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Mulher de 45 anos, com histórico de colelitíase em ultrassonografia abdominal realizada há um ano, iniciou, há 24 horas, quadro de dor abdominal no andar superior, refratária a analgésicos comuns. Foi levada ao setor de emergência do hospital. Mantinha estabilidade hemodinâmica. Exames laboratoriais da admissão mostram leucócitos = 15.200; bilirrubina total = 1mg/dL, sendo 0,7mg/dL de bilirrubina direta; amilase = 2.500U/L e lipase = 2.000U/L. O caso clínico descrito é fortemente indicativo de pancreatite aguda de etiologia biliar com indicação de:
prognóstico ruim devido à elevação acentuada das enzimas pancreáticas
exame de ressonância magnética do abdômen para identificação de cálculo no colédoco
tomografia computadorizada de abdômen na admissão para determinar gravidade da enfermidade
realização de colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE) para retirada do cálculo, preferencialmente nas primeiras 24 horas
Sobre as pancreatites crônicas é correto afirmar:
o diagnóstico é difícil, sobretudo em fases iniciais, e deve envolver alto grau de suspeição clínica, associado a evidências de exames que permitam avaliar a função e a morfologia glandular, porém não há um único critério absoluto para esse diagnóstico.
dosagens de elastase em níveis superiores a 200 mcg/g de fezes reforçam o diagnóstico da insuficência exócrina pancreática.
uma radiografia simples de abdome normal afasta o diagnóstico da pancreatite crônica.
a ultrassonografia endoscópica é capaz de identificar estigmas ultrassonográficos de doença inicial, como dilatação ductal e cálculos.
a realização de pancreatocolangiografias, sejam elas endoscópicas ou por ressonância magnética, é imprescindível para o diagnóstico de doença inicial.
Não preenche critério de Atlanta para o diagnóstico de pancreatite aguda:
Dor abdominal compatível com pancreatite aguda (dor em abdome superior com irradiação para dorso em faixa).
Amilase > 3x o valor superior da normalidade.
Lipase > 3x o valor superior da normalidade.
Achados de pancreatite aguda em exame de ressonância nuclear magnética do abdome.
Achado de calcificação pancreática em Rx de abdome.
As alterações do hálito são manifestações frequentes, constrangedoras, que podem ser indicadoras de alguma doença ainda não diagnosticada. Em relação à halitose, eructação e soluços é correto afirmar que:
a halitose que ocorre ao despertar tem significado patológico.
a redução do fluxo salivar (xerostomia) também pode alterar o hálito e pode ocorrer pelo uso de medicamentos (anticolinérgicos, antidepressivos, betabloqueadores), em longas falas e na síndrome de Sjõgren.
o gás eliminado através da eructação contém, aproximadamente, 80% de enxofre e 20% de oxigênio.
nos casos de eructações a dimeticona, que atua no sentido de favorecer a coalescência das bolhas gasosas e facilitar a sua eliminação, tem eficácia comprovada.
as medicações que têm ação supressiva sobre o centro do soluço/arco reflexo são: amitriptilina e sertralina.
Artralgia, artrite, eritema nodoso, pioderma gangrenoso, episclerite, uveíte e colangite esclerosante primárias são manifestações extraintestinais que podem ocorrer tanto na doença de Crohn quanto na retocolite ulcerativa.
Certo
Errado
Pacientes com hemorragia digestiva alta (HDA) causada por varizes esofágicas têm pior prognóstico em comparação a pacientes com HDA de outras origens.
Certo
Errado
A doença inflamatória intestinal, mesmo que subclínica, é raramente associada a portadores de espondiloartropatias.
Certo
Errado
Homem, 60 anos, apresenta anemia microcítica hipocrômica após tratamento odontológico, quando utilizou Anti-Inflamatório Não Esteroide (AINE). Ferritina: 7 ng/mL. Colonoscopia sem alterações relevantes. Endoscopia digestiva alta mostra pangastrite leve, com Helicobacter pylori negativo. Qual deve ser o próximo passo investigativo?
Repetir a colonoscopia com preparo reforçado.
Encerrar a investigação e manter ferro oral contínuo.
Realizar pesquisa de sangue oculto em fezes seriadas.
Solicitar enteroscopia ou cápsula endoscópica para avaliação do intestino delgado.
Iniciar IBP e repetir endoscopia após 2 meses.
Um homem de 68 anos com histórico de uso crônico de AINEs e sintomas de azia crônica autolimitada passa a apresentar disfagia progressiva para sólidos há 3 meses. Nega perda de peso significativa, mantém bom apetite e adaptou a dieta para alimentos mais pastosos. Ao realizar endoscopia digestiva alta, observa-se estenose circunferencial, lisa, de aproximadamente 2 cm de extensão no terço distal do esôfago. Biópsias não evidenciam displasia ou neoplasia. Qual é o diagnóstico mais provável?
Acalásia.
Estenose neoplásica esofágica.
Estenose péptica.
Esôfago de Barrett com displasia de alto grau.
Anel de Schatzki.
