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Sobre a língua escrita, é correto que:
Um sistema formal (de regras, convenções e normas de funcionamento.
Um sistema que se legitima pelo uso em situações pontuais e para um fim específico.
Uma estrutura aberta que não admite transgressões.
No texto, perde a dupla condição de inteligibilidade e comunicação.
Um recurso fechado que permite dizer tudo, isto é, um sistema indisponível ao poder humano de criação.
Conquanto a obra de Machado de Assis seja permeada da variante linguística culta da língua portuguesa, observam-se algumas marcas de oralidade, tais como em “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.” (linhas 1 e 2). A principal marca de oralidade presente no texto, do ponto de vista do emprego das categorias gramaticais, é a utilização
coloquial do pretérito imperfeito do indicativo em substituição ao futuro do pretérito do indicativo, comum no Português Brasileiro Contemporâneo.
de sintaxe estranha ao Português Brasileiro Contemporâneo.
de acentuação gráfica estranha ao Português Brasileiro Contemporâneo.
de pontuação estranha ao Português Brasileiro Contemporâneo.
de recursos de interdiscursividade, comuns no Português Brasileiro Contemporâneo.
A linguagem oral permite variações e desobediências gramaticais. O verbo ter, por exemplo, é bastante usado de maneira indevida, com o sentido não de posse ou auxiliar em tempos compostos. Qual das construções NÃO está composta em linguagem oral:
Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra... – Carlos Drummond de Andrade, em Tinha um pedra no meio do caminho.
Tem dias que a gente se sente – Chico Buarque de Holanda, em Roda Viva.
Tem certos dias que eu penso em minha gente – Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Holanda, em Gente Humilde.
Tenho meu próprio casal e nele assisto – Tomás Antônio Gonzaga, em Marília de Dirceu.
São características da linguagem oral, EXCETO:
Uso de recursos extralinguísticos, tais como: gestos, expressões faciais, postura, entonação.
Possibilidade de refazer a mensagem, caso não seja interpretada adequadamente.
Menos proximidade entre locutor e receptor.
Relação direta entre falantes.
O contexto interfere.
Observe a imagem abaixo:

Disponível em: http://s3-sa-east-1.amazonaws.com/descomplica-blog/wp-content/uploads/2016/01/frito.jpg. Acesso em: 25.10.18.
Considerando-se a linguagem verbal e não verbal do texto acima, é CORRETO afirmar que a expressão “tá frito”:
não gera ambiguidade em função do contexto
cria ambiguidade pelo caráter polissêmico da linguagem.
só pode ser entendida em sentido literal.
provoca incoerência já que no contexto se mostra confusa para o leitor.
não está adequada pelo desvio da norma padrão.
Língua oral e língua escrita, segundo teóricos da linguagem, apresentam distintas características em seu uso. Com base nessa informação, assinale a alternativa que apresenta um exemplo de utilização para o registro oral:
A maior parte dos servidores são favoráveis aos pleitos indicativos de cargos na gestão.
A gente, como servidor público, reivindica um plano de carreira condizente com cada cargo.
O setor de cadastro e pagamento, naquela instituição, é mais grande que o de admissão.
O programa de Tecnologia da Informação é fundamental para o desenvolvimento da gestão.
“Pensamos com o idioma; se é mal usado, pensaremos mal!” (Fernando Lázaro Carreter)
Para esse linguista, a função da língua escrita é:
preservar o saber construído;
produzir conhecimentos;
criar arte;
memorizar dados;
manter valores político-sociais.
A autora utiliza marcas linguísticas que dão a certas partes do texto um caráter informal. Uma dessas marcas pode ser identificada em
“Só nas novelas e na escola” (linha 24), pelo uso do adjetivo “só” como advérbio.
“A mesa era bonita, e a casa também” (linha 18), pela omissão do verbo “ser”.
“Um dia ele pediu sobremesa à mãe” (linhas 24-25), pelo uso da preposição “a” no lugar de “para”.
“Sempre tinha suco de laranja” (linha 22), pelo uso do verbo “ter” com o sentido de “existir”.
A afirmativa destoante do que se constitui como texto falado ou escrito em qualquer língua natural é:
O conhecimento de bom número de palavras dicionarizadas de qualquer língua é satisfatório e bastante para a produção de textos de uso corrente nas relações interacionais.
O que se fala ou escreve nos cenários de interação social é texto, por mais que conflite com os padrões formais dos usos linguageiros.
Qualquer texto se constitui e desenvolve em contexto de uso da linguagem humana.
