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Mulher de 40 anos é trazida pelo SAMU à sala de trauma devido a ferimento por arma de fogo na região têmporo-parietal direita durante uma tentativa de assalto. Foi encontrada caída em via pública. Deu entrada com abertura ocular ao chamado, emissão de sons incompreensíveis e movimentação com retirada a estímulos dolorosos. No exame físico inicial, apresenta orifício de entrada na região têmporo-parietal direita com orifício de saída na região parietal direita. PA 130/85 mmHg, FR 25 irpm, SpO2 95% em ar ambiente.
Qual valor da escala de coma de Glasgow nessa paciente?
11
10
9
8
7
Alguns pacientes vítimas de trauma com choque cardiogênico podem se beneficiar de transfusão maciça, que pode ser definida como mais de:
2 unidades de hemoderivados na primeira hora
8 unidades de hemoderivados nas primeiras 24 horas
4 unidades de concentrado de hemácias na primeira hora
6 unidades de concentrado de hemácias nas primeiras 24 horas
O manejo inicial do grande queimado exige avaliação precisa da extensão da lesão, reposição volêmica adequada e vigilância das vias aéreas.
Com base nas recomendações atuais para o atendimento do adulto, assinale a alternativa correta.
Coloides são primeira linha nas primeiras doze horas por melhor expansão, cálculo pela metade do peso corporal e ajuste pela pressão arterial sistólica isolada.
Fórmula de Parkland utiliza solução glicosada em grande volume, iniciada após doze horas, com meta de saturação periférica e controle eletrolítico diário.
A reposição ideal dispensa estimativa de superfície corporal queimada e recomenda solução hipotônica guiada pela sede, com liberação de via oral universal.
Intubação precoce é desaconselhada na suspeita de inalação de fumaça, priorizando nebulização fria, sem broncoscopia diagnóstica e sem vigilância de via aérea.
Reposição volêmica formal inicia-se em adultos com área queimada acima de 20%, preferindo Ringer lactato, com metade do volume nas primeiras oito horas desde a lesão.
João, 44 anos, sofreu queda de andaime no quinto andar de um prédio em construção. Foi socorrido pelo SAMU e transportado em maca rígida. Ao chegar no serviço de Pronto Socorro, apresentava-se com hipotensão e dificuldade respiratória. Perda de tônus muscular com flacidez e perda de reflexos em membros superiores e inferiores. Considerando o quadro clínico e os princípios do atendimento ao politraumatizado, assinale a alternativa correta:
A dificuldade respiratória apresentada pelo paciente decorre de broncoaspiração durante a queda, sendo prioritária a realização de broncoscopia diagnóstica.
A flacidez muscular e a arreflexia apresentadas pelo paciente são indicativas de lesão medular definitiva, com prognóstico neurológico estabelecido nas primeiras horas.
A imobilização cervical pode ser retirada após exame físico normal, dispensando avaliação por imagem em paciente consciente e orientado.
A tríade de hipotensão, bradicardia e vasodilatação periférica caracteriza o choque neurogênico, decorrente da perda do tônus simpático por lesão medular acima do nível T6.
O choque apresentado pelo paciente é de etiologia hipovolêmica, devendo-se priorizar a reposição volêmica agressiva antes da avaliação neurológica.
O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das causas mais comuns de atendimento nos serviços de emergência. Seguindo o protocolo do ABCDE para o atendimento ao paciente politraumatizado, o TCE é abordado na letra D, que corresponde à avaliação do estado neurológico. Durante a avaliação inicial, o maior objetivo do tratamento do TCE é:
Controlar apenas resposta inflamatória sistêmica por meio do uso precoce de corticosteroides, reduzindo a pressão intracraniana.
Reduzir a atividade metabólica cerebral por meio da sedação profunda, evitando qualquer estímulo sensorial.
Prevenir a lesão cerebral secundária, já que esta está associada a pior prognóstico do paciente. Portanto, deve-se estabelecer pressão arterial adequada, visando à perfusão cerebral suficiente para garantir a oxigenação cerebral.
Aumentar a pressão intracraniana intencionalmente para forçar a perfusão cerebral, utilizando agentes vasopressores.
Priorizar a ressuscitação volêmica agressiva, independentemente da pressão arterial, para evitar hipoperfusão sistêmica.
Frente a um paciente em choque, sem causas externas óbvias como lesões arteriais com sangramento ativo, a conduta inicial deve considerar possibilidades a fim de nortear o raciocínio clínico. É fundamental avaliar o contexto da cena e investigar potenciais fontes ocultas de perda sanguínea para orientar a conduta inicial. Assinale a alternativa correta:
Em casos de choque sem sangramento visível, deve-se considerar causas emocionais como principal hipótese diagnóstica.
