Questões de Concurso sobre Razão e seus Sentidos

 
 
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“A rosa é sem porquê, floresce porque floresce, não cuida de si própria, não pergunta se a vemos”.


(Angelus Silesius, séc. XVII.)


Na obra de Leibniz se ratificou um princípio filosófico que se opõe à indeterminação exemplificada na frase citada, do místico alemão Angelus Silesius, buscando, ao contrário, a explicação do porquê as coisas existirem e serem como são, e não de outra maneira.


Assinale a opção que identifica corretamente esse princípio.


A

Princípio da contradição.


B

Princípio de individuação.


C

Princípio da diferença.


D

Princípio de continuidade.


E

Princípio da razão suficiente.

Doutrina que se opõe ao ceticismo e atribui à razão humana a capacidade exclusiva de conhecer e estabelecer a verdade:

A
estoicismo

B
racionalismo

C
escolástica

D
misticismo

E
platonismo

“Unicamente a autêntica e pura razão humana é a que se torna necessária e aconselhável para servir de orientação, e não um suposto e misterioso sentido da verdade, uma exaltada intuição sob o nome de fé, na qual a tradição ou a revelação podem ser enxertadas, sem o consentimento da razão.”


(Adaptado de KANT, Imanuel. O que significa orientar-se no pensamento?[1786].

In:Textos seletos. 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1985, p. 72.)


Com base no texto citado, assinale a alternativa que identifica corretamente o conceito kantiano de razão, um dos pilares do iluminismo filosófico.


A

O caráter especulativo da razão pura teórica se justifica pelo imperativo categórico de conhecer a verdade científica.


B

As coisas espirituais que se revelam aos sentidos são os objetos da razão orientada para o conhecimento objetivo.


C

A razão teórica é dependente do reconhecimento, para sua orientação, de um bem supremo transcendente entendido como puro ideal.


D

A liberdade de pensar é uma exigência para a orientação civil do homem, comandando suas crenças pessoais e sua devoção religiosa.


E

A razão, através da faculdade de conhecimento, deve subordinar o dado sensível da experiência, estabelecendo os limites do que podemos conhecer.

Na visão de Kant ( in Marcondes,1997), a tarefa da crítica consiste em realizar o exame dos limites da razão teórica e estabelecer:

A
o fator externo de seu funcionamento

B
os juízos sintéticos independentes da experiência

C
a necessidade do pensamento puro

D
os critérios de um conhecimento legítimo

E
a correspondência do objeto ao pensamento

Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e culturalmente.

CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques. Scientiae Studia, São Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado).

Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em


A

expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes.


B

oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia.


C

ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso.


D

explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos.


E

explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos.

A violência do princípio “saber é poder” (Francis Bacon), ou seja, a imposição da “técnica social”, da razão funcional, instrumental, tecnológica, com o seu afã de disponibilizar tudo, homens e coisas, perpassa totalmente a sociedade de nosso tempo, nas análises de Herbert Marcuse (1898-1979). A sociedade se torna um sistema funcional autoconstituído. É uma nova forma de “ditadura” ou “totalitarismo”. Agora, o totalitarismo já não provém deste ou daquele partido ou Estado, não tem cor, é anônimo. Mesmo a democracia é apenas uma aparência. Aparentemente, trata-se da “soberania do povo”, mas, em verdade, o que está em questão é a regência dos mecanismos estabelecidos pelo sistema. A dominação se tornou racional e a racionalidade, dominadora. Ninguém mais governa e todos são dominados. Dessa situação histórica surge o Homem unidimensional, título de um livro de Marcuse, de 1964. Assim, o mundo fica chato, isto é, plano (e monótono). A dominação ocorre não só por meio da tecnologia, mas como tecnologia. Paradoxalmente, a sociedade racional enterra, de vez, a ideia da razão.

Com relação às ideias expostas no texto acima, assinale a opção correta.


A

Marcuse vê no triunfo da razão instrumental e no surgimento do homem unidimensional a forma mais extrema de totalitarismo, que suprime a liberdade e o prazer da vida dos homens.


