Questões de Concurso sobre Literatura

 
 
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Segundo Camargo, “O estudo das escolas literárias leva-nos à percepção de diferentes atitudes diante do fazer literário e da diversidade de modelos de beleza estética. [...] É preciso evitar a atitude de considerar um estilo melhor do que outro.”

CAMARGO, Thais Nicoleti de. Poesia reflete repertório

de emoções. Disponível em: https://feeds.folha.uol.com.

br/fsp/fovest/fo2609200610.htm. Acesso em: 10 ago. 2021.

[Fragmento]


Considerando-se essa afirmativa e as características dos estilos de época, assinale a alternativa incorreta


A

O modernismo, em sua fase inicial, insurgiu-se contra os cânones parnasianos, mas, posteriormente, chegou a revalorizar formas clássicas.


B

As mudanças da poesia clássica para a romântica e para a realista ocorreram pelo que é compreendido como evolução e aprimoramento do fazer poético.


C

Um poeta clássico expressa-se de maneira comedida; diferentemente do poeta romântico, não lhe passa pela cabeça a ideia de morrer por amor.


D

O comedimento, característica aristocrática, perde a importância na época romântica, quando passam a predominar os valores próprios das camadas populares, como a simplicidade.

“Eu bem sei que, para titilar-lhe os nervos da fantasia, devia padecer um grande desespero, derramar algumas lágrimas, e não almoçar (…). A realidade é que eu almocei, como os demais dias.”


Nesse trecho de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis dirige-se ao leitor e informa como a história deveria ser contada, mas prefere dizer a verdade. Com isso, o autor faz uma crítica ao seguinte estilo de época da literatura:


A

Realismo, por imprimir uma realidade distorcida apenas para agradar o leitor.


B

Simbolismo, por recorrer à “fantasia” e apresentar um conflito falso entre matéria e espírito.


C

Barroco, por apresentar uma linguagem rebuscada e usar figura de linguagem em “titilar-lhe os nervos da fantasia”.


D

Naturalismo, por apresentar a necessidade animalesca do homem diante de uma fome irônica.


E

Romantismo, por insinuar que os românticos simulariam padecimentos em vez de contar a verdade.

De acordo com a escola literária a que pertence e com as características de tal escola, assinale a opção que corretamente classifica o Texto IV.


A

Realismo, marcado por um objetivismo e um apego à forma e pela reflexão sobre a realidade social (neste caso, a indígena).


B

Romantismo (primeira fase), caracterizado pelo compromisso nacionalista e pela busca por uma identidade linguística que distanciasse a realidade brasileira da portuguesa.


C

Romantismo (segunda fase), em que se verificam excessos sentimentalistas, como um saudosismo exacerbado, e uma estética rígida.


D

Arcadismo, evidenciado pela simplicidade do poema, em que o autor recorre a elementos da natureza, configurando o que se chama de bucolismo.


E

Simbolismo, com predominância de uma vagueza na linguagem, em que as questões psicológicas das personagens ganham prioridade.

O Modernismo Brasileiro foi complexo e contraditório, com linhas centrais e linhas secundárias, mas iniciou uma era de transformações essenciais. O escritor considerado figura central do modernismo foi:


A

Mário de Andrade.


B

José de Alencar.


C

Machado de Assis.


D

Oswald de Andrade.

Na tradição literária de Língua Portuguesa, a obra de Fernando Pessoa destaca-se pelo conceito de heteronímia. A esse respeito, é correto afirmar que:


I- O que se impõe também como fato inegável, é a importância que Fernando Pessoa atribuiu ao mito, ou à consciência mítica para o poeta. E isso, não só porque tal "consciência" aparece, desde cedo, em seus escritos (o projeto de "Mensagem" em já se encontra registrado em suas anotações, desde os anos 10), mas principalmente pelo cunho de perenidade que tentou imprimir a cada produção heterônima, com a matéria poética em grau maior, com que as construiu passo a passo. Perenidade de mito, que o poeta tentou, de certa maneira, neutralizar diante do leitor, pela invenção das biografias, com que pretendeu fixar, no cotidiano, algo que ele sabia pertencente ao intemporal.

II- Pessoa criou "autores" que ele próprio não poderia sê-lo, atribuindo-lhes de características físicas, psicológicas, políticas, religiosas. Dotoulhe de características detalhadas em seus pormenores, como data e local de nascimento. Assim, Fernando Pessoa, ao transformar-se no outro, ao "outrar- se", dá ao seu mundo a possibilidade de convivência com "colegas" que demonstram estados de consciência distintos dos seus e, por vezes, infinitamente diferentes. O "eu" de Pessoa assume outra personalidade, inventa uma nova individualidade, como forma essencial de construção de sua vida, de seu mundo.

