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Ciente de que a concepção de língua/linguagem adotada pelo professor incidirá no modo como o Português será ensinado aos alunos, é possível indicar que o trabalho com os modalizadores está mais alinhado com a concepção de língua/linguagem entendida como
expressão do pensamento, por favorecer o ensino de conceitos básicos e normativos da gramática.
processo de interação, por identificar que a língua é um fenômeno dinâmico de interação social.
instrumento de comunicação, por conceber a língua como um conjunto de códigos a ser decodificados pelo falante.
sistema fechado em si mesmo, por possibilitar a identificação e descrição dos termos presentes no texto.
A reflexão sobre a própria língua pode ocorrer em diferentes níveis, variando conforme o grau de consciência que o falante desenvolve sobre o funcionamento dos processos linguísticos e sobre o modo como utiliza a linguagem em situações reais de uso (GERALDI, 2017. adaptado).
Analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta.
No metalinguismo, o falante realiza correções automáticas de sua fala sem perceber os mecanismos envolvidos, característica típica de ajustes intuitivos; já o epilinguismo demanda reflexão consciente sobre as estruturas gramaticais.
O epilinguismo, segundo a perspectiva tradicional, manifesta-se exclusivamente em práticas de ensino, enquanto o metalinguismo surge de usos cotidianos da língua, independentemente de situações sistematizadas.
Tanto o epilinguismo quanto o metalinguismo configuram processos equivalentes, uma vez que ambos ocorrem somente em situações formais de estudo da língua, exigindo domínio explícito das normas gramaticais.
O epilinguismo caracteriza-se por uma atividade espontânea em que o falante realiza ajustes intuitivos no uso da língua, ao passo que o metalinguismo envolve reflexão consciente e sistemática, tomando a linguagem como objeto explícito de análise.
A linguagem humana manifesta-se por diferentes sistemas de signos que permitem aos indivíduos comunicar ideias, emoções e conhecimentos. No interior desse fenômeno amplo, a linguística distingue conceitos fundamentais como língua e fala, bem como reconhece a existência de variações linguísticas decorrentes de fatores sociais, regionais e situacionais, que não comprometem a legitimidade das diferentes formas de uso da língua (SAUSSURE, 2006).
De acordo com o trecho apresentado, assinale a alternativa CORRETA.
A fala corresponde ao conjunto de regras gramaticais que estruturam o sistema linguístico de uma comunidade, enquanto a língua se manifesta apenas no uso individual da linguagem.
A variação linguística ocorre apenas quando os falantes utilizam formas consideradas incorretas pela norma-padrão, caracterizando desvios estruturais do funcionamento da língua.
A linguagem restringe-se ao conjunto de regras gramaticais de uma língua específica, não abrangendo outras formas de comunicação simbólica existentes entre os indivíduos em geral.
A língua constitui um sistema social de signos compartilhado por uma comunidade, enquanto a fala corresponde ao uso individual desse sistema em situações concretas.
A variação linguística impede a compreensão entre os falantes de uma mesma comunidade, pois rompe a unidade estrutural necessária ao funcionamento da língua.
O conhecimento razoável das teorias linguísticas de aquisição da linguagem, conjugado com outros conhecimentos, permite ao professor de linguagem conhecer mais acerca do processo de aquisição da fala e da escrita por parte dos alunos. A teoria de aquisição da linguagem que mais se alinha com os documentos oficiais é o
conexionismo proposto por Piaget.
interacionismo proposto por Vygotsky.
gerativismo proposto por Chomsky.
behaviorismo clássico proposto Skinner.
A linguagem virtual mediante a visão da Semiótica.
“As linguagens digitais articulam signos verbais, visuais e sonoros, ampliando as formas de produção de sentido na comunicação contemporânea.” Linguagens líquidas na era da mobilidade.
SANTAELLA, Lúcia. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007.
Considerando a linguagem virtual sob a perspectiva da Semiótica, assinale a alternativa correta.
A Semiótica limita-se ao estudo da linguagem verbal escrita.
A comunicação virtual combina diferentes sistemas de signos na construção dos sentidos.
Os textos digitais produzem sentido apenas por meio das palavras.
Elementos visuais e sonoros não interferem na interpretação textual.
A linguagem virtual elimina a necessidade de interpretação do leitor.
No trabalho com as práticas de oralidade, um dos eixos de organização das atividades didáticas refere-se às habilidades de oralização da escrita.
Assinale a alternativa que registra uma atividade que pode contribuir para o desenvolvimento desse tipo de habilidade.
