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Sobre a síndrome metabólica em crianças e adolescentes, assinale a alternativa INCORRETA.
Algumas de suas definições, com variados pontos de corte dos critérios utilizados, podem subestimar sua prevalência.
Crianças e adolescentes com Índice de Massa Corporal normal e aumento da adiposidade abdominal também representam risco para síndrome metabólica.
A doença hepática gordurosa não alcoólica é doença hepática rara em crianças e adolescentes, e costuma ser assintomática na fase de esteatose inicial.
A hiperuricemia é um achado frequente em pacientes com síndrome metabólica. O consumo elevado de frutose está associado ao aumento da produção de ácido úrico.
Há várias definições de síndrome metabólica e a maioria ainda considera a presença de obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e alteração do metabolismo de carboidratos, embora outros fatores de risco têm sido associados a essa síndrome.
Em relação à organização das condutas assistenciais ambulatoriais e hospitalares em endocrinologia pediátrica, assinale a alternativa correta.
O cuidado hospitalar é sempre superior ao ambulatorial e deve ser a primeira escolha em casos de doenças endócrinas crônicas.
Condutas ambulatoriais estruturadas, com equipe multiprofissional, reduzem complicações e internações evitáveis em crianças com doenças endócrinas.
A atenção primária não tem papel relevante no seguimento de crianças com distúrbios endócrinos.
O uso de diretrizes e protocolos padronizados é reservado apenas a centros terciários de pesquisa.
A educação em saúde para família e paciente tem impacto mínimo no controle de doenças crônicas, como o diabetes tipo 1.
Em relação à organização estrutural e funcional do eixo hipotálamo-hipofisário, assinale a alternativa correta.
A hipófise anterior deriva do diencéfalo e a posterior deriva do ectoderma oral.
O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal depende exclusivamente de retroalimentação positiva pelo cortisol.
Neurônios secretores de TRH, CRH e GHRH estão presentes nos núcleos hipotalâmicos já entre a 10ª e 14ª semanas de gestação.
O desenvolvimento das células adeno-hipofisárias ocorre independentemente de sinais provenientes do hipotálamo.
As gonadotrofinas são secretadas de forma contínua desde a vida fetal até a adolescência.
Menino de 8 anos chega à emergência com:
• fadiga intensa, dor abdominal, vômitos;
• PA: 82/48 mmHg;
• hiperpigmentação difusa;
• Na: 125 mEq/L | K: 6,3 mEq/L | Glicemia: 58 mg/dL;
• ACTH: muito elevado;
• Cortisol basal: extremamente baixo;
• 17-OHP: normal;
• Antecedentes: desenvolvimento normal, sem história neonatal sugestiva de CAH.
O diagnóstico funcional mais compatível com esse caso é
CAH clássica por deficiência de 21-hidroxilase.
insuficiência adrenal primária autoimune (APS-1 ou APS-2).
deficiência de 11β-hidroxilase.
adrenoleucodistrofia ligada ao X (X-ALD).
hipoplasia adrenal congênita (NR0B1).
Quanto aos mecanismos fisiopatológicos que ligam obesidade infantil ao risco cardiometabólico, assinale a alternativa correta.
A infiltração de macrófagos no tecido adiposo reduz a resistência insulínica ao estimular adiponectina.
O aumento de citocinas como IL-6 e TNF-α contribui para resistência insulínica por afetar vias intracelulares.
O principal determinante de risco cardiometabólico é o IMC absoluto, independentemente de distribuição de gordura.
A inflamação subclínica não costuma estar presente em crianças obesas.
A obesidade infantil não está relacionada ao desenvolvimento precoce de NAFLD.
A respeito da definição e da classificação da cetoacidose diabética em crianças, assinale a alternativa correta.
DKA é definida apenas pela presença de hiperglicemia e cetonúria, independentemente do pH.
O critério diagnóstico inclui hiperglicemia >200 mg/dL, pH <7,3 ou bicarbonato <15 mEq/L e cetonemia/cetonúria.
A gravidade da DKA é determinada pelo grau de hiperglicemia.
Cetonemia não é necessária para diagnóstico, desde que haja acidose metabólica.
A presença de respiração de Kussmaul é obrigatória para confirmar DKA.