III- Na arte moderna, a poesia está liberta de qualquer finalidade utilitária. O poema possui seu valor em si mesmo, em sua perfeição formal e temática, e não no seu assunto. Não há vínculos com as questões sociais da época. Os poetas modernistas mantêm sua poesia à parte do contexto ao qual estão inseridos. Em vista disso, teremos diversas poesias em que se descreve um determinado objeto ou uma determinada cena. Vemos, no final do século XIX, o decréscimo da influência das doutrinas racionalistas, até então vigentes. O progresso industrial segue a todo vapor comandado pela alta burguesia, que aumenta cada vez mais o seu poder econômico e sua influência política.


A

I e III estão corretas.


B

II e III estão corretas.


C

I e II estão corretas.


D

I, II e III estão corretas.

O “Soneto de Separação” é formado por:


A

quatro estrofes, quinze versos, três quartetos e dois tercetos.


B

quatro estrofes, quatorze versos, dois quartetos e dois tercetos.


C

três estrofes, quatorze versos, dois quartetos e sete tercetos.


D

quatro estrofes, dez versos, dois quartetos e dois tercetos.

Assinale a alternativa, onde temos, sequencialmente, representantes da 1ª, 2ª e 3ª gerações modernistas.


A

Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade.


B

Oswald de Andrade, Jorge Amado, Guimarães Rosa.


C

Menotti del Picchia, Rachel de Queiroz, Cecília Meireles.


D

Manuel Bandeira, José Lins do Rego, Vinícius de Moraes.

A literatura é uma das formas de expressão artística. Ao longo dos tempos, os seres humanos foram desenvolvendo diversas modalidades de manifestação artística com o objetivo de (re)construir mundos real, imaginário, psicológico e ficcional, resguardar nossa memória e registrar e representar nossa cultura e nossa história.


Nesse contexto, é INCORRETO afirmar que:


A

A arte literária está relacionada com a leitura e análise de textos verbais e, por isso, é considerada como sendo a arte construída pelas palavras. A leitura de textos, ficcionais ou não, provoca diferentes efeitos de sentido nos leitores/ouvintes e permite sair do mundo real e alcançar o mundo da fantasia.


B

A essência da arte literária está nas palavras, em seus potenciais sonoros, sintáticos e semânticos, estabelecendo interlocução entre autores e leitores/ouvintes. O trabalho com as palavras pode ser realizado no sentido denotativo ou conotativo, sendo essa a característica essencial da linguagem literária.


C

Assim como outras artes, a literatura não tem o poder de modificar a realidade imediata dos leitores, mas é capaz de fazê-los (re)avaliar a própria vida e seus comportamentos. Isso porque a arte literária, ao mesmo tempo que provoca a reflexão, responde a algumas de nossas inquietações por meio de construções simbólicas.


D

Nem toda obra artística pode ser considerada como exemplar da expressão de sua época, de sua cultura. Isso porque a produção artística está localizada em um tempo, cultura, histórias e tradições.

Sobre o romance Capitães da Areia, de Jorge Amado, relacione as duas colunas e assinale a alternativa correta.


Coluna I.


A- Pedro-Bala.

B- Sem-Pernas.

C- Gato.

D- Professor.

E- Pirulito.

F- Boa-Vida.

G- João-Grande.

H- Volta-Seca.

I- Querido de Deus.


Coluna II.


(1) Grande capoeirista da Bahia, respeita o grupo e é respeitado por ele. Ensina sua arte para alguns deles e exerce grande influência sobre os garotos.

(2) E respeitado pelo grupo em virtude de sua coragem e da grande estatura. Ajuda e protege os novatos do bando contra atos tiranos praticados pelos mais velhos.

(3) O apelido traduz seu caráter indolente e sossegado. Contenta-se com pequenos furtos, o suficiente para contribuir para o bem-estar do grupo e com algumas mulheres que não interessam mais ao Gato.

(4) E o galã do bando, bem-vestido, domina a arte da jogatina, trapaceando com seu baralho marcado, todos os que se aventuram numa partida contra ele. Além dos furtos e do jogo, consegue dinheiro como cafetão de uma prostituta chamada Dalva.

(5) Era o mais cruel do bando, até que, tocado pelos ensinamentos do Padre José Pedro, converte-se à religião católica. Executa com os demais os roubos necessários à sobrevivência, sem jamais deixar de praticar a oração e sua fé em Deus.

