Questões de Concurso sobre Psicologia Hospitalar

 
 
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O paciente terminal vive um emaranhado de emoções, que incluem ansiedade, luta por sua dignidade e o temor com a finitude de sua vida. Sobre a morte, no processo de hospitalização, é correto afirmar que


A

se deve evitar falar sobre a morte em contexto hospitalar para não intensificar a ansiedade do paciente.


B

o não falar é a melhor forma de lidar com a morte, uma vez que protege, alivia a dor e facilita a elaboração do luto.


C

a negação é a primeira reação diante da morte. Assim, o psicólogo deve reforçar essa atitude nos pacientes, o que facilitará a elaboração do luto.


D

a morte é vista como uma ameaça às funções dos profissionais da psicologia e cria sentimento de impotência diante dos atendimentos dos pacientes.


E

a distorção apresentada no conceito de morte nas diferentes fases do tratamento do paciente terminal deve-se exclusivamente às limitações cognitivas do paciente.

Em relação aos atendimentos aos quadros de urgência subjetiva ou crises de angústia em situação de internação hospitalar, assinale a alternativa CORRETA.


A

A transferência no ambiente hospitalar a se estabelecer entre paciente e profissional é imediata e é ela própria um fragmento da repetição do passado esquecido. Não há diferença com relação ao atendimento em ambulatório ou consultório.


B

Em casos de menores de idade, a transferência obrigatoriamente tem que ocorrer antes com os pais ou outro familiar que esteja responsável pelo menor durante a internação.


C

São casos que exigem o atendimento de urgência da psiquiatria primeiramente para, em seguida, o psicólogo / psicanalista ser chamado.


D

Na dinâmica da transferência, o amor consiste em novas edições de antigas características e repete reações infantis. A ação do psicanalista com pacientes angustiados será a mesma de fazer circular a palavra, que a angústia seja falada.

No contexto hospitalar, observa-se a Síndrome de Munchausen por Procuração (SMP), a qual, por sua gravidade, exige o diagnóstico pelos profissionais de saúde.

Sobre ela, é INCORRETO afirmar que


A

é um tipo de violência contra a criança e ameaça sua integridade física e psicológica.


B

na maioria dos casos, mas não sempre, o perpetrador de sua ocorrência é a mãe da criança.


C

consiste na supervalorização de sintomas corporais associados à certa condição clínica da criança.


D

a criança pode sofrer procedimentos invasivos e desnecessários que acarretem até o óbito.


E

frequentes internações de uma criança é um dos sinais relevantes para sua identificação.

Segundo os autores, a alteração do estado emocional geral do paciente é do tipo:


A

depressão.


B

baixa autoestima.


C

baixo autoconceito.


D

ansiedade.

A prática da Psicologia Hospitalar lida com diferentes desafios que se estendem desde a reação dos pacientes, não apenas frente ao adoecimento e ao processo de hospitalização, como também, à própria estrutura institucional do hospital que, tal como os pacientes, traz seus próprios conflitos, e esses se entrecruzam em uma complexa relação.

A respeito da realidade da prática da Psicologia Hospitalar, assinale a alternativa correta:


A

O período de hospitalização inibe a introspecção no paciente, tendo em vista que o estresse decorrente da rotina hospitalar e os mecanismos de defesa atuam contra essa atividade psíquica.


B

A Unidade Coronariana é uma unidade que exige cuidados intensivos, rápidos e eficientes da equipe, na qual a família frequentemente pode ficar para apoiar o paciente.


C

Restaurar a confiança do paciente em relação ao seu problema não consiste em um dos objetivos da entrevista inicial, tendo em vista o caráter pontual e breve das intervenções no contexto hospitalar.


D

Na visão de Rogers, o psicólogo deve estar totalmente disponível e agir de forma a promover a espontaneidade do outro, atitude de não julgamento e condução diretiva da entrevista.


E

Geralmente os pacientes apresentam reações do tipo passivo ou agressivo, podendo manifestar raiva ou se deprimirem durante o processo de hospitalização.

Uma característica importante da Psicologia Hospitalar é a de que ela não estabelece uma meta ideal para o paciente alcançar, mas simplesmente aciona um processo de elaboração simbólica do adoecimento.

Dessa forma, a filosofia da Psicologia Hospitalar:


A

tem como valor principal a supressão do sofrimento orgânico e psíquico do sujeito.


B

tem por propósito reposicionar o sujeito em relação à sua doença.


C

se orienta a partir de uma filosofia que objetiva a cura do sujeito.


D

objetiva contribuir com o trabalho médico no cuidado da enfermidade do paciente.