Apresentação de trabalho
Produção de jornal falado
Elaboração de seminário
Debate regrado público
Declamação de poemas
“A sociolinguística vem contribuir para a compreensão da língua mediante a análise de sua relação com a sociedade, da forma como a língua varia e muda, de acordo com os contextos e os relacionamentos sociais.” Pode-se afirmar que os fatos linguísticos seguintes demonstram a linha de análise citada acima, EXCETO:
As línguas servem para a comunicação.
As línguas estão estreitamente ligadas aos seus usuários.
As línguas variam.
As línguas possuem uma unidade territorial.
As línguas mudam.
Sobre a Linguística e seus campos de estudo, avalie as afirmações feitas abaixo e relacione-as numericamente com a indicação que se apresenta.

A partir do que foi orientado antes, marque a alternativa que apresente a sequência correta.
4 – 1 – 3 – 2.
3 – 2 – 4 – 1.
4 – 2 – 3 – 1.
3 – 1 – 4 – 2.
2 – 1 – 3 – 4.
Analise as características abaixo antes de julgar o que se pede:
I. “Não é possível a reação imediata. O escritor pode tentar antecipar as reações do leitor e incorporá-las ao texto.”
II. “O interlocutor é, geralmente, alguém específico.”
III. “Hesitações e pausas são comuns e, frequentemente, há redundâncias e repetições.”
IV. “É permanente. Pode ser relida quantas vezes forem necessárias e na velocidade de cada um.”
Considerando-se os estudos linguísticos atuais quanto à investigação do que seja pertencente à Fala ou à Escrita, pode-se afirmar que, pela ordem, a sequência correta do que se afirmou acima é:
I. Escrita / II. Fala / III. Escrita / IV. Fala.
I. Escrita / II. Escrita / III. Fala / IV. Fala.
I. Fala / II. Escrita / III. Escrita / IV. Fala.
I. Escrita / II. Fala / III. Fala / IV. Escrita.
I. Fala / II. Fala / III. Escrita / IV. Escrita.
Considerando que a comunicação humana se dá através de textos (Marcuschi, 2008), sejam eles orais ou escritos, o cabedal de informações que ele oferece ao leitor é fundamental para determinar a sua densidade.
Fonte: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008 (Série Educação Linguística; v. 2).
Sendo assim, é CORRETO afirmar que:
os textos com um maior grau de informatividade tendem a gerar mais interesse e esforço interpretativo do leitor/ouvinte, por se afastar de produções com conteúdos triviais..
o esforço interpretativo que a leitura/escuta de um texto requer independe de seu grau de informatividade.
textos cuja interpretação é considerada fácil são aqueles que apresentam um grau de informatividade mais alto.
o grau de informatividade de um texto atua de forma independente dos demais critérios de textualidade.
um texto com grau de informatividade alto é aquele que traz exclusivamente informações novas.
Considere as informações:
“Estes três elementos (conteúdo temático, estilo e construção composicional) fundem-se indissoluvelmente no todo do enunciado, e todos eles são marcados pela especificidade de uma esfera de comunicação. Qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados...”
(Mikhail Bakhtin. 2003)
O conceito apresentado por Bakhtin e a esfera de comunicação em que circula o texto de José de Alencar, conforme Schneuwly e Dolz (2004), estão indicados, correta e respectivamente, em:
enunciação; memorização das ações humanas.
tipos textuais; cultura literária ficcional.
gêneros do discurso; cultura literária ficcional.
leitura literária; memorização das ações humanas.
dialogismo; transmissão e construção de saberes.
Os gêneros do discurso organizam a nossa fala da mesma maneira que a organizam as formas gramaticais (sintáticas). Aprendemos a moldar nossa fala às formas do gênero e, ao ouvir a fala do outro, sabemos de imediato, bem nas primeiras palavras, pressentir-lhe o gênero, adivinhar-lhe o volume (a extensão aproximada do todo discursivo), a dada estrutura composicional, prever-lhe o fim, ou seja, desde o início, somos sensíveis ao todo discursivo que, em seguida, no processo da fala, evidenciará suas diferenciações.
BAKHTIN, M. e VOLOCHINOV, V. N. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2004.
De acordo com a passagem, a organização da linguagem por meio de gêneros do discurso contribui para um pensamento linguístico
previsível.
normativo.
individual.
espontâneo.
subjetivo.
TEXTO I
“A linguagem não é apenas um espelho do pensamento, mas uma forma de agir sobre o outro e sobre o mundo. Ao enunciar, o sujeito não apenas transmite informações, mas estabelece relações sociais, negocia sentidos e constrói sua identidade dentro de uma esfera de comunicação específica.”
