Questões de Concurso sobre Gastroenterologia

 
 
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Um paciente de 30 anos, do sexo masculino, apresenta-se com queixa de disfagia intermitente para sólidos há 3 anos e dois episódios de impactação alimentar que necessitaram de remoção endoscópica. Ele nega sintomas de pirose ou regurgitação. Uma Endoscopia Digestiva Alta (EDA) revela anéis esofágicos concêntricos e sulcos longitudinais. As biópsias esofágicas mostram 40 eosinófilos por campo de grande aumento (eos/CGA) no esôfago médio e 50 eos/CGA no esôfago distal. O estômago e o duodeno são histologicamente normais. O paciente inicia tratamento com omeprazol 40mg duas vezes ao dia por 8 semanas. Uma EDA de controle, após o tratamento, mostra resolução completa dos sintomas e das alterações endoscópicas, e as biópsias de seguimento revelam < 5 eos/CGA em todos os fragmentos. De acordo com as diretrizes consensuais mais atuais, assinale a alternativa que apresenta corretamente o diagnóstico e a conduta apropriada.


A

O paciente não tem Esofagite Eosinofílica (EoE), mas sim Esofagite Eosinofílica Responsiva ao IBP (EE-RPBI), uma entidade clínica distinta que deve ser tratada como Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) atípica.


B

O diagnóstico de EoE é confirmado. A resposta ao IBP (Inibidor de Bomba de Prótons) deve ser considerada como a indução de remissão da doença, e o IBP deve ser mantido como terapia de manutenção a longo prazo, sendo a primeira linha de tratamento.


C

O diagnóstico de EoE é provisório. A resposta ao IBP mascara a inflamação alérgica subjacente. O IBP deve ser suspenso e deve-se iniciar uma dieta de eliminação empírica para tratar a causa base da doença.


D

A resposta ao IBP exclui o diagnóstico de EoE. A presença inicial de eosinófilos era secundária a uma DRGE não erosiva grave, e o paciente deve ser encaminhado para pHmetria esofágica de 24 horas para confirmar o refluxo ácido.


E

O diagnóstico de EoE é confirmado, mas a resposta ao IBP é considerada subótima, pois não trata o mecanismo Th2. O paciente deve suspender o IBP e iniciar corticoide tópico deglutido (ex: budesonida viscosa oral) para prevenir a remodelação esofágica.

Homem de 58 anos, cirrótico por doença hepática associada ao álcool, encontra-se em acompanhamento ambulatorial. Está clinicamente compensado, sem história prévia de sangramento digestivo. Endoscopia digestiva alta revela varizes esofágicas médias, sem sinais de sangramento recente. Qual é a conduta mais adequada para profilaxia primária de hemorragia digestiva alta nesse paciente?


A

Ligadura elástica endoscópica imediata como primeira escolha.


B

Carvedilol em dose titulada, visando redução da pressão portal.


C

Propranolol apenas se houver progressão para varizes grandes.


D

Observação clínica, sem intervenção farmacológica ou endoscópica.


E

Uso profilático de inibidor da bomba de prótons em monoterapia.

Helicobacter pylori é um patógeno gástrico comum que causa gastrite, doença ulcerosa péptica, adenocarcinoma gástrico e linfoma gástrico de baixo grau. A infecção pode ser assintomática ou provocar vários graus de dispepsia. O diagnóstico é feito por teste respiratório com ureia, teste de antígeno fecal e testes com biópsias gástricas obtidas por endoscopia. O tratamento é tipicamente com um inibidor da bomba de prótons mais 2 antibióticos e muitas vezes subsalicilato de bismuto. Sobre este assunto, assinale a alternative INCORRETA.


A

H. pylori é um microrganismo Gram-positivo, espiralado, que se adaptou à vida em ambiente básico. Em países de baixa e média renda, comumente causa infecções crônicas e, geralmente, é adquirido durante a infância. Na América do Norte, as estimativas da prevalência de infecção por H. pylori variam entre 30 e 40%.


