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Linguistas como Luiz Antônio Marcuschi, Leonor Lopes Fávero e Ingedore Villaça Koch não defendem a existência de uma dicotomia entre oralidade e escrita por considerarem que tais modalidades formam um continuum tipológico. Mesmo com diversas pesquisas acerca do assunto, o trabalho com a oralidade recebe pouca atenção em sala de aula, pois essa modalidade é ainda considerada
uma modalidade aprendida passivamente, conforme o contexto situacional que o falante se encontra.
um modelo pouco eficaz no processo de ensino, já que o homem é determinado biologicamente para falar.
uma modalidade não passível de ser reelaborada, por não ser possível documentá-la para correção.
um modelo usado como refratário da modalidade escrita, de modo que a correção do texto escrito promoverá a correção da fala.
A linguista brasileira Irandé Antunes enfatiza que o uso do texto em sala de aula é um pretexto para análise frasal à luz da gramática normativa. Tal ação, segundo a pesquisadora, configura um equívoco quanto ao modo de agenciar atividades linguísticas, epilinguísticas e metalinguísticas. A distinção entre a aula de gramática e a aula de análise linguística reside no fato de a primeira
utilizar a memorização para integrar leitura e produção textual, enquanto a segunda serve para a escrita de textos exemplares.
ter como prerrogativa o ensino da produção textual, enquanto a segunda utiliza a reflexão para o ensino da leitura.
a primeira ter como prerrogativa a aprendizagem de nomenclaturas e regras, enquanto a segunda utiliza a reflexão para integrar os eixos do ensino de língua.
a primeira utilizar a reflexão para integrar os eixos das práticas de linguagem, enquanto a segunda serve para aprendizagem de normas gramaticais.
Nenhum texto se constrói a partir de uma única voz isolada. Mesmo quando o autor aparenta expressar uma opinião individual, seu discurso é atravessado por enunciados anteriores, posições ideológicas, valores sociais e saberes historicamente constituídos. Esses diferentes pontos de vista podem aparecer de forma explícita, como citações diretas, ou implícita, por meio de ironias, alusões e reformulações discursivas, criando um jogo de vozes que dialogam, se complementam ou entram em conflito dentro do texto.
O fenômeno discursivo descrito no texto denomina-se:
intertextualidade formal
polifonia discursiva
coesão referencial
paralelismo sintático
Sobre os gêneros do discurso, e com base nos estudos de Bakhtin (1992) e Marcuschi (2008), é correto o que se afirma em:
Todos os gêneros do discurso possuem estrutura rígida e idêntica, independentemente do contexto social.
Cada gênero apresenta organização própria, temas recorrentes e finalidade comunicativa, adaptando-se à situação de uso.
A estrutura dos gêneros é definida apenas pelo tamanho do texto e pela complexidade das frases.
Os gêneros existem exclusivamente como formas estéticas, sem relação com a interação social.
Considere o trecho da obra Extraordinário, de R. J. Palacio:
“Sei que não posso mudar o modo como nasci. Mas talvez eu possa mudar o modo como as pessoas me veem. Se todos fossem um pouco mais gentis do que o necessário, o mundo seria um lugar melhor.” (p.9)
Fonte: PALACIO, R. J. Extraordinário. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.
A partir dos processos de análise linguística, semântica e textual, assinale a alternativa CORRETA.
A interpretação adequada deste trecho depende do reconhecimento de procedimentos intertextuais implícitos, cuja notável ausência inviabiliza a compreensão da posição enunciativa do narrador e a comunicação com o interlocutor.
O entendimento do excerto exige prioritariamente a recuperação do encadeamento lógico das informações explícitas, sendo as marcas de subjetividade e modalização recursos acessórios, com impacto limitado na interpretação global.
O texto apresenta um movimento reflexivo individual, mas não estabelece relação entre experiência pessoal e valores socialmente compartilhados, o que restringe sua dimensão interpretativa, marcada pelo uso de pronomes pessoais coletivos.
A análise do trecho pode ser plenamente realizada a partir da observação de aspectos morfossintáticos, uma vez que a organização formal do período é suficiente para explicar os efeitos de sentido produzidos, mesmo sem contextualização da obra, sendo marcante a sequência textual jaculatória.
A construção de sentidos decorre da identificação de uma progressão argumentativa que articula reconhecimento de uma condição imutável, projeção de mudança possível e formulação de uma hipótese ética de alcance coletivo, marcada linguisticamente por modalizador e estrutura condicional.
