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A dermatite herpetiforme, uma doença da pele caracterizada por lesões papulovesiculares nas superfícies extensoras das extremidades, nádegas, tronco, pescoço e couro cabeludo, é fortemente ligada a qual doença?
Espru tropical.
Doença de Crohn.
Retocolite ulcerativa.
Doença celíaca.
Amebíase.
De acordo com o Protocolo Clínico e as Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde sobre a Doença Celíaca, essa é uma doença crônica do intestino delgado desencadeada pela resposta imunomediada ao glúten (principal fração proteica presente no trigo, centeio e cevada), em indivíduos com predisposição genética.
Assinale a alternativa correta, quanto à abordagem diagnóstica na doença celíaca.
A maioria dos indivíduos afetados possui genes que codificam o antígeno leucocitário humano (HLA) DQ2 ou DQ8, que promove o reconhecimento de peptídeos específicos do glúten por células T CD4+, sendo que, no Brasil, a maior prevalência é de indivíduos com HLA DQ8 positivo.
Entre as manifestações extraintestinais, a dermatite herpetiforme é uma doença crônica e recorrente, secundária ao glúten, cuja principal manifestação clínica é a ocorrência de rash papulovesicular pruriginoso. Caracteriza-se pela presença de depósitos de IgA no topo das papilas dérmicas e se manifesta principalmente na superfície flexora dos membros, nádegas e região clavicular.
O teste sorológico mais sensível e específico que pode ser solicitado nos pacientes com suspeita clínica é o anticorpo anti-gliardina IgA.
Pacientes com doenças autoimunes, como diabete melito tipo 1, tireoidite autoimune, deficiência seletiva de IgA, hepatite autoimune, cirrose biliar primária, colangite esclerosante, Síndrome de Sjögren, colestase autoimune e miocardite autoimune, devem ser rastreados sorologicamente.
O exame padrão-ouro para o diagnóstico da doença celíaca é a endoscopia com análise histológica de biópsias, estas devem ser colhidas em pelo menos seis fragmentos da mucosa intestinal, incluindo quatro fragmentos do bulbo duodenal e dois da segunda porção do duodeno.
Quanto ao câncer de esôfago, assinale a alternativa correta.
O câncer precoce de esôfago é aquele limitado às camadas mucosa e submucosa, sem disseminação linfonodal.
A neoplasia superficial de esôfago é definida por tumores que afetam as camadas mucosa e submucosa, sem infiltração da muscular própria, segundo a avaliação endoscópica.
O câncer superficial de esôfago é aquele limitado às camadas mucosa e submucosa, independentemente da existência ou não de disseminação linfonodal.
O câncer precoce de esôfago é aquele limitado à camada mucosa, sem disseminação linfonodal.
O câncer precoce de esôfago é aquele limitado à camada mucosa, independentemente da existência ou não de disseminação linfonodal.
Uma paciente de 18 anos apresenta diagnóstico recente de doença hepática crônica avançada descompensada, com icterícia e ascite. Em associação, apresenta alterações de conduta, tremores e riso sardônico. Na suspeita de doença de Wilson, qual achado reforçaria o diagnóstico?
Anel de Kayser-Fleischer.
Aumento de alfafetoproteína.
Hiperferritinemia.
Anticorpos antimitocôndria positivos.
Aumento de IgG policlonal.
Qual tratamento é considerado a primeira linha para a indução da remissão na Doença de Crohn luminal pediátrica de leve a moderada gravidade, visando a cicatrização mucosa?
Mesalazina oral ou retal.
Nutrição Entérica Exclusiva (NEE) por 6 a 8 semanas.
Azatioprina em monoterapia.
Antibioticoterapia com metronidazol por 3 meses.
Metotrexato via oral por 8 semanas.
Um hospital universitário deseja fortalecer a educação permanente em gastroenterologia pediátrica. Nesse contexto, a estratégia que caracteriza CORRETAMENTE esse processo é:
Cursos pontuais sem relação com problemas locais.
Distribuição de manuais de conduta sem discussão prática.
Avaliação individual de desempenho sem integração.
Treinamentos baseados em necessidades identificadas no cotidiano assistencial, com reflexão crítica e participação da equipe.
Aulas expositivas anuais ministradas por especialistas externos.
