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Paciente de 40 anos é atendido em serviço de emergência com quadro clínico clássico de anafilaxia (Grau III, com hipotensão) após picada de himenóptero. A triptase sérica é coletada 5 horas após o início dos sintomas, e o resultado liberado é 8 mcg/L (Valor de Referência do laboratório: < 11.4 mcg/L). Quais são a interpretação correta e a conduta adequada com base nesse resultado?
O resultado é inconclusivo, provável falso-negativo, pois a coleta foi realizada tardiamente, devendo-se repetir a coleta em 24h para obter o valor basal.
O resultado descarta o diagnóstico de anafilaxia mediada por mastócitos, devendo-se investigar ativação da via do complemento ou sistema calicreína-cinina.
O resultado confirma o diagnóstico de anafilaxia, pois a coleta deve ocorrer entre 4 e 6 horas após o evento para garantir a estabilidade da amostra.
O resultado sugere fortemente mastocitose sistêmica indolente como causa de base, pois o valor, embora na referência, está no limite superior.
O resultado é inconclusivo, provável falso-negativo, pois a coleta foi realizada tardiamente; o ideal seria ter coletado entre 1 e 3 horas do início dos sintomas.
Sobre os mecanismos terapêuticos da AIT, assinale a alternativa que apresenta corretamente uma diferença entre a SCIT e a SLIT em termos de mudanças imunológicas e clínicas.
A SLIT induz respostas de IgG4 alergeno-específicas mais pronunciadas do que a SCIT, embora as mudanças clínicas sejam mais lentas na SLIT.
As mudanças clínicas evidentes ocorrem mais precocemente com a SLIT em comparação à SCIT, devido à captura alergênica por células dendríticas tolerogênicas na mucosa oral.
A SCIT e a SLIT induzem tolerância imune por meio de mecanismos completamente distintos, com a SLIT dependendo exclusivamente da imunidade das tonsilas.
A SCIT gera respostas de IgG4 alergeno-específicas mais pronunciadas, e as mudanças clínicas ocorrem mais precocemente com a SCIT em comparação à SLIT.
A SLIT não afeta a atividade de mastócitos e basófilos, ao contrário da SCIT, que suprime essas células de forma significativa.
Criança de 18 meses, com história de síndrome de enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES) clássica ao leite de vaca (sem sIgE detectável), durante um Teste de Provocação Oral (TPO) supervisionado com dose única de 0,15 g de proteína/kg, desenvolve vômito repetitivo 2h após a ingestão, letargia e palidez, sem sintomas cutâneos ou respiratórios IgE-mediados. A contagem de neutrófilos aumenta em 1.400 células/mL acima do basal, sem hipotensão, hipotermia ou diarreia. Considerando a atualização de 2024 do “AAAAI-EAACI PRACTALL”, incluindo as considerações sobre critérios diagnósticos modificados pelo uso de ondansetrona e relatos recentes de recorrências domiciliares pós-desafio bem-sucedido, qual é a interpretação mais apropriada do desafio e a recomendação subsequente, integrando riscos de reações graves e falsos-negativos?
O TPO é considerado negativo, pois não atende ao critério maior com ≥2 menores (apenas vômito, letargia e palidez, com aumento de neutrófilos <1500), recomendando introdução domiciliar gradual sem supervisão adicional, dado o baixo risco de recorrência em FPIES clássica.
O TPO é positivo com base no critério maior e 2 menores (letargia e palidez), apesar do aumento de neutrófilos borderline; administrar ondansetrona e metilprednisolona imediatamente e aconselhar evitação estrita, ignorando potenciais recorrências domiciliares pois não há sIgE.
O TPO é positivo, atendendo ao critério maior e ≥2 menores (letargia, palidez), com o aumento de neutrófilos suportando mesmo <1500 devido a possíveis modificações por tratamento; tratar com reidratação e ondansetrona e recomendar evitação com reavaliação em 6–12 meses, alertando para risco de recorrência domiciliar mesmo em TPOs negativos.
O TPO é inconclusivo, pois o uso profilático de ondansetrona pode ter atenuado critérios menores; repetir o TPO com protocolo de dose fracionada (1/3 supervisionada + titulação domiciliar), priorizando acesso intravenoso, devido ao histórico, para minimizar falsos-positivos.