(Fragmento adaptado para fins didáticos das ideias de Bakhtin)
Considerando o Texto I e as concepções de linguagem discutidas na linguística contemporânea, assinale a alternativa que melhor define a perspectiva apresentada:
Linguagem como instrumento de transmissão de informações biológicas.
Linguagem como representação fiel e imutável da realidade externa.
Linguagem como forma de interação e processo dialógico entre sujeitos.
Linguagem como sistema fechado de regras gramaticais sem contexto social.
Linguagem como atividade meramente cognitiva e individual do falante.
Leia o texto a seguir:
A cigarra e a formiga
A cigarra, tendo cantado todo o verão, viu-se completamente sem provisões quando o inverno chegou. Não tinha nenhum pedacinho de inseto ou de larva. Foi então queixar-se da falta de alimentos na casa da formiga, sua vizinha, pedindo-lhe que lhe emprestasse alguns grãos para subsistir até a primavera.
– Palavra de animal, eu lhe pagarei juros e principal, antes da próxima colheita.
A formiga não empresta nada. Este é seu menor defeito.
– Que é que você fazia no verão, diz ela à que deseja tomar emprestado.
– Não se aborreça, todos os dias e noites eu cantava.
– Estou muito bem. Você cantava; pois bem; agora dance.
(Fábula de La Fontaine, extraída de José Luiz Fiorin, Elementos de análise do discurso, 1990)
De acordo com José Luiz Fiorin, na fase de manipulação no nível narrativo, “um sujeito age sobre outro para levá-lo a querer e/ou dever fazer alguma coisa”. Na fábula de La Fontaine, a manipulação feita pela cigarra ocorre por meio de
uma provocação, sendo que a performance revela a conjunção dela com o objeto.
um pedido, sendo que a performance revela a disjunção dela com o objeto.
uma ordem, sendo que a performance revela a conjunção dela com o objeto.
uma sedução, sendo que a performance revela a disjunção dela com o objeto.
um arrependimento, sendo que a performance revela a disjunção dela com o objeto.
A linguagem, concebida como prática social, manifesta-se sempre em interação, sendo atravessada por vozes, posições discursivas e condições históricas de produção que determinam a forma e o sentido dos enunciados, os quais se realizam concretamente em textos situados (BAKHTIN, 2011).
Considerando os conceitos básicos de dialogismo, polifonia, discurso, enunciado, enunciação e texto, assinale a opção correta.
Dialogismo é o princípio sobre o qual todo enunciado se constrói em relação a outros enunciados, anteriores ou potenciais, e revela a natureza interativa e histórica da linguagem.
Texto é uma estrutura linguística autônoma e fechada, cuja análise prescinde da consideração do contexto de produção, dos interlocutores e das relações interacionais.
Discurso pode ser compreendido como a soma das frases de um texto, pois seus sentidos decorrem exclusivamente da organização linguística interna, sem dependência do contexto social.
Enunciado e enunciação designam o mesmo fenômeno linguístico, uma vez que ambos se referem ao produto verbal acabado que circula socialmente em forma de texto.
Polifonia caracteriza-se pela presença simultânea de várias personagens ou locutores em um texto, independentemente da autonomia das vozes ou de posições ideológicas diferenciadas no plano discursivo.
A concepção de linguagem como expressão do pensamento compreende a língua como instrumento por meio do qual o sujeito traduz ideias previamente organizadas na mente, priorizando a dimensão interna do pensamento e sua exteriorização verbal (CUNHA; CINTRA, 2017. adaptado.)
De acordo com esse enfoque, assinale a alternativa correta.
A linguagem, nesse enfoque, funciona como sistema autônomo de signos, cuja estrutura interna se organiza independentemente do sujeito e das condições históricas de uso.
A linguagem, sob essa concepção, é vista prioritariamente como prática social interativa, em que os sentidos se constroem no diálogo entre os sujeitos e nas situações concretas de uso.
A linguagem, segundo essa concepção, resulta do embate entre forças ideológicas e sociais, sendo os sentidos produzidos nas relações de poder e nas práticas discursivas.
A linguagem, nessa concepção, é entendida como meio de exteriorização de ideias estruturadas no pensamento, enfatizando o caráter individual do ato linguístico, e atribui ao sujeito a centralidade na produção do sentido.
A concepção de linguagem como processo de interação compreende os sentidos como produzidos nas relações entre os sujeito em situações concretas de uso, envolvendo aspectos discursivos, históricos e sociais da comunicação verbal (BAKHTIN, 2008. adaptado.)
