Questões de Concurso sobre Filosofia e a Grécia Antiga

 
 
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Vamos encontrar entre os pré-socráticos a origem dos sistemas idealistas, materialistas, dualistas e pluralistas, a fonte da metafísica mais elevada e as formas rudimentares do pensamento científico ocidental. Os pré-socráticos foram os iniciadores de uma ontologia e de uma teoria do conhecimento, lançaram as bases da concepção mecânica do real e prepararam o terreno para a dialética idealista, o eudemonismo ético e a interpretação teleológica do universo.


Cannabrava, Euryalo. Nietzsche - "La Naissance de la

Philosophie" - 1938* * Publicado no Diário de Pernambuco.

Pernambuco, Domingo, 14 de Maio de 1939, p. 8. (Arquivo

DP/D.A. Press, em 28/07/2016). Cadernos Nietzsche [online].

2016, v. 37, n. 2 [Acessado 27 Setembro 2021], pp. 159-165.

Disponível em:<https://doi.org/10.1590/2316- 82422015v3702eca> .


Das alternativas a seguir, somente uma não caracteriza sem equívocos as ideias de Tales de Mileto.


A

O universo é “animado”.


B

O sábio tem de resistir aos desejos extravagantes da bondade não inteligente.


C

Todas as coisas estão cheias de deuses.


D

O úmido elementar está penetrado do poder divino.


E

A inteligência do cosmos é o deus.

Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa — em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos — em suma: tudo quanto não seja ação nossa. Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem. Lembra então que, se pensares livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, tu te farás entraves, tu te afligirás, tu te inquietarás, censurarás tanto os deuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu, e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá, ninguém te fará obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo.


Internet:<www.devitastoica.com> .

Tradução de Aldo Dinucci.


Ao tratar da distinção entre o que depende de nós e o que não depende de nós, o texto precedente apresenta princípios filosóficos do


A

idealismo.


B

epicurismo.


C

estoicismo.


D

empirismo.


E

ceticismo.

Escutando não a mim, mas ao Logos, é sábio entrar em acordo para dizer a mesma coisa: tudo é um.)

Heráclito de Eféso (Frag. 50)


Com relação ao logos em Heráclito de Éfeso, assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas a seguir:


Referindo-se ao estilo ________________, Heidegger opina que, em vez de ser denominado de “____________”, Heráclito poderia e deveria ter sido chamado de “_______________”, pois o que ele escreve no seu estilo _______________, “clarifica e faz brilhar a linguagem do pensar”. Esta claridade, porém, é uma claridade sui generis, pois tem o fascínio e o enigma dos relâmpagos. De um modo fugaz e efêmero, os relâmpagos, com seus repetidos clarões, iluminam a escuridão da noite, mas não conseguem transformá-la na claridade do dia.


A

Enigmático, heraclitiano, o obscuro, o claro.


B

Heraclitiano, obscuro, o claro, enigmático.


C

Dogmático, obscuro, o claro, enigmático.


D

Enigmático, filosófico, o claro, logístico.


E

Logosoficante, enigmático, o obscuro, o claro.

Verbalmente todos concordam e identificam que a felicidade é o bem que se tem como fim, e que ela é o bem viver e o bem agir. Independente do que consideramos que ela seja, ela é a causa dos outros bens.


ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, 1095a15-20).


O trecho se refere a uma concepção que visa o alcance da felicidade como finalidade moral, denominada:


A

Eudaimonia.


B

Ataraxia.


C

Hedonismo.


D

Carpe diem.


E

Aretê.

A partir do século V a.C começa uma nova fase da filosofia grega, a preocupação deixa de ser a cosmologia para atentar mas precisamente para o ser humano. O ideal de homem, para os gregos, passa a ser o cidadão, que toma o lugar do guerreiro aristocrático do período homérico. O homem agora tem que saber usar uma nova arma, a palavra. Isso é o resultado da democracia.


Nesta época surge uma figura nas ruas da Grécia que usava suas habilidades para ensinar a arte da retórica. Este profissional seria o:


A

escriba.


B

cônsul.


C

poeta.


D

sofista.


E

thetas.

Ecoando elementos críticos de outro grande helenista, F. M. Cornford (1874-1943), autor de Principium Sapientiae: As Origens do Pensamento Filosófico Grego (1952), às teses de Burnet, Vernant explora algumas diferenças entre as construções míticas e as especulações dos fisiólogos, contudo, tomando o cuidado de não assumir qualquer tipo de descontinuidade histórica na exposição das diferenças. A estratégia usada para contrapor a tese do “milagre grego”, portanto, pode ser expressa nas afirmativas abaixo. Analise as afirmativas abaixo, que apresentam de forma correta a estratégia e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).


( ) Análise e/ou averiguação dos poemas homéricos e hesiódicos com vistas ao estabelecimento de pontos de contato ou interseções destes com a filosofia nascente.