Segundo a Linguística Textual (Koch; Marcuschi), a distinção entre Gênero Textual e Tipo Textual (ou Sequência Tipológica) é fundamental para o planejamento didático. O conceito que se refere a estruturas linguísticas relativamente estáveis, caracterizadas por marcas linguísticas específicas como tempos verbais e relações lógicas, define o:
Domínio Discursivo.
Gênero Textual.
Suporte Textual.
Tipo Textual.
Hipertexto.
Leia o texto a seguir.
[...] a prática de [análise linguística] se efetiva quando leitura, escrita e [análise linguística] são trabalhadas de maneira complementar [...]. As atividades de [análise linguística] devem possibilitar, pois, o desenvolvimento da reflexão sobre o uso da língua, materializado no gênero. Uma atividade reflexiva sobre a língua/linguagem deve possibilitar ao sujeito o desenvolvimento da competência comunicativa e discursiva para falar, escutar, ler e escrever nas diferentes situações de comunicação. Para isso, torna-se pertinente a mobilização de saberes de diversas teorias: gêneros textuais, da gramática, linguística textual, argumentação, semântica e pragmática [...]
(Dutra; Régis, 2017, p. 550).
As reflexões das autoras sobre o eixo das práticas de análise linguística dão destaque a uma característica importante desse eixo. Que característica é essa?
O caráter transversal das atividades do eixo.
O perfil conciliador das atividades do eixo.
A natureza formal dos conteúdos do eixo.
A perspectiva cognitiva de análise do eixo.
A visão inovadora para avaliação do eixo.
Leia as passagens abaixo antes de julgar o que será pedido.
I. “Volta-se para o que se faz com a linguagem, em que circunstâncias e com que finalidade. Enquanto, no âmbito da semântica, uma sentença como ‘Está frio’ significa que algo está com a temperatura baixa, nada mais além disso, para esta linha dos estudos linguísticos, o entendimento será possível apenas com base no contexto em que o enunciado é proferido.”
II. “Tem como objeto de estudo o texto e seus elementos de análise, como coesão, coerência e intertextualidade. Surgiu como uma reação aos estudos meramente sintáticos e/ou semânticos, que se limitavam às análises de sentenças.”
A partir da análise dos conceitos afirmados acima, pode-se entender que, pela ordem, tais postulações se referem aos seguintes ramos da Linguística:
Sintaxe e Semântica.
Coerência e Coesão.
Linguística textual e Pragmática.
Coesão e Pragmática.
Pragmática e Linguística textual.
A linguagem pode ser compreendida como prática social construída nas relações entre os sujeitos, sendo marcada pelos contextos históricos, culturais e ideológicos em que ocorre a comunicação. Nessa perspectiva, os sentidos não permanecem fixos nas palavras, mas se constroem nas situações concretas de interação verbal (BAKHTIN, 1997).
De acordo com as concepções de língua e linguagem conforme os estudos de Bakhtin, assinale a alternativa correta.
A linguagem é compreendida como prática interacional em que os sentidos se constroem nas relações estabelecidas entre sujeitos em situações concretas de comunicação.
A compreensão dos enunciados ocorre a partir da preservação dos sentidos originalmente atribuídos às palavras no sistema linguístico.
A organização da linguagem está associada à circulação social dos enunciados, embora o sentido produzido permaneça estável em diferentes contextos comunicativos segundo o autor.
A interação verbal ocorre pela utilização social da língua, mas os enunciados mantêm valor comunicativo uniforme entre diferentes interlocutores na teoria bakhtiniana.
A produção dos sentidos decorre da aplicação das estruturas linguísticas já estabilizadas no interior do sistema da língua.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma distinção entre estruturalismo, gerativismo e funcionalismo em linguística.
O estruturalismo privilegia o uso efetivo da língua em situação comunicativa; o gerativismo volta-se para a história social da linguagem; e o funcionalismo concentra-se na autonomia formal do sistema.
O estruturalismo descreve a organização interna do sistema linguístico; o gerativismo investiga princípios da competência linguística; e o funcionalismo relaciona formas linguísticas às funções comunicativas e ao uso.
O estruturalismo e o funcionalismo aproximam-se ao explicar a língua a partir da competência inata do falante, enquanto o gerativismo enfatiza a dimensão interacional da linguagem.
O gerativismo recusa a ideia de sistema; o estruturalismo prioriza a variação pragmática; e o funcionalismo rejeita a relação entre forma e uso.