E

é harmoniosa com a filosofia da medicina no que diz respeito a salvar vidas e tratar doenças.

Segundo o livro “Angústia” (2011), supõe-se que a aceitação irrestrita do discurso médico deve-se ao(à):


A

impossibilidade dos sujeitos encontrarem qualquer explicação para o que é a angústia


B

alívio psicológico resultante da nomeação de algo que é um enigma para o sujeito


C

eficácia da atuação dos medicamentos no organismo para a cura da angústia


D

verificação científica da ação dos tratamentos médicos em seu uso cotidiano

Ao analisar a significação da Psicologia no contexto hospitalar, Chiattone (2000) levanta algumas das dificuldades a serem enfrentadas pelo psicólogo na realização de seu trabalho:

I. Inexistência de um paradigma claro que pudesse definir estratégias levou o psicólogo hospitalar a buscar alternativas muitas das vezes distanciadas das necessidades dos pacientes e da instituição;

II. Há efeitos da unidade da Psicologia relativa às metodologias utilizadas ou, concretamente, ao seu objeto de estudo;

III. Nas instituições hospitalares, o modelo médico está cristalizado, marcado por saberes precisos e delineados, fortemente verticalizados, fundamentados em paradigma da medicina científica;

IV. Prática da exclusão, da desqualificação de saberes como não-científicos ou não psicológicos entre os profissionais da área em detrimento de uma tomada de posição ética ante a questão de contextualizar a Psicologia no hospital;

V. Para a instituição de saúde, arcaicamente sedimentada dentro dos princípios do saber biopsicossocial, o profissional de saúde mental é “o outro”, “o diferente”, por adentrar com um saber distinto e uma prática quase sempre estranha à rotina hospitalar.

Marque a opção CORRETA.


A
Somente I, II, III estão corretas.

B

Somente II, III, V estão corretas.


C

Somente II, IV, V estão corretas.


D

Somente I, III, IV estão corretas.


E

Somente I, IV, V estão corretas.

Carlos é um garoto de 12 anos, filho único, está internado na ala oncológica de um hospital para tratamento de um câncer muito agressivo em processo de metástase. Encontra-se em tratamento há um ano e segundo avaliação médica está em fase terminal. Analise as afirmativas abaixo, considerando a situação dos seus pais para fins de prognóstico e intervenção psicológica.

I. Disponibilizar-se para, se for o caso, oferecer suporte afetivo para aquele que estiver mais fragilizado, visando lidar com os sentimentos decorrentes da perda;

II. Não abordar sobre um possível desejo dos pais de desistir de viver devido a proximidade da morte do filho para reencontrá-lo em outra dimensão existencial;

III. Ter conhecimento das fases do processo de luto, para poder lidar de uma forma eficiente com os recursos disponíveis, respeitando as defesas de cada um dos envolvidos;

IV. Compreender os vínculos estabelecidos com o filho doente para incentivar os pais a voltarem-se para as atividades que os façam esquecer a doença e a proximidade da morte;

V. Criação de estratégias para a emergência de crises de raiva e culpa que, podem acometer os pais, face as lembranças de pequenas omissões de cuidado que possam ter ocorrido.

Diante das possibilidades de intervenção acima, marque a alternativa que contém aquelas consideradas relevantes para a atuação do Psicólogo na situação apresentada.


A

Existem duas possibilidades de intervenções adequadas;


B

Existem três possibilidades de intervenções adequadas;


C

Apenas uma possibilidade de intervenção é adequada;


D

Todas as possibilidades de intervenção são adequadas;


E

Nenhuma das possibilidades de intervenção são adequadas.

A terminalidade é uma situação frequente nos hospitais gerais. De acordo com Camon (2004) sobre pacientes terminais, marque (V) para afirmativas Verdadeiras e (F) para as Falsas.

I. ( ) Torres (1983) afirma que a morte é, no século XX, o sujeito ausente do discurso. Entretanto, nos últimos 50 anos, o silêncio começa a ser removido das ciências humanas. Historiadores, antropólogos, biólogos, filósofos, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas iniciam com audácia uma luta contra a morte interdita.

II. ( ) Numa sociedade que escraviza o homem valorizando os meios de produção em detrimento da dignidade humana, a saúde passa a ser desvalorizada, pois está em risco a capacidade funcional do indivíduo, já que este torna-se menos produtivo.

III. ( ) O paciente terminal é depositário de uma série de incertezas que culminará tornando-o alguém vitimizado não apenas por uma determinada patologia, mas principalmente por toda uma incompreensão de sua real situação.