B

O microrganismo tem sido cultivado em fezes, saliva e placa dentária, sugerindo transmissão oral-oral ou feca-loral. As infecções tendem a ser mais frequentes em famílias e em residentes de instituições de abrigo. Enfermeiras e gastroenterologistas parecem estar em risco maior: as bactérias podem ser transmitidas por endoscópios impropriamente desinfetados.


C

A infecção predominantemente antral causa aumento da produção de gastrina, provavelmente por inibição local da produção de somatostatina. A resultante hipersecreção de ácido predispõe a úlceras pré-pilóricas e duodenais.


D

A amônia produzida por H. pylori permite que o microrganismo sobreviva no ambiente ácido do estômago e pode danificar a barreira de muco. Cerca de 10% das pessoas infectadas com H. pylori desenvolvem uma úlcera péptica, em comparação com 1% das pessoas não infectadas com H. pylori.


E

A gastroscopia é utilizada para se obter amostras por biópsias da mucosa, para teste rápido de urease (TRU) ou análise histológica. Culturas da bactéria são de uso limitado pela natureza fastidiosa do microrganismo. A endoscopia não é recomendada exclusivamente para o diagnóstico de H. pylori; preferem-se testes não invasivos, a menos que a endoscopia seja indicada por outros motivos.

Jovem de 25 anos apresenta diarreia crônica com sangue vivo, associada a dor abdominal em cólica e urgência evacuatória. A colonoscopia evidencia mucosa friável e ulcerada de modo contínuo a partir do reto.


A

Doença de Crohn.


B

Colite infecciosa por Salmonella.


C

Síndrome do intestino irritável.


D

Retocolite ulcerativa.


E

Diverticulite aguda.

Assinale a alternativa que descreve corretamente a doença de Crohn em um paciente adulto jovem, considerando sua apresentação clínica como uma doença inflamatória intestinal crônica.


A

Diarreia sanguinolenta contínua com urgência fecal, dor abdominal cólica no quadrante inferior esquerdo, tenesmo retal, perda de peso moderada sem fístulas, envolvimento contínuo do cólon e reto, sem lesões no intestino delgado, tratado inicialmente com mesalazina e corticosteroides.


B

Dor abdominal aguda no quadrante inferior esquerdo, febre alta, náuseas, constipação alternada com diarreia, leucocitose marcada, associada a divertículos colônicos inflamados em idosos, com risco de perfuração e abscessos peridiverticulares, manejada com antibióticos e dieta baixa em fibras.


C

Dor abdominal crônica recorrente no quadrante inferior direito, diarreia persistente com ou sem sangue, perda de peso involuntária, fadiga, febre baixa intermitente, aftas orais recorrentes, artrite periférica e eritema nodoso como manifestações extraintestinais, com achados endoscópicos de lesões descontínuas e úlceras profundas lineares, exigindo manejo com imunossupressores ou biológicos para remissão.


D

Dor abdominal intermitente, cólica difusa, distensão abdominal, alternância entre diarreia e constipação sem sangue, associada a estresse e dieta, sem perda de peso significativa ou inflamação endoscópica, com exames normais exceto por hipersensibilidade visceral, tratada com antiespasmódicos e modificações comportamentais.


E

Dor abdominal súbita intensa no epigástrio irradiando para fossa ilíaca direita, náuseas, vômitos, febre moderada, defesa abdominal com sinal de Blumberg positivo, leucocitose aguda, sem diarreia crônica ou manifestações extraintestinais, confirmado por ultrassonografia.

Mulher de 60 anos é submetida a uma colonoscopia de rastreio (screening) que revela: um pólipo serrilhado séssil, de 7 mm, na região sigmoide, que é completamente removido; além disso, há três pólipos hiperplásicos de 2 mm removidos do reto. A paciente é assintomática, não apresenta outras condições médicas e seu histórico familiar é negativo para câncer de cólon. Ela não toma nenhuma medicação.


Constitui a abordagem de vigilância mais apropriada no seguimento dessa paciente:


A

colonoscopia em 1 ano.


B

retossigmoidoscopia em 3 anos.


C

colonoscopia em 5 a 10 anos.


D

teste de DNA fecal em 3 anos.


E

teste de sangue oculto nas fezes anualmente.

