Questões de Concurso sobre Gastroenterologia

 
 
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A pancreatite aguda é definida pela inflamação aguda do pâncreas, que pode envolver tecidos peripancreáticos e/ou órgãos a distância. Sobre a pancreatite aguda é correto afirmar que:


A

apesar de a litíase biliar ser a principal causa de pancreatite aguda, apenas 3 a 7% dos pacientes portadores de cálculos desenvolvem pancreatite aguda.


B

o álcool é responsável por 30% das pancreatites agudas, afetando predominantemente mulheres jovens com história de consumo alcoólico abusivo.


C

a hipertrigliceridemia é uma importante causa de pancreatite aguda não traumática em pacientes sem litíase biliar ou antecedente de consumo de álcool. Os pacientes geralmente apresentam soro lipêmico em virtude de níveis de triglicerídes plasmáticos maiores que 500 mg/dL, havendo claro predomínio de LDL (low density lipoprotein) e quilomícrons.


D

medicamentos são causa comum hoje em dia de pancreatite aguda devido a grande quantidade de automedicação, respondendo por aproximadamente 5% dos casos.


E

pancreatite aguda é observada após 20% das CPRE diagnósticas e 30% das CPRE terapêuticas.

Mulher de 33 anos é avaliada em consulta de retorno por quadro de dor epigástrica. Relata que está usando omeprazol (20 mg ao dia) e metoclopramida (10 mg, três vezes ao dia) há 4 semanas. Exames atuais: hemoglobina: 13,8 g/dL; viscosidade plasmática: 1,70 mPa/s (normal: 1,5 a 1,72); proteína C reativa sérica: 8 mg/L (normal: < 5); gastrina plasmática 130 pg/mL (normal: < 100). A endoscopia da semana anterior mostra: erosões antrais e 1 úlcera duodenal proximal em D1 (classe III de Forrest); o teste rápido da urease antral é negativo.

Com os dados descritos, nessa paciente, a hipótese de maior probabilidade é


A

neoplasia maligna de duodeno.


B

infecção por citomegalovírus.


C

síndrome de Zollinger-Ellison.


D

infecção por H. pylori.


E

uso de anti-inflamatório não hormonal.

Macroscopicamente, a classificação morfológica de Borrmann, divide os adenocarcinomas gástricos. Assinale a alternativa correta em relação à classificação de Borrmann.


A

Tipo I: polipoide, exofítico, papilar ou vegetante, correspondente às lesões que se projetam para a luz gástrica e que, variando de tamanho, podem atingir grandes proporções.


B

Tipo II: câncer ulcerado e infltrante, com bordas menos salientes que no tipo II e com disseminação parcialmente difusa.


C

Tipo III: é a infltração neoplásica difusa de um segmento da parede gástrica ou de toda essa parede, podendo ocorrer ulcerações de profundidade variável.


D

Tipo IV: são os cânceres ulcerados medindo mais de 3 cm de diâmetro, bem delimitados, sem infiltração do tecido vizinho. Suas bordas são caracteristicamente elevadas, irregulares e mamelonadas. Apresentam fundo de cor acinzentada, com tecido necrótico mesclado com coágulos de sangue, podendo apresentar ilhas de mucosa normal.


E

Tipo V: é a chamada linitis plástica, na qual as paredes do estômago tornam-se rígidas e o órgão toma forma tubular sugestiva de uma bota de couro para vinho.

Uma gestante de 32 semanas procura o pronto-socorro com queixa de dor epigástrica intensa associada a náuseas, vômitos e cefaleia. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 160/100 mmHg e edema em membros inferiores. Os exames laboratoriais mostram: AST 480 U/L, ALT 410 U/L, DHL 950 U/L, plaquetas 85.000/mm³, esquizócitos em esfregaço de sangue periférico e bilirrubina total discretamente elevada. A paciente é internada em UTI obstétrica. Com base nesse quadro, qual é o diagnóstico mais provável?


A

Hepatite viral aguda.


B

Esteatose hepática aguda da gravidez (AFLP).