(6) Deficiente físico, possui uma perna coxa. Preso e humilhado por policiais bêbados, que o obrigaram a correr em volta de uma mesa na delegacia até cair extenuado. Conserva as marcas psicológicas desse episódio, que provocou nele um ódio enorme, contra tudo e todos, incluindo os próprios integrantes do bando.

(7) Admirador do Cangaceiro Lampião, a quem chama de padrinho, sonha um dia participar de seu bando.

(8) Intelectual do grupo, deu início às leituras depois de um assalto em que roubara alguns livros. Além de entreter os garotos, narrando as aventuras que lê, ajuda decisivamente Pedro-Bala, aconselhando-o no planejamento dos assaltos.

(9) Líder do grupo, tem o cabelo loiro e uma cicatriz de navalha no rosto, fruto da luta em que venceu o antigo comandante do bando. Seu pai, conhecido como Loiro, era estivador e liderara uma greve no porto, onde foi assassinado por policiais.


A

A (9 )- B (6 ) - C ( 4) - D ( 8) - E (3 ) - F ( 5) - G (2 ) - H ( 7) - I (1 ).


B

A (9 )- B (6 ) - C ( 4) - D ( 8) - E (5 ) - F (3 ) - G ( 2) - H (1) - I ( 7).


C

A ( 8)- B (6 ) - C ( 4) - D (8 ) - E ( 5) - F (3 ) - G ( 2) - H (7 ) - I ( 1).


D

A (9 )- B ( 6) - C ( 4) - D (8 ) - E ( 5) - F ( 3) - G (2 ) - H (7 ) - I (1 ).


E

A (1 )- B (6 ) - C ( 4) - D (8 ) - E ( 5) - F ( 3) - G (2 ) - H (7 ) - I ( 9).

No ensaio “O cosmopolitismo do pobre” (O cosmopolitismo do pobre: crítica literária e crítica cultural), Silviano Santiago indica existir pelo menos duas formas de multiculturalismo, uma “antiga” e outra atual. Sobre elas, é correto afirmar:


A

O novo culturalismo se afirma pelo reforço dado ao conceito de nação como “comunidade imaginada”.


B

A nova forma de multiculturalismo precisa incorporar ou considerar somente os desfavorecidos dentro de cada nação, considerada individualmente.


C

O “antigo” multiculturalismo nega a convivência pacífica entre grupos étnicos e sociais nas nações do Novo Mundo, daí nunca ter defendido a miscigenação.


D

O antigo multiculturalismo nega o conceito de aculturação que, no caso do Brasil e em conformidade com o exposto, só se fez fortalecer com a ideologia do “homem cordial”.


E

A reestruturação do antigo multiculturalismo solicita uma teorização que considere na marcha da economia globalizada, duas formas de “desnacionalização”: a da política e a do espaço urbano.

No contexto político em que escreveu os ensaios de Achados e perdidos (1966-1979), Davi Arrigucci Jr., ao pensar na então literatura contemporânea, sobretudo nos textos que problematizam as circunstâncias históricas brasileiras sob o Regime Militar, dedica um texto à análise de um romance, cuja principal estratégia narrativa é a montagem, caracterizando uma “escrita multifacetada”. Trata-se de:


A

As meninas, de Lygia Fagundes Telles.


B

O que é isso, companheiro?, de Fernando Gabeira.


C

Quatro-Olhos, de Renato Pompeu.


D

Zero, de Ignacio de Loyola Brandão.


E

Reflexos do baile, de Antonio Callado.

Leyla Perrone-Moisés, no ensaio intitulado “Paradoxos do nacionalismo literário na América Latina” (Vira e mexe, nacionalismo), analisa as imagens e metáforas usadas, desde o descobrimento, para qualificar o continente americano, como a oposição entre a “velha Europa” e a “nova América”, presente inclusive na obra de intelectuais como Jorge Luís Borges e Sérgio Buarque de Holanda, configurando uma tópica do americanismo como


A

destino.


B

estigma.


C

desterro.


D

fratura.


E

origem.

Um dos traços que Regina Dalcastagnè analisa na literatura brasileira contemporânea é a posição do narrador: no “lugar daquele sujeito poderoso, que tudo sabe e comanda, vamos sendo conduzidos para dentro da trama por alguém que tropeça no discurso, esbarra em outras personagens, perde o fio da meada” (p. 75) (“O narrador e suas circunstâncias”, Literatura brasileira contemporânea, um território contestado). Uma noção teórica de que se vale a autora para pensar esta questão é


A

a autoficção, de Serge Doubrovsky.


B

a escrita de si, de Michel Foucault.