O TPO é negativo, já que hipotensão ou diarreia ausentes invalidam o diagnóstico apesar do vômito; prosseguir com titulação domiciliar a dose plena, monitorando apenas sintomas gastrointestinais, sem necessidade de neutrófilos pós-TPO em protocolos modernos.
Um homem de 45 anos apresenta anafilaxia grave (hipotensão, urticária generalizada, angioedema orofaríngeo e broncoespasmo) 10 minutos após infusão intravenosa de cefazolina perioperatória para cirurgia ortopédica eletiva. História prévia de rash maculopapular não pruriginoso a amoxicilina há 20 anos, sem anafilaxia. Testes laboratoriais durante o episódio mostram triptase sérica elevada (45 ng/mL, normal <11.4), mas IgE específica para penicilina G/V e cefazolina negativa 6 semanas após. Biópsia cutânea revela degranulação de mastócitos sem infiltração eosinofílica. Considerando os mecanismos imunológicos de reações imediatas a betalactâmicos (IgE-dependente vs. não IgE mediada por ativação direta de mastócitos/basófilos) e a necessidade de testes diagnósticos padronizados para evitar diagnóstico errôneo com riscos substanciais (ex.: uso desnecessário de alternativas de amplo espectro), qual é a abordagem diagnóstica mais apropriada para confirmar hipersensibilidade imediata e guiar futura antibioticoterapia, integrando evidências de sensibilidade limitada de testes in vitro/in vivo e padrão-ouro para provocação?
Iniciar provocação oral gradativa com amoxicilina em ambiente controlado após testes cutâneos negativos, como padrão-ouro para confirmação, dado que testes in vitro têm baixa sensibilidade em reações imediatas e há o risco de diagnóstico errôneo sem provocação.
Realizar teste cutâneo intradérmico com cefazolina diluída, seguido de IgE específica para cefalosporinas; se negativos, considerar reação não imunológica e liberar uso de betalactâmicos sem provocação, pois triptase elevada sugere ativação mastocitária não-IgE.
Dosar anticorpos anti-FcεRI e anti-IgE para diferenciar anafilaxia autoimune; se positivos, evitar todos os betalactâmicos perpetuamente, sem necessidade de provocação devido ao mecanismo não dependente da droga.
Realizar teste de ativação de basófilos (BAT) com cefazolina in vitro como teste primário, pois é mais sensível que IgE específica em reações não IgE mediadas, e, se negativo, prosseguir com dessensibilização rápida para cefazolina em futuras cirurgias.
Monitorar triptase seriada pós-evento e repetir IgE específica em 6 meses; se normalizada, atribuir a reação idiossincrática farmacológica não imunológica, liberando cefalosporinas de primeira geração sem testes adicionais.
Durante um teste de provocação oral duplo-cego controlado por placebo (DBPCFC) para alergia mediada por IgE a amendoim em um paciente pediátrico de 5 anos, após a administração de uma dose cumulativa de 300 mg de proteína, o paciente desenvolve prurido oral moderado (sem angioedema ou comprometimento respiratório), eritema facial localizado (sem urticária generalizada) e uma queixa isolada de náusea sem vômito. Considerando os critérios de parada sugeridos na atualização de 2024 do “AAAAI–EAACI PRACTALL”, qual é a decisão mais apropriada, integrando considerações de segurança, redução de falsos-positivos e evidências de estudos intervencionais recentes?
Continuar o TPO com a próxima dose, pois os sintomas são todos “verde” ou “laranja” isolados e não atendem ao critério de parada, permitindo avaliação de tolerância cumulativa.
Parar o TPO imediatamente, uma vez que qualquer sintoma orofaríngeo combinado com eritema cutâneo indica reação grave, independentemente da classificação, para evitar escalada para anafilaxia.
Observar por 20-30 minutos sem avançar para a próxima dose, pois há dois sintomas “laranja” (prurido oral e eritema facial) em órgãos distintos (orofaríngeo e pele), mas a náusea é subjetiva e não conta como terceiro sintoma.
