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Segundo MORAES, Paul Vidal de La Blache definiu o objeto da Geografia como a relação homem-natureza, na perspectiva de:
Território.
Paisagem.
Estado.
Lugar.
Tudo é ideológico. Estamos dentro de um mar de ideologia. Tudo é produzido a partir de uma ideologia, mas as coisas não aparecem como tal. Somos cercados por coisas que são ideologia, mas que nos dizem ser a realidade. (SANTOS, 2000, p.9)
Assinale a alternativa correta que explica porque parte do pensamento do professor e geógrafo Milton Santos, expresso na citação acima, se aplica à geografia.
A presença da ideologia ou de ideologias na interpretação da produção do espaço geográfico atesta a tese de que a geografia é uma ciência que não faz jus ao status de ciência.
A análise geográfica sempre foi constituída de concepções exclusivamente ideológicas, apesar de a apreensão do espaço geográfico somente ser possível na sua totalidade a partir de uma postura teórica isenta de qualquer influência ideológica.
A ideia expressa por Milton Santos é restrita apenas a geografia, pois, de todas a chamadas ciências modernas, ela é a única que não tem um objeto de estudo preciso.
O viés ideológico de que trata o fragmento da citação acima é próprio apenas da dimensão humana da ciência geográfica, pois a geografia física não tem como ser contaminada por interpretações de natureza ideológicas.
O conhecimento geográfico não é produto unicamente de uma consciência puramente teórica, mas de um conjunto de elementos não teóricos, relacionados a vida em sociedade que agem na produção do espaço geográfico.
“O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre as quais eu influí. Quando se fala em território, deve-se, pois, de logo, entender que se está falando em território usado, utilizado por uma população”.
SANTOS, M. Por outra globalização – do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2003, 174p.
O texto cita um conceito muito difundido e discutido na Geografia, que é o de “território”. Entre as divisões político-administrativas que mais se relacionam com o conceito de território está a(o)
Estado-nação.
Espaço.
Bloco econômico.
Continente.
Hegemonia industrial.

O conceito mencionado anteriormente se refere a:
Atualmente, além do espaço geográfico – principal objeto de análise da Geografia –, existem quatro principais conceitos que se consolidaram como categorias geográficas: território, região, paisagem e lugar. Observe as afirmativas abaixo:
I - Paisagem: é uma categoria muito utilizada por aqueles pensadores que preferem construir uma concepção compreensiva da Geografia. A grosso modo, a paisagem pode ser definida como o espaço percebido, ou seja, uma determinada área ou ponto do espaço da forma como são entendidos pela razão humana.
II – Lugar: refere-se às configurações externas do espaço. Por muitas vezes, ele foi definido como “aquilo que a visão alcança”. Porém, essa definição desconsidera os chamados “lugares ocultos”, ou seja, aqueles processos e dinâmicas que são visíveis, mas que de alguma forma foram ocultados pela sociedade.
III - Território: é classicamente definido como sendo um espaço delimitado. Tal delimitação se dá através de fronteiras, sejam elas definidas pelo homem ou pela natureza.
IV - Região: é uma área ou espaço que foi dividido obedecendo a um critério específico. Trata-se de uma elaboração racional humana para melhor compreender uma determinada área ou um aspecto dela. Assim, as regiões podem ser criadas para realizar estudos sobre as características gerais de um território ou para entender determinados aspectos do espaço.
Podemos assinalar como CORRETAS as afirmativas:
Leia o texto a seguir.
O problema é que os geógrafos sempre tiveram dificuldade para fazer teoria e a Geografia sempre foi, de modo geral, uma disciplina que se contentou com uma abordagem empírica. Assim, a discussão do objeto não se dava com a extensão, a profundidade e a força que deveria ter. |
SANTOS, Milton. Testamento intelectual. Entrevistado por Jesus de Paula Assis; colaboração de Maria Encarnação Sposito. São Paulo: Editora UNESP, 2004.
Nesse trecho, Milton Santos reforça a
crítica ao empirismo na tradição da Geografia e, ao mesmo tempo, salienta a fragilidade teórica dessa área de conhecimento.
dicotomia entre empirismo e racionalismo que traz à tona discussões de cunho teórico e prático da ciência geográfica.
ideia de que a Geografia deve fundamentar-se nas diversas teorias disponíveis, para que tenha sustentação empírica.
percepção da pouca profundidade teórica presente na Geografia, justificada pelo maior desenvolvimento da base empírica em que foi consolidada.
