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Mulher de 32 anos, com diagnóstico de esclerose múltipla há 8 anos, apresenta urgência miccional, incontinência urinária de urgência e noctúria, associadas à sensação de esvaziamento incompleto e infecções urinárias de repetição. Em duas avaliações consecutivas, observou-se resíduo pós-miccional elevado, além de hidronefrose leve bilateral ao exame de imagem. O estudo urodinâmico evidencia contrações detrusoras não inibidas, com pressões elevadas durante o enchimento e esvaziamento incompleto. Após tratamento farmacológico com antimuscarínico e agonista beta-3, com resposta apenas parcial, a conduta mais adequada a ser adotada, visando controle dos sintomas e proteção do trato urinário superior, é
aumentar dose da medicação anticolinérgica (bloqueadora muscarínica), pois o foco é apenas o alívio de urgência.
introduzir desmopressina, pois a prioridade é redução da noctúria.
iniciar programa de cateterismo intermitente e considerar toxina botulínica intravesical.
realizar apenas neuromodulação tibial, técnica segura e suficiente para correção
evitar botox, pois piora o esvaziamento, portanto manter somente mirabegrona.
Homem de 48 anos, imigrante de área endêmica para tuberculose (TB), apresenta piúria estéril persistente, disúria e episódios recorrentes de hematúria microscópica há 4 meses. Já foi tratado empiricamente três vezes para ITU, sem melhora. Exames demonstram:
• Ultrassom: espessamento calicial e pequenas áreas hipoecoicas no córtex renal.
• TC: caliectasias irregulares, sem cálculos.
• Três amostras de urina matinal para cultura comum: negativas.
• Urocultura para micobactérias: pendente.
Na avaliação inicial, o próximo passo mais adequado para confirmar o diagnóstico de tuberculose urogenital é
repetir urocultura convencional e iniciar antibiótico empírico para ITU complicada.
solicitar GeneXpert MTB/RIF na urina, mesmo antes da cultura, pois é um excelente teste de exclusão.
realizar biópsia renal imediata, já que exames de imagem são suficientes para confirmar TB.
solicitar 3 amostras de urina matinal para BAAR + cultura específica e NAAT (PCR/GeneXpert), integrando achados clínicos e radiológicos.
realizar cistoscopia como primeiro passo diagnóstico, pois é o exame mais sensível para TB renal.
Homem de 24 anos, com nova parceira sexual, procura atendimento por ardência urinária e secreção uretral mucopurulenta há dois dias. Nega febre e dor testicular. Ao exame físico: hiperemia discreta de meato uretral, saída de secreção amarelada à expressão. Urina tipo I: esterase leucocitária positiva. Não há disponibilidade imediata de Teste de Amplificação de Ácido Nucleico (NAAT) no serviço.
Segundo as diretrizes atuais, a conduta inicial mais adequada é
tratar apenas para Chlamydia trachomatis com doxiciclina por sete dias.
tratar empiricamente para gonorreia e clamídia, utilizando ceftriaxona IM e doxiciclina.
aguardar a chegada dos resultados laboratoriais antes de iniciar qualquer antibiótico.
iniciar azitromicina 1 g dose única, pois cobre todas as principais causas de uretrite.
realizar cultura de uretra antes de qualquer intervenção, pois é o exame padrão-ouro atual.
Homem de 43 anos apresenta cólica lombar intensa irradiada para a virilha, hematúria microscópica e náuseas. O ultrassom demonstra leve hidronefrose, mas não identifica cálculo. O exame mais adequado como próximo passo é
urografia excretora tradicional, por ser mais sensível que tomografia para cálculos ureterais.
tomografia computadorizada sem contraste, devido à alta sensibilidade para cálculos e rapidez na definição do diagnóstico.
ressonância magnética estática (T2) como primeira escolha, por identificar cálculos com a mesma precisão da TC.
cistoscopia imediata para identificar obstrução mecânica ureteral.
urodinâmica para avaliar a presença de obstrução funcional.
Em relação à cistite não complicada e pielonefrite, assinale a alternativa que está de acordo com as recomendações atuais.
