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A respeito dos regimes de preparo intestinal antes da colonoscopia, é correto afirmar:
a administração da dose total do preparo intestinal na noite anterior à colonoscopia oferece maior qualidade de limpeza cólica em comparação com o regime de dose dividida.
a segunda dose do preparo intestinal deve ser administrada pelo menos 6 horas antes da colonoscopia, para evitar risco de aspiração durante a sedação.
o preparo dividido (split-dose) aumenta a taxa de detecção de adenomas, melhora a tolerância do paciente e é recomendado tanto para colonoscopias matinais quanto vespertinas.
em pacientes hospitalizados, o preparo dividido é contraindicado, pois resulta em qualidade inferior em comparação com o preparo administrado apenas pela manhã.
para colonoscopias realizadas à tarde, o preparo intestinal deve sempre ser dividido entre o dia anterior e a manhã do procedimento.
Identifique o principal mecanismo pelo qual a bactéria Shigella invade e causa danos às células epiteliais intestinais:
Produção de toxina de Shiga, que causa diarreia aquosa e síndrome hemolítico-urêmica.
Invasão das células epiteliais intestinais através de adesinas específicas e formação de vacúolos intracelulares espaçosos.
Produção de endotoxinas que levam à destruição direta das células epiteliais intestinais.
Indução de resposta imunológica desregulada, resultando em inflamação e danos nos tecidos.
Produção de enzimas proteolíticas que degradam a mucosa intestinal.
Sobre o esôfago de Barrett é correto afirmar:
a obesidade não é um fator de risco relevante ao esôfago de Barrett ou ao adenocarcinoma de esôfago.
o tratamento antissecretor para pacientes com esôfago de Barrett deve ser realizado a despeito de sintomas ou da presença de sinais endoscópicos de doença do refluxo gastresofágico.
diferentemente do que ocorre em outras neoplasias do tubo digestório, a transformação maligna do esôfago de Barrett não passa pelo estágio de displasia antes do desenvolvimento de neoplasia.
a maioria dos pacientes que apresenta esôfago de Barrett irá desenvolver adenocarcinoma de esôfago ao longo do tempo.
a realização de métodos de endoscopia avançada, como cromoendoscopia e magnificação, é essencial para a identificação do esôfago de Barrett.
Em relação às doenças inflamatórias intestinais, assinale a afirmativa correta.
Um diagnóstico diferencial dessas doenças é a infecção por micobactéria, predominante em pacientes com imunidade normal, ou por citomegalovírus, nos imunossuprimidos.
São doenças genéticas com contribuição modesta da microbiota intestinal na sua patogenia.
A colite ulcerativa causa dores no quadrante inferior direito do abdômen e diarreia, por vezes sendo confundido com apendicite.
As complicações mais prevalentes na Doença de Crohn são a diarreia disabsortiva e a formação de fístulas.
A colangite esclerosante primária que evolui para cirrose hepática é documentada na maioria dos pacientes com doença intestinal inflamatória.
As doenças gastroenterológicas, anteriormente também conhecidas como doenças gastrointestinais funcionais, atualmente são denominadas
distúrbio da interação eixo cérebro-intestino.
síndrome do intestino irritável.
dispepsia.
disquesia.
síndrome de má absorção.
A identificação do Helicobacter pylori rendeu um Prêmio Nobel a Marshall e Warren, mudando por completo a história das doenças pépticas. A respeito deste importante agente, assinale a alternativa correta.
O tratamento pode ser indicado em doenças não gastrointestinais como púrpura trombocitopênica imune e anemia ferropriva.
O H. pylori é um Gram positive que causa uma gastrite antral difusa.
A gastrite nodular, ocasionalmente visualizada na endoscopia digestiva alta, é patognomônica da infecção pelo H. pylori.
O uso de inibidores de bomba protônica é opcional no tratamento.
Tratamentos realizados por 7 dias têm o mesmo potencial de erradicação de tratamentos realizados por 14 dias.
Um paciente de 32 anos, previamente hígido, apresenta há 6 meses diarreia crônica intermitente e dor abdominal em cólica. Além disso, houve perda de peso não intencional de 8 kg. Ele também relata episódios de aftas orais recorrentes. Ao exame físico, há dor à palpação no quadrante inferior direito do abdome, sem sinais de irritação peritoneal. O exame proctológico revela uma fissura anal e uma úlcera aftoide no canal anal. A colonoscopia demonstra ulcerações profundas, descontínuas e em “corte de picareta” no íleo terminal e cólon ascendente, com áreas de mucosa normal entre as lesões. Qual é o diagnóstico mais provável?