Assinale a opção CORRETA referente definição de “espaço” proposta pelo geógrafo Milton Santos a ser considerada na pesquisa geográfica.
(SANTOS, Milton, A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção, 4ªed, São Paulo, editora USP, 2004)
O espaço é um conjunto dissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações.
O espaço é um sistema de objetos e sistema de ações que atuam separadamente.
O espaço é um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações que não podem ser considerados isoladamente, mas como um quadro único no qual a história acontece.
O espaço é uma configuração territorial resultante de uma produção que ocorre nos dias atuais, onde os objetos fabricados pelo homem vão sendo lentamente substituídos por objetos cada vez mais naturais.
Existe uma geografia ou várias? Essa é uma velha questão que retrata as divisões existentes nesse saber[ ... ]desde a Grécia antiga, surgiu uma diferenciação sobre geografia geral e geografia regional. (VESENTINI, 2010. p. 27)
Com base na citação, analise as questões a seguir e marque a única alternativa correta.
Essa dualidade prevaleceu, como a citação afirma, no passado. Atualmente essa dicotomia foi completamente superada.
No século XIX surgiu a divisão entre geografia física, que estuda as paisagens naturais na superfície terrestre, e geografia humana, responsável por estudar os grupos humanos e sua dimensão espacial.
São subdivisões da geografia física: relevo, clima e demografia; ao passo que política, urbano, rural e economia são especificidades da geografia humana.
O nível teórico-metodológico alcançado pela geografia moderna não abre mais espaço para novas especificidades ou subdivisões no saber geográfico.
A dicotomia existente na ciência geográfica é produto da independência existente entre seus ramos de conhecimento.
Leia o texto a seguir, que apresenta uma abordagem desenvolvida pela ciência geográfica.
[Essa abordagem] divide o estudo geográfico em quadros físicos, humanos e econômicos. Assim, tem-se, por exemplo, nos trabalhos monográficos [...]: a localização da área, por meio de projeções cartográficas; o quadro físico: como relevo, solo, hidrografia, clima, vegetação etc.; a formação histórica de ocupação humana do território; a estrutura agrária; a estrutura urbana; a estrutura industrial etc. Finalmente, apresenta-se uma conclusão, com um conjunto de cartas, objetivando demonstrar uma relação entre os elementos humanos e naturais […]. |
RODRIGUES, Auro de Jesus. Geografia: introdução à ciência geográfica. São Paulo: Avercamp, 2008. p. 86.
A abordagem expressa no texto é da Geografia
Pragmática.
Cultural.
Determinista.
Regional.
“A Geografia conhece hoje um movimento de renovação considerável, que advém do rompimento de grande parte dos geógrafos com relação à perspectiva tradicional. Há uma crise de fato da Geografia Tradicional, e este enseja a busca de novos caminhos, de nova linguagem, de novas propostas, enfim, de uma liberdade maior de reflexão e criação”.
(MORAES, Antonio Carlos R. Geografia: pequena história crítica. 19ª ed. São Paulo: Hucitec, 2003, pág. 93)
A citação acima demonstra um movimento importante no meio acadêmico geográfico na busca da renovação de seu objeto de estudo e da sua metodologia de pesquisa. No meio educacional, também, tem havido esforços para que ocorram mudanças na forma de ensinar a Geografia. Boa parte da crise da Geografia Tradicional no campo acadêmico pode ser atribuída aos seguintes fatores, EXCETO:
o postulado filosófico e pueril do positivismo clássico da Geografia Tradicional não oferece suporte teórico para explicar as atuais configurações espaciais do mundo
a necessidade de acompanhar e compreender o processo acelerado da urbanização das sociedades, que torna a realidade espacial mais complexa
a dificuldade de acompanhar as mudanças tecnológicas ocorridas na prática pedagógica, como a utilização do quadro digital
as novas demandas do capital para que esta ciência gere um instrumental de intervenção territorial/espacial mais eficiente
A Geografia enquanto ciência é uma disciplina relativamente nova e que passa a ser vista desta forma a partir do século XIX. Vários cientistas dedicaram a sua vida às pesquisas relacionadas à evolução da ciência geográfica e seu papel no desenvolvimento da sociedade humana. Como consequência, foram criadas algumas correntes do pensamento geográfico. Relacione abaixo as diferentes correntes geográficas com seus teóricos.
