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Sobre o Projeto Terapêutico em saúde mental, é CORRETO afirmar que:
O técnico de referência não pode jamais ser escolhido em função de sua formação profissional específica. Pode ser o psicólogo, o enfermeiro, o psiquiatra, ou qualquer outro: todos os técnicos de nível superior em Saúde Mental devem adquirir idêntica capacitação para conduzir o tratamento de um portador de sofrimento mental.
Faz parte do projeto terapêutico, em alguns casos, o atendimento individual do paciente. A frequência deste atendimento é modulada conforme a estabilização do paciente. Por meio dele, o paciente é convidado a elaborar seus delírios, procurar um sentido para as vozes que escuta, refletir sobre uma situação difícil em que se encontra, examinar sob outros ângulos alguns problemas que vive.
Também é preciso escutar e acolher a família, por isso também elabora-se um projeto terapêutico para esse sistema.
Ao estabelecer o projeto terapêutico, deve-se definir a forma e a frequência do paciente no serviço, seja este um CAPS ou CERSAM, uma unidade básica de Saúde, ou qualquer outro. Essas definições, considerando a gravidade do quadro e a intensidade dos cuidados necessários, são feitas, nesse primeiro momento, por meio de um acordo entre o médico assistente, o paciente e a família, variando ao longo do tratamento, conforme a evolução do caso. Os critérios são burocratizados e sistematizados e dependem unicamente das condições clínicas de cada paciente.
Quando um psicólogo integra uma equipe multiprofissional que presta atendimento em saúde mental à população, o caráter confidencial das comunicações feitas por um paciente, durante os atendimentos realizados com esse psicólogo:
Deve ser preservado, em qualquer circunstância, mesmo diante da solicitação de algum esclarecimento necessário ao atendimento de um colega da equipe.
Deve ser resguardado, salvo nos casos em que alguma informação sobre o caso for relevante e necessária para qualificar o atendimento realizado pela equipe.
Pode ser rompido somente se os dados solicitados sobre o atendimento realizado forem disponibilizados para qualificar o trabalho de outro psicólogo.
Deve ser relevado, uma vez que, quando o psicólogo integra uma equipe multiprofissional, as regras de confidencialidade não se aplicam.
No que se refere à proteção e direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, analise as proposições abaixo.
I. A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.
II. É direito da pessoa portadora de transtorno mental ter garantia de sigilo nas informações prestadas.
III. É direito da pessoa portadora de transtorno mental receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento.
É correto o que se afirma em
I e II, apenas.
I e III, apenas.
II e III, apenas.
I, II e III.
Acerca do Serviço de Urgência Psiquiátrica (SUP), é correto afirmar que
é um enxerto de um componente móvel em serviços psiquiátricos tradicionais em que o sujeito será abordado e seguirá para a internação.
é um serviço de urgência localizado na região central de Belo Horizonte, que funciona 24 horas, todos os dias da semana.
é uma estação de atenção à crise, com leitos, para atender a uma demanda aberta.
atua também como um dispositivo que faz a Rede funcionar, pois tem o papel essencial de reforçar a função “Hospitalidade Noturna” dos Cersams, incrementando as ações realizadas por esses serviços, para efetivar, de fato, uma atenção contínua e integral às crises.
São diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental, exceto:
Reestruturação da assistência psiquiátrica hospitalar – desinstitucionalização.
Expansão e consolidação da rede de Atenção Psicossocial.
Reduzir progressivamente os leitos psiquiátricos.
Garantia dos direitos civis dos portadores de transtornos mentais.
Descentralização da rede de cuidados em saúde mental.
Sobre os Serviços Residenciais Terapêuticos, Paulo Amarante afirma, em “Saúde Mental e Atenção Psicossocial”:
Por serem chamados de “serviços” e “terapêuticos”, eles perderam seu poder de provocar um deslocamento do modelo asilar.
É uma das dimensões descritas para se entender a Reforma Psiquiátrica como uma questão complexa.
Por meio da Portaria nº 106, de 11 de fevereiro de 2000, foram instituídos os Serviços Residenciais Terapêuticos. Tal iniciativa contribui para a superação do modelo psiquiátrico predominantemente asilar ainda hegemônico.
Tais serviços garantem a cidadania do novo sujeito político: o usuário de saúde mental do SUS.
São fundamentais para garantir que, quando o manicômio acabar, as pessoas não fiquem sem teto pela cidade.
Integram o processo de higiene mental: diagnóstico precoce, profilaxia e prevenção da doença mental, reabilitação e promoção de saúde na população.
Certo
Errado
São profissionais que compõem os Ambulatórios Multiprofissionais de Saúde Mental:
1. Médico psiquiatra
2. Psicólogo
3. Assistente Social
4. Enfermeiro
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
São corretas apenas as afirmativas 1 e 3.