Parar o TPO, considerando que os sintomas atendem ao critério de “um vermelho ou dois laranjas de duas categorias de órgãos distintas” (eritema como vermelho na pele e prurido oral como laranja no orofaríngeo), alinhado a evidências de subestimação de limiares em critérios menos objetivos.
Continuar com dose reduzida, já que a náusea gastrointestinal é “verde” e os sintomas cutâneos e orofaríngeos são transitórios, priorizando a confirmação de alergia persistente em contexto de imunoterapia prévia.
Um paciente de 42 anos com asma grave de início na idade adulta (aos 35 anos), sem polipose nasal ou alergia perene comprovada, apresenta controle inadequado apesar de glicocorticoide inalatório em alta dose associado a beta-agonista de ação prolongada e antagonista muscarínico de ação prolongada (passo 5 GINA). Os biomarcadores incluem contagem de eosinófilos no sangue periférico (BEC) de 220 células/µL, fração de óxido nítrico exalado (FeNO) de 35 ppb e IgE total de 120 UI/mL. Não há histórico de aspergilose broncopulmonar alérgica ou granulomatose eosinofílica com poliangeíte. Considerando os critérios para seleção de biológicos em asma grave não dependente de glicocorticoides orais crônicos, integrando fenótipos inflamatórios tipo 2, evidências de eficácia em subpopulações eosinofílicas e preferências por autoadministração, qual é o biológico inicial mais apropriado?
Omalizumabe, pois o IgE total está dentro da faixa-alvo e pode modular respostas alérgicas mesmo sem sensibilização perene comprovada.
Mepolizumabe, dado o BEC moderadamente elevado, com preferência por anti-IL-5 em fenótipos eosinofílicos sem elevação marcada de FeNO.
Dupilumabe, uma vez que o BEC entre 150-300 células/µL e FeNO ≥25 ppb indicam inflamação tipo 2 mista, com evidência superior em redução de exacerbações nesse perfil.
Tezepelumabe, recomendado para fenótipos com BEC e FeNO baixos a moderados, independentemente de vias tipo 2, priorizando pacientes sem eosinofilia proeminente.
Benralizumabe, preferível por sua ação em receptores IL-5 com depleção eosinofílica rápida, especialmente em adultos com BEC acima de 150 células/µL e histórico de exacerbações.
L.R.M, lactente, 9 meses, apresenta episódios recorrentes de vômitos intensos, repetidos e prostração, iniciando cerca de 2 a 4 horas após ingestão de fórmula à base de leite de vaca; em alguns episódios houve palidez, letargia e necessidade de atendimento emergencial, sem presença de urticária, angioedema ou sintomas respiratórios; testes cutâneos de leitura imediata e dosagem de IgE específica para leite de vaca são negativos; considerando o quadro clínico e os mecanismos imunológicos subjacentes, qual é o diagnóstico mais provável?
Alergia alimentar IgE-mediada.
Síndrome de enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES).
Intolerância à lactose.
Proctocolite alérgica.
F.L.R, masculino, 47 anos, iniciou tratamento com alopurinol para hiperuricemia e, cerca de quatro semanas após o início da medicação, passou a apresentar febre persistente, exantema maculopapular difuso, edema facial e linfadenomegalia; exames laboratoriais mostram eosinofilia significativa, elevação de transaminases e aumento da creatinina sérica; considerando o quadro clínico, qual achado é mais característico dessa condição?
Reação cutânea restrita ao local de aplicação do fármaco, sem sinais sistêmicos.
Lesões cutâneas bolhosas com destacamento epidérmico extenso, compatível com síndrome de Stevens-Johnson / necrólise epidérmica tóxica.
Envolvimento sistêmico tardio associado a eosinofilia e disfunção de órgãos internos, incluindo fígado, rins e linfonodos, com início geralmente 2–6 semanas após exposição ao fármaco.
Sintomas imediatos mediados por IgE, manifestando-se logo após a primeira dose do medicamento.
J.C.R, masculino, 27 anos, previamente saudável, é levado ao pronto-socorro após ingestão acidental de amendoim, apresentando início súbito de prurido generalizado, urticária extensa, angioedema labial, dispneia progressiva, sensação de opressão torácica e episódio de tontura; ao exame físico, encontra-se em estado geral comprometido, taquicárdico, hipotenso (85/50 mmHg), com sibilância difusa à ausculta pulmonar e saturação periférica de oxigênio de 90% em ar ambiente.
