Questões de Concurso sobre Pedagogia da autonomia

 
 
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Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. É por isso que transformar a experiência em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar‑se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra; 1996. [Fragmento]


No contexto apresentado por Paulo Freire, o papel do educador é


A

explorar a formação moral acima do ensino de conteúdos teóricos.


B

priorizar a formação técnica, que é superior ao conhecimento teórico.


C

demonstrar que a formação conteudista é prioritária na prática escolar.


D

integrar a formação moral ao ensino dos conteúdos na prática educativa.

O ideário da emancipação tem uma longa história no pensamento filosófico e pedagógico, remontando ao iluminismo no século XVIII e a valorização que este confere ao exercício da razão. No que concerne à educação profissional o termo não é incomum, sendo, pois, mobilizado por diversos autores muito conhecidos no âmbito da educação técnica e profissional, tais como Lucília Machado, Marise Ramos e Gaudêncio Frigotto. Considerando o que foi pontuado e considerando as especificidades dos Institutos Federais, o ideário da emancipação nessas instituições visa


A

retomar a proposição iluminista de valorização da razão e da ilustração, cuja expressão maior é o desenvolvimento de uma proposta formativa na qual os estudantes possam transitar pelas obras dos grandes nomes da ciência e da cultura.


B

instituir processos formativos pautados no modelo clássico-tradicional baseado na relação hierárquica entre professor e aluno, no sentido que o assujeitamento do aluno no presente permitirá sua condição de sujeito no futuro.


C

abrir possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento para todos os alunos com base no tratamento estrito dos conteúdos de ensino, evitando que aspectos marcadamente externos à escola, (condição de classe, gênero etc.) se façam presentes no interior do processo pedagógico.


D

constituir um processo formativo que, ao conjugar técnica, ciência e cultura numa perspectiva crítica, promova a autonomia dos educandos e o fortalecimento de valores e disposições éticas orientadas para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.


E

promover o acesso à cultura histórica e socialmente acumulada pela humanidade tendo em vista a tarefa precípua de preparação dos alunos e alunas para ingressar no ensino superior e, com isso, romper com sua condição de classe.

Considerando a diversidade de abordagens pedagógicas adotadas nas práticas escolares brasileiras, é fundamental compreender as características de cada uma delas. Nesse contexto, qual das seguintes tendências pedagógicas enfatiza a autonomia do aluno, reconhecendo e valorizando suas experiências e conhecimentos prévios como base para o aprendizado?


A

Comportamentalista.


B

Construtivista.


C

Tradicional.


D

Tecnicista.


E

Positivista.

Paulo Freire, em “Pedagogia da Autonomia”, ao tratar do processo de mudança no curso da história, define que


A

ele só ocorre quando o sistema econômico permite.


B

os seres são historicamente determinados pelas condições materiais.


C

somos seres condicionados, mas capazes de ultrapassar o próprio condicionamento.


D

a educação é a única forma de transformar o mundo.

O trabalho pedagógico do professor deve estar em função dos alunos e seu poder é legitimado como autoridade sempre que seus alunos o reconhecem como autoridade, que age com sabedoria e compromisso com o seu trabalho. Caso contrário, se resolver valer apenas a sua vontade, não exercerá sua autoridade e sim, autoritarismo. Por autoridade, entende-se:


A

a conduta de caráter patrimonialista, que considera os “de cima” como “iluminados” e os “de baixo”, como desprovidos de conhecimento. Essa concepção tem raízes no modo de produção brasileiro, de base escravocrata, que teria gerado um dos grandes males da nossa sociedade.


B

as relações crivadas de ambiguidades entre a formulação de discursos democráticos e a presença de traços autoritários decorrentes da herança do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.


C

uma postura que reflete: "Eu sou o professor e eu sei de tudo e você tem que buscar o conhecimento através de mim agora” e, em seguida, dizer-lhes onde eles podem aplicá-las.