Nitrito negativo exclui ITU, visto que este tem alta sensibilidade para cistite.
Pielonefrite pode ser tratada com antibióticos orais imediatamente sem necessidade de qualquer estratificação clínica.
Cultura de urina é mandatória em pielonefrite para ajustar terapia, mesmo que o tratamento empírico seja iniciado.
Para cistite não complicada, deve-se solicitar obrigatoriamente imagem (US/TC) na primeira consulta.
A duração do tratamento da cistite não complicada deve ser igual à da pielonefrite (10–14 dias).
Paciente de 45 anos com história de úlcera péptica estenosante apresenta vômitos incoercíveis há 5 dias. Ao exame, apresenta-se desidratado, com as mucosas secas e tempo de enchimento capilar lentificado. Gasometria arterial indica pH de 7,52, pCO2 de 48 mmHg e HCO3- de 38 mEq/L. Eletrólitos indicam Na+ de 135 mEq/L, K+ de 2,8 mEq/L e Cl- de 85 mEq/L. O exame de urina revela pH urinário de 5,5. Qual é o mecanismo responsável pelo pH urinário encontrado?
Excreção aumentada de bicarbonato, mediada por sobrecarga filtrada, resultando em eliminação urinária de ânions alcalinos.
Acidúria paradoxal decorrente de reabsorção de sódio intensificada pela depleção volêmica, ocorrendo em troca por íons hidrogênio no túbulo distal sob a influência de hipocalemia e hipocloridemia.
Alteração tubular compatível com distúrbio ácido-base tipo IV, envolvendo prejuízo na secreção distal de prótons, induzido por distúrbios eletrolíticos.
Ajuste renal secundário ao processo compensatório respiratório, favorecendo retenção de cloretos e eliminação de derivados amoniacais no filtrado.
Mecanismo conservador voltado à manutenção do potássio plasmático, modulando a excreção de íons e resultando em modificação do pH urinário.
O Carcinoma in situ (CIS) vesical é uma lesão plana, de alto grau, com alto risco de progressão. Sobre as características e manejo do CIS, marque V para as verdadeiras e F para as falsas.
(__)O CIS é classificado como Tis (Tumor in situ) e é inerentemente de alto grau; não existe CIS de baixo grau na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
(__)O tratamento padrão-ouro para CIS (isolado ou concomitante) é a ressecção transuretral (RTU) das áreas suspeitas, seguida de terapia intravesical com Bacilo Calmette-Guérin (BCG), visando indução e manutenção.
(__)A presença de CIS concomitante a um tumor T1 (Tis + T1) confere um prognóstico significativamente pior do que um tumor T1 isolado, aumentando o risco de progressão para invasão muscular.
(__)O CIS é facilmente identificado na cistoscopia de luz branca como uma lesão papilar exofítica, semelhante aos tumores Ta de baixo grau.
A sequência CORRETA é, "de cima para baixo":
V, V, V, F
V, F, V, F
F, F, V, V
F, V, F, V
Em relação aos sintomas do trato urinário inferior, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.
( )A maioria dos pacientes com hiperplasia prostática benigna necessitará de cirurgia.
( ) Agentes antimuscarínicos tendem a piorar os sintomas da hiperplasia prostática benigna.
( )A duloxetina, um remédio muito utilizado na população geriátrica, pode causar retenção urinária.
C - C - E.
E - E - C.
C - E - E.
E - C - C.
Homem de 40 anos, com diagnóstico de uretrite, questiona a necessidade de abordagem de suas parceiras sexuais, que estão assintomáticas.
Assinale a alternativa que indica corretamente a orientação mais adequada.
Tratar apenas parceiros sintomáticos.
Tratar todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias.
Aguardar confirmação etiológica antes de tratar parceiros.
Indicar exames laboratoriais prévios ao tratamento das parceiras.
Realizar notificação e aguardar abordagem pela vigilância.
Em relação às indicações de postectomia na infância, qual situação representa indicação formal de tratamento cirúrgico?
Fimose em criança assintomática aos 5 anos.
Solicitação dos responsáveis por motivos culturais.
Balanopostite xerótica obliterante, também denominada lúquen escleroso.
