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Em relação ao poema “Rio abaixo”, é possível afirmar que
a recorrência da personificação colabora para construir o cenário frio e distante típico do Parnasianismo.
a personificação da paisagem neutraliza resquícios do sentimentalismo romântico ao transferir para a natureza o estado de espírito do eu lírico.
a incidência de uma palavra indica a inserção do eu lírico na paisagem, rompendo com o distanciamento tipicamente parnasiano.
o descritivismo parnasiano se impõe de forma objetiva, retratando positivamente a paisagem que se modifica.
Álvaro de Campos, entre as múltiplas vozes poéticas de Fernando Pessoa, pode ser considerado o heterônimo que mais se inseriu no contexto histórico do início do século XX, traduzindo e refletindo a renovação estética proposta pelos movimentos de vanguarda.
No texto de Fernando Pessoa, a assimilação dos princípios da corrente futurista pode ser observada
na fratura da consciência poética, dividida entre o aparato científico e os desvios da razão.
na dicção áspera e imprecatória, para a qual contribuem o imperativo e as exclamações.
no evidente niilismo, a partir do qual se decreta a falência da cultura burguesa e ocidental.
na presença de anáforas e de metáforas inusitadas, que reiteram o individualismo moderno.
O poema (texto IV) se estrutura a partir de uma oposição entre os advérbios lá e aqui. Do ponto de vista da enunciação, podemos afirmar que
lá é anafórico e aqui é dêitico.
lá é dêitico e aqui, anafórico.
ambos são anafóricos.
ambos são dêiticos.
Embora dando continuidade às propostas do Modernismo de 22, Graciliano Ramos, tal como outros romancistas da geração de 30, retoma elementos antes desprezados pelos primeiros modernistas e atualiza-os, evidenciando o processo de amadurecimento pelo qual passava a literatura na época.
Dentre as características típicas da prosa naturalista do século XIX recuperadas pelo romance regionalista de 30, em relação ao fragmento lido, NÃO procede
a animalização do homem, que pode ser percebida tanto na utilização de verbos indicativos do que seriam falas do casal de retirantes, como no recurso da comparação para descrever os pés de Fabiano.
a zoomorfização, evidenciada na visão de Fabiano, distinta da que tem sinha Vitória, acerca de suas crianças, pois, para ele, os filhos são vistos como seres desprovidos da capacidade de pensar e, por isso, aproximam-se de animais; para ela, não.
o determinismo típico da prosa naturalista, presente tanto na projeção que Fabiano e sinha Vitória fazem a respeito do futuro de seus filhos, quanto na incapacidade de superação do meio.
o forte descritivismo, que se torna mais expressivo, uma vez que a paisagem seca do cenário passa a refletir o mundo interior das personagens.
As alternativas abaixo mostram trechos de canções de Chico Buarque. Assinale a única em que há um exemplo de metáfora.
Eu fui fazer um samba em homenagem à nata da malandragem / Que conheço de outros carnavais.
Amou daquela vez como se fosse a última. / Beijou sua mulher como se fosse a última.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci, / Mas depois, como era de costume, obedeci.
Você diz que é um operário, sai em busca do salário / Pra poder me sustentar.
O meu pai era paulista; meu avô, pernambucano; / O meu bisavô, mineiro; meu tataravô, baiano
“Machado de Assis, autor do texto II, produziu sua obra literária no século _____________ seguindo as tendências artísticas e estéticas do _________________.” Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.
XIX / Realismo
XVIII / Realismo
XIX / Naturalismo
XVIII / Naturalismo
Os verbos, em língua portuguesa, podem distinguir-se pela modalidade com que expressam as atitudes do enunciador ou por sua natureza aspectual, reveladora dos eventos ou estados denotados. No fragmento “Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei bem se o que vou contar é conto ou não (...) (linha 1)”, retirado do texto X, a primeira ocorrência verbal apresenta aspecto
inceptivo.
resultativo.
permansivo.
durativo.