D

uma relação social pactuada, consciente acerca das atribuições, responsabilidades, limites e do poder de cada parte, não imposta, fruto de negociações, do respeito e da transparência de todos os atos, cujas responsabilidades acerca dos papéis, tanto dos dirigentes como dos dirigidos, sejam frutos de consenso.

“Não há para mim, na diferença e na ‘distância’ entre a ingenuidade e a criticidade, entre o saber de pura experiência feito e o que resulta dos procedimentos metodicamente rigorosos, uma ruptura, mas uma superação. A superação e não a ruptura se dá na medida em que a curiosidade ingênua, sem deixar de ser curiosidade, pelo contrário, continuando a ser curiosidade, se criticiza. Ao criticizar-se, torna-se curiosidade epistemológica.”


FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2011.


De acordo com o que afirma o autor, sobre o papel do professor crítico assinale a afirmativa correta.


A

Agir como uma ponte entre a informação e o aluno, garantindo a absorção efetiva do conteúdo.


B

Substituir os conhecimentos prévios dos alunos por entendimentos fundamentados em métodos científicos.


C

Conduzir os alunos para a adoção de ideologias políticas que se alinham com determinada visão de mundo.


D

Auxiliar os alunos a se desvencilharem de saberes baseados em experiências pessoais.


E

Capacitar os alunos a desenvolver uma nova postura em relação aos seus conhecimentos atuais e futuros.

Leia o trecho a seguir.


“Não há docência sem discência.”


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p. 25.


Compreender a natureza das relações que tem curso em um processo formativo é essencial para a docência. Paulo Freire é um autor que discute com muita propriedade a questão, como bem resume a citação destacada. Com base nas reflexões de Paulo Freire, “não há docência sem discência” porque


A

o professor, quando ensina, o faz sempre na presença dos discentes, de modo que os docentes devem necessariamente considerar os alunos no processo de ensino e aprendizagem.


B

o ensino é um processo complexo e multifacetado, no qual as normas institucionais, o currículo, as condições da escola e sua infraestrutura são determinantes para o êxito dos educandos.


C

o ato de ensinar, no processo pedagógico, institui aprendizados mútuos aos que formam e aos que estão sendo formados, por isso o professor aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.


D

os indivíduos, em uma escola ou em um espaço educativo qualquer no qual estão na condição de aprendizes, sabem mais do que aqueles que ensinam, pois os primeiros possuem experiência, enquanto os últimos, limitam-se à teoria.


E

os professores, ao desenvolverem sua prática profissional, aplicam os conhecimentos que adquiriram em sua formação inicial e com isso podem contornar as dificuldades presentes no processo pedagógico.

De acordo com a visão de Azanha, é pertinente a seguinte afirmativa:


A

A autonomia da escola não é vista como um requisito político.


B

Por meio da normalização efetiva, é possível abarcar todos os aspectos que compreendem a dimensão normativa que caracteriza a realidade da dinâmica escolar.


C

Em sua visão, a qualidade de uma escola depende especificamente da relação pedagógica construída entre alguém que ensina e alguém que aprende.


D

A elaboração do Projeto Político-Pedagógico constitui-se um ato tácito estruturado e organizado em diferentes níveis.


E

A boa escola não é aquela que recusa o legado do acervo cultural em nome da inovação como princípio abstrato.

Leia, com atenção, o excerto abaixo:


“Outro saber necessário à prática educativa (...) é o que fala do respeito devido à autonomia do ser do educando. Do educando criança, jovem ou adulto. Como educador, devo estar constantemente advertido com relação a este respeito que implica igualmente o que devo ter por mim mesmo. (...) O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros.” (Freire, 2019, p. 58)


Paulo Freire discute alguns saberes necessários à prática educativa a partir de uma perspectiva progressista, tendo a autonomia do educando como um dos aspectos centrais. Para atuar de modo coerente com esse princípio, o educador, com base em Freire, deve:


A

atuar no espaço pedagógico com neutralidade, aplicando as técnicas e conhecimentos de sua especialidade, de modo a permitir que os educandos desenvolvam e exerçam a própria inteligibilidade.