Devem-se considerar possibilidades como quantidade de sangue perdida na cena, trauma torácico, abdominal, trauma pélvico ou de ossos longos.
Quando não há sangramento externo aparente, é possível descartar completamente hipóteses de hemorragia interna.
O primeiro passo é observar se o paciente responde a estímulos verbais, desconsiderando qualquer avaliação da cena.
O choque sem lesão arterial externa evidente é geralmente autolimitado e não requer investigação adicional.
Paciente do sexo masculino, 32 anos, é vítima de acidente motociclístico com colisão frontal. É levado à emergência com queixa de dor intensa na coxa esquerda, deformidade e incapacidade de movimentar o membro. Ao exame físico, apresenta edema, encurtamento do membro e rotação externa do pé esquerdo. A radiografia confirma uma fratura diafisária multifragmentar do fêmur esquerdo. Com base no quadro clínico e no diagnóstico, qual das seguintes afirmativas sobre a abordagem cirúrgica das fraturas diafisárias do fêmur em adultos está correta?
O tratamento conservador é indicado em todos os casos.
A haste intramedular retrógrada é contraindicada em fraturas distais.
O bloqueio distal da haste é sempre desnecessário.
A fixação por placa bloqueada gera menor estabilidade que a haste.
O uso da haste intramedular é preferido na maioria dos casos.
Um paciente de 25 anos, vítima de queda de motocicleta em alta velocidade, chega ao pronto-socorro intubado, sedado e em ventilação mecânica. Durante a avaliação primária (ABCDE), na etapa 'B' (Respiração e Ventilação), o médico nota que o paciente está hipotenso (PA 80/40 mmHg), taquicárdico (140 bpm), com murmúrio vesicular abolido à esquerda e turgência jugular patológica. A traqueia parece desviada para a direita. Qual é a hipótese diagnóstica principal e a conduta imediata?
Tamponamento cardíaco; realizar pericardiocentese de urgência guiada por ultrassom ou cirúrgica.
Contusão pulmonar grave; aumentar os parâmetros do ventilador mecânico (PEEP e FiO2) e solicitar radiografia de tórax.
Pneumotórax hipertensivo à esquerda; realizar descompressão torácica imediata com agulha no segundo espaço intercostal, linha hemiclavicular, antes de qualquer exame de imagem.
Hemotórax maciço à esquerda; realizar drenagem torácica em selo d'água no quinto espaço intercostal, linha axilar média, e preparar para transfusão maciça.
Paciente vítima de queda de moto dá entrada no pronto-socorro. Após estabilização clínica e medidas iniciais, foram verificadas múltiplas lesões, entre elas, a presença de lesão do plexo braquial. Durante a passagem de caso pela ortopedia, foram descritos diversos achados de exame físico e de imagem. Dentre os achados a seguir, qual correlação está correta e se caracteriza como um fator de gravidade na lesão do plexo braquial por estar associado a lesões por avulsão?
Exame físico com ausência completa de movimentos do membro superior afetado.
Exame físico com presença de hematoma extenso em região cervical.
Exame físico com presença de midríase, ptose e anidrose.
Exame de imagem com presença do sinal de Horner.
Exame de imagem com presença de pseudomeningocele.
O atendimento inicial ao paciente grande queimado na Atenção Primária é crucial para a estabilização e posterior transferência para um centro especializado. Sobre as medidas prioritárias nas primeiras horas após uma queimadura extensa, analise as afirmativas a seguir:
I.A reposição volêmica deve ser iniciada prontamente, utilizando a Fórmula de Parkland (4 mL x %SCQ x Peso em kg), sendo que metade do volume calculado deve ser infundido nas primeiras 8 horas a partir do momento do acidente.
II.O uso de antibióticos profiláticos por via sistêmica é recomendado para todos os pacientes com queimaduras de segundo e terceiro graus, visando a prevenir a infecção da ferida e a sepse.
III.Analgesia potente, preferencialmente com opioides por via intravenosa, deve ser administrada precocemente, e a profilaxia para tétano deve ser avaliada e realizada conforme o histórico vacinal do paciente e as características da ferida.
Está correto o que se afirma em:
I e II, apenas.
I e III, apenas.
I, II e III.
II e III, apenas.
Assinale a alternativa correta quanto ao traumatismo crânioencefálico (TCE).
A administração de ácido tranexâmico reduz a mortalidade em pacientes com TCE moderado e grave.
Convulsões pós-traumáticas ocorrem em mais de 30% dos casos de TCE leve ou moderado.
A presença da tríade de Cushing associa-se à herniação cerebral iminente.
A pressão intracraniana elevada não está associada ao aumento da mortalidade.
Assinale a alternativa que explica por que, nas fraturas-luxações da coluna toracolombar, a redução da fratura e o correto alinhamento da coluna são mais importantes que a descompressão do canal.