O processo de humanização do espaço, segundo análise do texto I, mostra?se frustrante e tedioso, levando o homem a uma busca insaciável de novos deslocamentos, de novas conquistas.
A metáfora que melhor ilustra a figurativização desse processo aparece no verso
“planta bandeirola na Lua” (v. 8).
“humaniza Marte com engenho e arte.” (v. 21).
“O homem funde a cuca se não for a Júpiter” (v. 32).
“O espaço todo vira Terra?a?terra.” (v. 38).
Uma das principais características desse poema (texto IV) é o diálogo que mantém com outros textos e com outros discursos.
Assinale a opção cuja afirmativa NÃO se sustenta em função das possíveis leituras do texto.
O tema da evasão em busca de um espaço almejado, ainda que sob perspectivas diferentes, permite aproximar o poema do Arcadismo brasileiro.
A concretização de dois espaços - um relativo ao real rejeitado e outro relativo ao lugar idealizado - estabelece um diálogo com a “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias.
O desejo de fugir para Pasárgada e reviver a infância recupera a temática desenvolvida em “Evocação do Recife” e “Infância”, num processo intratextual.
O tema da viagem e da fuga recupera integralmente a visão do Romantismo, cuja idealização lembra um topoi desse movimento.
Observe os seguintes versos extraídos do texto IV:
“Rosa vinha me contar” (v. 24)
“Quando de noite me der” (v. 36)
Em relação à colocação pronominal, a atitude do eu lírico, nos versos acima destacados, está adequadamente expressa na seguinte alternativa:
Nas duas ocorrências, o eu lírico opta pelo registro mais próximo da variedade popular como forma de concretizar um dos princípios defendidos pelo Modernismo.
Na primeira ocorrência, o eu lírico, por retomar o tema da viagem - tão caro à lírica portuguesa -, reproduz uma construção com tom lusitano, imbricando, assim, forma e conteúdo.
Na primeira ocorrência, a sensibilidade linguística do eu lírico se deixa guiar pela idiossincrasia fonética da variedade brasileira.
Nas duas ocorrências, a liberdade do eu lírico permite jogar com as múltiplas possibilidades de colocação, consubstanciando, assim, o projeto perseguido pelo Modernismo.
Padre Antônio Vieira, vigoroso sermonista barroco e exímio artista da palavra, constrói sua prosa valendo-se de inúmeros artifícios retóricos postos a serviço do pensamento crítico.
Tendo em vista a afirmativa, assinale a opção em que a análise está de acordo com o fragmento lido do “Sermão da Primeira Dominga do Advento”.
Percebe-se o distanciamento do estilo da oratória sagrada que favorece e requer a repetição progressiva e lógica visando à síntese unificadora.
O orador complexo e sutil mostra-se mais cultista do que conceptista na sua crítica ao comportamento cego do homem diante da vida transitória.
A metáfora, uma das linhas básicas da arte compositiva dos sermões de Vieira, faz-se presente nas imagens da “nau”, do “vento”, do “porto” e do “sol”.
As tensões entre vida e morte, acentuadas pelo passar do tempo, unificam-se numa síntese capaz de estabelecer uma conclusão lógica acerca do comportamento do homem.
Ao referir-se ao verso de Camões, o eu lírico do texto I, já na abertura do poema, concretiza uma relação intertextual que
subverte o sentido original, uma vez que se pode depreender da leitura integral do poema o sentido irônico com que foi empregado o verso.
reitera o sentido original, por confirmar o caráter heroico do homem, capaz de conquistar os mares no século XV e o espaço sideral no século XX.
reitera o sentido original, por enaltecer a coragem aventureira dos nautas do século XV e dos astronautas do século XX.
subverte o sentido original, embora a leitura integral do poema permita afirmar o caráter heroico desse “bicho da Terra tão pequeno”.