B

assumir a postura dialógica no ensino, reconhecendo a importância da inquietação e da curiosidade, de tal forma que educandos e educadores aprendam e cresçam na diferença.


C

exercer o direito de transgredir a ética, adotando uma prática crítica e questionadora, a fim de que os educandos reconheçam e defendam a educação como força transformadora da sociedade.


D

transferir o conhecimento pedagógico, utilizando uma linguagem clara, eficaz e contextualizada, para que os educandos conheçam e apliquem os conceitos necessários à vida escolar e cotidiana.

Na obra Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire discute a relação entre a formação docente e a produção da autonomia do e no educando. Nesta obra, o autor enfatiza que tanto os educadores como os educandos vivem a condição de serem eternos aprendizes, motivo pelo qual ele reformula a figura do professor. Além disso, Freire também defende que “não há docência sem discência.”


A respeito da complementaridade entre o docente e o discente e da ideia de autonomia relacionada aos saberes relacionados à prática educativa, próprios da pedagogia de Freire, analise as afirmativas a seguir.


I.Para o autor, é impossível ensinar sem aprender e vice-versa, pois é fundamental que os docentes tenham uma alta formação acadêmica antes de se formarem, cujos conteúdos precisos balizem sua prática.

II. Para o educador, a força criadora do aprender de que fazem parte a comparação, a repetição, a constatação, a dúvida rebelde e a curiosidade não facilmente satisfeita superam os efeitos negativos do verdadeiro ensinar.

III. Para a metodologia de Freire, quanto mais se exerce criticamente a capacidade de aprender, tanto mais se constrói e desenvolve o que ele denomina “curiosidade epistemológica”.


Está correto o que se afirma em:


A

I, apenas.


B

I e II, apenas.


C

III, apenas.


D

I, II e III.

Paulo Freire afirma em sua obra Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa que ensinar exige:


A

Conscientização que a educação bancária se realiza respeitando a individualidade do ser humano, possibilitando o oprimido se libertar da opressão;


B

Reflexão, superação do pensar investigativo para tornar-se uma curiosidade ingênua;


C

Uma reflexão crítica do objeto do conhecimento pelo educador e educando, para que o aluno consiga aprender todos os conhecimentos disponibilizados pelo currículo oficial da escola;


D

Respeito aos saberes dos educandos, exige criticidade, estética e ética e a corporeificação das palavras pelo exemplo.

Leia o trecho a seguir.


Um professor propõe um estudo autodirigido em que os alunos devem escolher e explorar temas de seu interesse. Ana, interessada em ciências, decide investigar as causas das mudanças climáticas. Ela começa determinando quais questões precisa responder, planeja suas estratégias de pesquisa e seleciona fontes confiáveis. Durante o processo, Ana aprende a identificar informações relevantes, avaliar criticamente diferentes pontos de vista e sintetizar suas descobertas em conclusões coerentes.


A habilidade alcançada pela personagem na situação apresentada acima descreve adequadamente o conceito de aprender a


A

fazer.


B

conviver.


C

aprender.


D

ser.


E

dizer.

De acordo com a filósofa brasileira Ivone Gebara, a educação deve ser pensada como um processo de libertação e emancipação dos sujeitos. Qual das seguintes afirmativas melhor representa a visão de Gebara sobre a educação libertadora?


A

A educação libertadora consiste em impor valores e ideais pré-determinados aos alunos, visando seu melhoramento pessoal.


B

A educação libertadora visa libertar os sujeitos das amarras sociais e políticas, permitindo que alcancem sua plena autonomia.


C

A educação libertadora é exclusiva para grupos minoritários e marginalizados, não tendo relevância para a sociedade como um todo.


D

A educação libertadora é um conceito ultrapassado que não se adequa às demandas da sociedade contemporânea.

Na pedagogia Renovadora não diretiva (Escola Nova), o professor assume o controle total do processo de aprendizagem, direcionando cada passo do estudante, sem espaço para sua autonomia ou descoberta pessoal.


