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Considerando a concepção de texto enquanto evento sociocomunicativo, estabele-se que ele pode ser produzido em língua oral ou língua escrita. A respeito disso, assinale a alternativa correta.
O conceito de coprodução se refere apenas ao texto produzido em língua oral, pois nessa modalidade os interlocutores estão copresentes, a interlocução é ativa e o resultado é uma materialidade linguística com marcas de produção verbal conjunta.
A língua escrita se caracteriza enquanto um diálogo que ocorre na ausência do interlocutor e possui etapas de planejamento e execução que ocorrem em momentos distintos.
A fala e a escrita constituem duas modalidades da língua que utilizam o mesmo sistema linguístico que resulta em características diversas entre elas e que permite observar que a língua escrita é apenas a transcrição da fala.
A língua escrita registra simultaneamente dois momentos da linguagem, ou seja, o momento do planejamento, cognitivo, e o momento da execução verbal.
A língua oral pode ser descrita por uma sintaxe especializada que registra o uso abundante da voz passiva e o predomínio de sentenças declarativas, em detrimento de interrogativas e imperativas.
Texto 2 |
A nova era do divórcio (fragmento) “‘Novelas da Globo aumentam o número de divórcios no Brasil.’ Parece fake news de haters, mas não. Trata-se de um dado histórico. A conclusão é de um estudo de 2009, feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A pesquisa fez um cruzamento entre informações de censos das décadas de 1970, 1980 e 1990 e dados sobre a expansão do sinal da Globo no país. Segundo os autores do estudo, o número de mulheres que se separaram aumentou conforme a teledramaturgia da emissora foi chegando a mais cidades. ‘A exposição a estilos de vida modernos mostrados na TV, a funções desempenhadas por mulheres emancipadas e a uma crítica aos valores tradicionais mostrou estar associada aos aumentos nas frações de mulheres separadas e divorciadas nas áreas municipais brasileiras’, diz a pesquisa. [...] O que os estudiosos do BID não poderiam prever é o quanto os divórcios aumentariam no Brasil do século 21, por um motivo ainda mais insuspeito: a disseminação de um vírus. Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos, no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a separação bateu recorde: 80.573 divórcios consensuais, o maior da série histórica, que é registrada desde 2007. [...] Sim, o início desnorteante da pandemia foi o gatilho para um boom de divórcios planeta afora. Motivos para a escalada nas tensões entre casais não faltaram, você sabe: o encarceramento no lar de ambos os cônjuges (condição que se estendeu indefinidamente para quem aderiu ao home office), perrengues financeiros, a necessidade de lidar com as crianças estudando em casa, distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão, paranoia…). [...] A [empresa americana] Legal Templates mostrou que os casados há menos de cinco anos foram os que mais se separaram em 2020: 58%. Aliás, quanto menor o tempo de união oficial, maior o aumento no índice de cada um para o seu lado. Enquanto, em 2019, pré-Covid, apenas 11% dos que se separaram tinham menos de cinco meses sob o mesmo teto, em 2020 essa porcentagem quase dobrou: foi para 20%. Estudiosos que analisaram esses dados chegaram a uma conclusão que faz sentido: casais que haviam se unido havia pouco tempo são menos calejados para enfrentar o maremoto que atingiu a praia conjugal na onda do vírus. Os parceiros mais longevos já tinham passado por outras crises. Talvez ilesos, talvez feridos. E muitos aprenderam a sair delas juntos. [...] Nesta nova era do divórcio, vale um alerta: mesmo nas separações mais amigáveis – e até afetuosas –, romper um relacionamento de anos segue sendo tão difícil quanto sempre foi. Os primeiros tempos tendem a ser um período deprimente, de luto mesmo, acordos difíceis e de pisar em ovos. Se você se separou, vale a pena um esforço a mais para manter o bom convívio. Não apenas pelo bem dos filhos – se o casamento produziu crianças. É importante honrar uma história que, em boa parte do tempo, foi partilhada com a pessoa que um dia você amou como se fosse a única.” . Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/a-nova-era-do-divorcio. Acesso em: 24/07/2022 |
“Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos, no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a separação bateu recorde [...]”
