Questões de Concurso sobre Cirurgia Vascular

 
 
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Mulher de 59 anos, assintomática, é diagnostica em exames de rotina com aneurisma sacular da aorta abdominal (AAA) de 5,8 cm; é realizada programação para reparo endovascular do aneurisma pelo risco de que ele se rompa. Durante o procedimento, o cirurgião insufla contraste e ocorre hipotensão arterial rapidamente, acompanhada de diminuição do tamanho do aneurisma, medido por angiografia.


Qual mecanismo explica melhor a queda imediata da pressão arterial após liberação do balão ou manipulação do aneurisma?


A

Hipovolemia por hemorragia oculta intrabdominal, sem relação com o aneurisma.


B

Trombose aguda das artérias renais, levando a anuria e colapso hemodinâmico.


C

Síndrome de marcha do manguito (isquemia por compressão), levando à hipertensão.


D

Hipertensão reflexa por estímulo vagal devido à manipulação aórtica.


E

Reperfusão súbita com liberação de mediadores vasoativos e queda do retorno venoso.

Um homem de 68 anos, com câncer do reto médio, foi submetido a uma ressecção anterior baixa por via laparoscópica. Durante o procedimento, o cirurgião optou por ligadura do tronco da artéria mesentérica inferior (AMI) no seu pedículo proximal (high-tie) visando linfadenectomia oncológica. A anastomose colorretal foi feita sem interposição de colostomia. No 4⁠º dia pós-operatório, o paciente evolui com dor abdominal localizada na fossa ilíaca esquerda, febre baixa, taquicardia e aumento de leucócitos; TC abdominal mostra sinais compatíveis com área focal de hipoperfusão do retossigmoide e aderências locais, sem pneumoperitônio livre.


Com base na anatomia vascular colônica e nas melhores práticas para reduzir risco de isquemia anastomótica, assinale a alternativa correta para esse caso.


A

A área mais crítica para isquemia após ligadura proximal da AMI é o ângulo esplênico (ponto de Griffiths), portanto a preservação da artéria retal superior não influenciaria significativamente a perfusão do retossigmoide.


B

O ponto de Sudeck corresponde à região da junção retossigmoide e pode sofrer isquemia quando a AMI é ligada proximalmente; para reduzir o risco de isquemia, recomenda-se, quando oncologicamente aceitável, preservar a artéria retal superior ou avaliar perfusão intraoperatória antes de confeccionar a anastomose.


C

A circulação colateral via arco de Riolan é constante e suficientemente eficaz em todos os pacientes; por isso, a ligadura alta do AMI não aumenta de forma significativa o risco de isquemia na junção retossigmoide.


D

O ponto de Griffiths está localizado na junção retossigmoide (confundindo-se com Sudeck); por isso, qualquer manobra para preservar perfusão distal deve focar na artéria mesentérica superior.


E

A presença de submucosa vascular extensa no reto torna o ponto de Sudeck praticamente indiferente para a decisão cirúrgica; portanto, a escolha entre high-tie e low-tie não altera a taxa de fístula anastomótica.

Em relação à indicação e aos aspectos técnicos do uso dos cateteres de hemodiálise, assinale a alternativa correta.


A

A principal função do cuff de Dacron presente em cateteres de longa permanência é diminuir o risco de retirada acidental do cateter.


B

No comparativo entre as taxas de infecção relacionada ao cateter, não há diferenças estatisticamente significativas entre os sítios de inserção do dispositivo para hemodiálise.


C

O sítio de inserção, bem como a configuração de ponta do cateter, não influenciam no processo de recirculação.


D

A via femoral é a primeira escolha para acesso de curta permanência, especialmente para pacientes com urgência dialítica.


E

O emprego de cateteres com revestimento interno anti-trombóticos foi associado a diminuição do risco de infecções.

Paciente do sexo masculino, 54 anos, tabagista, queixa-se de dor súbita de forte intensidade na perna esquerda há três horas, associada a palidez do membro esquerdo e diminuição da temperatura do local.


Ao exame físico, apresenta ritmo cardíaco regular e pressão arterial de 130x90mmHg. Membro inferior esquerdo: pulso femoral presente, pulsos poplíteo e distais ausentes, diminuição da sensibilidade do pé esquerdo e palidez local. Membro inferior direito com todos os pulsos palpáveis sendo que o poplíteo aumentado.


Em relação ao caso, o diagnóstico mais provável é


A

vasoespasmo devido ao tabagismo.


B

oclusão arterial aguda embólica.


C

doença obstrutiva periférica.


D

trombose venosa profunda.


