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O paciente terminal vive um emaranhado de emoções, que incluem ansiedade, luta por sua dignidade e o temor com a finitude de sua vida. Sobre a morte, no processo de hospitalização, é correto afirmar que
se deve evitar falar sobre a morte em contexto hospitalar para não intensificar a ansiedade do paciente.
o não falar é a melhor forma de lidar com a morte, uma vez que protege, alivia a dor e facilita a elaboração do luto.
a negação é a primeira reação diante da morte. Assim, o psicólogo deve reforçar essa atitude nos pacientes, o que facilitará a elaboração do luto.
a morte é vista como uma ameaça às funções dos profissionais da psicologia e cria sentimento de impotência diante dos atendimentos dos pacientes.
a distorção apresentada no conceito de morte nas diferentes fases do tratamento do paciente terminal deve-se exclusivamente às limitações cognitivas do paciente.
Em relação aos atendimentos aos quadros de urgência subjetiva ou crises de angústia em situação de internação hospitalar, assinale a alternativa CORRETA.
A transferência no ambiente hospitalar a se estabelecer entre paciente e profissional é imediata e é ela própria um fragmento da repetição do passado esquecido. Não há diferença com relação ao atendimento em ambulatório ou consultório.
Em casos de menores de idade, a transferência obrigatoriamente tem que ocorrer antes com os pais ou outro familiar que esteja responsável pelo menor durante a internação.
São casos que exigem o atendimento de urgência da psiquiatria primeiramente para, em seguida, o psicólogo / psicanalista ser chamado.
Na dinâmica da transferência, o amor consiste em novas edições de antigas características e repete reações infantis. A ação do psicanalista com pacientes angustiados será a mesma de fazer circular a palavra, que a angústia seja falada.
No contexto hospitalar, observa-se a Síndrome de Munchausen por Procuração (SMP), a qual, por sua gravidade, exige o diagnóstico pelos profissionais de saúde.
Sobre ela, é INCORRETO afirmar que
é um tipo de violência contra a criança e ameaça sua integridade física e psicológica.
na maioria dos casos, mas não sempre, o perpetrador de sua ocorrência é a mãe da criança.
consiste na supervalorização de sintomas corporais associados à certa condição clínica da criança.
a criança pode sofrer procedimentos invasivos e desnecessários que acarretem até o óbito.
frequentes internações de uma criança é um dos sinais relevantes para sua identificação.
O comprometimento observado na sua linguagem sustenta a existência de:
afasia.
agnosia.
dislalia.
disartria.
Segundo os autores, a alteração do estado emocional geral do paciente é do tipo:
depressão.
baixa autoestima.
baixo autoconceito.
ansiedade.
A prática da Psicologia Hospitalar lida com diferentes desafios que se estendem desde a reação dos pacientes, não apenas frente ao adoecimento e ao processo de hospitalização, como também, à própria estrutura institucional do hospital que, tal como os pacientes, traz seus próprios conflitos, e esses se entrecruzam em uma complexa relação.
A respeito da realidade da prática da Psicologia Hospitalar, assinale a alternativa correta:
O período de hospitalização inibe a introspecção no paciente, tendo em vista que o estresse decorrente da rotina hospitalar e os mecanismos de defesa atuam contra essa atividade psíquica.
A Unidade Coronariana é uma unidade que exige cuidados intensivos, rápidos e eficientes da equipe, na qual a família frequentemente pode ficar para apoiar o paciente.
Restaurar a confiança do paciente em relação ao seu problema não consiste em um dos objetivos da entrevista inicial, tendo em vista o caráter pontual e breve das intervenções no contexto hospitalar.
Na visão de Rogers, o psicólogo deve estar totalmente disponível e agir de forma a promover a espontaneidade do outro, atitude de não julgamento e condução diretiva da entrevista.
Geralmente os pacientes apresentam reações do tipo passivo ou agressivo, podendo manifestar raiva ou se deprimirem durante o processo de hospitalização.
Uma característica importante da Psicologia Hospitalar é a de que ela não estabelece uma meta ideal para o paciente alcançar, mas simplesmente aciona um processo de elaboração simbólica do adoecimento.