Na anamnese do aparelho digestório, um paciente relata dor em “queimação” em epigástrio, de início em jejum, que melhora após a alimentação e volta horas depois, sem irradiação típica. Esse padrão de dor é mais sugestivo de:


A

colecistite aguda.


B

pancreatite aguda.


C

úlcera duodenal.


D

cólica biliar.


E

doença do refluxo gastroesofágico.

O esôfago de Barret é uma condição adquirida que resulta do refluxo gastroesofágico crônico, sendo incluída na sua fisiopatogenia fatores associados como:


A

depuração ácida esofágica excessiva


B

tensão transitória do esfíncter inferior do esôfago


C

maior dano pelo tempo prolongado de exposição ao pH ácido


D

piora da metaplasia devido ao número de episódios de refluxo

A dilatação endoscópica visa dilatar segmentos do tubo digestivo que se encontram com o calibre reduzido por conta de algum mecanismo resultante em estenose. Existem algumas contraindicações específicas a esse tipo de procedimento, que incluem a:


A

ausência de jejum


B

distúrbio de coagulação


C

perfuração esofágica aguda


D

estenose sem hemorragia ativa

Mulher de 52 anos apresenta doença do refluxo gastroesofágico refratária ao tratamento clínico otimizado com inibidor de bomba de prótons.


Endoscopia digestiva revela esofagite grau C de Los Angeles.

Possui IMC de 36 kg/m² e comorbidades associadas (diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial).


Qual a melhor opção cirúrgica para tratamento do refluxo neste caso?


A

Fundoplicatura total (Nissen) isolada


B

Fundoplicatura parcial (Toupet)


C

Gastroplastia vertical (Sleeve gástrico)


D

Bypass gástrico em Y de Roux


E

Cardiomiotomia a Heller

Em pacientes com dispepsia funcional, é correto afirmar:


A

A repetição da mesma terapia tem alta probabilidade de sucesso e deve ser encorajada.


B

O tratamento erradicador deve ser feito com monoterapia antibiótica.


C

A erradicação do H. pylori não impede o início de instalação de lesões pré-cancerosas.


D

A estratégia “testar e tratar” para H. pylori é recomendada em áreas em que meios diagnósticos são limitados.

Paciente do sexo masculino, 38 anos, comparece à consulta por síndrome dispéptica sem sinais de alarme. Realizou endoscopia com esofagite erosiva grau C de Los Angeles, gastrite endoscópica enantematosa leve de antro e úlcera duodenal Sakita S2; teste de urease negativo. A respeito desse caso, assinale a alternativa correta.


A

Paciente tem diagnóstico provável de doença do refluxo gastroesofágico, devendo ainda realizar pHmetria para confirmar o diagnóstico.


B

O paciente poderia ter feito testar-e-tratar para H. pylori, com testes não invasivos.


C

Existe correlação positiva entre a presença de H. pylori e a doença do refluxo gastroesofágico.


D

O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) é o principal fator etiológico para úlceras duodenais.


E

A úlcera apresentada pelo paciente teve sangramento recente e necessita de tratamento endoscópico.

Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta.


A doença de Hirschsprung, também conhecida como _________________ é uma afecção caracterizada por dilatação do cólon resultante de suboclusão frente à existência de um segmento colônico distal não funcional. Acomete 1:5000 recém-nascidos, sendo 4 vezes mais prevalente no sexo ____________. O diagnóstico é eminentemente por _______________.


A

megacólon funcional / feminino / radiografia de abdome


B

megacólon congênito / feminino / anatomopatológico


C

aganglionose intestinal congênita / masculino / manometria anorretal


D

megacólon aganglionar / masculino / anatomopatológico


E

megacólon funcional / masculino / enema opaco

Um paciente do sexo masculino, 50 anos, com hiperferritinemia, realizou um teste genético que resultou em homozigose C282Y, o que se configura como diagnóstico de hemocromatose hereditária. Qual é o mecanismo que explica o acúmulo progressivo de ferro nesse paciente?


A

Aumento da produção de transferrina.


B

Redução da produção de hepcidina, levando à absorção intestinal descontrolada.


