

Seu próximo nível começa aqui
Com a Assinatura Ilimitada, você tem tudo que precisa para sua aprovação.
Com a Assinatura Ilimitada, você combina prática, teoria e método em uma única assinatura com tudo que você precisa para sua aprovação.
“Esse trabalho era, como sabemos, trabalho compulsório. Entretanto, o caráter compulsório do trabalho não provinha da escassez absoluta de mãode-obra, mas do fato de que a oferta desses trabalhadores no mercado era regulada pelo comércio negreiro.”
-
MARTINS, José de Souza. O cativeiro da terra. 2ª edição. Livraria Editora Ciências Humanas. SP. 1981. P.25
-
“Paradoxalmente, é a partir do tráfico negreiro que se pode entender a escravidão africana colonial, e não o contrário.”
-
NOVAIS, Fernando Antônio. Estrutura e dinâmica do antigo sistema colonial (séculos XVI-XVII), 2ª edição, Cebrap, SP, 1975, p. 32.
-
Os fragmentos de texto acima reafirmam a importância do tráfico negreiro como impulsionador do sistema escravista na América portuguesa.
O gráfico a seguir destaca a importância da cidade do Rio de Janeiro, então capital da colônia e, posteriormente, sede do Reino português e do Império brasileiro, como o maior ponto receptor de africanos escravizados das Américas, entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do XIX.
-
VARIAÇÃO DA QUANTIDADE DE NAVIOS NEGREIROS QUE ATRACARAM NO PORTO DO RIO DE JANEIRO, 17+.-1830
-

-
Manolo Florentino. Em costas negras. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado.
-
Os textos e o gráfico fornecem elementos que permitem afirmar corretamente que:
o tráfico negreiro em direção ao Brasil era pouco significativo nas primeiras décadas do século XIX, pois a mão de obra livre já estava em franca expansão no país
o tráfico negreiro no porto do Rio de Janeiro, à época citada, tornou-se intenso devido, principalmente, ao crescimento da economia cafeeira na região centro-sul
a cidade do Rio de Janeiro, à época citada, transformou-se no principal centro fornecedor de braços escravos para a crescente economia mineradora do ouro e do diamante
a economia açucareira na região centro-sul do Brasil continuava a predominar, exigindo, um maior número de africanos escravizados que aportavam no Rio de Janeiro
“A cultura africana chegou ao Brasil com os povos escravizados trazidos da África durante o longo período em que durou o tráfico negreiro transatlântico. A diversidade cultural da África refletiu-se na diversidade dos escravos, pertencentes a diversas etnias que falavam idiomas diferentes e trouxeram tradições distintas. Os africanos trazidos ao Brasil incluíram bantos, nagôs e jejes, cujas crenças religiosas deram origem às religiões afro-brasileiras, e os hauçás e malês, de religião islâmica e alfabetizados em árabe. Assim como a indígena, a cultura africana foi geralmente suprimida pelos colonizadores.”
(https://www.faecpr.edu.br/site/portal_afro_brasileira/2_I.php)
Em relação à cultura afro-brasileira, assinale a alternativa CORRETA.
Os bantos, nagôs e jejes no Brasil criaram o candomblé, religião afro-brasileira baseada no culto aos orixás, praticada atualmente, no território nacional, embora ainda sofra com preconceito de parte da população.
Largamente distribuída também é a umbanda, religião mais antiga que o candomblé, mas que não mistura elementos africanos com o catolicismo e o espiritismo.
A capoeira, usada durante muito tempo como forma de resistência escrava, chegou ao Brasil junto com os primeiros escravos, disseminando-se, ainda, no período colonial entre indígenas e brancos.
A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, todavia essa influência só se resume ao estado da Bahia, onde foi introduzido o dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite-de-dendê.
Na música, contribuiu com os instrumentos de sopro e corda, que são a base da música popular brasileira. Gêneros musicais coloniais de influência africana, como a polca e a marcha marcial, terminaram dando origem à base rítmica do maxixe, samba, choro, bossa-nova e outros gêneros musicais atuais.