B

Marcuse considera o triunfo da razão instrumental como uma conquista da humanidade moderna, ou seja, como um processo que traz aos homens a plena satisfação de seus desejos, pois possibilita a eles participarem da fruição dos bens de consumo produzidos na civilização tecnológica.


C

Segundo Marcuse, a civilização tecnológica é a civilização da liberdade.


D

Na concepção de Marcuse, a forma de totalitarismo mais ameaçadora é a do Estado.


E

Para Marcuse, a democracia é uma das conquistas fundamentais dos Estados modernos.

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A

todo conhecimento é reduzido a feixe de percepções, inexistindo na razão qualquer categoria anterior à experiência.


B

o principal papel da razão pura consiste em conhecer os objetos da experiência concebidos como coisas-em-si.


C

o conhecimento epistemologicamente válido constitui-se pela integração da sensibilidade e do entendimento.


D

o cogito cartesiano desempenha a função transcendental de integrar as categorias da sensibilidade e do entendimento.


E

como faculdade reguladora da atividade cognoscente, a razão produz conhecimentos inatos e independentes da esfera empírica.

Imagem associada para resolução da questão


A

este pensador criticou as tradições empirista e kantiana, entendendo a razão como resultado de um processo histórico.


B

ela resgata a primazia dada pelos empiristas aos dados da experiência como única fonte do conhecimento.


C

seu caráter negativo explica-se pela fundamentação essencialmente cartesiana e mecanicista.


D

não estando a verdade nem nos objetos, nem no sujeito, o processo cognoscente subordina-se à relação do espírito humano com Deus.


E

a harmonia entre as coisas e as ideias é explicada por Hegel por meio de fundamentos materialistas.

Imagem associada para resolução da questão


A

sua principal implicação foi a dualidade entre corpo e alma, segundo Descartes.


B

teve importante papel para a formulação das teses da filosofia empirista.


C

envolveu a concepção de intuições puras na sensibilidade e categorias inatas no entendimento.


D

possibilitou a formulação de um estatuto científico para a metafísica.


E

postulou a possibilidade de conhecimento sobre os objetos como coisas-em-si.

Em sua Crítica da razão pura, Kant estabelece uma distinção entre noumena e fenômenos. Tal distinção refere-se, respectivamente,


A

às coisas tal como elas são em si mesmas e às coisas tal como elas são segundo o ponto de vista de cada cultura particular.


B

às coisas tal como elas são em si mesmas e às coisas tal como podemos conhecê-las.


C

às coisas tal como elas nos aparecem e às coisas tal como elas são em um reino abstrato de Ideias ou Formas.


D

às coisas tal como elas são segundo meu ponto de vista individual e às coisas tal como elas são segundo o ponto de vista do outro.

Nada além da liberdade é necessário à ilustração; na verdade, o que se requer é a mais inofensiva de todas as coisas às quais esse termo pode ser aplicado, ou seja, a liberdade de fazer uso público da própria razão a respeito de tudo.


(Kant, I. O que ilustração?)


Baseando-se na citação acima, é correto afirmar que, para Kant, a vida social emancipada (isto é, a ilustração) pressupõe


A

uma formação educacional ilustrada como condição de possibilidade da liberdade.


B

o livre uso público da razão entendida como propriedade de todo ser humano.


C

o caráter inofensivo e benevolente do uso público da razão.


D

a necessidade de que cada indivíduo se ilustre para poder opinar a respeito de tudo.


E

a necessidade de abandonar o uso privado da razão em favor do público.

Na obra Além do bem e do mal, Nietzsche nega que as dicotomias metafísicas tradicionais, tais como bem/mal e verdadeiro/falso, sejam derivadas

A
dos sentimentos e instintos humanos.

B
da história.

C
da razão universal.

D
da cultura.

E
da educação.

Na parte da Crítica da razão pura intitulada “Estética Transcendental”, Kant afirma que


A

espaço e tempo são conceitos empíricos abstraídos de experiências externas.