São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.
São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.
São corretas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.
Em relação à Atenção em Saúde Mental para crianças e adolescentes no Sistema Único de Saúde (SUS), assinale a alternativa correta.
O transtorno do espectro autista deve ser acompanhado em setores privados de saúde, uma vez que o Sistema Único de Saúde desconsidera acolher esses casos.
O uso abusivo de álcool entre crianças e adolescentes é raro e a Rede de Atenção em Saúde Mental ainda não prevê atendimentos para tais casos.
Todas as demandas de saúde mental de crianças e adolescentes que chegarem à Unidade Básica de Saúde devem ser encaminhadas ao Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i).
A organização dos serviços de saúde mental pressupõe um território e uma população de referência.
Quando os cuidadores ou responsáveis usam de violência com a justificativa de educar os filhos, o profissional da saúde deve incentivar tais intervenções a fim de garantir a autoridade das figuras parentais.
Considerando as particularidades da sustentação do laço transferencial no tratamento do sujeito psicótico, Muñoz (2010) adverte que:
deve-se estar disponível para incentivar o exercício da fala, pois falar é sempre apaziguador
é fundamental que o sujeito psicótico suponha que o analista detém o saber que vai lhe completar
a erotomania e a perseguição se apresentam como riscos concretos no horizonte desse tipo de tratamento
esse laço é a via para chamar um sujeito psicótico à razão e subordinar-se à lei, promovendo sua inclusão social
Considerando os marcos históricos e os dados da conjuntura recente, Duarte (2018) sinaliza três tendências políticas no campo da saúde mental, sendo que uma delas propõe:
a modernização das instituições psiquiátricas com a retomada dos hospitais psiquiátricos especializados
a ampliação dos serviços com a retomada dos hospitais psiquiátricos através de parcerias público-privadas
o retorno do modelo manicomial-hospitalocêntrico para lidar com a loucura e o sofrimento psíquico
a síntese das diferentes tendências em disputa no campo da saúde mental
Na comparação entre as portarias nº 3.088/11 (RAPS original) e nº 3.588/17 (RAPS alterada), Duarte (2018) mostra que o novo desenho assistencial da “nova” política de saúde mental teve como uma das alterações o(a):
priorização da atenção residencial de caráter transitório
privilégio sobre o determinante psicossomático
retirada da ênfase na reabilitação psicossocial
reforço do binômio saúde-doença
Robaina (2010) aponta que a atuação dos assistentes sociais no campo da saúde mental se legitima frente à sociedade a partir de um processo de inserção histórica na divisão sociotécnica do trabalho e sua participação na trajetória da psiquiatria e em suas sucessivas reformas. Nesse percurso, chama a atenção para a inserção dos assistentes sociais na saúde mental, realizando atividades "clínicas". Na visão da autora, essa forma de trabalho das assistentes sociais assume uma posição que:
se subsume pelos saberes no campo psi, desde que o assistente social não tenha clareza da sua atuação profissional
se nega às ações privativas do assistente social no trato com os usuários e familiares como produtores de impactos subjetivos
se soma ao saber psi de que na clínica todos devem ter a mesma atuação e considera sempre a subjetividade como norte das ações
se subordina à homogeneização dos saberes no campo psi, trai o mandato social do serviço social e deixa uma lacuna histórica no projeto da Reforma Psiquiátrica
O texto "Afinal, o que faz o serviço social na saúde mental?" apresenta questões debatidas no I Encontro Estadual de Serviço Social e Saúde Mental e II Seminário UERJ de Serviço Social e Saúde Mental, sobre se haveria ou não uma clínica do serviço social na saúde mental, caracterizando a clínica do serviço social na saúde mental como:
clínica ampliada, que se materializa na clínica pautada no sujeito e em suas necessidades
clínica social, que se efetiva ao considerar somente os determinantes sociais no processo saúde-doença
clínica da enfermidade, que se realiza a partir da redução do espectro clínico e das limitações impostas pela enfermidade
clínica do serviço social que se concretiza na condução do assistente social, baseada em atuações que negam a subjetividade do sujeito
Na Política de Saúde Mental do Brasil encontramos instituições destinadas a acolher pessoas com sofrimento psíquico grave e persistente, sendo consideradas também os usuários abusivos de álcool e drogas como tais pessoas. Qual o local, ou seja, Centro de Atendimento, de âmbito ambulatorial, específico para o atendimento destas pessoas?
Serviços residenciais terapêuticos.
CAPSad.
CAPSi.
CAPS.
Assinale a alternativa correta quanto à atenção à “crise psiquiátrica”, a partir dos pressupostos da atenção psicossocial.