( ) Como não há pontos de contato possíveis entre a racionalidade mítica e a filosófico-científica, o esforço deve ser no sentido de encontrar o momento do “relâmpago no céu azul”, isto é, o momento originário da racionalidade filosófica por meio da investigação histórica das produções dos homens gregos.

( ) Como segunda etapa, deve-se confrontar as duas atitudes - a mítica e a filosófica - diante do real com aquela cujo método é, reconhecidamente, de base empírica, a exemplo da medicina, visto que a mudança de perspectiva do conteúdo para o método pode revelar os pontos de contato do processo intelectual entre as duas atitudes.

( ) A mudança de foco do objeto para o método, como etapa estratégica posterior, pode evidenciar a ruptura entre a racionalidade mítica e a filosófica, portanto, a análise dos poemas homéricos e hesiódicos, apenas para recorde de importância histórica das principais autoridades poéticas no mundo antigo, e dos produtos da genialidade científica dos primeiros filósofos podem, pela comparação, tornar evidentes as diferenças e a ausência de qualquer vínculo causal histórico/cultural entre as duas atitudes.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.


A

F - V - V - F


B

V - F - V - F


C

V - V - F - F


D

F - F - V - V

A partir do século XIII, desenvolveu-se um cenário intelectual que adquiriria um caráter de notável unidade, sobretudo com os manuais de Toletus, de Rubio e dos conimbricenses. Trata-se, de acordo com Étienne Gilson, “daquele aristotelismo cristianizado e de método essencialmente dialético. (...) Na origem desse movimento de ideias está o ensino dos mestres da Faculdade de Artes, que não têm outra função fora comentar ou, como se dizia na época, ‘ler’ sucessivamente diante de seus alunos todos os tratados conhecidos de Aristóteles”.


O texto precedente aborda características


A

do gnosticismo.


B

do teísmo.


C

da escolástica.


D

da patrística.


E

dos peripatéticos.

Esse mundo pragmático em que a gente coexiste é um lugar de passagem de outros povos, outras mentalidades e culturas. E não existe só este mundo de concreto, ruas e cidades; que imprime no corpo da Terra a marca dos homens como se eles fossem a única existência inteligente e sensível. Se você conversar com os sábios dos Krenak, dos Guarani, dos Xavante e perguntar “O que quer dizer o nome do seu povo?”, eles vão dizer “ente humano”, “nós”, desmantelando a ideia de indivíduo e dando oportunidade de conversarmos com o rio, com a montanha, com outros seres que não são os eletivos humanos. Porque alguém elegeu este lugar como se fosse um clube. E, se você quiser fazer parte desse clube, vai reforçar a predação do planeta andando pelo mundo como se fosse a única inteligência viva da Terra. É uma racionalização absurda do pensamento. É isso que tem sido denunciado como uma espécie de humanidade-zumbi, uma humanidade petrificada que nem sabe o que está fazendo, mas continua fazendo. E isso incide sobre o mundo de maneira tão brutal que chegamos ao ponto de estarmos agora com esses mundos em colisão, como se não pudesse existir mais nenhum lugar da Terra que essa humanidade não possa invadir.


Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/ailton-krenak-entrevista/. Acesso em: 8 maio 2020 (adaptado).


Considerando as informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.


I. A crítica feita pelas cosmovisões indígenas refere-se ao poder homogeneizador da racionalidade dominante.


PORQUE


II. A conquista do território pelo “homem branco” visivelmente se impõe, com força colonizadora, sobre os outros tipos de manifestações de identidades e culturas.


A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.


A

As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.


B

As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.


C

A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.


D

A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.


E

As asserções I e II são proposições falsas.

A filosofia desenvolve-se na Grécia antiga. Com Pitágoras de Samos (séc. V a.C) passa a ser reconhecida como “amizade, amor pelo conhecimento”. A filosofia provocou uma profunda mudança na forma de pensar os diversos aspectos da vida. Assim, com a sua emergência:


A

ocorre a racionalização da consciência mítica e sua passagem para a consciência filosófica.


B

o mito e o logos (razão), antes separados, são unidos para gerar o pensamento científico.


C

os gregos perdem o sentido do universo, mas criam uma nova religião.


D

a explicação racional dá lugar às explicações fantasiosas e deístas.


E

a explicação sobre a realidade assume um caráter mitológico.

No início da filosofia, houve uma corrente de pensamento que valorizava essencialmente a retórica, ou seja, o domínio da linguagem voltada para um discurso persuasivo. Por isso foram constantemente acusados de superficialidade, de utilizar discursos vazios de conteúdo.


Tal corrente é conhecida como:


A

Sofismo.


B

Idealismo.


C

Ceticismo.


D

Estoicismo.


E

Epicurismo.