Menina de 7 anos e 2 meses apresenta:
• M2 → M3 em 3 meses;
• Velocidade de crescimento: 7,1 cm/ano;
• Idade óssea: 2 anos avançada;
• LH basal: 0,3 UI/L;
• LH pós-estímulo com GnRH: 7,5 UI/L;
• US pélvica: útero piriforme, volume ovariano aumentado (>1 cm³);
• Sem sinais neurológicos.
De acordo com o PCDT Puberdade Precoce Central (2022), qual conduta é a mais adequada?
Aguardar 6-12 meses, pois PPC entre 7 e 8 anos raramente é progressiva.
Suspender investigação porque LH basal é baixo.
Iniciar tratamento com agonista de GnRH, pois há critérios clínicos e laboratoriais de PPC progressiva.
Solicitar apenas tomografia de crânio para afastar tumor selar.
Iniciar bloqueio puberal apenas se a criança atingir Tanner M4 nas próximas avaliações.
Sobre a organização funcional dos principais eixos endócrinos durante a infância e a adolescência, assinale a alternativa que apresenta corretamente um conceito fisiológico fundamental.
O eixo hipotálamo-hipófise-tireoide permanece praticamente inativo até a adolescência.
O eixo GH/IGF-1 tem pouca importância no crescimento infantil, sendo ativado apenas próximo à puberdade.
O eixo HPG mantém secreção pulsátil intensa durante toda a infância, mas sem manifestações clínicas por baixa sensibilidade gonadal.
Na infância, múltiplos eixos endócrinos estão funcionantes (GH/IGF-1, HPA, tireoide, metabolismo glicêmico e mineral) e passam por ajustes maturacionais progressivos até a puberdade.
A secreção de GH é contínua durante a infância, adquirindo pulsos apenas na adolescência.
Adolescente de 15 anos com hipotireoidismo congênito está em seguimento desde a infância. Nos últimos 12 meses:
• Faltou a 3 consultas;
• Está usando levotiroxina de forma irregular (“esquece” vários dias);
• Queixa-se de cansaço, dificuldades escolares e sensação de “não dar conta”;
• A mãe relata conflitos frequentes sobre horários de medicação;
• Exames: TSH 18 mIU/L, T4L baixo, IMC em curva ascendente;
• Adolescente demonstra ansiedade elevada ao falar sobre assumir cuidados de saúde.
Qual é a conduta multiprofissional mais apropriada no momento?
Aumentar a dose de levotiroxina e marcar retorno apenas em 6 meses.
Priorizar autonomia: orientar que a responsabilidade do tratamento agora é exclusivamente do adolescente.
Solicitar avaliação psicológica, reforçar DSMES, reorganizar rotinas familiares e implementar plano estruturado de transição com participação conjunta da família.
Encaminhar imediatamente para endocrinologista de adultos por falta de adesão.
Prescrever antidepressivo e pedir que volte quando estiver emocionalmente mais estável.
Recém-nascido pré-termo tardio (34 semanas), em UTI neonatal, apresenta hipoglicemias recorrentes (glicemia 27 mg/dL) apesar de oferta adequada de glicose. Exames:
• Insulina: baixa;
• Cetonemia: ausente;
• Cortisol: baixo-normal;
• T4L discretamente reduzido;
• TSH normal;
• Sem história materna de diabetes.
Com base na fisiologia endócrina neonatal, qual diagnóstico funcional é mais compatível nesse caso?
Hipoglicemia fisiológica de adaptação pós-natal.
Hipotireoidismo congênito, responsável por inibir a gliconeogênese.
Deficiência de GH, causa comum e benigna de hipoglicemia neonatal.
Hiperinsulinismo neonatal transitório, mesmo com insulina baixa, pela supressão da cetogênese e aumento da utilização periférica de glicose.
Insuficiência adrenal primária neonatal, que explica ausência de cetogênese.
Sobre a fisiologia da determinação e da diferenciação sexual humanas, assinale a alternativa correta.
A ausência de SRY é suficiente, por si só, para que a gônada fetal se torne um ovário funcional, sem necessidade de outros genes.
A diferenciação testicular depende da ativação de SRY e SOX9, com produção subsequente de AMH pelas células de Sertoli e testosterona pelas células de Leydig.