IV. ( ) O paciente em sofrimento desalentador está necessitando de apoio existencial, palavra, conforto, enfim, quer se sentir uma pessoa com significação existencial própria. Em alguns casos, essa necessidade se sobrepõe à necessidade da terapia medicamentosa.

Assinale a alternativa CORRETA sobre as afirmativas anteriores:


A

I. (F), II. (F), III. (V), IV. (F).


B

I. (V), II. (F), III. (F), IV. (V).


C

I. (V), II. (V), III. (V), IV. (V).


D

I. (V), II. (V), III. (F), IV. (V).


E

I. (V), II. (F), III. (V), IV. (V).

Em relação ao uso de atividades lúdicas no ambiente hospitalar, é correto afirmar que:


A

favorece o bem estar da criança e facilita a interação com a equipe de saúde.


B

dificulta a comunicação da equipe com o paciente.


C

fragiliza a família no processo de cuidar.


D

propicia uma interação negativa com o ambiente hospitalar.


E

vai prejudicar a criança porque ela vai querer brincar o tempo todo.

Para Camon (2004), sobre a atuação do psicólogo no hospital é INCORRETO afirmar


A

A despersonalização do paciente deriva ainda da fragmentação ocorrida a partir de diagnósticos cada vez mais específicos que fazem com que o todo seja olhado naquela vida, ainda que circunstancialmente assistamos cada vez mais ao surgimento de novas especialidades.


B

A psicoterapia, independentemente de sua orientação teórica, tem como principais objetivos levar o paciente ao autoconhecimento, ao autocrescimento e à cura de determinados sintomas.


C

Para minimizar o sofrimento provocado pela hospitalização, é necessário abranger não apenas a hospitalização em si – da patologia que tenha originado a hospitalização, mas principalmente as sequelas emocionais dessa hospitalização.


D

O doente acamado perde tudo; sua vontade é aplacada, seus desejos coibidos, sua intimidade invadida, seu trabalho proscrito, seu mundo de relações rompido. Ele deixa de ser sujeito.


E

É notória a evidência cada vez maior de que muitas patologias têm seu quadro clínico agravado a partir de complicações emocionais do paciente.

O que se pode pensar sobre a ação do psicólogo no hospital, de acordo com Knobel, Andreoli e Erlichman (2008)?


A

O psicólogo descobre que a técnica da psicologia clínica não se molda ao dinamismo da prática da psicologia hospitalar.


B

O psicólogo promove um olhar diferenciado do fenômeno para além de sua obviedade, na busca do não dito, do concordar com o dito que o paciente “bom” é aquele que não reclama, da escuta atenta.


C

Em situações em que a desorganização emocional é proeminente, o psicólogo é convidado a ocupar uma posição idealizada de quem é possuidor de respostas e soluções. Ao assumir essa posição o psicólogo assume uma posição de respeito e de condutas organizadas e onipotentes.


D

O “fazer” do psicólogo numa UTI pode ser ampliado para a equipe visto a preocupação com a saúde mental destes. O trabalho do psicólogo situa-se na interpretação de formas de enfrentamento, seja no cuidado diário ao paciente e suas famílias seja em situações extremas.


E

No contexto da humanização o profissional da psicologia terá que emprestar suas qualificações, sua visão e seus instrumentos para instituir parcerias com outros profissionais da equipe de forma que estes possam desvalorizar a dignidade humana.

Ainda no texto de Castro e Bornholdt (2004) sobre as diferenças entre Psicologia Hospitalar e Psicologia da Saúde, pode-se afirmar que


A

A Psicologia da Saúde, com base no modelo biopsicosossocial, utiliza os conhecimentos das ciências biomédicas, da Psicologia Clínica, da Psicanálise e da Psicologia Social-comunitária.


B

Diferentemente do Brasil, em alguns outros países a identidade do psicólogo especialista está associada à sua prática e não ao local em que atua, ou seja, o trabalho do psicólogo em hospitais seria um dos possíveis locais em que atua o psicólogo da saúde.


C

No Brasil, a formação em Psicologia abarca conhecimentos da realidade sanitária do País, a participação em pesquisas e em políticas de saúde, indispensáveis para a determinação da sua prática e para o aprimoramento da especialidade.


D

Ambas as denominações (Psicólogo da saúde e psicólogo hospitalar) atuam em centros de saúde, hospitais e ONGs, usam teorias psicológicas distintas e demandam especialização obrigatória.


E

A formação em Psicologia deixa praticamente de lado temáticas relacionadas às questões microssociais relativas à saúde, contribuindo para a manutenção das estruturas sociais e das relações de poder sem utilizar todo o seu potencial questionador e transformador.