C

a ilusão biográfica, de Pierre Bourdieu.


D

o eu biográfico, de Philippe Lejeune.


E

o herói problemático, de Gyorgy Lukács.

Os textos incluídos em Achados e perdidos, de Davi Arrigucci Jr. podem ser entendidos como um amplo movimento de pensar a literatura brasileira a partir de contextos culturais que não se restringem ao cânone nacional. Essa perspectiva pode ser observada pela ênfase, verificada, sobretudo nos títulos dos ensaios da antologia e nos autores analisados ao longo do livro, que o autor confere à literatura


A

francesa.


B

hispano-americana.


C

alemã.


D

norte-americana.


E

oriental.

TEXTO I

Imagem associada para resolução da questão


HAZOUMÉ, R. Nanawax. Plástico e tecido. Galerie Gagosian, 2009. Disponível em: www.actuart.org. Acesso em: 19 jun. 2019.


TEXTO II


As máscaras não foram feitas para serem usadas; elas se concentram apenas nas possibilidades antropomórficas dos recipientes plásticos descartados e, ao mesmo tempo, chamam a atenção para a quantidade de lixo que se acumula em quase todas as cidades ou aldeias africanas.


FARTHING, S. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011 (adaptado).


Romuald Hazoumé costuma dizer que sua obra apenas manda de volta ao oeste o refugo de uma sociedade de consumo cada vez mais invasiva. A obra desse artista africano que vive no Benin denota o(a)


A

empobrecimento do valor artístico pela combinação de diferentes matérias-primas.


B

reposicionamento estético de objetos por meio da mudança de função.


C

convite aos espectadores para interagir e completar obras inacabadas.


D

militância com temas da ecologia que marcam o continente africano.


E

realidade precária de suas condições de produção artística.

Imagem associada para resolução da questão


MEIRELLES, V. Moema. Óleo sobre tela, 129 cm x 190 cm.

Masp, São Paulo, 1866.


Disponível em: www.masp.art.br. Acesso em: 13 ago. 2012 (adaptado).


Nessa obra, que retrata uma cena de Caramuru, célebre poema épico brasileiro, a filiação à estética romântica manifesta-se na


A

exaltação do retrato fiel da beleza feminina.


B

tematização da fragilidade humana diante da morte.


C

ressignificação de obras do cânone literário nacional.


D

representação dramática e idealizada do corpo da índia.


E

oposição entre a condição humana e a natureza primitiva.

“A valorização da cultura clássica; a objetividade; descrever de forma detalhada as cenas e os objetos; busca da perfeição; arte pela arte; valorização da metrificação; presença da impessoalidade; linguagem rebuscada, culta e refinada; rejeição ao lirismo; preferência por sonetos”. Estas são algumas características do:


A

Romantismo.


B

Arcadismo.


C

Parnasianismo.


D

Simbolismo.

"D. Carolina é o prazer em ebulição; se é inquieta e -buliçosa,

está em sê-lo a sua maior graça; aquele r9sto moreno, vivo e

delicado, aquele corpinho, ligeiro como a abelha, perderia metade

do que vale, se não estivesse em contínua agitação. O beija-flor

nunca se mostra tão belo como quando se pendura na mais tênue

flor e voeja nos ares. D. Carolina é um beija-flor completo."·


MACEDO, J.M.de. A moreninha. Rio de Janeiro: Tecnoprint, s/d. p.77.


A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, é o primeiro romance do Romantismo brasileiro. Nessa passagem, evidenciam-se as seguintes características desse movimento:


A

Aproximação da leitora e ambientação no contexto burguês.


B

Sentimentalismo exacerbado e linguagem-próxima ao coloquial.


C

Narrador em primeira pessoa e predomínio do sonho.


D

Idealização feminina e metaforização da natureza


E

Eu lírico introspectivo e representações vagas.

Em versificação, assinale a alternativa incorreta.


A

Consideram-se pobres as rimas de palavras da mesma classe gramatical, ou de palavras corriqueiras.


B

Rimas preciosas são as artificiais, forjadas com palavras combinadas, tais como múmia com resume-a, réstias com veste-as, escárnio com descarne-o, etc.


C

Rimas emparelhadas são as de dois versos seguidos. (aa, bb, cc, etc).


D

Versos livres são aqueles que têm medida padronizada, são metrificados. Os versos livres, também chamados de versos irregulares, ou heterométricos, são aqueles que seguem um padrão de métrica definido. Ou seja, não obedecem às formas fixas, estando, portanto, em oposição aos versos regulares ou isométricos, os quais possuem a mesma medida.

   
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