Um paciente com 35 anos de idade vem à consulta com queixa de constipação de longa data. No tratamento da sua constipação funcional crônica, o aumento da ingesta de fibras é uma das principais recomendações. Nesse sentido, assinale a alternativa cujo alimento e a porção representam a maior quantidade de fibras, em gramas.
Alface crua – três folhas.
Ervilha enlatada – duas colheres de sopa.
Lentilha cozida – meia concha.
Pepino – cinco rodelas.
Pimentão cozido – meia xícara de chá.
Com relação aos quadros de doenças biliares, assinalar a alternativa INCORRETA.
A litotripsia extracorpórea por ondas de choque em pacientes com colelitíase pode ser usada em pacientes com um único cálculo de 0,5 a 2cm de tamanho.
Crises recorrentes de cólicas biliares, que apenas obstruem temporariamente o ducto cístico e não causam colecistite aguda, podem causar inflamação e estenose do colo da vesícula e do ducto cístico. Esse processo é denominado colecistite crônica.
A ausência ostensiva de cálculos à ultrassonografia em paciente sintomático, com presença de lama biliar, não é consistente com cólica biliar.
Uma colecistite, quando complicada por infecção com organismos de formação gasosa, constitui a colecistite enfisematosa aguda.
De acordo com a classifi cação endoscópica de Zargar, um paciente com lesões grau 4 tem como indicação de tratamento:
cirurgia imediata
suporte nutricional
cuidados intensivos
reavaliação após 12h
A úlcera péptica é uma lesão da porção distal do estômago ou proximal do duodeno, enquanto que a inflamação crônica da mucosa gástrica, associada a condições ambientais ou autoimunes, é conhecida como gastrite crônica. A causa mais comum que leva a essas alterações fisiológicas ocorre por infecção com
Staphylococcus aureus.
Streptococcus pneumoniae.
Salmonella.
Escherichia coli.
Helicobacter pylori.
As vias biliares podem ser classificadas como intra- ou extra-hepáticas, constituídas por canalículos ou ductos que transportam a bile produzida no fígado para o duodeno, com o objetivo de auxiliar no processo de digestão.
Assinale a alternativa que denomina o ducto que secreta esse produto diretamente no intestino delgado.
Hepático direito.
Hepático esquerdo.
Hepático comum.
Colédoco.
Cístico.
Uma paciente de 38 anos, obesa, IMC de 32, comparece à clínica com queixas típicas de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), incluindo azia e regurgitação há 6 meses. A paciente nunca realizou endoscopia e não apresenta sintomas de alarme (como disfagia, perda de peso ou sangramento gastrointestinal). A médica realiza uma avaliação inicial e conclui que os sintomas são consistentes com DRGE não complicada. Considerando as diretrizes da American Society for Gastrointestinal Endoscopy (ASGE) para o manejo e o diagnóstico inicial da DRGE, e excluindo qualquer intervenção cirúrgica ou endoscópica, qual é a melhor conduta inicial recomendada para essa paciente?
Recomenda-se realizar imediatamente a endoscopia digestiva alta (EDA) para descartar esôfago de Barrett (EB), uma vez que a paciente apresenta múltiplos fatores de risco (idade < 50 anos, sexo feminino, obesidade).
Recomenda-se iniciar um tratamento empírico com bloqueadores H2 por um período de 8 semanas, pois a EDA deve ser reservada apenas para pacientes com DRGE refratária.
Recomenda-se iniciar modificações de estilo de vida (como perda de peso e evitar refeições até 3 horas antes de dormir) e, em seguida, iniciar o tratamento médico com inibidores de bomba de prótons (IBPs) na menor dose e pelo menor tempo possível.
Sugere-se a avaliação para terapia de energia de radiofrequência (Stretta), como alternativa ao uso crônico de medicamentos, já que a paciente apresenta obesidade.
A EDA é obrigatória, pois o diagnóstico clínico de DRGE é insuficiente, sendo necessário confirmar objetivamente a esofagite erosiva pelo sistema de classificação de Los Angeles.
Uma paciente do sexo feminino, 55 anos, sem histórico conhecido de abuso de álcool, é admitida no pronto-socorro com um quadro de dor epigástrica intensa e contínua, irradiando para o dorso, iniciada há 24 horas. Ao exame físico inicial, apresenta-se normotensa (pressão arterial 120/80 mmHg), com frequência cardíaca (FC) de 85 bpm e frequência respiratória (FR) de 16 rpm. Ela não preenche critérios para síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) na admissão. Resultados laboratoriais iniciais mostram:
• Lipase sérica: 1.550 U/L (cerca de 10 vezes o limite superior da normalidade – LSN).
• Nitrogênio ureico no sangue (BUN): 18 mg/dL (normal: 8-20 mg/dL).
• Hematócrito (HCT): 42% (referência: 40-50%).
• Teste de função hepática (TGO/TGP/Bilirrubinas): dentro dos limites normais.
• Ultrassonografia abdominal: vesícula biliar e ductos biliares sem alterações, não sendo observados cálculos ou lama biliar.