C

Certo


E

Errado

“A autonomia da escola é um tema cuja importância se mostra crescente, refletindo uma tendência mundial encontrada na dinâmica das modernas organizações públicas ou privadas. Sua aceitação implica uma ruptura no modo tradicional de compreender e atuar na realidade. A autonomia impõe um novo padrão de políticas, planejamento e gestão educacionais, tanto do ponto de vista da escola como dos sistemas de ensino.”


NEVES, Carmen Moreira de Castro. Autonomia da escola pública: um enfoque operacional. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro (org). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 14. ed. Campinas: Papirus, 2002. p. 96.


Com relação à autonomia da escola, assinale a alternativa incorreta.


A

A autonomia da escola é um exercício de democratização do espaço público, colocando na escola a responsabilidade de prestar contas do que faz e do que deixa de fazer, permitindo participação ativa da comunidade, em atividades efetivamente democráticas.


B

Para o modelo educacional que marcou nossa história e que até hoje é reproduzido, o modelo patrimonialista, é importante ter a população emancipada, com pouca instrução, pouco espírito crítico.


C

A escola pública existe com a finalidade de prestar um serviço à comunidade, e quando os resultados apresentados por ela coincidem com os que as famílias e a comunidade esperam, sua identidade é reforçada e se legitima, assim, seu papel social.


D

A existência da autonomia apresenta uma relação direta com a construção do projeto político-pedagógico da escola, sendo esse projeto relevante à comunidade e à sociedade a que a escola serve.

“No Brasil, inspirou o movimento da Escola Nova, liderado por Anísio Teixeira, ao colocar a atividade prática e a democracia como importantes ingredientes da educação. No campo específico da pedagogia, sua teoria se inscreve na chamada educação progressiva e, um de seus principais objetivos é educar a criança como um todo, já que o importante é o crescimento – físico, emocional e intelectual.”


O texto acima faz referência a:


A

Paulo Freire.


B

Antonio Gramsci.


C

Celestin Freinet.


D

John Dewey.

Em sua obra "Pedagogia da Autonomia", Paulo Freire (1996) apresenta uma reflexão profunda sobre a prática docente e a construção do conhecimento. Dentre os elementos centrais da pedagogia freireana, destaca-se a importância da:


A

Transmissão linear de conteúdos pelo professor, garantindo a padronização do conhecimento.


B

Valorização da memorização e da repetição como estratégias de aprendizagem.


C

Criação de um ambiente de ensino passivo, onde o aluno é receptor de informações.


D

Educação ser um processo de conscientização e transformação social, em que o diálogo e a problematização são fundamentais.


E

Individualização do ensino, desconsiderando as relações sociais e culturais dos alunos.

Paulo Freire, ao escrever Pedagogia da Autonomia, em 1996, apresentou um conjunto de saberes necessários à prática educativa e, dentre eles, destacou que ensinar não é transferir conhecimento, mas sim criar condições para que o estudante construa suas aprendizagens na interação com o professor e com os conteúdos ensinados a partir das relações sociais próprias de seu contexto de vida. Desta forma, assinale a alternativa que se relaciona com esse preceito.


A

Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando.


B

Ensinar exige reconhecimento das liberdades e das autonomias.


C

Ensinar exige reconhecimento dos saberes individuais e da cultura de cada um.


D

Ensinar exige respeito às diferenças sociais.

Essa abordagem pedagógica enfatiza a autonomia do estudante no processo de aprendizagem, rejeitando hierarquias tradicionais em sala de aula. Ela promove um ambiente onde o diálogo e a cooperação são centrais, e o aprendizado é guiado pelos interesses e necessidades individuais dos alunos. A metodologia incentiva a participação ativa e crítica dos estudantes na construção do conhecimento, buscando formar indivíduos conscientes e socialmente engajados.


O excerto acima se refere à:


A

Pedagogia Renovada Não-diretiva.


B

Pedagogia Libertária.


C

Pedagogia Renovada Progressivista.


D

Pedagogia Liberal Tradicional.

   
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