Muitas gramáticas ensinam que o “então” é uma conjunção conclusiva. No entanto, na passagem acima, retirada do texto 2, essa palavra apresenta um uso distinto, que é próprio do registro informal e não costuma figurar nos compêndios gramaticais.
Esse mesmo uso está presente no seguinte exemplo:
Eu estava meio triste, então resolvi ficar em casa.
-Você já tem uma resposta pra mim?
- Então... eu já pensei bastante, mas ainda não sei o que responder.
- Então, vamos?
Até então, eu ainda não havia tomado uma decisão.
Se você acha que 50 convidados é muita gente, 100, então, nem se fala.
No Texto II, há marcas de oralidade em:
“uma visão bastante precisa da era atual”.
“bem, basicamente, foram convidados”.
“essas imagens malucas, e algumas outras,”.
“algumas dessas ilustrações únicas”.
O texto apresenta linguagem simples e espontânea, situada entre a linguagem oral e a escrita.
Certo
Errado
Entre as expressões utilizadas no texto, qual apresenta um uso de linguagem mais encontrado na modalidade oral da língua?
“Mas eu, galinha, fêmea da espécie [...]”
“O velho galo ia ponderar filosoficamente [...]”
“Comigo, não, violão.”
“O galo fez questão de frisar.”
“[...] galinha que não choca nem põe ovo serve é pra panela.”
Sobre o texto da campanha publicitária, é correto afirmar que:
há uma inadequação no que diz respeito à variedade linguística usada e o contexto discursivo.
os autores da campanha seguem a prescrição da gramática normativa, para melhor explicar a função do outdoor.
a variedade linguística usada evidencia que os autores da campanha não se preocupam se o seu público entende a mensagem veiculada.
o distanciamento proposital da variedade padrão tem um efeito positivo – o público é tratado com intimidade; a linguagem coloquial tenta envolvê-lo.
o uso de marcas de oralidade compromete o entendimento do leitor, logo o texto não satisfaz o objetivo da campanha.
Nas relações entre fala e escrita, oralidade e letramento, percebemos diferenças e semelhanças necessárias ao conhecimento do professor de língua portuguesa, uma vez que faz parte do dia a dia da sala de aula e necessariamente devem ser objeto de ensino, como nos esclarece Dionísio e Marcuschi (MARCUSCHI, L. A.; DIONÍSIO, A. P. Princípios gerais para o tratamento das relações entre fala e escrita. In: MARCUSCHI, L. A.; DIONÍSIO, A. P. (orgs.). Fala e Escrita. Belo Horizonte: Autêntica, 2007).
Analise as afirmações abaixo e coloque V nas Verdadeiras e F nas Falsas.
( ) As relações entre oralidade e escrita se dão num contínuo ou gradação perpassada pelos gêneros textuais, e não na observação dicotômica de características individualizadas.
( ) É possível detectar certos fenômenos formais diferenciais entre a oralidade e a escrita que sejam exclusivos da escrita ou da fala, numa visão dicotômica.
( ) Tanto a fala como a escrita variam socialmente de maneira relativamente considerável.
( ) O tempo de produção e recepção, na fala, é concomitante e, na escrita, é defasado. Apesar das novas tecnologias digitais de informação e comunicação, ainda se percebe essa diferença.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
V, V, V, V
V, F, V, V
F, V, V, F
V, F, V. F
F, F, V, V
Há linguagem oral em:
“Dizia estar emocionado, mas, na verdade, a ficha só veio a cair no dia em que João nasceu.”
“E nesse cenário fui demarcando o meu território.”
“Ele consegue ser um espelho para vários homens.”
“No meio disso, senti um amor gigantesco por um desconhecido, como nunca antes.”
“Ser pai de menina era um admirável mundo que se abria.”
Dentre as alternativas abaixo, encontradas no texto, a que estabelece uma interlocução é:
Tampouco estou falando de sedução, xaveco.
Por que a vida é generosa com uma e fecha a cara para outra?
Coluna assumidamente autoajuda, aproveite a promoção.
Exemplo que extraí da minha caixa de e-mail ontem.