Qual é a medida terapêutica inicial prioritária que deve ser instituída de forma imediata?
Infusão endovenosa de corticosteroide sistêmico em bolus, com o objetivo de prevenir fase bifásica da reação anafilática.
Administração intravenosa de anti-histamínico H1 para bloqueio imediato dos receptores responsáveis pelos sintomas cutâneos e respiratórios.
Administração intramuscular de adrenalina (epinefrina) na face ântero-lateral da coxa, preferencialmente no músculo vasto lateral, como intervenção de primeira linha para reversão do quadro.
Nebulização com broncodilatador beta-agonista de curta duração como medida primária para alívio do broncoespasmo agudo.
Durante o tratamento com imunoterapia alérgeno-específica, observam-se alterações progressivas nos mecanismos de resposta imune adaptativa e inata. A modulação imunológica promovida pela imunoterapia envolve
diminuição da produção de IL-10 e aumento da ativação de linfócitos Th2 e mastócitos.
supressão seletiva da resposta Th1 e expansão de linfócitos Th17, reduzindo a inflamação eosinofílica.
indução de linfócitos T reguladores (Tregs) e B reguladores (Bregs), aumento de IL-10 e TGF-β e mudança do perfil Th2 para Th1.
aumento sustentado da degranulação de mastócitos e basófilos, promovendo dessensibilização clínica.
produção aumentada de IgE específica bloqueadora que compete com IgG4 pela ligação ao alérgeno.
Um paciente com asma grave persistente, acompanhado em um ambulatório especializado do SUS, necessita de ações de promoção e prevenção (como educação e controle ambiental), atendimento clínico especializado e acesso a terapias de alto custo. Segundo o Art. 7º da Lei nº 8.080/1990, o princípio que assegura a organização de um conjunto integrado e permanente de ações e serviços de caráter preventivo e assistencial, tanto individuais quanto coletivos, em todos os níveis de atenção, é denominado
princípio da integralidade.
princípio da universalidade da atenção.
princípio da humanização do cuidado.
princípio da regionalização das ações e serviços.
princípio da responsabilidade sanitária.
Um alergista prescreve um autoinjetor de epinefrina (EAI) para um paciente com diagnóstico recente de anafilaxia alimentar. O médico entrega a receita e informa verbalmente que o dispositivo deve ser usado “na coxa, em caso de reação grave”, mas não realiza o treinamento prático demonstrativo (com dispositivo de treinamento ou similar) sobre a técnica correta de aplicação. Sob a ótica da segurança do paciente e da responsabilidade profissional, essa conduta representa
uma violação do princípio da autonomia, pois o paciente não pôde escolher qual dispositivo usar.
um ato de imprudência, pois a epinefrina é uma medicação de risco que não deveria ser manuseada pelo paciente.
uma conduta adequada, pois a demonstração prática é responsabilidade do farmacêutico no momento da dispensação.
uma violação do princípio da justiça, pois o médico não forneceu o dispositivo de treinamento gratuitamente ao paciente.
uma falha por negligência, comprometendo a segurança do paciente ao omitir uma etapa essencial do plano terapêutico (treinamento).
Conforme as diretrizes brasileiras (ASBAI/PCDT-MS) para asma grave, um paciente é considerado portador de “Asma Grave Refratária” (Passo 5) e elegível para terapia com imunobiológicos quando
apresenta VEF1 < 60% e sintomas diários, mas está em uso apenas de Corticoide Inalatório (CI) em dose baixa.
necessita de 3 ou mais ciclos de corticoide oral (CO) no último ano e utiliza CI com broncodilatador de longa duração (LABA) em dose média e com adesão inalatória irregular.
possui asma alérgica com IgE total > 1000 kU/L, mesmo que esteja bem controlado com CI-LABA em dose média.
permanece não controlado apesar do uso otimizado de CI-LABA em dose alta + antimuscarinico de longa duração, com adesão e técnica inalatória verificadas.
relata sintomas noturnos > 2x/mês e usa medicação de resgate > 3x/semana, mas recusa-se a usar CI-LABA em dose alta.