A crise se caracteriza como uma disfunção biológica e, por esse motivo, a intervenção deve incluir o uso de psicofarmacoterapia.
A crise deve ser manejada pelos serviços de urgência e emergência, pelos profissionais do SAMU ou da Emergência Psiquiátrica.
A crise é o resultado de uma série de fatores que envolvem terceiros e a intervenção, nessa situação, não necessariamente indicará internação ou psicofarmacoterapia.
Em situações de crise, deve se recomendar a internação para garantir a saúde e a integridade do usuário.
A crise se caracteriza como uma disfunção psíquica do sujeito diante da insuficiência de recursos psíquicos de enfrentamento de uma situação conflitante, a intervenção deve ser preventiva na construção de recursos a fim de evitar a situação crítica.
Em relação ao cuidado humanizado em saúde mental, assinale a alternativa incorreta.
A luta por um atendimento em saúde resolutivo, integral e humanizado para a população que padece de sofrimento psíquico passa pelo reconhecimento desses sujeitos como cidadãos que gozam do direito de buscar ajuda quando avaliarem necessário, ou seja, devem dispor de uma rede de atenção com diferentes serviços a serem acessados em diferentes circunstâncias de suas vidas.
É importante pensar o cuidado do sofrimento psíquico considerando o diagnóstico psicopatológico resultante das disfunções de interações neurobioquímicas e as práticas que, quando necessárias, limitem o exercício do ir e vir e que incidam sobre o já precário poder de contratualidade que o sujeito tem sobre si e sobre as coisas do mundo.
A Política de Humanização da Atenção e da Gestão possui como objetivo a qualificação das práticas de gestão e de atenção em saúde tendo como diferencial a construção de um plano transversalizando de conceitos, funções, sensações, saberes, poderes, conectando produção de saúde ao campo da gestão.
A experiência de desinstitucionalização que embasa a reforma psiquiátrica brasileira ocorreu na Itália e não ficou restrita à desospitalização nem ao deslocamento da instituição psiquiátrica para outros serviços assistenciais comunitários. Ao contrário, criou condições para empreender a construção de novos sentidos sobre o próprio saber psiquiátrico focando na instituição Psiquiatria em seus aparatos técnico-científico, administrativo e jurídico, os quais não se limitam aos muros do asilo.
Assinale a alternativa correta acerca do marco institucional da assistência psiquiátrica no Brasil.
Em 1841, cria-se o primeiro hospício no Brasil, com a assinatura do Decreto n° 82/1841, Hospício Pedro II, no Rio de Janeiro, mas foi inaugurado no ano de 1852, 10 anos após sua assinatura.
Após a inauguração do Hospício Pedro II, foram criados outros hospícios nas demais capitais, como São Paulo, Pará, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul, com características comuns, localização distante dos centros, doações e (ou) impostos para erguê-los com implicação da população pela causa meramente religiosa.
Somente em 1881, é iniciado um processo de queda da hegemonia médica, com a ascensão da assistência religiosa.
Teixeira Brandão assume a cadeira de “medicina doenças nervosas e mentais” e assume a direção do Hospital Pedro II, após afirmar a eficácia dos tratamentos realizados na época.
Em 1890, o Hospício Pedro II é renomeado como Hospital Nacional dos Alienados, coincidindo com a Proclamação da República (15 de novembro 1889) e o fim da hegemonia médico-científica.
No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia atua em defesa de um tratamento humanizado dos portadores de sofrimento mental com base no respeito aos Direitos Humanos, à liberdade e à cidadania, e destaca:
As batalhas e importantes transformações para a Reforma Psiquiátrica brasileira já foram integralmente conquistadas.
O SUS e os movimentos sociais atuam pela manutenção dos hospitais psiquiátricos, uma vez que muitas famílias não desejam seus doentes no domicílio.
Ainda existem hospitais psiquiátricos e manicômios que continuam reproduzindo a violência institucional e simbólica em nossa sociedade.
As mudanças no modelo assistencial operadas pela política de saúde mental obtiveram retrocessos políticos, normativos e assistenciais indiscutíveis.
As mudanças definidas pela Lei no 7.500/2020 demonstram a importância da atuação da sociedade na desinstitucionalização e revelam desafios alcançados.
Foi na segunda metade da década de 1970 que o movimento atual de Reforma Psiquiátrica Brasileira se iniciou, simultaneamente ao movimento de redemocratização brasileiro. Porém, de acordo com Delgado (2001), duas referências anteriores mantiveram relação com tudo que aconteceria posteriormente: o modelo de comunidades terapêuticas e o movimento da psiquiatria comunitária e preventiva. Este último instituiu as ideias de “saúde mental” em oposição à (ao)
sofrimento psicológico.
doença psicológica.
sofrimento mental.
doença mental.
loucura.