurícia”, pintada em 1657.
Em qual alternativa está indicado o nome do autor dessa obra?
Albert Eckhout
Jean B. Debret
Caspar Schamlkalden
Frans Post
Felipe Bettendorff
No Brasil, a escravidão do negro associa-se inicialmente à seguinte atividade produtiva:
ciclo da borracha.
produção de açúcar nos engenhos.
exploração do pau-brasil.
ciclo do ouro.
Afirmar que a formação do Estado brasileiro foi um processo de grande complexidade não apresenta nenhuma novidade, e a historiografia recente tem revelado razoável consenso quanto a evitar o equívoco de reduzi-lo à ruptura unilateral do pacto político que integrava as partes da América no império português.
(István Jancsó e João Paulo G. Pimenta. “Peças de um mosaico (ou apontamentos para o estudo da emergência da identidade nacional brasileira)”. Em: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem incompleta. A experiência brasileira. Formação: histórias (1500-2000).)
Tal “grande complexidade” pode ser verificada na obra de
Sérgio Buarque de Holanda, que aboliu definitivamente a dicotomia entre “brasileiros” e “portugueses” como chave de explicação para o processo de emancipação política do Brasil.
Capistrano de Abreu, que defendeu a importância dos aspectos culturais para a compreensão do processo de separação de Brasil e Portugal, porque os colonizadores condenavam a miscigenação étnica brasileira.
Emília Viotti da Costa, que apontou para a aliança entre o príncipe-regente D. Pedro e parcela considerável dos proprietários rurais, estes interessados na extinção do tráfico de escravos.
Laura de Melo e Souza, que analisou a tendência liberal-democrática da elite colonial em forte contraposição com a arraigada ideologia absolutista da elite metropolitana, especialmente dos comerciantes.
Caio Prado Júnior, que advogou a tese de que a independência do Brasil decorreu da vigorosa articulação das classes médias urbanas com os comerciantes do Nordeste, todos interessados no livre comércio.
O texto acima faz referência à “Guerra dos Mascates”, conflito, que colocou, em lados opostos, os senhores de engenho e os comerciantes reinóis. Em relação a esse episódio, é CORRETO afirmar que
a criação de uma nova municipalidade em atendimento às demandas dos comerciantes reinóis gerou grande insatisfação à açucarocracia olindense, que queria reservar a si não apenas honrarias e privilégios especiais como também o controle político da capitania.
mesmo tendo saído derrotados na “Guerra dos Mascates”, os senhores de engenho de Olinda não se abateram, pois não perderam o controle sobre a recém criada Câmara do Recife.
com seu fim, as elites comerciais de Recife e as latifundiárias de Olinda restabeleceram os laços graças à ativa influência da administração lusa, a quem não interessava financeiramente a desunião de comerciantes e produtores de açúcar.
influenciados pelas ideias revolucionárias que circulavam pela Europa, os senhores de engenho de Olinda defenderam os interesses da capitania, reafirmando o sentimento de identidade nacional do Brasil.
considerado pela historiografia como um movimento liberal, buscava conservar a maior autonomia da Câmara de Olinda em relação à administração lusitana, algo que os pernambucanos conservavam desde o período duartino.
Identifique a primeira atividade econômica iniciada pelos portugueses no Brasil.
A cana de açúcar.
O tráfico e comércio de escravos africanos.
A exploração do pau-brasil.
A exploração dos metais preciosos (ouro e prata).
A Fortaleza de São José de Macapá, foi construída entre
1764 e 1782, por negros escravizados e indígenas, e atendia à uma estratégia de defesa do rio Amazonas.
1790 e 1811, por operários vindos da Ilha da Madeira, e obedecia à uma política de colonização do Norte do Brasil.
1942 e 1945, por trabalhadores brasileiros, e visava defender a região de um provável ataque da Alemanha nazista.
1808 e 1817, por colonos russos, trazidos ao Brasil para o povoamento das fronteiras nacionais.
1640 e 1668, por escravos negros, e buscava defender a região dos ataques espanhóis durante a guerra luso-castelhana.