Informações gerais sobre dada cultura, conceitos, crenças, costumes são organizados, não raras vezes, sob forma de texto.
Os textos decorrem do conhecimento de sistemas de produção de sentidos e de estratégias de processamento de informações sobre os temas em discussão.
Exemplifica um caso de transposição de regras da oralidade para a linguagem escrita a seguinte estrutura:
“é que partimos da premissa”.
“informações sobre”.
“É o presente para solicitar”.
“considerando o montante”.
Assinale a opção que indica as palavras da charge que mostram variação popular de pronúncia.
Ai – Sinhô.
Sinhô – ah.
Sinhô – tô.
tô – manda.
manda – ela.
DÉMODÉ*
Mário Viana
Na próxima faxina, vai ser preciso empurrar para o fundo do armário os barquinhos de maionese, os picles espetados no repolho e as taças de coquetel de camarão. Com jeitinho, também cabem o bilboquê e o ioiô que apitava. É necessário espaço para acomodar tudo aquilo que sai de moda. Por exemplo: as expressões “com licença”, “por favor” e “obrigado” estão, todas, caindo no mais completo desuso, feito uma calça de Tergal ou uma camisa Volta ao Mundo.
Atualmente, gentileza só gera gentileza em fotinho de rede social. Na real, o que vale de verdade é a versão urbana da lei da selva. Incontáveis vezes, sou pego de surpresa na sala do cinema ou do teatro por uma pessoa plantada de pé, ao meu lado, esperando que eu abra caminho para sua passagem. Eu cedo e ela passa, sem emitir um som. Faz sentido: se não pede licença, a criatura não sabe agradecer. Nos ônibus e metrôs também há o bônus da mochila, cada vez maior e mais pesada. Deduzo que todas elas são recheadas de livros, cadernos, pares de tênis, roupa de frio, marmita, duas melancias, um bote inflável (nunca se sabe quando a chuva vem) e, desconfio ainda, o corpo embalsamado do bicho de estimação. Só isso explica a corcova sólida e intransponível que bloqueia corredores a qualquer hora do dia ou da noite. Nem adianta apelar para a antiga fórmula do “com licença”. Ela perdeu o significado.
Outro item fadado à vala comum dos esquecidos é a letra R, usada no final de algumas palavras para significar o infinitivo de um verbo. Fazer, beijar, gostar, perder, seguir — você sabe que são verbos justamente por causa da última letra. Pois não é que as redes sociais, mancomunadas com a baixa qualidade do ensino, estão aniquilando a função do R? No Twitter, é um verdadeiro festival de “vou faze bolo pq o Zé vem me visita”.
Para decifrar alguns posts — marcados também pela absoluta ausência de vírgulas, acentos e pontos —, é preciso anos de estágio nos livros de José Saramago e Valter Hugo Mãe. Apegar-se à ortografia tradicional é perda de tempo e beira a caretice reclamar. Uma vez, corrigi alguém no Twitter e fui espinafrado até a última geração. “O Twitter é meu e eu escrevo do jeito que quise” — sem o R, claro. Não se trata de ataque nostálgico. O tempo dos objetos passa, a língua tem lá sua dinâmica e até mesmo as fórmulas de etiqueta mudam conforme o tempo ou o lugar — até hoje, os chineses arrotam para mostrar que gostaram da refeição. Mas prefiro acreditar que um pouco de gentileza sem pedantismo nunca vai fazer mal a ninguém.
Escrever certo deveria ser princípio fundamental para quem gosta de se comunicar. Ironicamente, nunca se escreveu tanto no mundo: nas ruas, salas de espera, ônibus, em qualquer lugar, há sempre alguém mandando um torpedo no seu smartphone do último tipo. Às vezes, chego ao fim do dia exausto de ter “conversado” com gente do mundo inteiro. Espantado, eu me dou conta de não ter aberto a boca. Foi tudo por escrito — e-mail, post, Twitter, torpedo. Se isso acontecer com você, faça como eu: cante alto, solte um palavrão, fale qualquer coisa sem sentido, principalmente se estiver sozinho em casa. Apenas ouça o som que sai da sua garganta. Impeça que sua voz, feia ou bonita, vire um item fora de moda.
Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/cultura-lazer/cronica-demode-mario-viana/ Acesso em: 13 set. 2018.
*Démodé: fora de moda
Há marcas de oralidade em:
“Apegar-se à ortografia tradicional é perda de tempo e beira a caretice reclamar.”
“Às vezes, chego ao fim do dia exausto de ter “conversado” com gente do mundo inteiro.”
“Escrever certo deveria ser princípio fundamental para quem gosta de se comunicar.”