B

espaço e tempo são entidades reais, existentes independentemente das mentes humanas.


C

espaço e tempo são ideais do ponto de vista empírico e reais do ponto de vista transcendental.


D

espaço e tempo inexistem independentemente das mentes humanas.

Considere o texto a seguir.


“Tendo cedido em sua autonomia a razão tornou-se meio. Como sublinham os positivistas, no que se refere à forma da razão enfatiza-se a sua não-referência a um conteúdo objetivo. E, como apontam os pragmáticos, no que se refere à transformação em meio enfatiza-se a submissão a conteúdos heterônomos. A razão tornou-se algo inteiramente aproveitado no processo social. Seu valor operacional, seu papel de domínio dos homens e da natureza tornou-se o único critério para avaliá-la."


(Max Horkheimer, O Eclipse da Razão)


O processo descrito e sua principal conseqüência são, respectivamente,


A

conversão da filosofia em lógica e imbricação entre ciência e técnica.


B

crise da razão crítica e difusão do senso comum cientificista.


C

emergência da razão instrumental e conversão da ciência em ideologia.


D

fusão entre poder e saber e propagação da indústria cultural de massas.


E

decadência do fetichismo da mercadoria e propagação da alienação.

O filósofo empirista David Hume celebrizou-se por sua crítica à concepção clássica da causalidade. Qual das afirmações abaixo resume a posição desse filósofo acerca da relação de causa e efeito?


A

A causalidade é inteiramente estéril para o conhecimento dos objetos da experiência.


B

A causalidade indica uma ligação essencial, pois o ser do efeito está contido em potência no ser da causa.


C

A causalidade é dada a priori para o entendimento humano.


D

A causalidade é uma relação externa aos objetos, tributária do hábito e da repetição de seqüências observáveis na experiência.


E

A causalidade é inteiramente desprovida de validade no quadro conceitual do ceticismo humiano.

Assinale alternativa que expressa as idéias do texto acima.


A

A razão é plenamente suficiente para as avaliações morais e para a escolha da ação mais adequada à realização dos fins.


B

Quando se trata de escolhas morais, o sentimento é ao mesmo tempo o único critério de opção e o único instrumento de ação.


C

A razão e o sentimento se opõem um ao outro de modo absoluto e assim não podem estar ambos presentes na vida moral.


D

A virtude promove o bem e o vício conduz ao mal, independente da interferência da razão e do sentimento.


E

A razão nos informa acerca da utilidade das ações e o sentimento aprova ou desaprova essas ações na medida em que se mostrem conformes à realização da felicidade.

No romance Emílio, o princípio básico do programa educacional de Rousseau consiste


A

na liberdade orientada pela razão.


B

em abandonar-se à voz dos instintos.


C

no desenvolvimento do senso estético.


D

em cultivar a instrução livresca.


E

no constrangimento físico e moral.

No contexto geral da filosofia crítica de Kant, a imortalidade da alma é


A

apenas um dogma da religião.


B

um postulado da razão pura prática.


C

uma especulação metafísica comprovadamente falsa.


D

uma proposição teórica demonstrável pelo entendimento.


E

uma hipótese experimental da psicologia.

A razão humana, num determinado domínio de seus conhecimentos, possui o singular destino de se ver atormentada por questões que não pode evitar, pois lhe são impostas pela sua natureza, mas às quais não pode dar resposta por ultrapassarem completamente suas possibilidades.

A partir da leitura do parágrafo acima, é correto afirmar que, para seu autor,


A

há questões que ultrapassam nossa capacidade de conhecer, mas que se impõem pela própria natureza da razão.


B

o conhecimento humano é incapaz de produzir respostas racionais aos problemas impostos pela natureza.


C

a razão humana é impotente em face dos enigmas da natureza, ainda que seja capaz de produzir conhecimento sobre si própria.


D

a razão humana tende naturalmente para o ceticismo.


E

a razão humana tende naturalmente para o dogmatismo.

   
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