As três correntes partem do mesmo objeto teórico e se distinguem apenas pelo método de coleta de dados.
As contribuições de Ferdinand de Saussure serviram de base para o desenvolvimento do estudo científico da linguística, sendo ainda um ponto de partida para muitos que desejam se iniciar na área. Considerando os conceitos de Saussure, assinalar a alternativa INCORRETA.
Saussure propôs que as línguas são sistemas estruturados de signos arbitrários.
O signo consiste apenas em uma parte, que é a palavra escrita.
Não há uma conexão intrínseca entre significado e significante.
Saussure fundamentou-se em dicotomias, como língua e fala, sincronia e diacronia.
Na perspectiva sociointeracionista proposta por Luiz Antônio Marcuschi, os gêneros textuais constituem formas verbais de ação social estáveis, pautadas por objetivos comunicativos, papéis de interlocutores e suportes específicos. Com base na análise da charge de Adão e na teoria dos gêneros de Marcuschi, assinale a alternativa CORRETA.
O texto constitui um gênero textual multimodal e situacional cuja materialidade combina texto e imagem para promover a reflexão crítica sobre a atualidade.
A charge configura-se como um gênero textual marcado pela rigidez formal e pelo predomínio da função referencial, prescindindo do contexto sócio-histórico para a efetivação de sua leitura.
Por utilizar o suporte digital e abordar a temática da tecnologia, a charge perde sua natureza de gênero textual e passa a ser classificada estritamente como um tipo textual narrativo-descritivo.
O texto em análise classifica-se como um tipo textual injuntivo, uma vez que sua finalidade primordial é ditar instruções e comandos normativos sobre o uso ético da inteligência artificial.
No âmbito da linguística brasileira, o movimento de crítica à gramática normativa impôs a necessidade de reconfigurar o ensino de Língua Portuguesa. João Wanderley Geraldi, um dos principais pesquisadores que orientou a nova forma de ensino do idioma materno, propôs que o estudo da língua fosse retirado de seu isolamento e articulado com o uso efetivo da linguagem, sob uma prática de ensino de natureza funcional e reflexiva. Essa perspectiva de ensino se materializa na articulação de três práticas pedagógicas que devem compor o ensino de Língua Portuguesa, que são:
leitura, análise linguística e literatura, em que a literatura atua como o eixo de produção de sentido e a análise linguística como suporte estético.
leitura, produção de textos e análise linguística, em que a análise linguística atua como um recurso de reflexão e intervenção sobre as escolhas do sujeito na leitura e na escrita.
produção de textos, gramática e literatura, em que a gramática atua como o eixo de produção de sentido e a produção de textos como suporte estético.
gramática, leitura e literatura, em que a gramática orienta para a dimensão social da língua que se materializa nas práticas individuais de texto.
Retomando Bakhtin (Estética da criação verbal), Koch e Elias (Ler e escrever: estratégias de produção textual) explicam que um gênero textual é definido por meio das características:
o suporte do texto, a época de produção e o meio de difusão.
o objetivo da comunicação, o contexto externo e a linguagem.
o plano composicional, o conteúdo temático e o estilo.
a tradição temática, a estrutura formal e os modelos preexistentes.
a seleção do léxico, a forma livre e o lastro cultural.
A afirmação de que a perspectiva construída pela linguagem “nunca é neutra nem desinteressada” revela uma tomada de posição teórica do enunciador. Sob a ótica da interpretação do discurso, tal posicionamento indica que o texto:
Adota um ponto de vista monológico e isento de valores.
Reconhece a existência de intenções e ideologias subjacentes ao discurso.
Defende a neutralidade como princípio regulador da linguagem.
Restringe-se à função referencial da comunicação.
No âmbito da linguística textual, a compreensão do texto resulta da articulação entre mecanismos formais de encadeamento e processos interpretativos mais amplos. Nesse contexto, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I.A organização coesiva do texto, por meio de recursos lexicais e gramaticais como retomadas referenciais, encadeamentos sintático-semânticos e omissões recuperáveis pelo contexto, orienta a leitura ao estabelecer relações explícitas e implícitas entre os segmentos textuais.
PORQUE
II Esses procedimentos de articulação na superfície textual funcionam como instruções interpretativas que condicionam a construção do sentido global, ao reduzir ambiguidades e favorecer a integração semântica entre as partes do texto.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
As asserções I e II são proposições falsas.