A partir dos anos 50, aproximadamente, uma nova concepção revitalizou os estudos sobre a escravidão negra. Há uma renovação do interesse pela escravidão negra nos Estados Unidos, com trabalhos de David Brion Davis, Charles Wagley, Boxer e Genovene, que questionaram as teses Tannebaum, Elkins e, consequentemente, Gilberto Freyre. Argumentaram que o escravismo anglo-saxônico pouco diferia daquele instituído por povos de outra origem, inexistindo um sistema mais brando que outro e sendo as variações ao longo do tempo menos significativas que os padrões subjacentes de unidade.
[Suely Robles Reis de Queiróz, Escravidão negra em debate. Em: Marcos Cezar de Freitas (org.). Historiografia brasileira em perspectiva, 1998. Adaptado]
Segundo o artigo, a repercussão dessas ideias no Brasil teve como efeito
uma mudança na historiografia da escravidão, e esta passou a ser entendida como com fundamental para se compreender o processo de acumulação do capital.
a resistência da universidade em estudar a escravidão, o que terminou por ocorrer em centro de estudos independentes, como Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro.
a retomada da discussão sobre a importância do uso da mão de obra indígena na formação do imaginário nacional e as decorrências negativas da escravidão africana.
a revalorização das teses sobre como se deveria fazer a História do Brasil, construída, no século XIX, pelo Colégio Dom Pedro II.
a elaboração de teorias que mostravam a especificidade da exploração do trabalho cativo no Brasil, em especial porque havia certa docilidade na relação senhor-escravo.
A expressão “Pretos Minas” era um termo utilizado ao longo dos séculos de escravidão para designar um tipo específico de escravo presente no Brasil. Qual a origem desse constante e importante termo de época?
O termo está relacionado ao estado de Minas Gerais, onde os negros eram utilizados na exploração do ouro, que era revertido para a Inglaterra como forma de se pagar dívidas do Império Português.
O termo está relacionado à exploração da prata na Argentina, que era trocada por escravos na África e por especiarias na Ásia e no sul da Europa.
O termo está relacionado à formação matrilinear de muitas tribos africanas, sendo o termo “mina” utilizado no Brasil, até o momento, como forma popular de expressar o sexo feminino.
O termo está relacionado ao Forte de Al-Mina, na qual eram retirados os negros em condição de cativos e enviados para a América.
O termo está relacionado ao tráfico interprovincial, no qual negros do Nordeste açucareiro migraram para as regiões cafeicultoras no Sudeste.
“O tráfico transatlântico de escravos africanos tomou no Brasil uma dimensão inédita no Novo Mundo. Do século XVI até 1850, no período colonial e no imperial, o país foi o maior importador de escravos africanos das Américas. Foi ainda a única nação independente que praticou maciçamente o tráfico negreiro, transformando o território nacional no maior agregado político escravista americano. Consubstancial à organização do Império do Brasil, a intensificação da importação de escravos africanos após 1822 explica a longevidade do escravismo até sua abolição, em 1888.”
(ALENCASTRE, Luiz Felipe de. In: SCHWARCS, Lília M. e GOMES, Flávio. “Dicionário da escravidão e liberdade”. São Paulo: Cia das Letras, 2018, p. 57)
Sobre a estrutura e dinâmica do sistema escravista brasileiro, identifique o item incorreto:
Alencastre observa que o número de 14.910 viagens negreiras transcorridas nos três séculos de tráfico negreiro atinja 4,8 milhões de africanos aportados no Brasil.
O site Trans-Atlantic Slave Trade Database, organizado por David Eltis e David Richardson, com colaboração de brasileiros, a exemplo de Manolo Florentino e Daniel Domingues, oferece um grande panorama com cerca de 36 mil viagens negreiras. O volume de informações permitiu mensurar em mais de 5 milhões a quantidade de africanos escravizados adentrados no Brasil.