Colite ulcerativa.
Doença de Crohn.
Tuberculose intestinal.
Síndrome do intestino irritável (SII).
Linfoma intestinal.
Homem de 50 anos, ex-tabagista, sem comorbidades, foi submetido à EDA por síndrome dispéptica. O procedimento revelou lesão plana de esôfago médio, bem delimitada, medindo 20mm. A cromoscopia digital com magnificação demonstrou padrão ipclB3, e a histologia evidenciou carcinoma escamoso de esôfago médio. A melhor conduta terapêutica para o paciente é:
dissecção endoscópica submucosa (ESD)
radioablação da área acometida
cirurgia após estadiamento
mucosectomia
Considerando o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) no caso clínico, qual é o principal mecanismo fisiopatológico envolvido no desenvolvimento da doença?
Aumento da produção de ácido gástrico devido à hiperatividade das células parietais.
Produção excessiva de muco gástrico que favorece o refluxo ácido para o esôfago.
Deficiência no esvaziamento gástrico, resultando em refluxo de alimentos e ácido para o esôfago.
Relaxamento inadequado do esfíncter esofágico inferior (EEI), permitindo o refluxo de conteúdo gástrico.
Aumento na pressão intra-abdominal, forçando o conteúdo gástrico para o esôfago.
Sobre as esofagites de causa infecciosa e não infecciosa é correto afirmar:
tetraciclina, doxicilina e seus derivados são causas muito comuns de esofagite induzida por comprimidos.
o risedronato induz úlceras esofágicas com frequência muito superior aos demais bifosfonatos, em particular o alendronato.
quimioterápicos como a vincristina podem provocar mucosite com intensos sintomas gastrointestinais, porém isso não afeta o esôfago.
as esofagites por Candida albicans ocorrem exclusivamente em pacientes imunossuprimidos, como transplantados e portadores de síndrome de imunodeficiência.
as infecções pelo papillomavirus humano (HPV) se caracterizam por coilocitose, células gigantes ou pela positividade da imuno-histoquímica.
– Paciente de 11 anos, com diagnóstico confirmado de retocolite ulcerativa, apresenta piora dos sintomas há 5 dias: 7 evacuações com sangue por dia, dor abdominal moderada, sem febre, frequência cardíaca de 95 bpm, limitação de atividade e tenesmo moderado. O PUCAI calculado na admissão foi de 60 pontos. Com base nesse escore, iniciou-se corticoterapia endovenosa. Após 5 dias de tratamento, o PUCAI foi reavaliado e permaneceu em 60. Qual é a conduta mais adequada nesse cenário?
Manter corticoide endovenoso por mais 7 dias e reavaliar, pois, ainda não houve tempo de resposta.
Iniciar terapia tópica com supositório de mesalazina como intensificação.
Iniciar infliximabe por provável colite refratária à corticoterapia.
Encaminhar para colectomia de urgência por falência terapêutica.
Trocar para azatioprina por falha de resposta aos corticoides.
Mulher, 50 anos, com histórico de osteoartrite, usa AINEs regularmente para controle da dor. Apresenta quadro de dor abdominal em cólica, sem peritonismo, associada a náuseas e hematêmese. A paciente está estável, sem sinais de choque hipovolêmico. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta medicamentosa?
Sangramento decorrente de úlcera gástrica – uso de inibidores de bomba de prótons.
Sangramento varicoso esofágico – indicação de vasoconstritores.
Crise ansiosa – ansiolítico.
Sangramento decorrente de lesão hepática cirrótica – necessidade de reposição volêmica.
Hemorragia intestinal baixa – necessidade de inibidores de bomba de prótons.
Homem de 48 anos com obesidade grau II (IMC 36 kg/m²) relata dor abdominal difusa e episódios recorrentes de náuseas há 2 semanas, sem febre ou diarreia. Refere emagrecimento recente de 8 kg em 6 semanas por dieta hipocalórica rigorosa. Ultrassonografia de abdome mostra múltiplos cálculos em vesícula biliar, sem sinais de colecistite. Qual dos fatores abaixo mais contribuiu para a formação de cálculos biliares nesse paciente?
Aumento da motilidade intestinal.
Diminuição da secreção pancreática.
Redução da síntese hepática de colesterol.
Aumento do colesterol biliar em relação aos sais biliares e fosfolipídios.
Hipocontratilidade da vesícula por dieta rica em gordura.
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, informação a partir da qual é possível estabelecer o diagnóstico de pancreatite aguda?
Dados: Considerando limite superior da normalidade de amilase 125 U/L e lipase 60 U/L
Amilase 1.240 U/L.