C

Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade.


D

Síndrome HELLP.


E

Trombocitopenia imune gestacional.

Os sintomas referidos por pacientes com úlcera péptica não permitem diferenciar a forma duodenal da gástrica. Contudo, caso se suspeite de úlcera gástrica, uma das informações que pode ajudar é o relato de:


A

dor abdominal pouco intensa


B

manutenção da dor de forma rítmica


C

piora da dor com ingestão de alimentos


D

despertar noturno em função da dor abdominal

A avaliação da atividade inflamatória na retocolite ulcerativa é importante para definição adequada do tratamento. O escore de gravidade de Mayo inclui em seus critérios a presença de:


A

doença orificial


B

sangramento retal


C

esforço evacuatório


D

urgência evacuatória

A diarreia crônica é um sintoma variável, muito frequente na prática clínica e que apresenta diversas etiologias associadas. A partir de um relato com características de diarreia crônica secretora, uma possível causa seria por:


A

diverticulite


B

tuberculose


C

tumor de cólon


D

colite isquêmica

Paciente obeso em uso de Xenical® (ORLISTATE) inicia com diarreia crônica. Assinale a alternativa que indica corretamente o diagnóstico mais provável:


A

Inibição das encefalinases.


B

Inibição da amilase.


C

Bloqueio da lipase.


D

Ativação motora no intestino delgado.


E

Mecanismo secretor.

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) apresenta manifestações típicas (pirose e ou regurgitação) e atípicas (pigarro, rouquidão, tosse crônica, asma ou alterações do sono).


É correto afirmar, exceto:


A

Pelo Consenso de Lyon, em relação à DRGE, consideram-se os critérios endoscópicos: quaisquer tipos de esofagite erosiva (Grau A, B, C e D de Los Angeles) e biópsias comprovando a presença de epitélio de Barrett ou estenose péptica.


B

O esofagograma (videodeglutograma) não está indicado para estabelecimento diagnóstico da DRGE, mas tem indicação na investigação de pacientes com disfagia e odinofagia, sendo nesses casos, particularmente sensível.


C

A manometria não tem indicação na investigação da DRGE, estando indicada para a localização do Esfíncter Esofágico Inferior antes da realização de pHmetria ou impedâncio-pHmetria, para afastar distúrbios da motilidade do corpo esofágico.


D

A impedâncio-pHmetria esofágica é considerada atualmente como padrão ouro no diagnóstico de DRGE, pois permite identificar a direção do bolo alimentar (deglutição ou refluxo), além de caracterizar os episódios de refluxo ácido e não ácido.

As lesões císticas pancreáticas são divididas conforme os critérios citopatológicos, em: Cistos pancreáticos não neoplásicos (Non-neoplaysts - NNPCs), Coleções pancreáticas fluidas (Pancreatic Fluid Collection - PFCs) e Neoplasias císticas do pâncreas (Pancretic Cystic Neoplasms - PCNs).


Considerando o exposto, informe verdadeiro (V) ou falso (F) para as assertivas abaixo e, em seguida, marque a opção que apresenta a sequência correta.


( ) Os cistos pancreáticos não neoplásicos são raros, assintomáticos e não requerem tratamento cirúrgico, sendo geralmente diagnosticados após ressecção cirúrgica, imaginando se tratar de uma neoplasia cística pancreática (PCNs).

( ) O pseudocisto pancreático é uma coleção de fluido peripancreático, com uma parede inflamatória bem definida, apresentando pouca ou nenhuma necrose em seu interior, que normalmente aparece quatro semanas após a ocorrência da pancreatite aguda.

( ) As coleções peripancreáticas fluidas agudas estão associadas à pancreatite aguda necro-hemorrágica, na presença de necrose pancreática, que aparecem nas primeiras quatro semanas após episódio de pancreatite aguda com formação de pseudocisto.

( ) Entre as neoplasias císticas do pâncreas, está o Cistoadenoma Seroso (Serous Systic Tumors - SCTs), sendo comum a degeneração maligna e o tratamento é sempre necessário quando o paciente se encontra sintomático ou quando há crescimento rápido da lesão.