Alencastre calcula em 750 mil portugueses aportados no Brasil entre 1500 e 1850. Ou seja, a cada 100 pessoas desembarcadas no Brasil, 86 eram escravos africanos e 14 eram colonos e imigrantes portugueses.
Alencastre entende duas áreas principais de onde vieram os escravos africanos: a primeira, a baía do Benin e golfo do Biafra, origem de 999.600 indivíduos desembarcados; a segunda, o CentroOeste africano, sobretudo Angola, de onde saíram 3,656 milhões de indivíduos.
A abertura comercial, somada à abolição do tráfico negreiro atlântico em EUA e Inglaterra, produziu um grande volume excedente de escravos absorvidos pelo mercado brasileiro. Essa hegemonia econômica e política do Rio de Janeiro foi fundamental para a afirmação da soberania do governo central sobre o território da América portuguesa e para a construção do Estado Nacional.
Em “Preto no branco. Raça e nacionalidade no pensamento brasileiro (1870-1930)”, Thomas E. Skidmore afirma que as décadas de 1920 e 1930 assistiram à consolidação do ideal do branqueamento e sua aceitação implícita pelos formadores de opinião e críticos sociais. Alguns cientistas vinham aderindo à tese do culturalismo puro; certos escritores brasileiros começavam a dispensar tratamento favorável à herança africana, a exemplo de Gilberto Freyre. Por outro lado, o nazismo ressuscitava argumentos hereditários para degradar judeus e negros. A elite brasileira colocava-se entre essas posições.
(SKIDMORE, THOMAS E. “Preto no branco. Raça e nacionalidade no pensamento brasileiro (1870-1930)”. São Paulo: Ed. Cia das Letras, 2012, p. 244-245).
A propósito do nacionalismo brasileiro e a identidade racial, identifique o item incorreto:
Roquete Pinto, antropólogo culturalista, foi uma exceção ao racismo dominante, pois questionou as premissas racistas da antropogeografia.
Nina Rodrigues, médico e professor, embora fosse reconhecido por suas opiniões racistas, deu início a um ambicioso projeto de documentação de sobrevivências afro-brasileiras na Bahia.
O pensamento racista de Monteiro Lobato tem limite na fase de construção de personagens literários. Se não notava a presença africana em sua obra, por outro lado enalteceu o sangue indígena.
Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, inverteu a afirmação racista dos danos pela mestiçagem. A redimensão racial do passado foi feita, convertendo-se em otimismo diante de uma civilização tropical única e etnicamente misturada.
Entre Oliveira Viana e Gilberto Freyre vemos o choque de dois projetos de nação, branqueamento e mestiçagem. Em 1935, com o avanço nazista na Alemanha e Integralismo no Brasil, alguns intelectuais, como Roquete Pinto e Gilberto Freyre, lançaram o “Manifesto contra o preconceito racial”, advertindo dos perigos da transplantação de ideias racistas para um país multiétnico como o Brasil.
Acompanhei com vivo interesse a solução desse grave problema (a extinção do tráfico negreiro). Compreendi que o contrabando não podia reerguer-se, desde que a ‘vontade nacional’ estava ao lado do ministério que decretava a supressão do tráfico. Reunir os capitais que se viam repentinamente deslocados do ilícito comércio e fazê-los convergir a um centro onde pudessem ir alimentar as forças produtivas do país, foi o pensamento que me surgiu na mente, ao ter certeza de que aquele fato era irrevogável.
(Visconde de Mauá. Autobiografia apud MATTOS, Limar; GONÇALVES, Maria. O Império da boa sociedade.
São Paulo: Editora Atual, 1991.)
Irineu Evangelista de Sousa foi um pioneiro da industrialização no Brasil, capitaneando diversas iniciativas, como a construção de ferrovias. Assinale a alternativa que apresenta as condições que contribuíram para os empreendimentos do Visconde de Mauá.
A política migratória do Senador Vergueiro e a Lei de Terras de 1850.
A concentração de capitais no Rio de Janeiro e a política liberal do Gabinete Saquarema.
A proibição do tráfico negreiro e o protecionismo da tarifa Alves Branco.