Lipase 150 U/L, amilase 250 U/L e dor abdominal sugestiva.
Lipase 500 U/L e amilase 250 U/L.
Lipase 190 U/L, amilase 200 U/L, edema pancreático e borramento da gordura peripancreática no ultrassom.
Lipase 120 U/L, amilase 230 U/L, dor abdominal sugestiva e ultrassonografia de abdome normal.
Mulher de 42 anos com doença de Crohn ileocolônica há 14 anos atualmente em uso de infliximabe, sem sinais de atividade, nunca apresentou estenoses ou fístulas. Em consulta para revisão de exames, ela pergunta se existe risco aumentado de câncer e como deve ser monitorada. Qual orientação está de acordo com a diretriz da ECCO e é aplicável ao cenário brasileiro?
Não há necessidade de rastreio se a doença estiver em remissão clínica.
Apenas pacientes com Colangite Esclerosante Primária (CEP) devem fazer rastreio de câncer colorretal.
A colonoscopia de vigilância deve ser realizada com cromoscopia sempre que disponível.
A tomografia com contraste oral deve ser repetida anualmente como vigilância oncológica.
A vacinação contra HPV elimina o risco de câncer anal nesse grupo.
Mulher de 24 anos é encaminhada ao gastroenterologista com queixas de distensão abdominal, constipação e perda de peso não esclarecida nos últimos 6 meses. Relata ter “intolerância” a diversos alimentos e seguir uma dieta bastante restrita, com consumo reduzido de carboidratos e gorduras. Nega intenção de emagrecer, mas refere pesar-se diariamente e preocupar-se com o aumento dos gramas na balança. Pratica exercícios físicos extenuantes, mesmo quando está cansada. Ao exame físico, apresenta IMC de 15,8 kg/m². Nos exames laboratoriais, observa-se hipofosfatemia leve. Qual é o diagnóstico mais provável e qual critério é essencial para estabelecê-lo?
Síndrome do intestino irritável – sintomas associados a distúrbios do eixo cérebro-intestino.
Anorexia nervosa – baixo peso corporal com comportamentos persistentes para evitar ganho de peso, mesmo sem relato direto de medo.
Bulimia nervosa – episódios de purga associados à imagem corporal distorcida.
Transtorno de ruminação – regurgitação voluntária de alimentos após as refeições.
Transtorno alimentar restritivo/evitativo – seletividade alimentar sem distorção da imagem corporal.
Mulher de 30 anos relata queixa de dispepsia recorrente. Realizou endoscopia digestiva alta que evidenciou corpo gástrico edemaciado, com pregas espessadas e hipertróficas, de forma difusa, com várias áreas de depressão superficiais. As biópsias do corpo gástrico evidenciaram pequenas células B heterogêneas, incluindo células da zona marginal (centrócitos-like), e as biópsias de antro revelaram H. pylori. Nesse caso, a principal hipótese diagnóstica é:
doença de Hodgkin primária
adenocarcinoma
gastrite sifilítica
linfoma MALT
Assinale a alternativa correta sobre a esofagite eosinofílica.
Uma característica é a exacerbação da inflamação Th1.
O bloqueio da IgE com imunobiológico Anti-IgE é uma opção terapêutica comprovada.
Há três fenótipos possíveis: inflamatório, necroinflamatório e fibrótico.
As interleucinas 4 e 13 são cruciais para esse tipo de inflamação.
Em menores de 2 anos, a disfagia esofágica é o sintoma mais comum.
São critérios para avaliação de gravidade e mortalidade dos pacientes com pancreatite aguda os citados abaixo, EXCETO:
Bisap (Bedside Index of Severity in acute pancreatitis).
Critérios de Ranson.
Pontuação de Fisiologia Aguda Simplificada (SAPS III).
Avaliação de Fisiologia Aguda e Saúde Crônica (Apache II).
SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) Score.
Mulher de 52 anos com IMC de 33 kg/m² procura avaliação ambulatorial por apresentar pirose e regurgitação ácida há 6 meses, piorando após refeições e ao deitar. Nega emagrecimento, disfagia ou vômitos. Utiliza IBP com alívio parcial. Endoscopia mostra esofagite erosiva grau B de Los Angeles. Com base nos dados da paciente e na literatura atual, qual das condições abaixo está mais associada à sua doença?
Maior risco de adenocarcinoma esofágico.
Redução da pressão intra-abdominal.
Redução da secreção ácida gástrica.
Menor risco de esôfago de Barrett.
Redução da exposição esofágica ao ácido.