“Impeça que sua voz, feia ou bonita, vire um item fora de moda.”
Embora o texto esteja escrito em linguagem predominantemente formal, característica da língua escrita, ele foi baseado em uma entrevista, gênero tipicamente oral.
Assinale a alternativa em cujo trecho há ocorrência de característica típica da linguagem oral.
“Quais são os instrumentos de que dispomos pra romper com essa racionalidade, com esse circuito baseado no medo?”
"Ou seja, o medo produzido, em larga medida, potencializado, administrado, gerenciado.”
“Você está falando do medo que é gerado pela crise?”
“Sim, como efeito.”
Machado de Assis, autor do texto, foi um escritor brasileiro, considerado por muitos críticos e leitores um dos maiores nomes da literatura brasileira. Ele nasceu em 1839, Rio de Janeiro, e faleceu em 1908, Rio de Janeiro.
Leia as afirmativas a seguir, a respeito da linguagem usada na época em que o texto foi escrito.
I. Em: “Voltou ao interior; achou mais dous cartões, mais três, mais cinco. Não havia duvidar; era dele”, a palavra destacada ‘dous’, do português antigo, era a forma utilizada para referenciar e escrever o número ‘dois’.
II. Em: “A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo”, o pronome destacado ‘lha’ se refere à combinação do pronome ‘lhe’ mais o pronome ‘a’. No português falado, no Brasil, essa construção não é usualmente empregada.
III. Em: “A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, em que fundara grandes esperanças”, os verbos destacados ‘perdera’ e ‘fundara’, pretérito imperfeito, com a evolução da língua, deixaram de ser usados no português brasileiro falado e escrito atualmente.
Assinale a alternativa CORRETA.
Apenas a afirmativa I está correta.
Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
Apenas a afirmativa II está correta.
Todas as afirmativas estão corretas.
O Professor pode usar de formações literárias populares para desenvolver a oralidade dos alunos. O Professor poderá utilizar a seguinte prática pedagógica:
O Papagaio come milho. periquito leva a fama. Cantam uns e choram outros Triste sina de quem ama. |
No contexto das capacidades linguísticas essa formação literária pode ser corretamente conceituada como:
Cartão postal.
Parlenda.
Folder.
Advérbios.
Há traços de oralidade em:
“A gente se lamenta, dá palpites e entrevistas, organiza seminários”.
“Em algumas coisas, sou antipaticamente individualista”.
“Há quem me deteste por essas afirmações, dizendo que sou moralista [...]”.
“Um dos meninos sofreu gravíssimos problemas de adicção pelo resto da vida, morreu de overdose [...]”.
Há linguagem oral em:
“A experiência funcionou assim: os voluntários foram divididos em duas categorias: os ‘respondedores’ e os ‘perguntadores’”.
“Nos EUA, esse jogo leva o nome “20 questions”, porque quem tenta adivinhar o pensamento do outro só pode fazer 20 perguntas”.
“Num outro laboratório, os perguntadores usavam um capacete equipado com uma bobina magnética e podiam escolher o que questionar, a partir de um banco de perguntas previamente estabelecido”.
“O pessoal da Universidade de Washington deixou claro que o objetivo da coisa toda é bem mais nobre do que simplesmente sair por aí lendo o pensamento alheio”.
Há marcas de oralidade, EXCETO em:
"Ei, Dani. Tira esse dedo do nariz. Isso."
“[...] então abraça esse coelhinho e vamos dormir bem gostoso até amanhã, tá?"
“Quando a gente fala que tem que emprestar as coisas pros outros, por exemplo.”
“Se todos falassem a verdade, teríamos que admitir, por exemplo, que 1 bilhão de pessoas têm todos os brinquedos [...]”.
Há traços de oralidade, EXCETO em:
“A gente se sente bem com ele, e não é artificial, nem imposto”.
“Mas, inesperadamente, no Face, encontro uma imagem linda, comovente, quase irreal neste mundo que anda pra lá de besta [...]”.
“Na maioria das vezes, em família, amigos, trabalho, não acontece muito e, quando ocorre, até nos admiramos: olha só, que cara educado, bondoso, camarada”.
“Viva o elefantinho que nos propõe: neste vasto mundo em que você pode fazer tantas coisas, seja bondoso, seja gentil”.
Segundo o texto, é correto concluir que as línguas
são elementos neutros, não revelam visões de mundo.
influenciam a imaginação dos seus usuários.
influenciam decisões políticas dos povos.
se modificam de acordo com a realidade.
têm relações diretas com a história dos povos.