E

trombose de aneurisma poplíteo.

Paciente de 55 anos, sexo masculino, com dor abdominal intensa de início súbito, náuseas, vômitos e distensão abdominal. O exame físico revela hipotensão arterial, taquicardia e dor à palpação abdominal difusa. A angiotomografia demonstrou oclusão aguda da artéria mesentérica superior por êmbolo cardíaco. Qual a conduta mais adequada para este caso?


A

Laparotomia exploradora com embolectomia e ressecção intestinal, se necessário.


B

Anticoagulação sistêmica com heparina não fracionada seguida de warfarina.


C

Angioplastia com implante de stent da artéria mesentérica superior.


D

Trombólise intra-arterial com infusão de agente fibrinolítico.


E

Observação clínica com monitorização hemodinâmica e suporte intensivo.

A arcada de Riolan é uma importante via natural de anastomoses dos ramos viscerais que se forma entre


A

a artéria cólica média e ramos da artéria mesentérica inferior.


B

a artéria cólica direita e a artéria gastroepiploica.


C

a artéria mesentérica inferior e a gastroduodenal.


D

a artéria hepática e a artéria cólica média.


E

a artéria cólica esquerda e a cólica média, ramo da artéria mesentérica superior.

Paciente masculino, de 72 anos, com histórico de diabetes melito com neuropatia periférica, insuficiência renal crônica (clearance de creatinina de 25 ml/min) e cardiopatia isquêmica, com capacidade funcional não avaliável, apresenta uma úlcera trófica não cicatrizante no aspecto medial do maléolo esquerdo, com mais de 3 meses de evolução. Ao exame, o pé encontrava-se edemaciado e a úlcera tinha base necrótica, sem sinais evidentes de infecção sistêmica. Pulsos poplíteos e distais estavam ausentes à palpação, e o índice tornozelo- braquial (ITB), incompressível (> 1,4). Angiotomografia revelou oclusão longa (> 20 cm, TASC II D ou Grade 4 do Global Vascular Guideline) da artéria femoral superficial esquerda, com ateromatose extensa e calcificação grave, poplítea pérvia e sem estenoses maiores que 50%, com dois vasos de perna (tibial posterior e fibular) pérvios, porém com comprometimento distal significativo. A artéria tibial estava ocluída e não demonstrava reabitação distal. O paciente é considerado de alto risco cirúrgico devido às comorbidades cardíaca e renal. De acordo com o Global Vascular Guidelines, qual a conduta mais apropriada?


A

Desbridamento cirúrgico extenso da úlcera e antibioticoterapia empírica, postergando a revascularização devido ao alto risco cirúrgico e à ausência de infecção sistêmica aguda.


B

Revascularização endovascular do segmento femoropoplíteo, com ênfase na preservação do membro, devido ao perfil de alto risco do paciente e à perviedade dos vasos da perna, apesar da complexidade anatômica (GLASS III).


C

Revascularização cirúrgica (by-pass) com veia autógena para a artéria poplítea, considerando a elevada taxa de perviedade primária do by-pass, apesar da apresentação atípica com ITB incompressível.


D

Terapia com prostaglandina E1 e compressão pneumática intermitente, enquanto se aguarda melhora das condições clínicas para futura revascularização, dada a falha em identificar um alvo cirúrgico distal ideal.

Sobre enxertos e próteses vasculares, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) A veia safena magna autóloga é considerada o padrão-ouro para revascularizações infrainguinais tanto supra quanto infrageniculares, devido à sua durabilidade superior e melhor patência a longo prazo, em comparação às próteses sintéticas.

( ) Em reconstruções aórticas, as próteses sintéticas de Dacron ou ePTFE são amplamente utilizadas, pois os enxertos venosos não oferecem resistência mecânica adequada.

( ) O uso de próteses sintéticas está absolutamente contraindicado em qualquer contexto infeccioso, sendo obrigatório o emprego de enxertos autólogos.

( ) O ePTFE pode ser indicado como alternativa em revascularizações infrainguinais quando não há veia safena ou outra veia autóloga disponível, especialmente acima do joelho.

( ) Enxertos biológicos homólogos (aloenxertos preservados) são reservados para situações especiais, como infecção protética ou ausência de material autólogo adequado.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

V – F – F – F – V.


B

V – F – F – V – F.


C

F – V – V – F – F.


D

F – F – V – V – V.


E

V – V – F – V – V.

Um homem de 70 anos, hipertenso e tabagista, foi submetido à endarterectomia carotídea direita por estenose sintomática de 80%. No pós-operatório imediato, apresentou cefaleia intensa, elevação súbita da pressão arterial e crise convulsiva. Com base nesse quadro, qual é a complicação mais provável e a conduta inicial recomendada?