Dificuldade de retração prepucial em hipospádia leve.
Presença de aderências prepuciais.
Um homem de 34 anos, vivendo com HIV e em acompanhamento regular, procura atendimento devido ao aparecimento de múltiplas lesões ulceradas dolorosas em pênis há 10 dias. Ao exame físico, observam-se úlceras rasas, agrupadas, de bordas regulares, algumas coalescentes, associadas à adenopatia inguinal dolorosa bilateral. O paciente relata episódios semelhantes nos últimos dois anos.
Qual é a infecção sexualmente transmissível mais provável associada a esse quadro clínico?
Sífilis primária.
Linfogranuloma venéreo.
Donovanose.
Herpes genital.
Cancro mole.
Homem de 72 anos, com bom estado geral e expectativa de vida superior a 10 anos, apresenta PSA de 32 ng/mL. O toque retal evidencia nódulo endurecido ocupando o lobo direito da próstata. A ressonância magnética demonstra lesão PI-RADS 5 com sinais de extensão extracapsular, sem invasão de vesículas seminais. A biópsia prostática revela adenocarcinoma acinar Gleason 4 + 4 = 8 (ISUP 4) em 10 de 12 fragmentos. O PET-PSMA não evidencia metástases linfonodais ou a distância.
Considerando as diretrizes atuais, qual é a conduta adequada para esse paciente?
Hormonioterapia isolada com análogo de LHRH, por tempo indeterminado.
Prostatectomia radical associada a linfadenectomia pélvica extendida, após decisão compartilhada com o paciente.
Quimioterapia com docetaxel associada à privação androgênica.
Radioterapia associada a 12 meses de bloqueio hormonal.
Observação expectante (watchful waiting), independentemente da expectativa de vida.
Homem de 63 anos apresenta PSA de 2,1 ng/mL e toque retal normal. A biópsia prostática revelou adenocarcinoma Gleason 3 + 4 = 7 (ISUP 2), acometendo 3 de 19 fragmentos, com baixo volume tumoral e ausência de padrão cribriforme. A ressonância magnética não evidenciou extensão extracapsular nem invasão de vesículas seminais.
Com base nesses dados, qual é a classificação de risco adequada para esse paciente?
Baixo risco.
Risco intermediário favorável.
Risco intermediário desfavorável.
Alto risco.
Muito alto risco.
Assinale a alternativa que descreve corretamente a sintomatologia típica de uma infecção do trato urinário inferior (cistite aguda) em uma mulher com vida sexual ativa atendida na Atenção Primária à Saúde, considerando os fatores de risco, como relações sexuais recentes e a apresentação clínica comum em casos não complicados.
Febre elevada (>38°C), lombalgia unilateral ou bilateral, náuseas, vômitos, calafrios e disúria isolada, associada a fatores como gravidez ou diabetes, indicando necessidade de internação imediata na APS.
Corrimento vaginal purulento, prurido vulvar, disúria externa, odor fétido e dor pélvica crônica, com relação sexual como fator protetor, diferenciando de infecções fúngicas ou bacterianas vaginais.
Disúria, polaciúria (aumento da frequência miccional), urgência miccional, dor ou desconforto suprapúbico, possível hematúria macro ou microscópica, frequentemente desencadeada por atividade sexual, sem febre alta, lombalgia ou sintomas sistêmicos, como náuseas e vômitos, com resolução usual por antibioticoterapia empírica.
Urgência miccional noturna exclusiva, incontinência urinária de esforço, ausência de disúria, associada à multiparidade e não à atividade sexual, com manejo por exercícios de Kegel na APS.
Hematúria isolada sem dor, fadiga generalizada, perda de peso e linfadenopatia, sugerindo etiologia neoplásica ou autoimune, com indicação de investigação urológica avançada independentemente da vida sexual.
Paciente feminina, 55 anos, submetida a transplante renal, há 3 anos, iniciou sintomas urinários mistos de armazenamento e esvaziamento associado a dois episódios de hematúria macroscópica. Foi realizada cistoscopia, encontrando-se uma lesão plana de 1 cm, marrom-amarelada, que foi ressecada. O anátomo patológico dessa lesão revelou presença de corpúsculos de Michaelis-Gutmann.