A lei Eusébio de Queiróz e a Guerra do Paraguai.
Observe a imagem a seguir, e leia o texto para responder a questão:

Fonte: https://www.google.com.br/search
A Cultura Brasileira é o resultado da miscigenação de diversos grupos étnicos que participaram da formação da população brasileira.
A diversidade cultural predominante no Brasil é consequência também da grande extensão territorial e das características geradas em cada região do país.
Diante do exposto e de seus conhecimentos sobre a formação cultural brasileira, é correto afirmar que
O europeu foi e é o principal e único formulador de caracteres da cultura brasileira.
Vem dos ameríndios todas as características formadoras da cultura brasileira.
As manifestações religiosas e culinárias africanas tiveram influência na formação cultural brasileira.
A formação da cultura brasileira tem seus substratos ligados unicamente aos povos oriundos daAmérica pré-colombiana.
As manifestações culturais africanas só se fazem presentes na formação cultural brasileira no tocante às questões culinárias.
No que concerne à história africana, bem coma a suas relações coma Europa e a América, assinale a altenativa correta.
Os africanos escravizados tiveram o primeiro contato com as irmandades católicas apenas ao chegar a colônia portuguesa na América.
No rol de crenças africanas sobre o universo, em especial na região Centro-Ocidental, atribuía-se uma grande importância aos espíritos dos ancestrais, considerados intermediários entre o homem e o Ser Supremo. Tal crença refletia-se na ênfase dada aos rituais fúnebres e na preocupação entre os libertos de definir em testamento as disposições religiosas de seu funeral como o tipo de mortalha, o modo de acompanhamento do corpo, o número de missas a rezar etc.
No século XVIII, quando a maior parte dos africanos desembarcados na Bahia eram oriundos de Ajuda e Aladá, predominavam nesses reinos o culto do vodu. Em linhas gerais, esse culto envolvia a prática de oferendas às divindades e aos processos de iniciação de devotos (vodúnsis), a maioria mulheres. Essa forma de expressão religiosa era bastante complexa na África Ocidental, incluindo templos em homenagens às divindades e manifestações com toques de tambores. Apesar de sua importância na experiência religiosa anterior à escravidão, esse culto não teve reflexos na religiosidade africana na colônia portuguesa na América.
Na maior parte da África subsaariana, os homens eram os principais responsáveis pelo comércio em grandes feiras e mercados.
Abaixo, temos um trecho de um sermão do Padre Antônio Vieira, jesuíta que atuou no Brasil do século XVII, no qual ele estabelece uma relação entre o trabalho dos escravos em um engenho com a cruz e a paixão de Cristo:
"Não há trabalho, nem gênero de vida no mundo mais parecido à cruz e paixão de Cristo, que o vosso em um desses engenhos. Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado ( ... ) Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isso se compõe a vossa imitação, que se for acompanhada de paciência, também terá merecimento de martírio".
(VIEIRA, Sermões. ln: BOSI, A. A Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p.172.).
Com as palavras proferidas, nesse sermão, o Padre Vieira
fortalece o ideal escravista, ressaltando que o sofrimento do escravo, semelhante ao de Cristo, pode trazer-lhe recompensa espiritual.
mostra a subserviência dos jesuítas aos senhores escravocratas, pois a catequese adestradora era uma exigência da elite colonial.
mostra neutralidade da catequese com relação à escravidão africana, preocupando-se apenas com a catequese.
estabelece uma forte relação entre economia e religião, pois esta se torna o único instrumento de estímulo ao trabalho escravo.
estimula a resistência negra contra a escravidão, alçando os escravos à posição de Jesus Cristo.
Leia as afirmativas a seguir:
I. O processo de ensino constitui-se de um sistema desarticulado, pois o desenvolvimento do aluno não está relacionado com os esforços pedagógicos do professor.
II. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi criada em 1889.
III. O trabalho escravo é uma característica do sistema de plantation utilizada nas américas.
Marque a alternativa CORRETA:
Nenhuma afirmativa está correta.