Pensando a physis, o filósofo pré-socrático pensa o ser, e a partir da physis pode então aceder a uma compreensão da totalidade do real: do cosmos, dos deuses e das coisas particulares, do homem e da verdade, do movimento e da mudança, do animado e do inanimado, do comportamento humano e da sabedoria, da política e da justiça.


G. Borhein. Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Cultrix. 1998.


Essa característica leva as escolas pré-socráticas a serem também denominadas escolas de


A

cosmologia ou de física.


B

mitologia ou de física.


C

teologia ou de mitologia.


D

cosmologia ou de teologia.


E

cosmogonia ou de teologia.

As relações das filosofias de Sócrates e Platão com Protágoras caracterizam-se por


A

filiação e continuidade.


B

veneração e descontinuidade.


C

veneração e crítica..


D

crítica e superação.


E

filiação e superação.

O não oculto, o não dissimulado e, como tal verdadeiro, é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito, é a manifestação do que é ou existe tal como é, o falso, o escondido, o encoberto, o dissimulado, parece ser, mas não é como parece, entendida por Platão como contrária ao conhecimento epistêmico, verdadeiro, devido ao fato de expressar particularidades ligadas às percepções que podem ser errôneas ou a passionalidade dos sujeitos, fazem referência, respectivamente, a:


A

Aletheia, Doxa e Pseudos.


B

Pseudos e Aletheia.


C

Aletheia, Pseudos e Doxa.


D

Doxa, Pseudos e Aletheia.


E

Aletheia, Doxa e Aletheia.

“Assim como nossa psyche, que é ar, nos mantém juntos e nos governa - escreve -, assim o pneuma ou o ar abarca o cosmos inteiro.”


(JAEGER, W. La teología de los primeros filósofos griegos. Fondo de Cultura Económica: México - Buenos Aires, 1952. p. 83. Tradução adaptada).


O fragmento pré-socrático acima citado é atribuído a um dos filósofos abaixo. Assinale a alternativa que corresponde ao nome do filósofo que teria dito a frase.


A

Anaximandro


B

Anaxímenes


C

Demócrito


D

Xenofonte

O debate sobre a relação entre fé e razão envolveu também a comunidade muçulmana, particularmente a partir do momento em que os teólogos islâmicos entraram em contato com a filosofia aristotélica, no século XIII. É o caso de Ibn Rushd, conhecido como Averróis, um dos mais importantes comentadores da obra de Aristóteles, para quem fé e razão:


A

estão de acordo, mas a segunda deve estar subordinada à primeira.


B

tratam de realidades diversas, em modos diversos, e, por isso, são irreconciliáveis.


C

propõem verdades opostas sobre a mesma realidade, sendo a primeira universal e a segunda não.


D

tratam de modos diversos a mesma realidade, sendo duas dimensões do saber.


E

estão em contraste, mas podem ser conciliadas pelo uso da dialética.

O contexto do primeiro fragmento é uma crítica que Vernant faz à tese do “milagre grego” na versão de J. Burnet (1863-1928) em sua obra O Despertar da Filosofia Grega (1892). Sobre esta tese de Burnet, assinale a alternativa correta.


A

A filosofia foi gerada, dinamicamente, no devir de um mito laicizado


B

Há solução de continuidade mito-filosofia possível de ser evidenciada historicamente, a partir da investigação dos elementos histórico-religiosos da cultura grega


C

Ainda que se possa supor evidente, pelo uso de expressões comuns ou pela semelhança da linguagem que recorre a elementos de mistérios, típicos dos mitos, das religiões de mistérios e mesmo dos ritos sociais, não se pode apresentar qualquer elemento suficiente que conecte, como que por necessidade causal histórica, o surgimento da razão filosófico-científica ao tipo de racionalidade do mito


D

A expressão “milagre grego” refere-se à especulação mítico-religiosa e à possibilidade de traçar os nexos da razão filosófica e científica partindo da racionalidade mítica

A originalidade da pólis é que ela estava centralizada na ágora (praça pública), espaço onde se debatiam os problemas de interesse comum, regidos pela ética (essa invenção grega, compreendida como a ciência da conduta). Separavam-se na pólis o domínio público e o privado: isso significava que ao ideal de valor de sangue, restrito a grupos privilegiados em função do nascimento ou fortuna sobrepunha-se a justa distribuição dos direitos dos cidadãos como representantes dos interesses da cidade.


Maria Lúcia de Aranha. Filosofia: introdução à Filosofia.

São Paulo: Moderna, 2009, p. 39 (com adaptações).


Considerando-se as informações do texto anterior, é correto afirmar que a ágora consistia em um espaço para o cidadão grego, aquele que fora educado a partir da ciência da conduta, tornar pública a expressão viva dos interesses do povo. Tal expressão se dava por meio


A

da imposição.


B

da guerra.


C

da ordem.


D

do diálogo.


E

da produção.

 
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