C

Aumento da excreção renal de ferro.


D

Aumento da degradação de ferritina.


E

Redução da absorção intestinal por mutação no receptor de ferro.

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde sobre a Doença de Crohn (DC), a endoscopia digestiva baixa (colonoscopia) com duas biópsias de cinco sítios distintos, incluindo o íleo, é o método preferencial para o diagnóstico. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta apenas achados histológicos e/ou endoscópicos sugestivos de DC.


A

Úlceras rasas, contíguas, com granulomas não caseosos, e infiltrados linfocitários na camada epitelial.


B

Úlceras e erosões rasas, contíguas, com granulomas caseosos.


C

Úlceras entremeadas de mucosa normal, com acometimento focal e assimétrico; granulomas não caseosos.


D

Úlceras rasas, contíguas, criptite e abscessos crípticos.


E

Úlceras profundas, não contíguas, com criptite e abscessos crípticos.

Qual das seguintes manifestações extraintestinais da retocolite ulcerativa NÃO se correlaciona com sintomas colônicos?


A

Estomatite aftosa.


B

Artropatia periférica.


C

Uveíte anterior.


D

Eritema nodoso.


E

Ulcerações aftoides.

Paciente do sexo feminino, 72 anos, hipertensa, diabética, tabagista e cardiopata, dá entrada no pronto atendimento por quadro de melena há 2 dias. Realizou endoscopia, a qual evidenciou duas úlceras antrais, uma delas Forrest Ia. Foi realizado teste de urease, que resultou negativo. Em relação ao quadro clínico e à melhor conduta nesse caso, assinale a alternativa correta.


A

O teste para H. pylori deve ser repetido pelo menos um mês após resolução da hemorragia digestiva.


B

O melhor teste para ser realizado para pesquisa de H. pylori em vigência de hemorragia digestiva alta é o teste de urease.


C

A descrição endoscópica da úlcera caracteriza-se como sangramento em babação e necessidade de terapia endoscópica.


D

A úlcera descrita tem chance de ressangramento de 20-30%.


E

Na falha da terapia endoscópica, pode-se utilizar o tubo de Minnesota.

Quanto às lesões vasculares de intestino delgado, assinale a alternativa correta.


A

A classificação endoscópica utilizada chama-se Sidnei.


B

As lesões tipo 1b são o eritema puntiforme, menor que 1 mm.


C

As lesões tipo 3 conferem malformações arteriovenosas.


D

As lesões tipo 2b têm baixo risco de sangramento arterial.


E

As lesões tipo 1a são caracterizadas como Dieulafoy.

Em relação à indicação do uso de probióticos nos distúrbios gastrointestinais infantis, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.


( ) Pode ser considerado seu uso em quadros de gastroenterite aguda, podendo ter benefícios na redução da duração da diarreia, volume das fezes e redução no tempo de internação.

( ) Pode ser considerado seu uso como prevenção de diarreia nosocomial, durante o período de internamento.

( ) O uso de cepas específicas podem ser recomendadas, juntamente com a terapia adequada, para erradicação de H. pylori e redução dos efeitos adversos gastrointestinais.

( ) O uso de probióticos não deve ser recomendado como terapia adjuvante para pacientes em tratamento para constipação intestinal funcional.


A

V – V – V – V.


B

V – V – F – F.


C

V – F – F – V.


D

F – V – V – F.


E

V – F – V – F.

Paciente do sexo feminino, 18 anos, tem como queixa principal estufamento; refere que os sintomas são piores com diversos alimentos, e ela não consegue identificar. O gastroenterologista suspeita de síndrome de supercrescimento bacteriano. Em relação a esse quadro, assinale a alternativa correta.


A

Aspiração jejunal continua sendo o padrão-ouro no diagnóstico.


B

O teste respiratório com exalação de CO2 marcado é utilizado para o diagnóstico.


C

Dieta e tabagismo não influenciam na execução do teste respiratório.


D

Frutose é o substrato para o teste respiratório.


E

Rifaximina, metronidazol e cefalexina são antibióticos para o tratamento.

   
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