Está correta a afirmativa I, apenas.
Está correta a afirmativa II, apenas.
Está correta a afirmativa III, apenas.
Todas as afirmativas estão corretas.
A obrigatoriedade do ensino da história da África nas redes de ensino no Brasil confronta o universo docente brasileiro com o desafio de disseminar um conjunto de singularidades num curto espaço de tempo, por meio de uma gama de conhecimentos multidisciplinares sobre o mundo africano. Aprofundar e divulgar o conhecimento sobre os povos, as culturas e as civilizações do continente africano, antes, durante e depois da grande tragédia dos tráficos negreiros transaariano, do mar vermelho, do oceano Índico (árabe-mulçulmano) e do oceano Atlântico (europeu), e sobre a subsequente colonização direta desse continente pelo Ocidente a partir do século XIX, são tarefas de grande envergadura para o profissional docente. Portanto, no contexto da história geral da humanidade, a África apresenta em planos diversos um conjunto de impressionantes singularidades que remete ao professor interpretações conflituosas, quando não contraditórias, e é por causa dessas, dentre as muitas, singularidades que acaba sendo imprescindível, no decorrer das atividades de ensino, adotar uma abordagem transversal, transdisciplinar e de longa duração baseada numa dupla diacronicidade, as quais, respectivamente, são:
diacronicidade intracontinental e diacronicidade extracontinental.
diacronicidade local e diacronicidade comunitária.
diacronicidade do nordeste brasileiro e diacronicidade quilombolas.
diacronicidade universal e diacronicidade regional.
diacronicidade do homem negro e diacronicidade do povo brasileiro.
A partir da segunda metade do século XVIII, o número de escravos recém-chegados cresce no Rio e se estabiliza na Bahia. Nenhum lugar servia tão bem à recepção de escravos quanto o Rio de Janeiro.
FRANÇA, R. O tamanho real da escravidão. O Globo, 5 abr. 2015 (adaptado).
Na matéria, o jornalista informa uma mudança na dinâmica do tráfico atlântico que está relacionada à seguinte atividade:
Coleta de drogas do sertão.
Extração de metais preciosos.
Adoção da pecuária extensiva.
Retirada de madeira do litoral.
Exploração da lavoura de tabaco.
A Lei do Ventre Livre, também conhecida como Lei Rio Branco, foi promulgada em 28 de setembro de 1871 e determinava que :
os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir desta data ficariam livres.
os filhos de mulheres escravizadas que já possuíam 6 meses de idades a partir desta data ficariam livres.
os filhos e as mulheres escravizadas a partir desta data ficariam livres.
Nenhuma das alternativas.
Segundo Suely Robles Reis de Queiróz, no livro Historiografia brasileira em perspectiva (Freitas, 1998), “preocupado, como os de sua geração, com a questão da raça e a intensa miscigenação ocorrida no país, (…) buscou explicar-lhes o significado concebendo uma sociedade de tipo paternalista, onde as relações de caráter pessoal assumiam vital importância. (…)
Na sociedade assim estabelecida, predominavam a empatia entre as raças e a amenidade na relação senhor- -escravo, características que explicariam a miscigenação e seriam peculiares no quadro geral do escravismo americano. Decorriam elas da plasticidade racial do colonizador português, cujos traços psicológicos diferenciavam- -no dos anglo-americanos em valores e personalidade.”
A autora refere-se aos estudos de
Capistrano de Abreu.
Fernando Henrique Cardoso.
José Roberto do Amaral Lapa.
João José Reis.
Gilberto Freyre.
TEXTO PARA A QUESTÃO 31
A escravidão deixou um legado de desigualdade no país, haja vista que a população negra brasileira ainda é a grande maioria nos bolsões de pobreza e a maioria a sofrer violência policial.
A escravidão não deixou marcas profundas no Brasil, já que a população brasileira soube, com o passar das décadas, superar esse triste passado.
Com o fim da escravidão no Brasil, o governo lançou uma série de políticas públicas voltadas para a inserção da população negra nas escolas e, consequentemente, no mercado de trabalho.