Os ductos de Müller originam epidídimo, ducto deferente e vesículas seminais.
A testosterona promove a regressão dos ductos de Wolff e a manutenção dos ductos de Müller.
A diferenciação gonadal é determinada exclusivamente pelos cromossomos sexuais, sem participação de genes autossômicos.
Menina de 6 anos e 10 meses apresenta aumento mamário Tanner N2 há 3 meses, sem dor. Dados complementares:
• Crescimento no último ano: +9 cm;
• Idade óssea: +2 anos acima da cronológica;
• LH basal: indetectável;
• LH pós-análogo de GnRH: 8,1 mUI/mL;
• US pélvico: útero 38 mm, ovários multifoliculares;
• Sem exposição a esteroides, sem odor axilar ou pubarca;
• Sem cefaleia ou alterações neurológicas.
A avaliação funcional compatível com esse caso é
telarca prematura não progressiva.
puberdade precoce periférica por hiperestrogenismo independente de gonadotrofinas.
puberdade precoce central progressiva.
puberdade normal variante adiantada, sem relevância clínica.
aceleração de crescimento por obesidade, sem ativação do eixo HPG.
Adolescente de 15 anos apresenta poliúria, polidipsia, perda ponderal e glicemia de jejum de 280 mg/dL. De acordo com o caso, o diagnóstico CORRETO é:
Diabetes mellitus tipo 2, caracterizado por resistência insulínica, sem perda ponderal acentuada.
Hipoglicemia reativa, caracterizada por queda glicêmica pós-prandial.
Síndrome metabólica, caracterizada por obesidade central e resistência insulínica.
Hipotireoidismo, caracterizado por fadiga e ganho ponderal.
Diabetes mellitus tipo 1, caracterizado por destruição autoimune das células beta pancreáticas, exigindo insulinoterapia imediata.
Um pseudohipoparatireoidismo (PHP) é causado por resistência ao Hormônio Paratireoidiano (PTH). Qual é o defeito molecular subjacente à forma mais comum, o PHP tipo 1A?
Uma mutação inativadora no gene PTH1R, que codifica o receptor de PTH, causando resistência isolada ao PTH sem OHA.
Uma mutação inativadora heterozigótica no gene GNAS, de herança materna, que codifica a subunidade alfa estimuladora (Gsα) da proteína G, levando à resistência hormonal múltipla e ao fenótipo de Osteodistrofia Hereditária de Albright (OHA).
Uma mutação inativadora heterozigótica no gene GNAS, de herança paterna, causando o fenótipo de OHA, mas sem resistência hormonal (Pseudopseudohipoparatireoidismo).
Uma mutação no gene PDE4D, causando um aumento na degradação do Monofosfato de Adenosina cíclico (cAMP) e resistência ao PTH.
No exame genético solicitado para confirmação diagnóstica da síndrome de Prader-Willi, as alterações cromossômicas incluem:
Deleção materna no cromossomo 15q11.2-q13 em 70% dos casos, dissomia uniparental paterna em 25% e mutação no gene SNRPN em 5%, com herança autossômica dominante.
Dissomia uniparental paterna no cromossomo 15q11.2-q13 em 60% dos casos, deleção materna em 30% e defeito de imprinting em 10%, associada a fenótipo oposto de Angelman.
Deleção intersticial no cromossomo 7q11.23 em 80% dos casos, mutações no gene ELN em 15% e herança autossômica recessiva em 5%, característica da síndrome de Williams-Beuren.
Cariótipo 45, X em 50% dos casos, mosaicismos em 40% e deleções no gene SHOX em 10%, típico da disgenesia gonadal na síndrome de Turner.
Ausência de expressão de genes paternos no cromossomo 15q11.2-q13, devido à deleção paterna em 65-75% dos casos, dissomia uniparental materna em 20-30% e defeito no centro de imprinting em 1-3%.
Uma menina de 11 anos é avaliada por baixa estatura, com estatura 2,3 desvios-padrão abaixo da média para idade e sexo nas curvas da Organização Mundial da Saúde, com velocidade de crescimento de 3,8 cm/ ano e idade óssea atrasada em 2 anos. Após exclusão de causas não endócrinas, realiza-se dosagem de fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1), baixa para idade e testes de estímulo para hormônio do crescimento (GH) com resposta inadequada.