Com base nos dados apresentados, é correto afirmar que o diagnóstico desse caso é
malacoplaquia.
tuberculose vesical.
equinococose vesical.
tumor urotelial indiferenciado.
fístula colon-vesical.
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é um aumento não canceroso (benigno) da glândula prostática, que pode dificultar a micção. Sobre este assunto, analise os itens e assinale a alternativa CORRETA:
I - A hiperplasia prostática benigna (HPB) torna-se muito mais frequente à medida que os homens envelhecem, especialmente depois dos 50 anos de idade. A causa exata não é conhecida, mas provavelmente envolve alterações causadas por hormônios, incluindo a testosterona e, especialmente, di-hidrotestosterona (um hormônio relacionado à testosterona).
II - A hiperplasia prostática benigna (HPB) inicialmente causa sintomas quando a próstata aumentada começa a bloquear o fluxo de urina. Às vezes, os profissionais de saúde usam o termo sintomas do trato urinário inferior para descrever a combinação dos sintomas que a HPB pode causar. Primeiro, os homens podem ter dificuldade para iniciar a micção. A micção também pode dar a sensação de ter sido incompleta.
III - Uma amostra de urina deve ser examinada (urinálise) para confirmar que não há infecção ou hemorragia. Quando um exame revelar que a próstata está aumentada ou o homem tiver sintomas de obstrução urinária, os médicos geralmente também realizam um exame para medir o nível de antígeno específico da próstata (PSA) no sangue.
Somente os itens I e II estão corretos.
Somente os itens I e III estão corretos.
Somente os itens II e III estão corretos.
Todos os itens estão corretos.
Todos os itens estão incorretos.
Sobre a ectopia ureteral na infância, assinale a alternativa correta.
Pacientes masculinos que apresentam perdas urinárias eventuais, após serem desfraldados e treinados a irem ao banheiro, devem ser avaliados para ectopia ureteral.
Os ureteres ectópicos manifestam-se com quadros de infecção urinária com febre alta e geralmente precisam de hospitalização.
Meninos com ureter ectópico podem apresentar um padrão subagudo de infecção e também quadro de epididimite associada.
Incontinência urinária pode ser uma manifestação de ureter ectópico em meninos e meninas.
A ectopia ureteral pode ser facilmente detectada pela ultrassonografia, mas a ureterocele não.
Para um paciente ser considerado com baixo risco de recorrência bioquímica de câncer de próstata, deve apresentar as seguintes características:
PSA < 10 ng/mL e ISUP 1 e cT1-2a
PSA < 10 ng/mL ou ISUP 1 ou cT1-2a
PSA < 10 ng/mL e ISUP 2 e cT1-2a
PSA < 10 ng/mL ou ISUP < 2 ou cT1-2a
PSA < 10 ng/mL e ISUP 1 e cT2b
Na urinálise, os aspectos relacionados à conservação adequada das amostras são particularmente importantes para o diagnóstico laboratorial, sendo descritas algumas alterações em decorrência da incorreta preservação do material.
Assinale a alternativa que corretamente menciona alterações que podem ocorrer na urina não adequadamente preservada.
Aumento de bilirrubina e urobilinogênio devido à exposição à luz e oxidação de biliverdina e urobilina.
Diminuição de nitritos devido à precipitação associada ao material amorfo presente na amostra.
Aumento de cetonas em decorrência da multiplicação bacteriana.
Diminuição do pH urinário em decorrência do crescimento bacteriano.
Aumento do pH urinário decorrente da metabolização da ureia para amônia por bactérias produtoras de urease e devido à perda de CO₂.
Um paciente de 47 anos é transferido para um hospital urológico com quadro de litíase renal e com indicação de litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO). No entanto, ao avaliar o paciente, o urologista contraindica esse tipo de procedimento. Sobre uma contraindicação precisa para LECO, destaca-se:
cálculo de 2 cm
rim em ferradura
densidade do cálculo de 900 UH
paciente com obesidade mórbida
aneurisma arterial renal próximo ao cálculo