Punições aos erros cometidos pelo escravizados permitiram um desenvolvimento social e econômico por parte da população negra, que se tornou economicamente majoritária no Brasil.
Houve, com o fim da escravidão, o acolhimento da população de ex-escravizados em políticas de qualificação profissional, tendo em vista a compreensão e a transformação da realidade dos negros brasileiros.
ATA DE 5 DE NOVEMBRO DE 1866
“(...) Foi objeto da conferência os seguintes quesitos remetidos aos Conselheiros de Estado pelo Presidente do Conselho de Ministros em vinte e oito de outubro próximo passado.
Quesitos. 1º Continuando a guerra, será conveniente lançar mão de alforria de escravos para aumentar o número dos soldados do exército? 2º Que escravos serão preferíveis para o fim de que trata o primeiro quesito: os da Nação, os das Ordens Religiosas, ou os dos particulares? 3º Como realizar essa medida?
E dignando-se Sua Majestade Imperial de ouvir o parecer dos Conselheiros de Estado: (...)
O Visconde de Itaboraí, concordando com a voto do Visconde de Jequitinhonha na parte relativa ao 1º quesito, pudera que a medida de libertar escravos para engrossar as fileiras do exército de operações no Paraguai, ou será estéril e completamente ineficaz, ou para deixar de sê-lo, se tornará minimamente onerosa ao Tesouro público; e poderá de mais originar perigos que lhe parecem muito sérios e dignos de atenção. (...) Chamar os escravos a defender com os homens livres a integridade do Império e a vingar os ultrajes recebidos de uma pequena República é confessarmos de modo mais autêntico e solene perante o mundo civilizado que somos impotentes para, sem auxílio dos nossos escravos, defendermo-nos como nação; e desde então lhe parece impossível acharem-se razões que possam justificar o fato de continuarmos a conservá-los deserdados de seus direitos de homens, e das vantagens da vida civil: seria em sua humilde opinião o passo mais adiantado e mais decisivo para a próxima e rápida emancipação. Não deixará de lembrar ainda a excitação que entre os próprios escravos produziria uma tal medida; as esperanças que ela faria nascer, o incentivo para procurarem libertar-se; e as insurreições e cenas de sangue, que daí poderiam provir, às que convém ainda acrescentar a inquietação, os sustos, e meios que a medida causaria à classe dos senhores de escravos, e principalmente aos agricultores, mais expostos do que os outros aos resultados desses tristes acontecimentos. Tudo isto se figura ao referido Conselheiro de tão funestas e lutuosas consequências, que entende de seu mais rigoroso dever votar contra a medida indicada no 1º quesito, e contra todos os meios de dá-la à execução.
(...)
O Conselheiro Pimenta Bueno responde ao primeiro quesito que em sua opinião convém lançar mão da libertação dos escravos que se possa obter para aumentar a força do exército em campanha, uma vez que se proceda com a atenção e sabedoria que cumpre. Entende que convém por mais de uma razão:
1° porque a política aconselha que em vez de diminuir a população livre, pelo contrário se diminua o número dos escravos; 2º porque é um meio de emancipação, que desde logo dá destino e ocupação aos emancipados; 3º porque embora esses braços façam alguma falta à lavoura, maior falta fazem os braços dos filhos, parentes, ou jornadeiros dos agricultores, muitos dos quais representam núcleos de futuras famílias trabalhadoras, núcleos que a guerra vai extinguir; 4º porque não sendo nossa sociedade homogênea é preferível poupar a classe mais civilizada e mais moralizada, e não a outra que é menos, e que pode ser perigosa. Entre males cumpre escolher os menores; 5º porque o recrutamento de homens livres será cada vez mais difícil, atentas às circunstâncias especiais do País.
Quanto ao 2° quesito, responde, também, afirmativamente e entende que convém lançar mão tanto dos escravos da Nação, como dos escravos dos Conventos e mesmo dos particulares, desde que possam ser obtidos sem violação do direito de propriedade e sem gravame do Tesouro. Pensa que convém começar pelo da Nação, para que o exemplo seja seguido pelos Conventos e pelos particulares.