Dessa forma, a filosofia da Psicologia Hospitalar:
tem como valor principal a supressão do sofrimento orgânico e psíquico do sujeito.
tem por propósito reposicionar o sujeito em relação à sua doença.
se orienta a partir de uma filosofia que objetiva a cura do sujeito.
objetiva contribuir com o trabalho médico no cuidado da enfermidade do paciente.
é harmoniosa com a filosofia da medicina no que diz respeito a salvar vidas e tratar doenças.
Segundo o livro “Angústia” (2011), supõe-se que a aceitação irrestrita do discurso médico deve-se ao(à):
impossibilidade dos sujeitos encontrarem qualquer explicação para o que é a angústia
alívio psicológico resultante da nomeação de algo que é um enigma para o sujeito
eficácia da atuação dos medicamentos no organismo para a cura da angústia
verificação científica da ação dos tratamentos médicos em seu uso cotidiano
Ao analisar a significação da Psicologia no contexto hospitalar, Chiattone (2000) levanta algumas das dificuldades a serem enfrentadas pelo psicólogo na realização de seu trabalho:
I. Inexistência de um paradigma claro que pudesse definir estratégias levou o psicólogo hospitalar a buscar alternativas muitas das vezes distanciadas das necessidades dos pacientes e da instituição;
II. Há efeitos da unidade da Psicologia relativa às metodologias utilizadas ou, concretamente, ao seu objeto de estudo;
III. Nas instituições hospitalares, o modelo médico está cristalizado, marcado por saberes precisos e delineados, fortemente verticalizados, fundamentados em paradigma da medicina científica;
IV. Prática da exclusão, da desqualificação de saberes como não-científicos ou não psicológicos entre os profissionais da área em detrimento de uma tomada de posição ética ante a questão de contextualizar a Psicologia no hospital;
V. Para a instituição de saúde, arcaicamente sedimentada dentro dos princípios do saber biopsicossocial, o profissional de saúde mental é “o outro”, “o diferente”, por adentrar com um saber distinto e uma prática quase sempre estranha à rotina hospitalar.
Marque a opção CORRETA.
Somente II, III, V estão corretas.
Somente II, IV, V estão corretas.
Somente I, III, IV estão corretas.
Somente I, IV, V estão corretas.
Carlos é um garoto de 12 anos, filho único, está internado na ala oncológica de um hospital para tratamento de um câncer muito agressivo em processo de metástase. Encontra-se em tratamento há um ano e segundo avaliação médica está em fase terminal. Analise as afirmativas abaixo, considerando a situação dos seus pais para fins de prognóstico e intervenção psicológica.
I. Disponibilizar-se para, se for o caso, oferecer suporte afetivo para aquele que estiver mais fragilizado, visando lidar com os sentimentos decorrentes da perda;
II. Não abordar sobre um possível desejo dos pais de desistir de viver devido a proximidade da morte do filho para reencontrá-lo em outra dimensão existencial;
III. Ter conhecimento das fases do processo de luto, para poder lidar de uma forma eficiente com os recursos disponíveis, respeitando as defesas de cada um dos envolvidos;
IV. Compreender os vínculos estabelecidos com o filho doente para incentivar os pais a voltarem-se para as atividades que os façam esquecer a doença e a proximidade da morte;
V. Criação de estratégias para a emergência de crises de raiva e culpa que, podem acometer os pais, face as lembranças de pequenas omissões de cuidado que possam ter ocorrido.
Diante das possibilidades de intervenção acima, marque a alternativa que contém aquelas consideradas relevantes para a atuação do Psicólogo na situação apresentada.
Existem duas possibilidades de intervenções adequadas;
Existem três possibilidades de intervenções adequadas;
Apenas uma possibilidade de intervenção é adequada;
Todas as possibilidades de intervenção são adequadas;
Nenhuma das possibilidades de intervenção são adequadas.
A terminalidade é uma situação frequente nos hospitais gerais. De acordo com Camon (2004) sobre pacientes terminais, marque (V) para afirmativas Verdadeiras e (F) para as Falsas.
I. ( ) Torres (1983) afirma que a morte é, no século XX, o sujeito ausente do discurso. Entretanto, nos últimos 50 anos, o silêncio começa a ser removido das ciências humanas. Historiadores, antropólogos, biólogos, filósofos, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas iniciam com audácia uma luta contra a morte interdita.