No contexto teórico-prático da psicologia hospitalar, é INCORRETO afirmar que

A
para o homem ocidental moderno, a morte passou a ser sinônimo de fracasso, impotência e vergonha, sendo escondida e negada, ao que serve, além de outras funções, o hospital, que a exclui e a isola do social.

B
a abordagem psicológica de um paciente, no contexto hospitalar, não procura estabelecer uma meta ideal para o paciente alcançar, mas favorecer a elaboração simbólica do sofrimento associado ao adoecimento.

C
no hospital, dentre os agravos que acometem o profissional de saúde, temos a Síndrome de Burnout, um quadro de estresse cujas etapas são: exaustão emocional, desrealização e baixa realização profissional.

D
durante o adoecimento, a família pode recorrer a defesas nem sempre adequadas, como a negação, as quais podem terminar por acarretar o aumento de fragilidade emocional, a regressão e o sentimento de culpa.

E
na hospitalização, os esforços, cognitivos e comportamentais, despendidos pelos indivíduos para lidar com situações estressantes, oriundas do adoecimento crônico ou agudo, são denominados de coping.

Considerando o trabalho clínico do psicólogo hospitalar e as estratégias terapêuticas, numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I.

COLUNA I

1. Associação livre

2. Transferência

3. Mudança

COLUNA II

( ) Estratégia realista. O esperado é o paciente ter alguma dificuldade de se adaptar à nova situação de enfermidade.

( ) O paciente pode falar sobre o que lhe vier à mente. Mas leito não é divã.

( ) Interpretar as repetições antes de o paciente ter condição de elaborar pode provocar resistência e irritação dele.

Assinale a sequência CORRETA.


A

1 2 3


B

3 1 2


C

1 3 2


D

2 1 3

Em relação a pacientes dependentes de álcool em situação de internação hospitalar, assinale a alternativa INCORRETA.


A

Os dependentes químicos (inclusive de álcool) se inserem no grupo de casos psiquiátricos de causa orgânica.


B

Pacientes dependentes do álcool podem apresentar problemas psiquiátricos em duas situações: no abuso ou na interrupção da droga.


C

São casos que exigem o atendimento de urgência da psicologia.


D

Tremores, agitação psicomotora, ilusões, alucinações, alterações do nível de consciência, irritabilidade e pensamento delirante fazem parte do quadro de abstinência do álcool.

Considerando as estratégias para o trabalho de escuta de psicólogos e psicanalistas no hospital, assinale a alternativa INCORRETA.


A

A assistência tanto psicológica como psicanalítica num hospital foca nos conflitos ligados à doença do paciente por meio da descoberta de segredos psicossomáticos.


B

A doença é uma mensagem, porém o único tradutor autorizado em relação às questões psíquicas é o próprio doente.


C

O mais importante é o sentido que a doença tem para o paciente. A palavra pertence a quem escuta e a doença é portadora de muitos significados.


D

O desejo que o paciente fale é porque é pela fala que o doente faz a travessia da doença para o adoecimento.

No hospital, o trabalho do profissional de psicologia requer a necessidade da reconfiguração do espaço do atendimento, contemplando novas ações para além do modelo clínico tradicional. O sujeito confrontado com a doença vê-se diante da exigência de organizar uma nova forma de existência, de ressignificar a vida afetiva e relacional, a partir do diagnóstico e terapêutica estabelecida. Nesse contexto, a intervenção do psicólogo dá-se:

I. a partir da compreensão dos processos psíquicos em torno do sofrimento que surge com o diagnóstico e tratamento. A partir daí, estabelecer um espaço continente de escuta ao sujeito, legitimando seus sentimentos, a fim de que ele possa reconhecê-los;

II. numa realidade em que a multiplicidade de situações e agentes envolvidos exige do profissional a compreensão acerca do funcionamento do órgão doente, a fim de minimizar os sintomas físicos;

III. no momento do encontro com o traumático, impactante. É justamente nessa fragmentação que, paradoxalmente, há um favorecimento para a subjetivação, surgindo, então, a possibilidade da construção de novos caminhos para o enfrentamento da vivência de adoecimento;

IV. na interlocução com os pacientes, a partir do reconhecimento das ambivalências e singularidades do discurso e do desejo humano.

Dos itens, está(ão) correto(s)


A

I, apenas. B) II e III, apenas.


B

II e III, apenas.


C

II e IV, apenas.


D

I, III e IV, apenas.


E

I, II, III e IV.

 
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