1. Determinismo geográfico
2. Possibilismo geográfico
3. Nova Geografia
4. Geografia Crítica
5. Geografia Humanística
( ) Paul Vidal de La Blache
( ) Yu-Fu Tuan
( ) Friedrich Ratzel
( ) Yves Lacoste
( ) Richard Hartshorne
Assinale a sequência que ilustra o preenchimento CORRETO dos parênteses, de cima para baixo.
1 – 3 – 2 – 4 – 5.
2 – 5 – 1 – 3 – 4.
2 – 3 – 1 – 4 – 5.
2 – 5 – 1 – 4 – 3.
1 – 5 – 2 – 4 – 3.
O geógrafo autor do clássico A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra escreveu que o Estado e a grande empresa possuíam uma visão integrada do espaço, por suas intervenções em vários lugares, enquanto o cidadão comum tinha uma visão fragmentada, por somente abarcar seu cotidiano. O geógrafo citado é
Pierre George.
Yves Lacoste.
Manuel Castells.
Vidal de La Blache.
David Harvey.
A história do pensamento geográfico dá especial destaque às contribuições de Paul Vidal de la Blache, um dos pais fundadores da moderna Geografia. Em seus estudos sobre a França, desenvolveu o conceito de:
espacialização.
espaço vital.
meio técnico-científico-informacional.
gênero de vida.
planície isotrópica.
Sobre a relação da sociedade com a natureza, é verdadeiro afirmar que:
o chamado meio natural é uma realidade espacial que tende a se perpetuar no cotidiano das sociedades humanas.
a artificialização do espaço geográfico é um processo em retrocesso em virtude das pressões ambientalistas globais.
a relação sociedade versus natureza sempre foi, em todas dimensões do espaço habitado, marcada pela substituição do meio natural por uma forma, cada vez mais, artificializada do espaço geográfico.
o meio natural não mais existe, tudo o que chamamos de natureza é produto da intervenção humana.
o meio técnico e o meio técnico-científico-informacional não existem, são conceitos abstratos, só o meio natural é concreto, ele é a base material sobre a qual se realizam todas as relações da sociedade com a natureza.
“A crise da Geografia clássica coincidiu com uma grande rediscussão do conceito de região. Aos poucos, o estabelecimento de regiões passa a ser uma técnica da geografia e não mais um produto final do trabalho de pesquisa. Ganha então relevo uma abordagem conhecida como análise regional, de inspiração neoclássica, que enfatiza os estudos das chamadas regiões funcionais.”
(Adaptado de: GOMES, Paulo Cesar da Costa. O conceito de região e sua discussão. Em: CASTRO, Iná Elias de; et all. (Org.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.)
Para estudar as regiões funcionais, a partir da perspectiva da análise regional, é necessário considerar
A partir dos anos 60, sob influência das teorias marxistas, surge uma tendência crítica à Geografia Tradicional, cujo centro de preocupações passa a ser
o fato de que cada lugar ou região deve ser explicado por si mesmo, um avanço no estudo da sociedade.
a valorização do papel do homem sobre a natureza, influência da abordagem humanista.
o estudo das relações entre o homem e a natureza, destacando os processos de adaptação humana à natureza.
as relações entre a sociedade, o trabalho e a natureza na produção e apropriação dos lugares e territórios.
o método de observação e descrição dos fenômenos humanos e espaciais, estes cada vez mais complexos.
Um dado bruto é uma informação sem contexto. Quando colocado num contexto, esse dado torna-se útil e passa a constituir uma informação. Assinale a alternativa correta sobre as informações passíveis de mapeamento geográfico.
O mapeamento de fenômenos espaciais precisa de um componente espacial que os localiza no espaço. Dessa forma, os dados geográficos são específicos.
Nem todo dado geográfico precisa de um componente temporal. Um exemplo é a altitude, que não muda e pode ser mapeada a qualquer momento.
O componente espacial é sempre colocado em coordenadas geográficas, de modo que um dado apresentado em outros sistemas de coordenadas, como UTM, não é válido no sistema.
Qualquer dado que tiver atributo e um componente espacial é geográfico, não sendo necessário identificar o tempo em que foi mapeado, pois a informação mapeada independe do fator tempo, para se proceder a uma análise geográfica.
Qualquer dado, quando mapeado, torna-se uma informação. A localização do dado pode ser atribuída a um espaço abstrato, inexistente ou mesmo que não seja natural.