(...)”
Em 1866, o imperador convocou o Conselho de Estado para discutir se deveria ou não recrutar escravos para lutarem na Guerra do Paraguai. Apesar da divergência de opiniões entre os conselheiros sobre a participação ou não de escravos na Guerra do Paraguai, os pronunciamentos revelam
despreparo político dos Conselheiros do Império.
preocupação com a possibilidade de abolição da escravidão.
posicionamentos distintos e antagônicos sobre questões étnico-raciais.
a fragilidade do exército brasileiro em detrimento da existência da Guarda Nacional.
Sobre a vida dos escravos nas zonas urbanas do Brasil no século XIX, marque (V) para as alternativas VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS.
( ) Em meados do século XIX, pouco se encontravam escravos nos centros urbanos brasileiros, especialmente em cidades como Salvador, onde o contingente de negros africanos era pífio.
( ) Nas cidades, os escravos estavam presentes em todos os lugares, desempenhando as mais variadas funções e ofícios trabalhando como carpinteiros, ferreiros, sapateiros, marceneiros etc. Eram os chamados escravos de ofício.
( ) Nos centros urbanos, os escravos que eram alugados para prestarem serviços como o transporte de mercadorias pesadas e de gente nos palanquins, ou mesmo atuarem como vendedores, eram chamados de negros de ganho.
( ) As casas mais ricas podiam possuir até setenta escravos. Uma pequena parte dos cativos cuidava dos serviços domésticos; outra ficava destinada às necessidades pessoais dos senhores e senhoras e os demais findavam trabalhando como escravos de ganho.
Marque a opção que apresenta a sequência CORRETA.
V – V – V – F.
F – V – V – V.
V – F – V – F.
F – V – F – V.
F – F – V – F.
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), afirma-se que as diversas dimensões de tempo só são compreendidas em todas as suas complexidades pelo acesso dos alunos a conhecimentos adquiridos ao longo de uma variedade de estudos interdisciplinares durante sua escolaridade. Nesse sentido, não deve existir uma preocupação especial do professor em ensinar, formalmente, uma dimensão ou outra, mas trabalhar atividades didáticas diversificadas, de preferência em conjunto com outras áreas. Com base nessa afirmação, NÃO é um exemplo de atividade para o professor de História trabalhar com os alunos de 6º a 9º ano:
Localizar acontecimentos em linhas cronológicas e construir relações entre eles por critérios de anterioridade, posterioridade e simultaneidade.
Estudar a História e o contexto de como foram construídas e denominadas as clássicas divisões da História em Pré-História e História, que repercutem na dificuldade do estudo da História de povos que não desenvolveram a escrita.
Estudar a concepção de tempo cíclico da natureza, suas relações com a construção de calendários e suas relações com histórias de indivíduos, de povos ou da humanidade, como, por exemplo, a vida e a morte, as idades ao longo da vida, as idades na História, a repetição dos meses de um ano para o outro, a ideia de recomeço na passagem do Ano Novo ou a ideia de renovação no nascimento de um filho.
Estudar e compreender que calendários são muito semelhantes, independentemente das diferenças culturais, visto que a noção de tempo é a mesma para os mais diversos grupos sociais.
Construir novas periodizações, dependendo do tema de estudo e da identificação de mudanças e de permanências nos hábitos, costumes, regimes políticos e sistemas econômicos das sociedades estudadas.

(Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-101X2015000200418.Acesso em: 05/10/2019.)
A imagem faz referência às discussões e às tentativas de incentivar a imigração chinesa para o Brasil na segunda metade do século XIX. Tais projetos tinham por objetivo resolver qual problema existente então na economia brasileira?
A necessidade de mão de obra diante da proibição do tráfico negreiro.
A baixa qualificação dos trabalhadores rurais.
A introdução do trabalho assalariado na economia escravocrata.
A implementação da indústria têxtil no país.