Aí o universo não coopera e a gente não entende por quê.
Com base em Koch e Elias (2011), uma marca típica de oralidade que foi transcrita para o texto escrito é a expressão:
Num.
de meu.
à meia.
mesmo.
né.
É correto afirmar que
na oralidade, as referências não podem ser recuperadas pelo contexto; gestos, olhares não auxiliam nessa recuperação, por isso é necessário que os interlocutores sejam explícitos no que pretendem dizer.
a escrita tem como foco o registro da oralidade e, portanto, apresenta entre as diversas características a necessidade da seleção, organização e desenvolvimento das ideias e uma continuidade do tema.
a língua escrita depende da apropriação de regras gramaticais, o escritor pode apresentar suas ideias, desenvolver seu pensamento, sendo prescindíveis os conhecimentos de seu leitor, visto que este está ausente no momento da escrita.
o texto falado, emergindo do próprio momento da interação, é pleno de truncamentos, correções, hesitações, repetições, o que não deve ser compreendido como um defeito, mas reflete apenas as condições de produção.
o texto escrito exige que o escritor conheça a ortografia, a gramática, o léxico de sua língua, além de elementos discursivos, sendo facultativa a consideração dos conhecimentos prévios de seu leitor.
Encontramos letras em toda parte: rua, panfletos, placas e entre outros. Nas alternativas abaixo, você vê desenhos, números e letras.
Marque a alternativa onde aparecem somente letras.
SILÊNCIO POR FAVOR |
SILÊNCIO
|
ATENÇÃO, MANTENHA O SILÊNCIO APÓS ÀS 22:00H |

Assinale a alternativa que apresenta uma estrutura linguística própria de linguagem oral, que deve ser evitada em textos escritos formais.
POR QUE (1º quadrinho)
FAZER (2º quadrinho)
EM CIMA (3º quadrinho)
TÁ (3º quadrinho)
Não pretendia voltar a escrever sobre como a língua vai mudando, por não querer ser chamado de velho caturra, mas é difícil segurar e aí não me contenho. Esta semana (ou, segundo a atual usança, “nesta semana”), por exemplo, cheguei à conclusão de que estamos caminhando para a adoção de uma nova regra em relação às orações com o sujeito na terceira pessoa, tanto do singular quanto do plural. Assisti a muitos noticiários de televisão nos últimos dias, ouvi muitas entrevistas com todo tipo de gente e a conclusão dispensa maiores pesquisas. Dentro em breve vai ser errado dizer, por exemplo, “o avião teve uma pane elétrica”. Imagino que, a continuar a tendência, as crianças nascidas hoje não compreenderão uma frase assim, porque jamais a ouvirão. Ouvirão “o avião, ele teve uma pane elétrica”. E lerão numa gramática da norma culta que, na terceira pessoa, o sujeito precisa ser confirmado pelo pronome para o enunciado ficar claro.
-
(RIBEIRO, João Ubaldo. “Vergonha da mesóclise”. O Estado de São Paulo, 6/6/2009)
-
O trecho acima de João Ubaldo Ribeiro lida com humor diante da transformação da língua e da diferença entre escrita e oralidade. Na frase indicada, a presença do pronome “ele”
tem como função assegurar uma relação coesiva redundante típica da linguagem oral.
assinala uma impropriedade do uso da linguagem oral em língua portuguesa.
altera substancialmente o sentido do enunciado.
é um elemento indispensável para a compreensão do enunciado.
refere-se a algum elemento não presente no enunciado.
Ao trocar mensagens em um aplicativo de mensagens, uma amiga que está em viagem de férias, escreve para sua tia: “To num paraíso, as selfies aqui são perfeitas; tenho tido ótimos momentos. Vou ver se eu mando uma foto pra você, você sabe que eu não gosto de me expor”. No excerto destacado, identificamos a marca linguística referente a(o):
uso formal da linguagem empregada na escrita
recorrência das formas abreviadas em exagero
presença de marcas da linguagem oral
excessiva preocupação com a clareza da mensagem
Na fala “vô sê seu”, encontramos traços marcantes de uma linguagem informal. Os dois primeiros termos utilizados equivalem, respectivamente, ao verbo:
ir na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo/ verbo ser no infinitivo
ir na 1ª pessoa do plural do presente do indicativo/ verbo ser no infinitivo
ir na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo/ verbo ser no gerúndio
ir na 1ª pessoa do plural do presente do indicativo/ verbo ser no particípio
No caso das redações oficiais em que o Serviço Público normalmente comunica um assunto relativo às atribuições do órgão que comunica, a um determinado destinatário que pode ou ser público, o conjunto dos cidadãos, ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da União.