II. ( ) Numa sociedade que escraviza o homem valorizando os meios de produção em detrimento da dignidade humana, a saúde passa a ser desvalorizada, pois está em risco a capacidade funcional do indivíduo, já que este torna-se menos produtivo.
III. ( ) O paciente terminal é depositário de uma série de incertezas que culminará tornando-o alguém vitimizado não apenas por uma determinada patologia, mas principalmente por toda uma incompreensão de sua real situação.
IV. ( ) O paciente em sofrimento desalentador está necessitando de apoio existencial, palavra, conforto, enfim, quer se sentir uma pessoa com significação existencial própria. Em alguns casos, essa necessidade se sobrepõe à necessidade da terapia medicamentosa.
Assinale a alternativa CORRETA sobre as afirmativas anteriores:
I. (F), II. (F), III. (V), IV. (F).
I. (V), II. (F), III. (F), IV. (V).
I. (V), II. (V), III. (V), IV. (V).
I. (V), II. (V), III. (F), IV. (V).
I. (V), II. (F), III. (V), IV. (V).
Em relação ao uso de atividades lúdicas no ambiente hospitalar, é correto afirmar que:
favorece o bem estar da criança e facilita a interação com a equipe de saúde.
dificulta a comunicação da equipe com o paciente.
fragiliza a família no processo de cuidar.
propicia uma interação negativa com o ambiente hospitalar.
vai prejudicar a criança porque ela vai querer brincar o tempo todo.
Para Camon (2004), sobre a atuação do psicólogo no hospital é INCORRETO afirmar
A despersonalização do paciente deriva ainda da fragmentação ocorrida a partir de diagnósticos cada vez mais específicos que fazem com que o todo seja olhado naquela vida, ainda que circunstancialmente assistamos cada vez mais ao surgimento de novas especialidades.
A psicoterapia, independentemente de sua orientação teórica, tem como principais objetivos levar o paciente ao autoconhecimento, ao autocrescimento e à cura de determinados sintomas.
Para minimizar o sofrimento provocado pela hospitalização, é necessário abranger não apenas a hospitalização em si – da patologia que tenha originado a hospitalização, mas principalmente as sequelas emocionais dessa hospitalização.
O doente acamado perde tudo; sua vontade é aplacada, seus desejos coibidos, sua intimidade invadida, seu trabalho proscrito, seu mundo de relações rompido. Ele deixa de ser sujeito.
É notória a evidência cada vez maior de que muitas patologias têm seu quadro clínico agravado a partir de complicações emocionais do paciente.
O que se pode pensar sobre a ação do psicólogo no hospital, de acordo com Knobel, Andreoli e Erlichman (2008)?
O psicólogo descobre que a técnica da psicologia clínica não se molda ao dinamismo da prática da psicologia hospitalar.
O psicólogo promove um olhar diferenciado do fenômeno para além de sua obviedade, na busca do não dito, do concordar com o dito que o paciente “bom” é aquele que não reclama, da escuta atenta.
Em situações em que a desorganização emocional é proeminente, o psicólogo é convidado a ocupar uma posição idealizada de quem é possuidor de respostas e soluções. Ao assumir essa posição o psicólogo assume uma posição de respeito e de condutas organizadas e onipotentes.
O “fazer” do psicólogo numa UTI pode ser ampliado para a equipe visto a preocupação com a saúde mental destes. O trabalho do psicólogo situa-se na interpretação de formas de enfrentamento, seja no cuidado diário ao paciente e suas famílias seja em situações extremas.
No contexto da humanização o profissional da psicologia terá que emprestar suas qualificações, sua visão e seus instrumentos para instituir parcerias com outros profissionais da equipe de forma que estes possam desvalorizar a dignidade humana.
Ainda no texto de Castro e Bornholdt (2004) sobre as diferenças entre Psicologia Hospitalar e Psicologia da Saúde, pode-se afirmar que
A Psicologia da Saúde, com base no modelo biopsicosossocial, utiliza os conhecimentos das ciências biomédicas, da Psicologia Clínica, da Psicanálise e da Psicologia Social-comunitária.