A

Hematoma cervical com risco de obstrução de via aérea – indicar reoperação imediata com revisão da hemostasia.


B

Infarto cerebral tromboembólico – iniciar trombólise sistêmica imediatamente.


C

Lesão do nervo hipoglosso – observar evolução clínica, pois tende à resolução espontânea.


D

Dissecção carotídea iatrogênica – indicar anticoagulação plena precoce.


E

Síndrome de hiperperfusão cerebral – instituir controle rigoroso da pressão arterial e suporte intensivo.

Em relação aos métodos diagnósticos não invasivos e invasivos em doenças vasculares, analise as assertivas a seguir:


I. O ecodoppler vascular é um exame não invasivo, amplamente utilizado na prática clínica, capaz de avaliar anatomia e hemodinâmica arterial e venosa.

II. A angiotomografia computadorizada e a angioressonância magnética são métodos minimamente invasivos, pois exigem contraste iodado ou paramagnético.

III. A arteriografia digital por subtração é considerada padrão-ouro na definição anatômica vascular, mas apresenta caráter invasivo e risco de complicações.

IV. O ITB é um exame simples, não invasivo, útil como triagem de doença arterial periférica.

V. Em geral, métodos invasivos são indicados quando os exames não invasivos são inconclusivos ou quando há necessidade de planejamento terapêutico.


Quais estão corretas?


A

Apenas II e IV.


B

Apenas I, III e V.


C

Apenas I, IV e V.


D

Apenas I, II, III e IV.


E

I, II, III, IV e V.

Sobre tipos de acesso vascular na hemodiálise, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.


I. A fístula arteriovenosa (FAV) autóloga é utilizada como padrão para hemodiálise por apresentar maior durabilidade, embora possua uma taxa mais elevada de complicações infecciosas.

II. Os enxertos arteriovenosos sintéticos possuem um tempo de maturação inferior ao das FAVs nativas, mas apresentam risco aumentado de infecção e trombose.

III. Cateteres venosos centrais tunelizados são preferencialmente recomendados em comparação às fístulas arteriovenosas para pacientes que requerem acesso vascular de longa duração.

IV. A veia jugular interna direita é a preferida para o uso de cateter venoso central, pois sua anatomia é considerada favorável e está associada a menor risco de complicações.


A

Todas as assertivas estão corretas.


B

Todas as assertivas estão incorretas.


C

Apenas as assertivas I e II estão corretas.


D

Apenas as assertivas II e IV estão corretas.


E

Apenas as assertivas I, III e IV estão corretas.

Homem de 58 anos, obeso, há 12 dias no pós-cirurgia de quadril, apresenta dor súbita, edema e aumento do perímetro da coxa esquerda. Refere ainda dispneia leve. O exame físico revela empastamento da panturrilha. Considerando a suspeita de Doença Tromboembólica Venosa (DTEV), qual é a conduta inicial mais adequada?


A

Iniciar anticoagulação somente após confirmação diagnóstica por ultrassonografia com Doppler venoso.


B

Solicitar D-dímero sérico, já que um resultado elevado confirma TVP.


C

Iniciar anticoagulação empírica devido à elevada probabilidade clínica, considerando que os possíveis prejuízos decorrentes do atraso no tratamento superam os riscos associados à anticoagulação.


D

Indicar trombólise sistêmica imediata, pelo risco iminente de embolia pulmonar.


E

Realizar colocação de filtro em veia cava inferior devido à cirurgia ortopédica recente.

Sobre os princípios gerais das amputações, assinale a alternativa INCORRETA.


A

A definição do nível de amputação considera tanto a viabilidade da cicatrização quanto o potencial de adaptação à futura prótese.


B

A amputação de coxa é sempre preferível em pacientes diabéticos, independentemente da viabilidade de níveis mais distais.


C

A preservação do maior comprimento viável do segmento amputado favorece a otimização da função residual.


D

Em amputações transtibiais, manter pelo menos 5 cm abaixo da interlinha do joelho favorece a adaptação à prótese.


E

A prevenção de neuromas e o controle da dor do coto são medidas recomendadas no pós-operatório.

Sobre aneurismas verdadeiros e falsos (pseudoaneurismas) na prática clínica, assinale a alternativa correta.


A

Pseudoaneurismas, devido ao baixo risco de ruptura ou embolização, raramente requerem intervenção.