Mulher de 72 anos, com bom suporte familiar, hipertensa, obesa e portadora de insuficiência cardíaca estabilizada, procura atendimento por dor em fossa ilíaca direita há 24 horas, associada a inapetência e náuseas. Relata histórico de desconforto intestinal recorrente nos últimos meses, sem investigação prévia. Ao exame, apresenta temperatura de 37,9 °C, sensibilidade localizada sem sinais de irritação peritoneal difusa e ruídos hidroaéreos presentes. Há leucocitose com predomínio de neutrófilos e proteína C-reativa elevada. Considerando a fisiopatologia de processos inflamatórios do cólon, a abordagem na fase inicial e os aspectos éticos, assinale a conduta mais adequada.
Orientar dieta leve e programar colonoscopia imediata para esclarecer a origem da dor abdominal, visto a necessidade de obstrução da causa neoplásica.
Discutir com a paciente o manejo clínico inicial com hidratação, analgesia, antibioticoterapia e observação monitorada, visto a ausência de complicação.
Presumir urgência cirúrgica e acionar avaliação operatória sem medidas iniciais de suporte clínico, visto a urgência do quadro e risco de perfuração iminente.
Encaminhar para colonoscopia hospitalar antes de qualquer medida terapêutica ou decisão compartilhada, visto o elevado risco de perfuração.
Solicitar exames laboratoriais adicionais e aguardar novos sintomas para definir a conduta posterior, considerando o tratamento ambulatorial.
A abordagem sindrômica de queixas gastrointestinais e sistêmicas requer o reconhecimento de sinais de alarme. Sobre estas condições, assinale a alternativa correta.
O tratamento da dispepsia funcional em pacientes jovens sem sinais de alarme deve iniciar obrigatoriamente com a realização de colonoscopia diagnóstica sob sedação.
O refluxo gastroesofágico fisiológico no lactente é comum e não exige tratamento farmacológico ou exames se houver bom ganho ponderal e ausência de sinais respiratórios.
A diarreia crônica, definida por duração superior a sete dias, tem como causa principal a ingestão acidental de toxinas produzidas por fungos anemófilos domésticos.
A perda de peso involuntária é considerada clinicamente significativa quando o paciente perde mais de vinte por cento do seu peso corporal em um período de duas semanas.
A fadiga crônica é um sintoma específico de insuficiência renal estágio cinco, sendo rara em quadros de anemia ferropriva ou hipotireoidismo subclínico no adulto.
Paciente de 42 anos com doença de Crohn apresenta fístula perianal complexa com múltiplos trajetos (fístula transesfincteriana com ramificações). Após 8 semanas de tratamento clínico com antibióticos e imunossupressores (infliximabe), a fístula persiste drenando. Qual é a estratégia cirúrgica mais apropriada, considerando o risco de incontinência fecal?
Fistulotomia convencional com divisão extensa do esfíncter externo como forma de abordagem direta do trajeto fistuloso.
Posicionamento de Seton de drenagem para controle inicial, planejando abordagem definitiva com fistulotomia em etapas subsequentes.
Ressecção segmentar do intestino acometido, seguida de anastomose primária como estratégia para controle da doença fistulizante.
Fechamento do orifício interno por meio de retalho de avanço anorretal associado à manutenção de Seton para drenagem adequada da fístula.
Desvio fecal temporário com colostomia, visando reduzir inflamação local e programar reparo definitivo após evolução clínica favorável.
A Escala de Forrest é obtida através da endoscopia digestiva alta para auxiliar na prevenção do risco de sangramento e orientar a conduta terapêutica. Após a realização do exame, a classificação IA indica em relação ao risco de ressangramento alto risco pela presença de:
babação
jato arterial
vaso visível
coágulo aderido
Um estudo clínico é realizado para determinar a evolução temporal da secreção de ácido e do pH gástrico em voluntários saudáveis após uma refeição composta por 10% de gordura, 30% de proteína e 60% de carboidratos. Os resultados mostram um aumento imediato no pH do suco gástrico após a refeição, seguido, alguns minutos depois, por um aumento secundário na taxa de secreção de ácido.
A diminuição de qual substância é mais provável de facilitar o aumento secundário na taxa de secreção ácida nesses voluntários?
Colecistocinina.
Gastrina.
Somatostatina.
Peptídeo intestinal vasoativo.
Peptídeo semelhante ao glucagon-1.
Homem de 47 anos com pancreatite aguda biliar apresenta febre, icterícia, dor em hipocôndrio direito, bilirrubina total de 7,2 mg/dL e dilatação de colédoco com cálculo impactado. Evolui com hipotensão e alteração do nível de consciência apesar de medidas iniciais.