A

(F); (V); (F); (V).


B

(V); (F); (V); (F).


C

(V); (V); (F); (F).


D

(V); (F); (F); (V).

A terapia de nutrição enteral (TNE) é um conjunto de procedimentos terapêuticos empregados para a manutenção ou recuperação do estado nutricional por meio da nutrição enteral, tanto em pacientes clínicos como em cirúrgicos. Sobre o assunto, analise as afirmativas abaixo.


I. São exemplos de indicações para a TNE: acidentes cerebrovasculares, pancreatite aguda, fístulas digestivas, grandes queimados.

II. A sonda nasoentérica (SNE) está indicada quando o seu uso for menor que 6 semanas e quando houver risco de aspiração pulmonar.

III. A gastrostomia endoscópica é um procedimento seguro, embora complicações infecciosas sejam incomuns, geralmente localizadas, não havendo necessidade de profilaxia antimicrobiana.

IV. São complicações da sondagem nasoentérica prolongada: migração da sonda para o esôfago, lesão da mucosa gástrica, infecção das vias aéreas e trato respiratório superior, estenose esofágica.


Estão corretas apenas as afirmativas


A

I e II.


B

II e III.


C

I e IV.


D

II e IV.

Paciente do sexo masculino, 65 anos, procura o pronto atendimento com quadro de hematêmese volumosa com início há cerca de 3 horas. Ao exame físico: regular estado geral; hipocorado (2+/4); ictérico (2+/4); acianótico; e afebril. Aparelho cardiovascular: bulhas normofonéticas em 2 tempos; FC 115 bpm; pressão arterial 87x48 mmHg. Aparelho respiratório: murmúrio vesicular presente, sem ruídos adventícios. Abdome: globoso, semicírculo de Skoda positivo, presença de teleangiectasias em parede abdominal. Extremidades: sem edemas. Qual é a conduta inicial mais adequada?


A

Solicitar endoscopia digestiva alta.


B

Estabilização hemodinâmica e proteção de vias aéreas.


C

Iniciar terlipressina.


D

Iniciar inibidor da bomba de prótons.


E

Iniciar ácido tranexâmico.

Com relação às doenças da vesícula biliar, assinale a opção incorreta.


A

Quando os cálculos estão confinados à vesícula são chamados de colecistolitíase ou colelitíase e quando encontrados nos ductos biliares são classificados como extra-hepáticos (coledocolitíase) ou intra-hepático (hepatolitíase).


B

São considerados preditores fortes de coledocolitíase, quando à ultrassonografia, o colédoco estiver dilatado (maior que 6 mm), com a vesícula in situ e com bilirrubina maior que 4 mg/dL.


C

Paciente com alto risco de coledocolitíase, com cálculo no ducto biliar comum e com a vesícula intacta devem ser encaminhados à Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE), para remoção do cálculo, seguida de colecistectomia eletiva.


D

Pacientes com suspeita de coledocolitíase após colecistectomia, sem confirmação diagnóstica por exames laboratoriais ou ultrassonografia, deverão realizar ecoendoscopia endoscópica, ultrassonografia endoscópica ou colangiopancreatografia por ressonância magnética.

O diagnóstico e manejo da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) têm ganhado destaque na prática clínica devido à sua crescente prevalência e impacto na saúde pública. Sobre a DHGNA, é correto afirmar:


A

A DHGNA está associada exclusivamente à obesidade e diabetes mellitus.


B

O tratamento envolve intervenções no estilo de vida e, em alguns casos, medicamentos como pioglitazona.


C

A biópsia hepática é o único método diagnóstico para confirmar a presença de esteato-hepatite.


D

A esteato-hepatite não alcoólica é a forma mais benigna da DHGNA, sem risco de progressão para cirrose.

Algumas apresentações da doença ulcerosa péptica devem nos alertar para a possibilidade de diagnósticos etiológicos alternativos além da infecção pelo H. pylori e o uso de anti-inflamatórios não hormonais. Um exemplo disso é:


A

úlceras pré-pilóricas.