B

O pseudoaneurisma femoral é menos comum que o aneurisma verdadeiro e ocorre principalmente em idosos fumantes.


C

O aneurisma aterosclerótico verdadeiro da aorta abdominal infrarrenal deve ser reparado eletivamente quando o diâmetro atinge 5,5 cm ou mais em homens.


D

O aneurisma falso envolve a dilatação das três camadas arteriais, enquanto o aneurisma verdadeiro resulta de uma falha focal na parede arterial, geralmente por trauma ou causa iatrogênica.


E

O aneurisma periférico verdadeiro ocorre com maior frequência na artéria femoral do que na artéria poplítea.

Assinale a assertiva correta sobre a dissecção aguda de aorta.


A

O tratamento cirúrgico deve ser indicado precocemente, principalmente para casos cujo orifício de entrada está localizado após a origem da artéria subclávia esquerda.


B

A mortalidade reduziu drasticamente após o advento da cirurgia endovascular no caso da dissecção do tipo A de Stanford.


C

A trombose completa da falsa luz após o implante da endoprótese torácica está associada a pior prognóstico e degeneração aneurismática tardia da aorta torácica descendente.


D

O tratamento endovascular da dissecção aórtica não complicada do tipo B de Stanford é preferencialmente indicado na fase subaguda para pacientes selecionados de alto risco.

o tratamento das varizes dos membros inferiores, as técnicas cirúrgicas evoluíram significativamente. Considerando as abordagens atuais, é importante que o cirurgião vascular saiba que:


A

A escleroterapia é a única opção eficaz para o tratamento de varizes em todos os casos.


B

A termoablação com laser é uma técnica invasiva que requer longos períodos de recuperação.


C

A remoção da veia safena pode ser realizada com técnicas minimamente invasivas, resultando em menor dor e recuperação mais rápida.


D

As técnicas cirúrgicas tradicionais são sempre superiores às abordagens endovasculares em termos de eficácia.


E

O uso de meias elásticas é suficiente para tratar varizes sem necessidade de intervenção cirúrgica.

O tromboembolismo venoso é uma condição grave que envolve a formação de coágulos sanguíneos nas veias. Como essa condição se manifesta?


A

Formação de coágulos apenas nas artérias, prejudicando a oxigenação dos órgãos.


B

Trombose venosa profunda (TVP), com coágulos nas veias superficiais, geralmente nas mãos e pés.


C

Embolia pulmonar (EP), quando os coágulos atingem os pulmões, interrompendo a circulação sanguínea.


D

Trombose venosa profunda (TVP), que ocorre apenas nas veias do coração, comprometendo a função cardíaca.


E

Embolia pulmonar (EP), quando o coágulo permanece na perna, sem deslocamento para o pulmão.

Na avaliação de complicações neurovasculares do diabetes em pacientes submetidos à amputação, um achado clínico que indica risco elevado para reulceração do coto é:


A

Diminuição da sensibilidade vibratória ao exame com diapasão.


B

Presença de pulsos pediosos palpáveis no exame físico.


C

Espessamento dérmico com aumento da queratose no coto.


D

Ausência de dor ao exame tátil com monofilamento.


E

Diminuição da força muscular proximal na extremidade remanescente.

Determine a principal causa da síndrome do desfiladeiro torácico (SDT) relacionada à compressão neuro-vascular da cintura escapular:


A

Deslocamento do disco intervertebral cervical, resultando em compressão nervosa.


B

Hipertrofia dos músculos escaleno anterior e médio, comprimindo os vasos sanguíneos e nervos do plexo braquial.


C

Calcificação do ligamento transverso do carpo, limitando o fluxo sanguíneo.


D

Ruptura do manguito rotador, causando dor referida à região torácica.


E

Espessamento da fáscia plantar, resultando em compressão nervosa.

Paciente de 68 anos, sexo feminino, com histórico de tabagismo e hipertensão arterial, apresenta dor abdominal pós-prandial, perda de peso e diarreia crônica. A angiografia revelou estenose significativa do tronco celíaco e da artéria mesentérica superior. Considerando o diagnóstico de insuficiência vascular mesentérica crônica sintomática, qual a conduta terapêutica mais adequada para este caso?


A

Revascularização endovascular com angioplastia e implante de stent.


B

Tratamento clínico conservador com modificação do estilo de vida, controle dos fatores de risco e uso de vasodilatadores.


C

Cirurgia de revascularização aberta com bypass aorto-mesentérico.


D

Embolização arterial seletiva dos vasos mesentéricos acometidos.


E

Tratamento sintomático com analgésicos, antidiarreicos e nutrição parenteral total.

 
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