A conduta mais apropriada é
realizar CPRE, associada a antimicrobianos e suporte.
iniciar corticoterapia por provável pancreatite autoimune.
iniciar nutrição parenteral total e observar queda espontânea da bilirrubina.
aguardar resolução da pancreatite para realizar colecistectomia em três meses.
realizar apenas colangiorressonância, pois CPRE é contraindicada na pancreatite.
Homem de 59 anos com cirrose alcoólica chega com hematêmese volumosa. Pressão arterial 92 por 58 mmHg, frequência cardíaca 112 bpm, hemoglobina 7,4 g/dL, INR 1,8 e plaquetas 68.000/mm3. Após acesso venoso e reposição inicial, permanece consciente e sem nova hematêmese ativa.
O conjunto de medidas mais adequado antes da endoscopia é
passar balão de tamponamento antes da endoscopia.
administrar ácido tranexâmico e não utilizar antibiótico profilático.
iniciar transfusão até hemoglobina atingir níveis superiores a 11 g/dL e aguardar correção do INR.
iniciar inibidor de bomba de prótons como única terapia e programar endoscopia em 72 horas.
iniciar fármaco vasoativo, ceftriaxona, estratégia transfusional restritiva e realizar endoscopia precoce após estabilização hemodinâmica.
Na gastrite atrófica autoimune, a destruição das células parietais leva à hipergastrinemia e à deficiência de fator intrínseco. O marcador sorológico que confirma o diagnóstico diferencial com a gastrite atrófica ambiental (associada ao H. pylori), sendo altamente específico para a forma autoimune, é:
Pepsinogênio I sérico < 30 ng/mL.
Gastrina-17 sérica < 1 pmol/L.
Anticorpo anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA).
Anticorpo anti-transglutaminase tecidual (tTg-IgA).
Anticorpo anticélula parietal e antifator intrínseco.
Sobre a Pancreatite Aguda, marque a alternativa CORRETA.
Análogos de morfina devem ser evitados no tratamento da dor secundária a Pancreatite Aguda, pois causam aumento na pressão do esfíncter de Oddi e piora do quadro.
Pacientes com pancreatite aguda leve, de causa biliar presumida, não devem ser submetidos a colecistectomia na mesma internação hospitalar, por aumentar a morbimortalidade.
A chamada hiper-hidratação (volumes 12 a 15 mL/kg/hora) nas primeiras 24 horas mostrou-se prejudicial em alguns estudos, com aumento da morbidade (especialmente complicações respiratórias) e mortalidade.
Pacientes que evoluem com necrose pancreática extensa devem receber antibioticoterapia profilática, reduzindo as chances de complicações infecciosas e possibilidade de sepse.
Sobre a Hemorragia Digestiva Alta, marque a alternativa CORRETA.
A terapia com inibidor de bomba de prótons pré-endoscópica reduz a taxa de mortalidade dos pacientes com Hemorragia Digestiva Alta.
A causa mais comum de Hemorragia Digestiva Alta é a úlcera péptica e lesões classificadas como Forrest IIC necessitam de tratamento endoscópico.
Algumas causas de Hemorragia Digestiva Alta, como erosões gástricas ou duodenais e neoplasias, geralmente não são passíveis de tratamento endoscópico e requerem tratamento clínico ou cirúrgico apropriado.
Pacientes com Hemorragia Digestiva Alta e 2 pontos na Escala de Glasgow-Blatchford podem receber alta hospitalar para realização de endoscopia digestiva alta ambulatorialmente devido à baixa probabilidade de complicações.
Um paciente de 30 anos, do sexo masculino, apresenta-se com queixa de disfagia intermitente para sólidos há 3 anos e dois episódios de impactação alimentar que necessitaram de remoção endoscópica. Ele nega sintomas de pirose ou regurgitação. Uma Endoscopia Digestiva Alta (EDA) revela anéis esofágicos concêntricos e sulcos longitudinais. As biópsias esofágicas mostram 40 eosinófilos por campo de grande aumento (eos/CGA) no esôfago médio e 50 eos/CGA no esôfago distal. O estômago e o duodeno são histologicamente normais. O paciente inicia tratamento com omeprazol 40mg duas vezes ao dia por 8 semanas. Uma EDA de controle, após o tratamento, mostra resolução completa dos sintomas e das alterações endoscópicas, e as biópsias de seguimento revelam < 5 eos/CGA em todos os fragmentos. De acordo com as diretrizes consensuais mais atuais, assinale a alternativa que apresenta corretamente o diagnóstico e a conduta apropriada.