Mesmo com a lesão do ligamento longitudinal posterior, a redução da fratura pode descomprimir o canal por ligamentotaxia.
A descompressão do canal neste tipo de lesão é complexa e pode levar à lesão de estruturas nobres.
O papel da descompressão cirúrgica é controverso, pois existem variações na vascularização e no diâmetro do canal medular em cada região.
Muitas destas lesões têm déficits neurológicos completos, que não apresentarão melhora com a descompressão do canal.
A redução da fratura e seu alinhamento têm efeito secundário de descompressão do canal.
De acordo com os critérios diagnósticos de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em crianças, descritos no DSM-5, assinale a alternativa correta.
A exposição a um evento traumático diretamente vivido é necessária para o diagnóstico. Quando o evento é testemunhado pela pessoa ou vivido por terceiros próximos, o diagnóstico deve ser desconsiderado.
O início dos sintomas dissociativos e cognitivos deve ocorrer após seis meses de um evento traumático.
O diagnóstico de TEPT se aplica a crianças a partir de 6 anos. Quando os sintomas surgem antes, o diagnóstico é de transtorno de estresse precoce.
A reencenação específica do trauma pode ocorrer na brincadeira e deve ser considerada como um sintoma intrusivo associado ao trauma.
Para que pesadelos sejam caracterizados como sintomas intrusivos, seu conteúdo deve estar relacionado ao evento traumático.
Sobre as fraturas do tipo 3 do escafoide em crianças, assinale a alternativa correta.
Ocorrem em crianças maiores de 12 anos.
São fraturas cujo tratamento é majoritariamente cirúrgico.
Ocorrem com maior frequência no terço proximal do escafoide.
Ocorrem em crianças de 08 a 11 anos de idade.
São fraturas osteocondrais, pois o escafoide ainda não completou seu processo de ossificação.
Uma paciente sofre traumatismo craniano grave com perda de consciência e Glasgow inicial 8. Marque a alternativa que contém a prioridade no atendimento clínico:
Realizar abordagem da via aérea, mantendo oxigenação e pressão de perfusão cerebral adequadas, associada à avaliação neurológica emergencial.
Dispensar entubação, pois a escala Glasgow 8 não justifica suporte respiratório.
Aguardar estabilização hemodinâmica posterior para iniciar qualquer monitorização de PIC.
Fornecer analgesia mínima, pois a dor é um sinal útil no controle clínico.
Um homem de 40 anos, previamente saudável, é admitido na emergência após um acidente automobilístico. Ele apresenta trauma torácico fechado, fratura de múltiplas costelas e hemotórax direito, além de fratura exposta de fêmur esquerdo. Na admissão, está consciente, mas com sinais de hipoperfusão periférica (pulso de 130 bpm, pressão arterial de 80/50 mmHg). Após estabilização inicial com reposição volêmica e drenagem torácica, inicia-se a investigação laboratorial. Os exames mostram: glicemia de 210 mg/dL, lactato de 5 mmol/L, leucocitose de 18.000/mm3 e níveis de cortisol plasmático elevados.
Assinale a alternativa que indica, dentre as seguintes estratégias iniciais, a mais apropriada para manejar a resposta endócrino-metabólica ao trauma nesse paciente.
Infusão contínua de insulina intravenosa para controle da hiperglicemia.
Administração de hidrocortisona para controle da resposta inflamatória e redução da glicemia.
Controle da resposta metabólica por meio de analgesia multimodal e reposição proteica precoce.
Uso de betabloqueadores para reduzir o hipermetabolismo e o consumo de oxigênio.
Restrição calórica agressiva para minimizar a hiperglicemia e a resposta catabólica.
Os traumas de alta energia podem ocasionar lesões múltiplas, envolvendo não apenas fraturas da cabeça do fêmur como também luxações coxofemorais e fraturas do acetábulo.
Certo
Errado
Quando pelo menos uma das lesões causa disfunção ou falência de órgãos remotos, ocorre a síndrome de múltiplas lesões, que corresponde ao escore da gravidade da lesão >17.
Certo
Errado
Qual condição constitui uma fratura estável da coluna cervical?
Fratura de Jefferson.
Fratura tipo teardrop (gota de lágrima).
Luxação atlantoaxial anterior sem fratura.
Luxação unilateral da faceta.
Luxação bilateral da faceta.
Em relação à avaliação das fraturas craniofaciais, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) O bléfaro-hematoma bilateral é conhecido como sinal de Battle.
( ) As fraturas de Le Fort tipo I têm orientação transmaxilar ao nível do orifício piriforme, resultando em palato flutuante.
( ) Nas fraturas nasoetmoido-orbitárias podem ocorre anosmia e fístula liquórica(imediata ou tardia).
As afirmativas são, respectivamente,
F – V – V.
F – V – F.
F – F – V.
V – F – V.
V – V – F.