Diferentemente do Brasil, em alguns outros países a identidade do psicólogo especialista está associada à sua prática e não ao local em que atua, ou seja, o trabalho do psicólogo em hospitais seria um dos possíveis locais em que atua o psicólogo da saúde.
No Brasil, a formação em Psicologia abarca conhecimentos da realidade sanitária do País, a participação em pesquisas e em políticas de saúde, indispensáveis para a determinação da sua prática e para o aprimoramento da especialidade.
Ambas as denominações (Psicólogo da saúde e psicólogo hospitalar) atuam em centros de saúde, hospitais e ONGs, usam teorias psicológicas distintas e demandam especialização obrigatória.
A formação em Psicologia deixa praticamente de lado temáticas relacionadas às questões microssociais relativas à saúde, contribuindo para a manutenção das estruturas sociais e das relações de poder sem utilizar todo o seu potencial questionador e transformador.
Considerando o trabalho clínico do psicólogo hospitalar e as estratégias terapêuticas, numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I.
COLUNA I
1. Associação livre
2. Transferência
3. Mudança
COLUNA II
( ) Estratégia realista. O esperado é o paciente ter alguma dificuldade de se adaptar à nova situação de enfermidade.
( ) O paciente pode falar sobre o que lhe vier à mente. Mas leito não é divã.
( ) Interpretar as repetições antes de o paciente ter condição de elaborar pode provocar resistência e irritação dele.
Assinale a sequência CORRETA.
1 2 3
3 1 2
1 3 2
2 1 3
Em relação a pacientes dependentes de álcool em situação de internação hospitalar, assinale a alternativa INCORRETA.
Os dependentes químicos (inclusive de álcool) se inserem no grupo de casos psiquiátricos de causa orgânica.
Pacientes dependentes do álcool podem apresentar problemas psiquiátricos em duas situações: no abuso ou na interrupção da droga.
São casos que exigem o atendimento de urgência da psicologia.
Tremores, agitação psicomotora, ilusões, alucinações, alterações do nível de consciência, irritabilidade e pensamento delirante fazem parte do quadro de abstinência do álcool.
Considerando as estratégias para o trabalho de escuta de psicólogos e psicanalistas no hospital, assinale a alternativa INCORRETA.
A assistência tanto psicológica como psicanalítica num hospital foca nos conflitos ligados à doença do paciente por meio da descoberta de segredos psicossomáticos.
A doença é uma mensagem, porém o único tradutor autorizado em relação às questões psíquicas é o próprio doente.
O mais importante é o sentido que a doença tem para o paciente. A palavra pertence a quem escuta e a doença é portadora de muitos significados.
O desejo que o paciente fale é porque é pela fala que o doente faz a travessia da doença para o adoecimento.
No hospital, o trabalho do profissional de psicologia requer a necessidade da reconfiguração do espaço do atendimento, contemplando novas ações para além do modelo clínico tradicional. O sujeito confrontado com a doença vê-se diante da exigência de organizar uma nova forma de existência, de ressignificar a vida afetiva e relacional, a partir do diagnóstico e terapêutica estabelecida. Nesse contexto, a intervenção do psicólogo dá-se:
I. a partir da compreensão dos processos psíquicos em torno do sofrimento que surge com o diagnóstico e tratamento. A partir daí, estabelecer um espaço continente de escuta ao sujeito, legitimando seus sentimentos, a fim de que ele possa reconhecê-los;
II. numa realidade em que a multiplicidade de situações e agentes envolvidos exige do profissional a compreensão acerca do funcionamento do órgão doente, a fim de minimizar os sintomas físicos;
III. no momento do encontro com o traumático, impactante. É justamente nessa fragmentação que, paradoxalmente, há um favorecimento para a subjetivação, surgindo, então, a possibilidade da construção de novos caminhos para o enfrentamento da vivência de adoecimento;
IV. na interlocução com os pacientes, a partir do reconhecimento das ambivalências e singularidades do discurso e do desejo humano.
Dos itens, está(ão) correto(s)
I, apenas. B) II e III, apenas.
II e III, apenas.
II e IV, apenas.
I, III e IV, apenas.
I, II, III e IV.