Considerando que a paciente preenche os critérios para o diagnóstico de pancreatite aguda (dor compatível + lipase > 3x LSN) e que a etiologia inicial não foi estabelecida (pancreatite aguda idiopática presumida), qual é a conduta inicial combinada (investigação etiológica e ressuscitação volêmica) mais apropriada para essa paciente?
Iniciar hidratação agressiva com solução salina normal (soro fisiológico a 0,9%) a uma taxa de 3 mL/kg/h e realizar colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) imediata, pois o USG pode ter falhado em identificar coledocolitíase.
Iniciar hidratação moderada com solução de ringer lactato (SRL) a 1,5 mL/kg/h, obter dosagem de triglicerídeos (TG) em jejum e, se a etiologia permanecer incerta, programar ultrassonografia endoscópica (USE) ou ressonância magnética (RM).
Suspender hidratação venosa, iniciar dieta oral com baixo teor de gordura imediatamente, e realizar tomografia computadorizada (TC) de rotina para avaliar a gravidade nas primeiras 48 h.
Administrar antibióticos profiláticos (carbapenêmicos) imediatamente devido à idade > 40 anos e iniciar hidratação agressiva com SRL a 10 mL/kg em bolus, sem necessidade de mais investigação etiológica no momento.
Focar no alívio da dor com opioides e realizar uma nova ultrassonografia abdominal uma semana após a admissão, adiando a investigação de outras causas, como tumor.
Um paciente do sexo masculino, 50 anos, diagnosticado com colite ulcerativa há 15 anos, com envolvimento extenso (pancolite) desde o início e com histórico de inflamação moderada a grave intermitente, apesar do tratamento com mesalazina e imunossupressores, está em maior risco de câncer colorretal (CCR) em comparação à população geral, devido à longa duração da doença e ao extenso envolvimento colônico. O gastroenterologista está revisando as diretrizes atuais para estabelecer um plano de vigilância a longo prazo, que deve considerar o risco individualizado do paciente e as melhores práticas de endoscopia e histopatologia. O paciente também expressa o desejo de participar ativamente das decisões sobre o seu plano de rastreamento. Considerando que os pacientes com DII permanecem em risco aumentado para CCR e morte por CCR em comparação com a população geral, qual dos seguintes elementos, referente ao manejo da neoplasia, é abordado como uma área central e de relevância clínica prática nas diretrizes de vigilância mais recentes?
A recomendação de biópsia aleatória (randomizada) a cada 5 cm como modalidade única e suficiente de rastreio em todas as colonoscopias.
A exclusão de biomarcadores e detecção assistida por inteligência artificial (IA) como modalidades de vigilância válidas, priorizando apenas a biópsia aleatória.
A indicação de colectomia total como a única opção terapêutica para qualquer grau de displasia, independentemente de ser detectada em lesões planas ou elevadas.
O manejo da displasia exige avaliação em uma equipe multidisciplinar (MDT), sendo que a decisão de tratamento deve sopesar opções endoscópicas e cirúrgicas conforme a ressecabilidade da lesão.
A exclusão completa e automática de pacientes com menos de 10 anos de diagnóstico da colite ulcerativa da estratificação de risco para neoplasia.
Um paciente de 51 anos é admitido na sala de emergência do pronto-socorro com relato de hematêmese. Vinha sentindo sintomas dispépticos havia alguns dias. Hoje sentiu náuseas e vomitou grande quantidade de sangue em dois episódios. Ele não apresenta comorbidades. Seus sinais vitais incluem: frequência cardíaca: 106 batimentos/minuto, pressão arterial: 68/39 mmHg, frequência respiratória: 22 incursões/minuto, saturação periférica de oxigênio de 97%. Durante o atendimento de emergência, o que deve ser feito primeiro?
Encaminhá-lo imediatamente para a endoscopia para diagnóstico e tratamento.
Obter acesso venoso periférico e iniciar ressuscitação volêmica.
Iniciar terlipressina ou somatostatina, pensando-se em hemorragia digestiva alta varicosa.
Intubação orotraqueal para proteção de via aérea e prevenção de broncoaspiração.
Iniciar bloqueador de bomba protônica por via intravenosa.
Qual é uma das causas mais comuns de constipação crônica em adultos e qual a intervenção inicial mais recomendada?
Deficiência de ferro; intervenção inicial com laxantes osmóticos.
Síndrome do intestino irritável; recomendação de antibióticos de amplo espectro.
Dieta pobre em fibras e líquidos; aumento da ingestão de fibras e líquidos como intervenção inicial.
Obstrução intestinal mecânica; intervenção cirúrgica imediata.
Hipotireoidismo; uso de estimulantes intestinais como primeira linha de tratamento.
Em um paciente com suspeita de doença inflamatória intestinal (DII), qual das seguintes técnicas de imagem seria mais indicada para avaliar a extensão e a atividade da doença, incluindo a presença de complicações como estenoses, fístulas e abscessos?
Radiografia simples de abdome.
Ultrassonografia abdominal.
Tomografia computadorizada com contraste oral e venoso.
Ressonância magnética com enterografia.
Cintilografia com leucócitos marcados.