Fonte: Comunicação oral e escrita. Escola Estadual de Educação Profissional - EEEP. Curso Técnico em Secretaria Escolar. Secretaria da Educação. Governo do Estado do Ceará.
Sobre a redação oficial que está incluída na língua escrita e a diferença para a língua falada, marque a alternativa que apresenta a diferença entre elas.
A língua escrita vale-se de determinados subterfúgios, tais como impessoalidade e distância do emissor, enquanto a língua falada não possui nenhum mecanismo de auxílio para a manutenção da uniformidade.
No caso da língua falada é importante destacar que ela é composta de características específicas e contraditórias, ao passo que a língua escrita é clara e apresenta bastante consonância.
A língua falada é dinâmica e reflete de forma imediata uma alteração de costumes, além de poder contar com elementos que auxiliem a sua compreensão, como os gestos, a entoação. Já a língua escrita incorpora mais lentamente as transformações, tem maior vocação para a permanência, e tem apenas a si mesma para comunicar.
A língua falada é sempre coloquial e a língua escrita é sempre informal.
Alguns autores têm refletido sobre o verdadeiro significado de ler e escrever, como atividade reflexiva, prática social e ato coletivo, muito distante da alfabetização. (...)
No entanto, não se pode negar que a linguagem escrita possui uma íntima relação com a oralidade, muito embora a primeira não se caracterize como mera transcrição da segunda.
Com base nesse excerto, é correto afirmar:
o que determina a aprendizagem de uma língua escrita é o que foi aprendido como primeira língua, pois não se aprende a falar uma e escrever outra.
para que se aprenda o Português na modalidade escrita é mandatório que se aprenda primeiro na modalidade falada, como primeira língua (L1).
é preciso que a criança assuma o papel de interlocutor para que também possa exercer o papel de autor-leitor.
os surdos que têm Língua de Sinais como primeira língua (L1) também devem aprendê-la na modalidade escrita, e não o Português, pois são línguas diferentes.
as funções mentais que envolvem a linguagem escrita são as mesmas da oral; logo, não se desvincula uma linguagem da outra.
A linguagem é um sistema de símbolos convencionais utilizados para organizar o pensamento e para a comunicação. Envolve compreender o que o outro diz, elaborar conteúdos e expressar ideias e necessidades verbalmente. Quando a linguagem se manifesta por meio da fala, chamamos de linguagem oral; quando ocorre por meio da leitura e da escrita, nos referimos à linguagem escrita.
A linguagem abrange domínios, estudados e avaliados, para levar à hipótese diagnóstica e conduta terapêutica mais precisas.
Fonte: https://www.reescrevaclinica.com.br/o-desenvolvimento-da-linguagem-oral/
São etapas da linguagem oral, EXCETO:
Fonologia.
Semântica.
Intuição.
Pragmática.
Morfologia.
“Diafásica”, denominação cunhada por Eugenio Coseriu, à semelhança dos termos diatópica e diastrática, designa as variedades “estilísticas” entre os diversos tipos de modalidade expressiva. São exemplos, entre outros, de variedades diafásicas as:
variedades de “níveis” entre os diferentes estratos socioculturais de uma comunidade linguística.
variedades de dialetos entre os diferentes espaços geográficos em que uma língua histórica é falada.
diferenças entre língua falada e língua escrita, entre língua de “uso” e língua literária.
expressões espontâneas entre pessoas escolarizadas que não apresentam a fixidez das formas gramaticais.
variedades linguísticas que decorrem do contato dos falantes de uma língua com os falantes de uma língua estrangeira, como a língua “mista” falada nos portos da China, “o pidgin”.