Um paciente com histórico de anafilaxia grave a um possível alimento necessita da realização de um teste de provocação oral. O consultório do médico possui medicação de emergência básica (ex: adrenalina), mas não dispõe de estrutura completa para reanimação cardiorrespiratória. Assinale a alternativa que apresenta a conduta ética e profissional inquestionável nesse caso.
Realizar o teste no consultório, desde que o paciente assine um termo de consentimento isentando o médico de riscos.
Indicar que o procedimento seja realizado em ambiente hospitalar com suporte avançado de emergência.
Pré-medicar o paciente com corticoides e anti-histamínicos para minimizar os riscos e realizar o teste no consultório.
Recusar-se a realizar o teste em qualquer ambiente, recomendando apenas a evitação permanente do alimento.
Realizar o teste no consultório, mas manter o paciente em observação por 6 horas e com acesso venoso periférico.
De acordo com a revisão sobre alergias cutâneas, assinale a alternativa que apresenta a correta descrição do papel das células T auxiliares (Th) na imunopatogênese da Dermatite Atópica (DA), considerando a heterogeneidade da doença e a polarização Th2 como característica principal em fases agudas.
A polarização Th1 é predominante em todas as fases da DA, promovendo inflamação crônica via IFN-γ, sem envolvimento significativo de IL-4 ou IL-13.
As células Th17 dominam a resposta imune na DA, liberando IL-17 para recrutar neutrófilos, independentemente de mutações em filagrina ou sensibilização alérgica.
A polarização Th22 é exclusiva da DA asiática, com IL-22 induzindo hiperplasia epidérmica, mas sem relação com a barreira cutânea ou comorbidades atópicas.
A polarização Th2 é central na DA, com IL-4, IL-13 e IL-31 contribuindo para prurido e disfunção de barreira, enquanto Th17 e Th22 são mais relevantes em fases crônicas.
As células Th9 são o principal driver na DA, produzindo IL-9 para eosinofilia, mas sem impacto na sensibilização alérgica ou na marcha atópica.
Sobre a farmacoterapia da rinite alérgica (Ellis, 2026), assinale a alternativa que indica a correta recomendação para o uso inicial de corticosteroides intranasais em pacientes com rinite alérgica sazonal moderada a grave, considerando sua eficácia superior em relação a outros agentes isolados e o perfil de segurança.
São contraindicados como monoterapia inicial, devendo ser sempre associados a anti-histamínicos orais para evitar efeitos sistêmicos como supressão adrenal.
São o tratamento de primeira linha, com eficácia superior aos anti-histamínicos intranasais ou orais isolados para congestão nasal, enquanto os anti-histamínicos são preferidos para prurido ocular.
Devem ser reservados para casos refratários, pois anti-histamínicos de segunda geração como loratadina são equivalentes em eficácia e têm menor risco de epistaxe.
São indicados apenas para rinite perene, enquanto para sazonal, os antagonistas de leucotrienos como montelucaste são preferidos devido à ação anti-inflamatória seletiva.
Os corticosteroides intranasais requerem monitoramento rotineiro de densidade óssea, pois a absorção sistêmica é significativa em doses padrão, superando os benefícios em congestão nasal.
Uma adolescente de 14 anos, com história conhecida de alergia a amendoim, ingere acidentalmente um doce contendo o alimento. Após alguns minutos, apresenta prurido generalizado, urticária difusa, inchaço labial, dispneia e sensação de desmaio. Ao exame: pressão arterial de 80/50 mmHg e taquicardia.
Diante do quadro clínico sugestivo de anafilaxia, qual é a conduta inicial mais adequada?
Administrar anti-histamínico oral e observar evolução clínica.
Administrar hidrocortisona intravenosa como primeira medida.
Administrar adrenalina intramuscular imediatamente na face ântero-lateral da coxa.
Ofertar oxigênio e aguardar estabilização hemodinâmica antes de medicação específica.