Pode-se afirmar que a ideia revelada no quarto verso do texto III está retomada no seguinte verso:
“Eterna verdade vazia e perfeita” (v. 29).
“Já disse que sou só sozinho!” (v. 26).
“Enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho” (v. 35).
“Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.” (v. 33).
Texto VI
O retirante tem medo de se extraviar porque seu guia, o
Capibaribe, cortou com o verão
─ Antes de sair de casa
aprendi a ladainha
das vilas que vou passar
na minha longa descida.
05 Sei que há muitas vilas grandes,
cidades que elas são ditas;
sei que há simples arruados,
sei que há vilas pequeninas,
todas formando um rosário
10 cujas contas fossem vilas,
de que a estrada fosse a linha.
Devo rezar tal rosário
até o mar onde termina,
saltando de conta em conta,
15 passando de vila em vila.
Vejo agora: não é fácil
seguir essa ladainha
entre uma conta e outra conta,
entre uma e outra ave‐maria,
20 há certas paragens brancas,
de planta e bicho vazias,
vazias até de donos,
e onde o pé se descaminha.
Não desejo emaranhar
25 o fio de minha linha
nem que se enrede no pelo
hirsuto desta caatinga.
Pensei que seguindo o rio
eu jamais me perderia:
30 ele é o caminho mais certo,
de todos o melhor guia.
Mas como segui‐lo agora
que interrompeu a descida?
Vejo que o Capibaribe,
35 como os rios lá de cima,
é tão pobre que nem sempre
pode cumprir sua sina
e no verão também corta,
com pernas que não caminham.
40 Tenho que saber agora
qual a verdadeira via
entre essas que escancaradas
frente a mim se multiplicam.
Mas não vejo almas aqui,
45 nem almas mortas nem vivas
ouço somente à distância
o que parece cantoria.
Será novena de santo,
será algum mês‐de‐Maria
50 quem sabe até se uma festa
ou uma dança não seria?
(MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina. In: OLIVEIRA, Marly de (org). Obra completa. Rio de Janeiro:Nova Aguilar, 1994.)
O romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, e o poema Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, aproximam-se porque ambos
privilegiam a observação da realidade, analisando as tensões sociais que podem ser reconhecidas, sobretudo, na relação do sujeito com a natureza.
são expressão de uma tendência do regionalismo modernista que problematiza a relação entre o homem e o meio a partir de uma perspectiva de cunho existencial.
fixam a figura do sertanejo como um andarilho involuntário, cuja linguagem econômica dificulta a comunicação com os seu semelhantes.
se desenvolvem num clima de extremo ceticismo em que o reconhecimento do real contribui para o esvaziamento da subjetividade.
O recurso do discurso indireto livre, que se caracteriza por misturar as vozes do narrador e das personagens sem demarcar precisamente seus limites, foi empregado com ênfase ao longo do romance Vidas secas.
A respeito desse procedimento linguístico presente no fragmento destacado, é possível afirmar que
na frase “Menino é bicho miúdo, não pensa” (linhas 18 e 19), o emprego do discurso indireto livre traduz o estado mental da personagem conservando a vivacidade do estilo direto.
a frase “Em que estariam pensando?” (linhas 17 e 18), atribuída a sinha Vitória, empregada desvinculadamente do verbo dicendi, exemplifica o discurso indireto livre.
a manutenção do registro da fala de sinha Vitória “Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias” (linhas 13 e 14), transcrita em seu próprio nome, confirma a aproximação da voz do narrador com a voz da personagem, que se confundem.
em “Por que haveriam de ser sempre desgraçados, fugindo no mato como bichos?” (linha 13), a manutenção da interrogação na sua forma originária afasta a identificação do narrador com a personagem, típica do discurso indireto livre.
O índio e a sua cultura são utilizados pelos escritores do Romantismo brasileiro como motes de expressão da identidade nacional e de um traço especificamente brasileiro na literatura.
Certo
Errado