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não estabelece uma relação explicativa adequada em relação à I.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II estabelece uma relação explicativa adequada em relação à I.
Leia o texto a seguir.
O jornal Folha de S. Paulo introduziu com o seguinte comentário uma entrevista com o professor Paulo Freire: “A gente cheguemos’ não será uma construção errada na gestão do Partido dos Trabalhadores em São Paulo.”
Os trechos da entrevista nos quais a Folha de S. Paulo se baseou foram os seguintes:
A criança terá uma escola na qual a sua linguagem seja respeitada (...) Uma escola em que a criança aprenda a sintaxe dominante, mas sem desprezo pela sua (...) Esses oito milhões de meninos vêm da periferia do Brasil (...) Precisamos respeitar a (sua) sintaxe mostrando que sua linguagem é bonita e gostosa, às vezes é mais bonita que a minha. E, mostrando tudo isso, dizer a ele: “Mas para a tua própria vida tu precisas dizer ‘a gente chegou’, em vez de ‘a gente cheguemos’. Isso é diferente, ‘a abordagem’ é diferente”. É assim que queremos trabalhar, com a abertura, mas dizendo a verdade.
FOLHA DE S. PAULO. Entrevista com Paulo Freire. São Paulo, 18 out. 1990. Caderno Educação. [Adaptado].
No trecho, a posição de Paulo Freire sobre a linguagem evidencia que o ensino da língua deve
desconsiderar as variedades populares e impor a norma-padrão como única forma legítima de expressão.
valorizar as variedades populares e ensinar a norma dominante como ampliação de repertório, não como substituição da fala do aluno.
corrigir de modo imediato as construções não padrão para evitar que essas formas se cristalizem no uso dos falantes.
rejeitar as formas linguísticas que divergem da normapadrão, tratando-as como inadequadas em qualquer situação.
Na perspectiva bakhtiniana, um professor que propõe a análise de uma paródia em sala de aula está trabalhando o conceito de dialogismo, uma vez que a paródia estabelece uma relação intertextual de confronto e ressignificação com um texto-fonte.
Certo
Errado
Marcuschi (2008, p. 67) define a língua nos seguintes termos: “[...] a língua é uma forma de ação. [...] A função mais importante da língua não é informacional e sim a de inserir os indivíduos em contextos sócio-históricos e permitir que se entendam”.
Fonte: MARCUSCHI, Luiz Antônio. . São Paulo: Parábola Editorial, 2008 (Série Educação Linguística; v. 2).Produção textual, análise de gêneros e compreensão
Considerando esse contexto, analise as asserções a seguir e a relação entre elas.
I- A língua tem como principal função a inserção dos indivíduos em contextos sócio-históricos e não a transmissão de informações.
PORQUE
II- A língua é compreendida como uma forma de ação que prioriza a interação social e a construção de entendimentos mútuos, conforme sua natureza sócio-histórica.
A respeito dessas asserções, assinale a opção CORRETA.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
As asserções I e II são proposições falsas.

Disponível em: https://ufabloguei.blogspot.com/2012/05/concepcoes-de-linguagem-e-ensino-da.html. Acesso em: 31 jan. 2026.
Dadas as afirmativas acerca das concepções de língua e de linguagem,
I. O pai da linguística, Ferdinand de Saussure, define, dentro dos parâmetros formalistas de ciência, a língua como um contrato entre os diversos membros de uma comunidade, e todos, de modo implícito, acatam esse contrato, uma vez que cada indivíduo possui em seu cérebro todo um acervo lexical, de regras, de maneira análoga aos demais membros da comunidade.
II. A concepção de língua é marcada por dualidades e paradoxos. Entre eles está o fato de a linguagem ter um lado individual (fala) e outro social (língua). Outro aspecto é que a linguagem é, ao mesmo tempo, um sistema estabelecido e uma evolução.
III. A língua é corpórea e composta de unidades mínimas significativas que, unidas, assumem forma, ou seja, a própria língua.
IV. Ao definir a língua como um sistema abstrato de sinais, a concepção saussuriana, fundamentada por Ferdinand de Saussure, estabelece a linguística moderna que compreende a língua como o sistema individual e abstrato compartilhado pela sociedade, enquanto a fala como o ato coletivo e concreto de uso desse sistema.
verifica-se que está/ão correta/s
III, apenas.
I e II, apenas.
III e IV, apenas.
I, II e IV, apenas.
I, II, III e IV.