M.L.S, feminino, 35 anos, refere surgimento recorrente de lesões urticariformes intensamente pruriginosas exclusivamente após exposição ao frio, como ao manusear alimentos congelados ou entrar em piscinas frias; os episódios iniciam-se em minutos após o estímulo, com resolução espontânea em menos de uma hora, não deixando lesões residuais; fora dessas situações permanece assintomática, sem histórico de urticária espontânea ou reações sistêmicas; considerando a classificação atual das urticárias e os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, qual diagnóstico é mais compatível com o quadro apresentado?
Urticária crônica induzida, especificamente urticária física por frio, mediada por liberação local de histamina em mastócitos cutâneos.
Urticária crônica espontânea, caracterizada por placas recorrentes sem fator desencadeante identificável.
Urticária colinérgica, desencadeada por aumento de temperatura corporal ou sudorese, com pápulas pequenas e prurido difuso.
Vasculite urticariforme, caracterizada por lesões urticariformes dolorosas, persistentes e associadas a sinais de inflamação sistêmica.
R.M.A, feminino, 41 anos, apresenta quadro de urticária crônica espontânea há aproximadamente 14 meses, com pápulas e placas eritemato edematosas intensamente pruriginosas, de surgimento diário, com resolução completa em menos de 24 horas, sem lesão residual ou sinais sistêmicos; a paciente já realizou tratamento otimizado com anti histamínicos H1 de segunda geração em dose quadruplicada por 12 semanas, associado a antagonista de leucotrieno e cursos intermitentes de corticosteroide sistêmico para controle de exacerbações, mantendo atividade da doença com UAS7 persistentemente elevado e prejuízo funcional importante; exames laboratoriais básicos, incluindo hemograma, função tireoidiana, PCR e FAN, são normais; não há contraindicações infecciosas ou imunológicas; considerando o algoritmo terapêutico atual para urticária crônica espontânea refratária e os mecanismos de ação das terapias alvo específicas disponíveis, qual é a conduta mais adequada neste momento?
Manutenção exclusiva de corticosteroide sistêmico em esquema contínuo de baixa dose para prevenção de recorrência.
Início de dupilumabe, considerando o perfil inflamatório tipo 2 e o impacto sistêmico do prurido crônico.
Introdução de ciclosporina oral como terapia de primeira linha biológica, independentemente da resposta prévia aos anti histamínicos.
Introdução de omalizumabe em dose padrão, por se tratar de urticária crônica espontânea refratária ao uso otimizado de anti histamínicos, visando bloqueio funcional da IgE livre e modulação da ativação mastocitária.
P.R.S, masculino, 36 anos, portador de dermatite atópica desde a infância, evolui nos últimos dois anos com exacerbações frequentes, prurido intenso refratário, insônia, múltiplas lesões liquenificadas extensas em tronco e membros, escore EASI elevado e prejuízo funcional importante; já foi submetido a tratamento otimizado com emolientes, corticosteroides tópicos de alta potência em esquema proativo, tacrolimo tópico, fototerapia NB UVB e ciclosporina oral por 20 semanas, suspensa por nefrotoxicidade; apresenta história concomitante de asma moderada persistente parcialmente controlada, rinite alérgica perene e eosinofilia periférica persistente; IgE total encontra-se elevada, porém sem correlação direta com gravidade clínica; não há história de infecções recorrentes nem contraindicações imunológicas formais. Considerando os mecanismos inflamatórios predominantes, as comorbidades associadas e as evidências atuais para terapias alvo-específicas na dermatite atópica moderada a grave, qual imunobiológico é mais apropriado como primeira escolha para este paciente?
Dupilumabe, por bloqueio do receptor da IL 4α, com inibição simultânea das vias IL 4 e IL 13, beneficiando tanto a dermatite atópica quanto as comorbidades respiratórias associadas ao perfil Th2.
Omalizumabe, por neutralização da IgE circulante, indicado preferencialmente em pacientes com níveis elevados de IgE e manifestações cutâneas alérgicas refratárias.
Mepolizumabe, por bloqueio da IL 5, visando redução da eosinofilia sistêmica e controle indireto da inflamação cutânea.
Secuquinumabe, por inibição da via IL 17, indicado em dermatoses inflamatórias crônicas extensas com padrão liquenificado.