B

úlceras profundas.


C

úlceras pépticas associadas a sintomas de alarme, como dor abdominal recorrente e sangramento.


D

úlceras na grande curvatura do estômago.


E

úlceras além da segunda porção duodenal, especialmente se múltiplas.

A doença celíaca é autoimune, permanente, desencadeada pelo glúten (componente do trigo, do centeio e da cevada da dieta). É CORRETO afirmar, quanto ao que é considerado a forma clássica da doença celíaca e o teste de triagem indicado para seu diagnóstico:


A

hipotrofia da musculadura glútea e anti-saccharomyces (Asca).


B

dermatite hepertiforme e anticorpo anti-músculo liso.


C

dor abdominal e anticorpo antigliadina IgA.


D

baixa estatura e anticorpo anti-mitocôndria.


E

diarreia crônica e anticorpo antitransglutaminase do tipo IgA.

– Paciente de 11 anos, com diagnóstico confirmado de retocolite ulcerativa, apresenta piora dos sintomas há 5 dias: 7 evacuações com sangue por dia, dor abdominal moderada, sem febre, frequência cardíaca de 95 bpm, limitação de atividade e tenesmo moderado. O PUCAI calculado na admissão foi de 60 pontos. Com base nesse escore, iniciou-se corticoterapia endovenosa. Após 5 dias de tratamento, o PUCAI foi reavaliado e permaneceu em 60. Qual é a conduta mais adequada nesse cenário?


A

Manter corticoide endovenoso por mais 7 dias e reavaliar, pois, ainda não houve tempo de resposta.


B

Iniciar terapia tópica com supositório de mesalazina como intensificação.


C

Iniciar infliximabe por provável colite refratária à corticoterapia.


D

Encaminhar para colectomia de urgência por falência terapêutica.


E

Trocar para azatioprina por falha de resposta aos corticoides.

Mulher, 50 anos, com histórico de osteoartrite, usa AINEs regularmente para controle da dor. Apresenta quadro de dor abdominal em cólica, sem peritonismo, associada a náuseas e hematêmese. A paciente está estável, sem sinais de choque hipovolêmico. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta medicamentosa?


A

Sangramento decorrente de úlcera gástrica – uso de inibidores de bomba de prótons.


B

Sangramento varicoso esofágico – indicação de vasoconstritores.


C

Crise ansiosa – ansiolítico.


D

Sangramento decorrente de lesão hepática cirrótica – necessidade de reposição volêmica.


E

Hemorragia intestinal baixa – necessidade de inibidores de bomba de prótons.

Homem de 48 anos com obesidade grau II (IMC 36 kg/m²) relata dor abdominal difusa e episódios recorrentes de náuseas há 2 semanas, sem febre ou diarreia. Refere emagrecimento recente de 8 kg em 6 semanas por dieta hipocalórica rigorosa. Ultrassonografia de abdome mostra múltiplos cálculos em vesícula biliar, sem sinais de colecistite. Qual dos fatores abaixo mais contribuiu para a formação de cálculos biliares nesse paciente?


A

Aumento da motilidade intestinal.


B

Diminuição da secreção pancreática.


C

Redução da síntese hepática de colesterol.


D

Aumento do colesterol biliar em relação aos sais biliares e fosfolipídios.


E

Hipocontratilidade da vesícula por dieta rica em gordura.

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, informação a partir da qual é possível estabelecer o diagnóstico de pancreatite aguda?


Dados: Considerando limite superior da normalidade de amilase 125 U/L e lipase 60 U/L


A

Amilase 1.240 U/L.


B

Lipase 150 U/L, amilase 250 U/L e dor abdominal sugestiva.


C

Lipase 500 U/L e amilase 250 U/L.


D

Lipase 190 U/L, amilase 200 U/L, edema pancreático e borramento da gordura peripancreática no ultrassom.


E

Lipase 120 U/L, amilase 230 U/L, dor abdominal sugestiva e ultrassonografia de abdome normal.

   
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