O paciente não tem Esofagite Eosinofílica (EoE), mas sim Esofagite Eosinofílica Responsiva ao IBP (EE-RPBI), uma entidade clínica distinta que deve ser tratada como Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) atípica.
O diagnóstico de EoE é confirmado. A resposta ao IBP (Inibidor de Bomba de Prótons) deve ser considerada como a indução de remissão da doença, e o IBP deve ser mantido como terapia de manutenção a longo prazo, sendo a primeira linha de tratamento.
O diagnóstico de EoE é provisório. A resposta ao IBP mascara a inflamação alérgica subjacente. O IBP deve ser suspenso e deve-se iniciar uma dieta de eliminação empírica para tratar a causa base da doença.
A resposta ao IBP exclui o diagnóstico de EoE. A presença inicial de eosinófilos era secundária a uma DRGE não erosiva grave, e o paciente deve ser encaminhado para pHmetria esofágica de 24 horas para confirmar o refluxo ácido.
O diagnóstico de EoE é confirmado, mas a resposta ao IBP é considerada subótima, pois não trata o mecanismo Th2. O paciente deve suspender o IBP e iniciar corticoide tópico deglutido (ex: budesonida viscosa oral) para prevenir a remodelação esofágica.
Homem de 58 anos, cirrótico por doença hepática associada ao álcool, encontra-se em acompanhamento ambulatorial. Está clinicamente compensado, sem história prévia de sangramento digestivo. Endoscopia digestiva alta revela varizes esofágicas médias, sem sinais de sangramento recente. Qual é a conduta mais adequada para profilaxia primária de hemorragia digestiva alta nesse paciente?
Ligadura elástica endoscópica imediata como primeira escolha.
Carvedilol em dose titulada, visando redução da pressão portal.
Propranolol apenas se houver progressão para varizes grandes.
Observação clínica, sem intervenção farmacológica ou endoscópica.
Uso profilático de inibidor da bomba de prótons em monoterapia.
Helicobacter pylori é um patógeno gástrico comum que causa gastrite, doença ulcerosa péptica, adenocarcinoma gástrico e linfoma gástrico de baixo grau. A infecção pode ser assintomática ou provocar vários graus de dispepsia. O diagnóstico é feito por teste respiratório com ureia, teste de antígeno fecal e testes com biópsias gástricas obtidas por endoscopia. O tratamento é tipicamente com um inibidor da bomba de prótons mais 2 antibióticos e muitas vezes subsalicilato de bismuto. Sobre este assunto, assinale a alternative INCORRETA.
H. pylori é um microrganismo Gram-positivo, espiralado, que se adaptou à vida em ambiente básico. Em países de baixa e média renda, comumente causa infecções crônicas e, geralmente, é adquirido durante a infância. Na América do Norte, as estimativas da prevalência de infecção por H. pylori variam entre 30 e 40%.
O microrganismo tem sido cultivado em fezes, saliva e placa dentária, sugerindo transmissão oral-oral ou feca-loral. As infecções tendem a ser mais frequentes em famílias e em residentes de instituições de abrigo. Enfermeiras e gastroenterologistas parecem estar em risco maior: as bactérias podem ser transmitidas por endoscópios impropriamente desinfetados.
A infecção predominantemente antral causa aumento da produção de gastrina, provavelmente por inibição local da produção de somatostatina. A resultante hipersecreção de ácido predispõe a úlceras pré-pilóricas e duodenais.
A amônia produzida por H. pylori permite que o microrganismo sobreviva no ambiente ácido do estômago e pode danificar a barreira de muco. Cerca de 10% das pessoas infectadas com H. pylori desenvolvem uma úlcera péptica, em comparação com 1% das pessoas não infectadas com H. pylori.
A gastroscopia é utilizada para se obter amostras por biópsias da mucosa, para teste rápido de urease (TRU) ou análise histológica. Culturas da bactéria são de uso limitado pela natureza fastidiosa do microrganismo. A endoscopia não é recomendada exclusivamente para o diagnóstico de H. pylori; preferem-se testes não invasivos, a menos que a endoscopia seja indicada por outros motivos.
Jovem de 25 anos apresenta diarreia crônica com sangue vivo, associada a dor abdominal em cólica e urgência evacuatória. A colonoscopia evidencia mucosa friável e ulcerada de modo contínuo a partir do reto.
Doença de Crohn.
Colite infecciosa por Salmonella.
Síndrome do intestino irritável.
Retocolite ulcerativa.
Diverticulite aguda.