De acordo com esse enfoque, assinale a alternativa correta.
O dialogismo define a neutralidade do discurso individual, a enunciação corresponde apenas ao produto final da fala, e o epilinguismo representa a análise científica da língua, enquanto o metalinguismo se limita à intuição espontânea do falante.
O dialogismo compreende que todo enunciado se constitui na relação com outros enunciados, a enunciação corresponde ao ato concreto de produção da fala em determinada situação, e o epilinguismo refere-se à reflexão implícita do falante sobre sua própria linguagem, enquanto o metalinguismo envolve reflexão explícita.
O dialogismo explica a língua como sistema fechado de regras, o enunciado corresponde apenas à frase gramatical isolada, e o epilngusmo e o metalinguismo são categorias equivalentes no estudo técnico da linguística descritiva.
O dialogismo sustenta a autonomia total do sujeito na produção do sentido, o enunciado equivale ao ato psíquico da fala, e tanto o epilinguismo quanto o metalinguismo são reduzidos ao estudo formal da gramática normativa, sem relação com a interação concreta.
A psicolinguística investiga os processos mentais envolvidos na produção, compreensão e aquisição da linguagem, articulando conhecimentos da linguística, da psicologia cognitiva e das neurociências. Seu foco recai sobre os mecanismos que permitem ao indivíduo interpretar enunciados, formular estruturas linguísticas e desenvolver competências comunicativas ao longo da vida (LEVELT, 1999. Adaptado.).
De acordo com o assunto tratado, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
A psicolinguística orienta-se para a análise das estruturas formais do sistema linguístico, concentrando sua investigação nas regras abstratas que organizam o código verbal.
A psicolinguística estuda os processos mentais que possibilitam produção, compreensão, aquisição da linguagem, mecanismos cognitivos que sustentam o uso linguístico.
A psicolinguística relaciona-se ao exame de variações linguísticas em grupos sociais, observando comportamentos discursivos associados a contextos de uso.
A psicolinguística aborda práticas comunicativas observadas em diferentes comunidades, relacionando usos linguísticos a contextos culturais amplos.
A psicolinguística volta-se ao estudo de etapas do desenvolvimento linguístico, investigando comportamentos que incluem aquisição, compreensão e formulação de enunciados.
A interdiscursividade refere-se à presença de outros dizeres, outros discursos e outras vozes que atravessam todo enunciado, evidenciando que nenhum discurso é isolado ou neutro. Assim, o sentido se constrói no entrecruzamento de formações discursivas distintas, marcadas por posições sociais, ideológicas e históricas. Inerente a esses fundamentos, pressupõe-se que:
A interdiscursividade é uma estratégia retórica que se restringe à literatura e à poesia, não ocorrendo em textos jornalísticos, científicos ou institucionais.
Um texto é considerado interdiscursivo quando incorpora enunciados externos de maneira literal, com a intenção de reforçar a autoridade do enunciador por meio de citações reconhecíveis ao leitor
Um texto científico, por seu caráter neutro e objetivo, constitui-se exclusivamente por discurso monológico, não permitindo a coexistência de múltiplas vozes discursivas.
A interdiscursividade, diferentemente da intertextualidade, pressupõe a inexistência de vozes externas, pois o sentido é sempre produzido de forma autônoma pelo enunciador.
A presença de discursos outros em um texto, mesmo quando implícita, evidencia a interdiscursividade, que se manifesta por meio de formações ideológicas e referenciais partilhadas socialmente.
À luz dos estudos discursivos e da linguística textual, no que se refere aos conceitos de dialogismo, polissemia, polifonia e heterogeneidade discursiva, assinale a alternativa correta:
O dialogismo, embora reconheça a historicidade dos enunciados, não interfere diretamente na constituição dos sentidos, que se estabilizam prioritariamente no plano lexical.
O dialogismo diz respeito à relação histórica entre discursos socialmente estabilizados, enquanto a polifonia se limita à organização interna do texto, sem implicar posicionamentos ideológicos do enunciador.
A polissemia, ao permitir a circulação de sentidos distintos associados a um mesmo signo, constitui condição suficiente para a emergência da polifonia discursiva.
A heterogeneidade discursiva manifesta-se quando o enunciador incorpora vozes alheias ao discurso, ainda que essas vozes sejam absorvidas e ressignificadas no interior de uma única posição enunciativa.
A presença de múltiplas vozes no discurso implica a diluição da autoria, uma vez que a polifonia impede a identificação de um centro enunciativo responsável pela orientação semântica do texto.