A dosagem de IGF-1 nessa investigação é:
Confirmar diretamente a deficiência de GH sem necessidade de testes de estímulo, pois níveis baixos de IGF-1 isoladamente autorizam o início de reposição hormonal recombinante.
Avaliar a resistência primária ao GH, com níveis elevados de IGF-1 indicando necessidade de terapia com mecassermina em vez de GH recombinante.
Servir como exame de triagem sensível para deficiência de GH, refletindo a ação tecidual do hormônio, com indicação de prosseguir para testes de estímulo se os níveis estiverem abaixo do esperado para idade e sexo.
Monitorar a adesão ao tratamento com GH após o início da reposição, priorizando dosagens seriadas de IGF-1 para ajuste de dose sem avaliação da velocidade de crescimento.
Excluir causas genéticas como mutações no gene SHOX, com IGF-1 normal sugerindo displasias ósseas desproporcionais em vez de deficiência hormonal.
Uma adolescente de 15 anos, com desenvolvimento puberal Tanner 4, consulta o endocrinologista pediátrico por irregularidades menstruais e expressa desejo de iniciar vida sexual ativa, solicitando orientação sobre métodos contraceptivos. Não há sinais de violência ou coação, e a paciente demonstra capacidade de compreensão.
A conduta ética inicial do médico deve priorizar a/o:
Comunicação imediata aos pais ou responsáveis sobre o desejo da adolescente, priorizando o consentimento familiar para qualquer orientação sobre saúde sexual, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Recusa em fornecer orientação sobre contracepção sem avaliação psicológica prévia, devido ao risco de imaturidade emocional em adolescentes, com foco exclusivo no tratamento das irregularidades menstruais.
Prescrição empírica de contraceptivos orais combinados sem discussão detalhada, enfatizando apenas a regularização do ciclo menstrual para evitar complicações endócrinas, sem menção a ISTs.
Encaminhamento obrigatório para serviço de saúde mental antes de qualquer orientação sexual, considerando o desejo de iniciar vida sexual como possível sinal de distúrbio comportamental associado à puberdade.
Orientação confidencial sobre métodos contraceptivos, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e uso de preservativos para dupla proteção, respeitando a autonomia da adolescente sem juízo de valor ou quebra de sigilo, com encaminhamento multidisciplinar, se necessário.
Um lactente apresenta quadro de baixa estatura severa, hipotireoidismo central e hipoplasia hipofisária à ressonância magnética. A avaliação laboratorial revela deficiência combinada de Hormônio do Crescimento (GH), Prolactina (PRL) e Hormônio Tireoestimulante (TSH), com preservação inicial do eixo corticotrófico e gonadotrófico. O defeito molecular mais provável, considerando a ontogênese das linhagens celulares hipofisárias acometidas, envolve o fator de transcrição:
TPIT (T-box transcription factor).
SF-1 (Steroidogenic factor 1).
POU1F1 (anteriormente PIT-1).
DAX-1 (Dosage-sensitive sex reversal).
HESX1 (Homeobox gene expressed in ES cells).
O diabetes melito tipo 1 é uma das doenças crônicas mais prevalentes da infância. O diagnóstico precoce e as intervenções terapêuticas adequadas podem prevenir a cetoacidose diabética, a forma mais grave de descompensação da doença. No tratamento desse quadro, é imprescindível a reposição de:
Fosfato, para a melhora da oxigenação tecidual.
Bicarbonato, para correção da acidose metabólica.
Potássio, mesmo com os níveis plasmáticos normais.
Cálcio, através da infusão de fosfato de cálcio.
Magnésio, para tratar a hipomagnesemia associada.
A respeito do rastreamento neonatal de hipotireoidismo congênito (HC), assinale a alternativa correta.
O teste deve ser colhido idealmente antes de 24 horas de vida para evitar falso positivo.
Programas baseados apenas em TSH podem perder casos de hipotireoidismo central.
Recém-nascidos pré-termo têm maior risco de falso positivo por TSH elevado no nascimento.
Um TSH inicial normal exclui completamente o diagnóstico de HC, dispensando reavaliação.
O rastreamento com T4 total não permite identificar recém-nascidos com atraso de elevação de TSH.